Pedro
foi olhando a tela do computador e lendo o que diziam sobre a nova polêmica da
última semana. Estava na roda viva da internet, pensou, a procura de
informações, opiniões a serem dadas, polêmicas que às vezes só eram importantes
no mundo virtual.
Lembrou-se
de outros anos quando tinha começado a se conectar e se viu diante de um novo
mundo. De lá para cá ainda não tinha aprendido a filtrar informações, evitar
escrever por impulso, aceitar comentários irracionais e pessoas com falhas de caráter
enfim a não arrumar confusões nos fóruns e redes de relacionamentos.
Alguém
tinha escrito um daqueles textos grandes, criticava a intolerância alheia e era
tão intolerante quanto, a pessoa por ter certeza do lado certo se dava o
direito de tratar o "errado" da mesma forma que criticava. Vários
comentários leu alguns, sentiu vontade de participar da discussão preferiu
evitar. Não eram dez horas da manhã, iria ficar conectado por longas horas,
para que se desgastar?
Olhou
os números de amigos e seguidores e não tinha perdido nenhum algo incomum, pois
a cada vez que causava alguma polêmica os números mudavam com pessoas o
excluindo. Também chegavam novos e presumia que isso ocorria por concordarem ou
acharem que ele convergia com suas idéias. Muitos não ficavam nem uma semana,
descobriam cedo que dedicava à maior parte do que escrevia ao time de coração e
quando saía disso costumava ferir suscetibilidades por não medir críticas a
todos os espectros políticos.
As
notícias chegavam a sua tela, várias informações, muitas irrelevantes, ainda
não tinha decidido colocar em prática um modo de filtrar o que era importante.
Um link na tela apareceu decidiu ler apesar de indicado por quem detestava, deu
mais view ao autor, outra porcaria, perguntou-se como alguém tão idiota era
tratado como importante no mundo virtual, tanto quem tinha indicado como quem
tinha escrito a coluna no jornal.
Internet
era assim, pensou com seus botões do teclado, as pessoas tinham voz e algumas se
sabe lá porque eram tidas como inteligentes não obstante as asneiras escritas.
Percorreu sites, portais, redes de relacionamento, uma foto postada, um link
compartilhado, o tempo passava, às dezesseis horas já se sentia exausto, tinha
que dá um tempo de computador, pensou.
Iria
deixar o lap top em um canto, o celular desligado e ficar longe do desktop,
quem sabe ler um livro, ver televisão ou olhar a janela. Quando estava decidido
a desligar tudo algo ocorreu na rede de computadores. Alguém tinha cometido um
erro, a notícia ia se espalhando, hipócritas bancavam os moralistas, as pessoas
pegavam suas pedras virtuais, um linchamento se iniciava. Não ficou de fora, é
claro, tinha que se opinar e participar da turba insana e assim ficou conectado
por horas até o cansaço obrigá-lo a se deitar. Exausto ainda deu uma última
olhada antes de dormir. Era necessário saber se não tinha perdido nenhuma
informação nova. O mundo não para o ideal seria ficar conectado vinte e quatro
horas para não perder nada.