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quarta-feira, 3 de julho de 2024

2 de Julho

     Sentado em uma cadeira da universidade, os pensamentos remetiam a um ano atrás e o coração sangrava. A derrota na Libertadores tinha se juntado a outros problemas, e o sangue escorria. Uma hemorragia dolorida. O tempo passou, anos lembrando e tentando esquecer aquela noite, madrugada, dia.
    Mas não há mal que sempre dure. Não há ferida que não cicatrize, apesar de algumas demorarem demais. Acabou ano passado. O que vai ocorrer este ano não importa. Sarou. Passou.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

115 Anos

1985 a 1990 - Romerito, Ricardo Gomes
Título contra o Bangu (lembro pouco)
Eliminação pro Bahia em 89. Aquela doeu.
1990 a 2000 - Ezio, super Ezio um dos maiores contra eles, Parreira, quem faria o que você fez, professor?
O roubo do Juiz contra o inter.
O Jejum que só não era pior por causa dos fla Flus.
Último "título nas" Laranjeiras em 93.
O ano de 95. O fim do jejum.
A manchete do "O Globo": Fluminense de Novo Campeão.
Os anos trágicos.
Campeão da terceira sim. Com muito orgulho.
A volta via João Havelange (feita pra salvar o Botafogo).
2001 a 2010 - Romario, Fred, Conca, Thiago Silva, Deco, Thiago Neves, Adriano Magrão, Abel Braga.
Era Romario. Odiava e amava o Baixinho no Flu.
Título em 2005. FFC sendo campeão estadual de novo.
Título em 2007. De novo campeão nacional.
Despedida do Thiago Silva.
Contratação do Fred.
Conca jogando todo o campeonato brasileiro. De ponta a ponta o argentino fez o impensável.
O jogo contra o Guarani.
2011 a 2016 - Fred, Gum, Conca (de volta).
O time franco atirador. Perdia ou ganhava nunca empatava. Jogos com vitórias épicas
fla Flu do centenário.
Jogo contra o vasco com gol do Thiago Neves em
Campeão em 2012 com um dos melhores Fluminense que eu vi.
Campeão da primeira liga. Tinha que ter drama como sempre. Na semi Cavalieri se mostrou a altura do Paulo Goulart.
2017 - A história está sendo escrita pois nós somos a história. O futebol brasileiro foi fundado na nossa casa, fomos fundados para o futebol quando o esporte praticamente não existia no RJ.
Não existe futebol brasileiro sem o Fluminense incluso. 115 anos fizeram com que não se ande nas Laranjeiras sem tropeçar e uma glória, um jogo inesquecível, um momento feliz. Tudo passará menos o Flu.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Eu e o Torcedor Racional

Imagine que você está bem em seu relacionamento, mas sua namorada causa um problema irritante. Você não quer brigar, sabe que estarão bem nos próximos dias, está apenas puto, mas tem o primo mala racional a te atazanar.

Você diz que mulheres são assim mesmo e o primo diz que é machismo.

Você diz que ela é escorpiana a entende e o primo diz que zodíaco é bobagem.

Você diz que não foi nada demais e o primo diz que pode ser o início de um aborrecimento maior.

Assim é a minha relação com o Flu e o torcedor racional. O meu time perdeu um clássico (bem ou mal é um clássico) e eu não quero brigar com jogador, xingar o cartola, reclamar da zaga, culpar o meio campo ou achar que aquele garoto é a reencarnação do Lenny.

E então eu digo que:

A culpa foi da zica e o torcedor racional diz que isso não existe.

A culpa foi do mosaico e o torcedor racional diz que ele não ganha ou perde jogo.

A culpa foi dos astros e o torcedor racional diz que astrologia é bobagem.


