- Porque você está aqui?
- Hã?
- Perguntei por que você "rodou"? Qual foi o seu crime para ficar preso nesse presídio?
- Rssss. Achei que era esperto demais e me ferrei. Tudo pode se resumir a isso.
- Entendi você assinou um 171?
- Não. Homicídio. Meti bala em alguém e fui preso em flagrante.
- Isso foi burrice, porque diz que se achou esperto? Não entendi.
- Vou explicar, afinal aqui temos tempo demais né? Posso perder um pouco explicando minha historia para você. Sabe jogar xadrez?
- Mais ou menos. Por quê?
- Vai ser mais fácil explicar então. Eu sempre me imaginei um jogador de xadrez e era assim que eu vivia, posso antecipar os movimentos das outras pessoas e consigo usar isso a meu favor, assim como nesse jogo, antecipar os atos do outro, era a melhor forma de eu me dá bem. Mulheres ou homens, não importava, eu sempre arrumava um jeito de conseguir o que eu queria em qualquer situação, vivia bem assim. De galho em galho, conseguindo dinheiro fácil, enrolando e sendo enrolado, afinal todo esperto tem seu dia de otário e ninguém é perfeito.
Um dia eu estava em uma cidade nova, bebendo uma cerveja e achei que ali poderia ser um bom lugar para arrumar um dinheiro. Comecei a puxar conversa com um e outro e escolhi um alvo preferencial, alguém que poderia me render muito lucro. Foi então o começo da minha desgraça.
Um dia eu estava em uma cidade nova, bebendo uma cerveja e achei que ali poderia ser um bom lugar para arrumar um dinheiro. Comecei a puxar conversa com um e outro e escolhi um alvo preferencial, alguém que poderia me render muito lucro. Foi então o começo da minha desgraça.
- Continua. Estou escutando.
- O plano era simples, arrancar dinheiro dele oferecendo um negócio vantajoso para ambos, e, para isso eu fui obrigado a colocar muito dinheiro meu na empreitada. Sem me dá conta, ele me incentivou a usar muito do meu capital enquanto ele colocava sempre uma quantia menor, eu achando que era esperto e logo iria conseguir meu lucro não me incomodei em investir uma alta soma.
A minha seqüência de erros por ter errado o comportamento do meu "sócio" causou a seguinte situação, quando tentei lucrar com meu dinheiro investido, ele me surpreendeu mostrando que seria prejudicial para a empresa e, não era mentira, saindo do negócio naquela ocasião não teria nem metade do investido por mim, lucro então, nem pensar.
Fui convencido a esperar mais, ele não falou quando e nem prometeu uma data, mas, um dia iria recuperar o investido ali, eu fingi não perceber esse detalhe e aceitei esperar mais uns meses, afinal eu sou um cara esperto e o enrolado na situação era ele e não eu. Meses se passaram, e meus lucros não vinham, quando tentei sair outras vezes fui persuadido a ficar por pressões financeiras ou psicológicas, se eu tivesse me dado conta que tinha virado caça e não caçador tinha amargado o prejuízo e ido embora, mas cometi outro erro que é se enganar, contar mentiras para eu mesmo. Poderia ter sido sincero e dito diante de um espelho que tomei uma volta, amargava o prejuízo e ia embora, mas permaneci, afinal, meu sócio não parecia ser um trambiqueiro e sim alguém com boas intenções tentando fazer uma empresa dá lucros para ele e eu, não havia motivos para eu não confiar nele e esperar mais um pouco, eu pensava em não ficar no prejuízo depois de investir tanto dinheiro e tempo.
- No jogo de xadrez quando você sai com as brancas, à vantagem é sua, correto?
Fui convencido a esperar mais, ele não falou quando e nem prometeu uma data, mas, um dia iria recuperar o investido ali, eu fingi não perceber esse detalhe e aceitei esperar mais uns meses, afinal eu sou um cara esperto e o enrolado na situação era ele e não eu. Meses se passaram, e meus lucros não vinham, quando tentei sair outras vezes fui persuadido a ficar por pressões financeiras ou psicológicas, se eu tivesse me dado conta que tinha virado caça e não caçador tinha amargado o prejuízo e ido embora, mas cometi outro erro que é se enganar, contar mentiras para eu mesmo. Poderia ter sido sincero e dito diante de um espelho que tomei uma volta, amargava o prejuízo e ia embora, mas permaneci, afinal, meu sócio não parecia ser um trambiqueiro e sim alguém com boas intenções tentando fazer uma empresa dá lucros para ele e eu, não havia motivos para eu não confiar nele e esperar mais um pouco, eu pensava em não ficar no prejuízo depois de investir tanto dinheiro e tempo.
- No jogo de xadrez quando você sai com as brancas, à vantagem é sua, correto?
- Sim.
Então, eu tinha saído com as brancas, movido os bispos, cavalos e peões, mas tinha sido bloqueado, a minha dama e torres não conseguiam espaço para jogar. Sem perceber ele me controlava a seu bel prazer, sempre colocando na situação que ele queria e se eu saísse um pouco da linha logo era cobrado com a ameaça da sociedade se desfazer. Passou um ano, o dinheiro empregado ali não tinha gerado os lucros esperados e quando eu pensava em retirar sempre era convencido a esperar mais um pouco, pois um dia teria o prometido, era essa a promessa implícita nas palavras dele.
Esperei o quanto pude, era uma questão de honra, não poderia ter sido tão tolo assim a ponto de ter sido enrolado por alguém claramente mais burro do que eu, meu orgulho não permitia aceitar isso, dei mais um tempo, esperando por um milagre onde ao menos eu conseguisse ter uma saída honrosa para a situação.
-E então, o que fez?
- Comecei a pressionar e como fui burro, mas não sou sempre burro compreendi ser tarde demais, tinha perdido, enrolado por aquele cara, não ia ter lucros e muito menos recuperar o que eu coloquei lá. Desde o começo, ele tinha feito às coisas do jeito dele e fui incapaz de compreender isso, tão focado em entender a estratégia dele não percebi a manipulação que eu sofria desde então. O procurei em um hotel, estava no bar, fui até lá e exigi ao menos um pouco do meu dinheiro investido. Ficaria satisfeito com a metade e iria embora, quando tentou me convencer novamente a esperar, fiquei irritado e gritei vários palavrões. A discussão entre nós chamou a atenção das pessoas, seguranças esperavam apenas uma ordem para intervir na situação, então, quando mais uma vez pedi o final daquilo tudo com o reembolso proposto ele respondeu calmamente não ter nada a me dá. Se eu quisesse, fosse embora, pois eu era um ingrato, ele tinha dado a oportunidade de eu fazer parte de algo grandioso e era assim a minha retribuição. Falou isso com seriedade, como se realmente acreditasse nisso, dizendo que eu era um covarde medroso e por isso estava saindo fora da situação.
- Caramba. E então?
- Antes que alguém adivinhasse e tentasse impedir, puxei a pistola e descarreguei o “pente” nele. Doze tiros a queima roupa, sem chances de defesa e possibilidades de sobrevivência. Deve ter caído morto, nem reparei. Atirei e fui preso, diante do delegado quando perguntaram o motivo do crime eu respondi: Eu me achava esperto demais, Doutor...