A culpa foi o jogo passando na Globo e o mala elenca todas as nossas vitorias às 16 horas transmitidas pela emissora.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A Maior Barrigada de Todos os Tempos

     Eu não gosto de dias frios ou de chuvas, associo com momentos ruins na minha vida. E naquele domingo quando ela desabou eu temi o pior apesar do campo pesado nos favorecer.
Renato em uma entrevista diz que temeu uma contusão, não me recordo de ter sentido medo disso, aliás, me recordo verdadeiramente de poucas coisas, a lenda, o mito, há muito superou a realidade, quem conta um conto aumenta um ponto diz o ditado e a cada ponto acrescido a historia é contada.
   Não temo fla-Flu, nunca temi, é o único jogo que o respeito pelo rival me faz ter uma coragem plena mas estava temendo outro vice, outro ano sem título enquanto todos os times grandes tinham o que comemorar.
     Lembro-me de não ter comemorado nenhum dos 3 gols, de ter me desesperado com a última disparada do Savio e de ter rezado para aquele jogo acabar. Minutos intermináveis em uma narração do Garotinho escutada no walkmam amarelo com um fone arrebentado na hora do terceiro gol.
Foi o maior Fla Flu do séc., o maior jogo do Flu que eu vi e verei, tenho certeza. Foi um título com a cara do Flu tendo um enredo que todo torcedor sonha viver um dia.
    Nós torcedores temos isso, sonhamos viver momentos especiais, elegemos a partida das nossas vidas, nos orgulhamos dela, contamos para os mais novos invejosos como foi viver aquilo e quando olhamos matérias, ídolos daquela época, revivemos o passado com carinho. É um orgulho nosso, é meu orgulho ter vivido noventa cinco, um pequeno troféu que guardo comigo.
    Vinte anos se passaram e ainda não consigo falar sobre esse momento sem me emocionar. Nossa vida é feita de pequenas lembranças boas que vamos guardando em nossos corações para superar os momentos ruins. Trago comigo as imagens imortalizadas daquele domingo chuvoso, noite fria, inesquecível.

domingo, 10 de maio de 2015

Mãe (dialogos) II

- Fluminense joga hoje?

- joga sim.

- Você vai?

- Vou sim, almoço, durmo um pouco e vou.

- É contra quem?

- Flamengo.

- E VOCÊ VAI? Não é perigoso?

- Não, tomo meus cuidados.

- Vai com camisa comum né?

- Sim, mãe, vou, com qualquer camisa.

- Vai com essa que tem azul/preto/amarelo que não confunde.

- Ok, vou com essa.

- Não é melhor ver em casa?

- Não.

- É decisão?

- É a segunda rodada.

domingo, 6 de julho de 2014

Vai Em Paz, Carrasco

    Eu comecei a amar o Fluminense sabendo que o Assis era um ídolo do Flu e que deveria ser reverenciado onde ele estivesse. Não precisei que alguém me ensinasse a faze-lo, não precisei perguntar o que ele fez, ele estava tão associado ao Flu, suas façanhas eram contadas tão frequentemente que me tornei tricolor já sabendo dos gols decisivos, da dupla com o Washington, todos aqueles capítulos conta a historia do Flu na década de 80.
Mas havia algo mais do que isso. Assis era tricolor, gostava do carinho da nossa torcida e retribuía, se emocionava quando falava do Flu, quando se referia a nós torcedores e não era raro ve-lo banhando em lágrimas quando falava de nós, tricolores, do nosso amado clube, de toda sua historia com a nossa camisa. Era um de nós.
    Hoje a tarde eu entrei na internet e vi a notícia. Não acreditei, joguei no google e a página continua aberta, várias citações a sua morte e eu sem querer acreditar, quem sabe seja algum boato, que tudo será desmentido e essa homenagem vire uma gafe monumental. Queria que isso ocorresse, que não estivesse vendo partir mais um que fez parte do meu Flu de infância, dos tempos de moleque, quando você sonha fazer um gol em um fla Flu, de título e sentir a mesma emoção que ele sentiu.
Vai em paz, carrasco, obrigado por tudo. Pelos gols, pelos jogos, por ter aceitado vir jogar no Flu, por ter feito daqui a sua casa, por ter honrado a camisa tricolor mas principalmente pelo carinho que sempre demonstrou com nós torcedores, por sempre, ter falado do meu clube com carinho. Faço minha as suas palavras no documentário. Com todo respeito? Então, com todo respeito e minha reverência... Se recordar é viver...


domingo, 26 de agosto de 2012

Centenário

  Infelizmente ainda me encontro impossibilitado de voltar a escrever nesse blog por ainda está com problemas no braço, por isso não consegui escrever sobre os cem anos do Nelson Rodrigues, deixo aqui mesmo atrasado um pequeno post sobre ele. 
   Mauricio Murad deu uma pequena aula ontem no Sportv quando falou que Nelson Rodrigues nas suas crônicas sobre futebol falava da sociedade brasileira.  Seus textos sobre futebol para mim são geniais, pois mostra o futebol além de um bando de homens correndo atrás de uma bola para muitos verem. 
O complexo de vira latas ainda está no brasileiro assim como o ufanismo (tão usado por ele ao escrever), a redenção do negro, antes estigmatizado no futebol brasileiro, estava no príncipe etíope que era Didi. Talvez ele não contasse que a pátria de chuteiras seria entendido como o Brasil sendo o país do futebol onde todos amam esse esporte, não é, outros país estão na nossa frente. É uma pátria que consegue no futebol ser vencedora, deixar de ser o país que "tem tudo para dá certo" ou que "ainda não foi dessa vez" e ao mesmo tempo não suporta que sejamos os melhores algo, por isso muitos torcem contra, criticam, botam defeitos. Somos uma nação bipolar, onde o sentimento de ufanismo e a vontade de se depreciar ficam se impondo diante das situações e a seleção brasileira em cada copa do mundo mostra isso.
      Discutiram se ele era de direita ou de esquerda, já li críticas por ele ser reacionário, ter apoiado a ditadura, a mim não importa esse Nelson Rodrigues, vejo nele alguém que me ensinou a amar a subjetividade no futebol, mais do que isso, alguém que conseguiu escrever sobre o meu time o que eu sinto e nunca poderia descrever. 
    Vaidoso, talvez lá no céu fique feliz por ter sido tão lembrado em seus 100 anos, merecido por tudo o que ele foi.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Onze Homens e Milhões de Corações Apaixonado

Por Visão Desconexa
      Othon de Figueiredo Baena, Píndaro de Carvalho Rodrigues, Emmanuel Augusto Nery, Ernesto Amarante, Armando de Almeida, Orlando Sampaio Matos, Gustavo Adolpho de Carvalho, Lawrence Andrews e Arnaldo Machado Guimarães, no que esses dez caras estavam pensando quando resolveram seguir Alberto Borgueth em seu insano acesso de ira e posterior abandono da escalação do Tricolor Carioca lá pelos idos dos anos 11? Não, não era 2011, mas sim 1911, e os caras acima representam duas importantes facetas da história do universo futebolista carioca: são os primeiros torcedores do futebol rubro-negro e os primeiros vira-casacas também. Mas não devemos nem saudá-los pelo ineditismo do12º jogador do Flamengo e nem desferir sobre eles críticas envenenadas por conta da traição ao Tricolor; não, não devemos. Esses senhores, certamente sem se darem conta disso, acabaram por fundar com suas atitudes o maior e mais apaixonante Clássico do futebol brasileiro (do futebol mundial, penso eu, pois não creio que Barcelona e Real Madrid, ou Milan e Internazionale arrebanhem tantos corações apaixonados quando estão um diante do outro). Esses senhores saíram do coração Tricolor, sangrando, para fundarem o futebol do Clube de Regatas do Flamengo. Isso claro, eles sabiam estar realizando, mas a consequência deste ato... Duvido!
Foram onze homens importantes em minha vida e na vida de outros milhões de torcedores espalhados por este mundo tão imenso. Homens importantes não apenas por criarem o Departamento de Futebol num clube que posteriormente setransformaria no de maior torcida do país, mas homens importantes porque possibilitaram o nascimento de uma entidade mágica, apaixonante, ludibriante e muitas vezes explicável apenas por sua própria “inexplicabilidade”. Esses homens possibilitaram o nascimento do Fla-Flu, a maior expressão da paixão humana extraída por um esporte, por um jogo.
Hoje o Fla-Flu completa seu centenário. Cem anos de momentos esplêndidos e únicos no coração, na mente e na memória de cada um dos milhões de torcedores dos dois clubes. Quantas vezes cheguei em casa sem voz, rouco,  após divinas vitórias do Flamengo sobre o Fluminense... Quantas vezes molhei o travesseiro, com perdão do trocadilho, a partir das travessuras de maravilhosos Tricolores que impuseram inesquecíveis e doloridas derrotas à minha paixão...
Por falar em paixão...Somo meu agradecimento aos onze dissidentes Tricolores a outros homens tão importantes em minha vida quanto estes, não onze, mas vinte e três.
Primeiro de Setembro de 1974, Tijuca. Um descendente direto de portugueses – talvez este fato explique este dia – resolveu levar pela primeira vez seu filho ao Maracanã. Botafoguense doente, o homem não atentou para o detalhe de que naquele dia o Maracanã se encheria de mais de 87 mil pessoas para assistirem tranquilamente não ao Botafogo, mas a um Fla-Flu dos mais empolgantes. O primeiro Maracanã de minha vida, o primeiro Fla-Flu.
Félix, Toninho, Brunel, Assis e Marco Antônio; Kléber, Gérson e Mazinho; Cafuringa, Gil e Zé Roberto – Minha Nossa Senhora! -. Venceram por 2 x 1 a Renato, Luxemburgo, Jaime, Vantuir e Rodrigues Neto; Pedro Omar, Geraldo Assobiador e Paulinho; Doval e Zico. Foi um jogão! Marco Antônio e Gil colocaram o Fluzão na frente ainda na primeira etapa, Zico diminuiu no segundo tempo. Poderia ter saído daquele Maracanã Tricolor, mas quis Deus, além da vitória do Fluminense, que meu coração explodisse em cores diferentes, em cores rubro-negras.
O Maracanã se transformava em dias de Fla-Flus. Magia, tensão, alegria, tristeza, lágrimas e sorrisos, não há clássico igual a este! Ainda hoje, mesmo no acanhado Engenhão, Flamengo e Fluminense protagonizam um jogo a parte, diferente, um Clássico que não traz consigo outra importância relevante que não a sua própria existência. Um Fla-Flu não deve ser definido,mas sentido. Um Fla-flu precisa do rosto de um torcedor para ser traduzido. Um Fla-Flu faz nascerem torcedores, faz claudicarem corações... Não há como pensar um Fla-Flu sem a expressão de um sorriso, ou sem o lacrimejar de um olhar perdido. Sim, precisamos agradecer aos moços lá de cima e, é preciso também parabenizar a todos os torcedores, vivos ou mortos, por toda a emoção derramada para transformar este Clássico no Maior Clássico de Todos os Tempos. Não peço a Deus para completar os mesmo cem anos dos inebriantes Fla-Flus, não preciso viver tanto tempo, preciso viver paixões, mais cem Fla-Flus me bastariam.


* Visão Desconexa, autor desse texto é um querido amigo, flamenguista apaixonado por futebol e pelo Flamengo (evidente) e escreve no blog http://ovisaodesconexa.blogspot.com.br/ , onde a rivalidade do Fla Flu está sempre presente.

Fla Flu Centenário

   A briga ocorreu em um casarão antigo no bairro das Laranjeiras há muito tempo atrás, não se sabe exatamente o que foi dito na ocasião e até hoje dizem que o motivo foi à vaidade, a verdade é que os irmãos desde então se tornaram rivais e fazem questão de disputar com o outro o que é possível.
   Quem não conhece mais intimamente os dois, não diz que tem a mesma origem, são como a água e óleo, fazem questão de se colocarem em lados opostos quase sempre, embora algumas vezes quando conveniente tenham estado no mesmo lado (não admitem isso de bom grado em hipótese nenhuma).
   João permanece morando nessa casa até hoje, homem elegante de muitos admiradores, anda pela cidade com seu terno cortado, sapatos caros e aquele ar arrogante de quem se sente parte de uma aristocracia carioca que já não existe mais. Seus detratores o chamam de esnobe, elitista e para esses exibe um sorriso irônico aceitando que seja, mas em sua casa todos são bem vindo, com uma única condição, quem lá estiver tem que se sentir diferenciado assim como ele.
   Artur é exatamente o contrário, apesar de morar na Gávea desde a briga com seu irmão, gosta de ser popular, de fazer parte do povão, faz questão disso. Sua popularidade é evidente, aonde chega tem vários admiradores, suas festas são populares e não se importa nem um pouco quando alguém para tentar denegrir o chama de favelado, diz que o Rio de Janeiro não é só Ipanema e Copacabana, e ele detesta preconceito, gosta de ser se sentir o maior em tudo, diz com desdém que é o mais invejado, maior sucesso, mais admiradores.
   Os dois irmãos são antagônicos, durante décadas rivalizaram no Rio de Janeiro e levaram essa disputa para outros estados do Brasil e até países estrangeiros, onde um está o outro faz questão de desejar sinceramente seu fracasso sem o menor remorso. Como todos os vencedores não gostam de perder, mas a derrota de um para outro dói mais, é inadmissível e já fez muito estragos de lado a lado, enquanto as vitorias são contadas e relembradas sempre mesmo que algumas delas tenham ocorrido em décadas passadas.
   Um dia João se arruinou financeiramente e ficou muito doente, nas festas que Artur estava, João não era convidado, e para surpresa do irmão mais novo estava sentindo falta das disputas com o irmão mais velho, secretamente começou a desejar a melhora do desafeto do jeito que podia, simplesmente o ignorou, deixou de mandar indiretas na imprensa, de tentar prejudicá-lo, passou a dá atenção para outro rival. O tempo passou e a recuperação da enfermidade aconteceu, aos poucos se recuperando, foi convidado para a mesma festa e Artur foi cumprimentar João dizendo debochadamente que tinha sentido falta dele durante a sua doença, o adversário respondeu com aquela arrogância habitual que era medo o sentimento e tinha voltado mais forte ainda. Começaram a discutir, palavras pouco elogiáveis como “mulambo” “gay” “favelado” "esnobe” foram ditas e foi preciso a turma do “deixa disso” levar um para cada canto. Desde então, as disputas retornaram ao que era antes e o morador da Gávea lamenta publicamente que o seu irmão tenha adoecido e não morrido, embora no fundo do coração saiba que um depende do outro para serem gigantes.
  Domingo vão se encontrar de novo, ao menos nisso concordam, tinha que ser no Maracanã esse reencontro, lá é onde os dois foram mais felizes, mas não importa, a festa será bonita como os dois merecem, em lados opostos novamente, vão se xingar e dizer palavras politicamente incorretas, e se você perguntar nenhum dos dois irá falar do temor e respeito que um desperta no outro, por isso a rivalidade ainda existe, são cem anos de uma briga que dizem por aí, começou quarenta minutos antes do nada.

O Primeiro Fla Flu


João pisou no gramado e olhou em volta emocionado se segurando para não chorar. Eles não tinham abandonado o time, estavam nas arquibancadas apoiando, apesar de todo o ocorrido os torcedores acreditavam.
Na cidade daquele tempo, o futebol ainda não era tão popular mas o assunto tinha sido muito comentado durante a semana, iriam se encontrar pela primeira vez dois times que tinham se tornado rivais mesmo sem ter disputado ainda a primeira partida.
Os especialistas davam como certa a vitória do Flamengo formado pelos antigos titulares do seu adversário tricolor o Fluminense.
Meses antes por causa de um desentendimento nove atletas tinham abandonado a sede situada no bairro da Laranjeiras e tinha encontrado abrigo na Gávea, dois dos titulares haviam ficado, um deles era João, conhecido pelo apelido preguinho, ele não tinha ido, defendia o Fluminense por amor, pela dor, pelo irmão e pelo pai, eram tantos motivos que tudo podia ser resumido como o clube sendo parte da sua vida.
O jogo começou, antigos companheiros de clube frente a frente, agora em lados opostos, ao contrário do que é comum ocorrer, a rivalidade tinha nascido antes do primeiro jogo, já não era admissível perder para o time rival e durante noventa minutos cada espaço do tempo serviu para a batalha entre os dois times.
Quando o juiz apitou o final, sacramentando a vitória tricolor por três a dois, João correu para a arquibancada e abraçou seu pai, o escritor Coelho Neto, chorando disse-lhe “O Fluminense não vai acabar meu pai, será eterno”.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dia Da Saudade

 Não sabia que hoje era o dia da saudade e por coincidência resolvi visitar o Maraca. Para os outros o estádio é Mário Filho ou Maracanã, para os torcedores cariocas é simplesmente Maraca, o lugar onde todos os apaixonados por um time foram felizes ao menos uma vez, tão especial que até torcedores de outros estados e países podem se orgulhar de ter visto seu time campeão nele. Dos lugares turísticos do Rio de Janeiro, acho que é um dos poucos se não for único a ser maior do que a cidade, se o tirassem e colocassem na lua continuaria sendo majestoso, apaixonante, o templo do futebol.
  Ele está cheio de tapumes, máquinas e operários. O campo eu olhei de longe, através do vidro, deu tristeza, visitei o mini museu e confesso deu um nó na garganta vendo a torcida mais linda desse mundo cantar o horto mágico em vídeo.
  Na saída procurei com atenção até achar a marca dos pés do Assis, fotografei para meu acervo particular, trouxe para casa um pedaço da sua construção e prometi voltar quando ele estivesse inteiro novamente. Deu saudade do velho gigante, muita saudade.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Super Ezio. Obrigado

 É comum os torcedores de um time terem ídolos mas eu e muitos outros tricolores na década de 90 tínhamos um herói, um super-herói que assim como nas historias em quadrinhos nos fazia sonhar um pouco ao viver a dura realidade.
Torcer pelo Flu no começo dessa década não era uma tarefa fácil, principalmente para quem era menino e não tinha vivido os tempos gloriosos do passado. Administrações ruinosas, times ruins e o jejum de títulos nos fustigavam e faziam com que o amor ao tricolor em certos momentos fosse um fardo mas tínhamos o Ezio, apelidado pelo narrador Januário de Oliveira de super Ezio.
Nem me recordo quando chegou nas Laranjeiras ou quando começou a ganhar nosso carinho, mas me lembro de sempre ficar confiante com ele em campo, fazendo gols, ganhando jogos importantes, nos fazendo feliz por alguns momentos em meio a tanta dificuldade.  Foram vários clássicos contra o nosso rival que ele garantiu a vitória com seus gols decisivos.
Em 95, tinha ido para reserva, mas os deuses do futebol por justiça divina decidiram que ele estaria em campo quando nosso jejum acabasse e isso ocorreu, no nosso momento mais especial ele estava com a gente, naquele maracá lotado com tricolores em vários lugares delirando de emoção.
 Ezio partiria naquele ano, tinha conseguido na sua última temporada conosco finalmente  o título tão sonhado, mais do que isso, havia ganhado a admiração e o carinho de toda uma geração.
Só que o super-herói tricolor era humano e nesse ano, triste soube que estava com câncer, lutava bravamente contra a doença escondido de todos e quando a torcida soube e se mobilizou em solidariedade a ele  se emocionou. Nós não havíamos esquecido dele, não, cada moleque de outrora, agora homem guarda com carinho algum gol, jogo ou momento daqueles tempos difíceis.
Ezio perdeu a batalha contra a doença essa noite, a noticia me atingiu como uma bofetada e me emocionei. É difícil explicar o que eu senti e o resumo é de tristeza pela perda. Nunca vou a velórios e não vou nesse também, minha homenagem será no estádio no próximo jogo do Flu cantando o seu nome, lutando para segurar as lágrimas. Tenho certeza, lá de cima ele vai gostar de ver que a sua história no Fluminense está eternizada.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Para:nelsonrodrigues@celeste.ceu

  Olá Nelson, você nem sabe quem sou eu e peço-lhe desculpas pelo atrevimento de te direcionar um texto meu, pois não possuo a capacidade de escrever algo que mereça sua leitura com atenção. Hoje me lembraram que você faz noventa e nove anos e por isso escrevo para lhe parabenizar e dizer que a cada dia você é relembrado de uma forma que deve ter encher de orgulho, sempre associado ao Fluminense.
  Um dia disseste que tudo passa, mas o Flu não passará jamais, lembra disso. Pois a nossa paixão maior consegue imortalizar seus torcedores nos corações de outros torcedores e isso ocorreu com você. Os anos passaram e suas palavras são relembradas por cada tricolor nos momentos de glórias, de aflição ou de tristeza, às vezes nos servindo de consolo outras para exaltar o clube das Laranjeiras.
  Outros irão lembrar do Nelson Rodrigues dramaturgo, jornalista eu prefiro lembrar do tricolor tão fanático como eu sou, capaz de expressar de uma forma ímpar esse amor que se tem por um time.
  Abraço, profeta, desse que tem o atrevimento de ser igual a você somente em uma coisa: na paixão pelo Flu.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Flu 109 Anos

   Já faz tanto tempo que eu nem lembro mais dos detalhes, e posso cometer aqui alguns erros, então, por favor, me perdoem se perceberem essas falhas no texto. Lembro que era um campeonato brasileiro, no ano de oitenta e oito, uma semifinal. Eu estava todo empolgado, o Flu precisava de um empate contra o Bahia para ir a final e como eu acreditava nisso até aquela noite triste. Final de jogo, o tricolor tinha perdido o jogo e o direito de disputar o título enquanto eu triste ainda praguejava a falha da zaga.
 Eu tinha me tornado tricolor em oitenta e cinco e ainda estava tentando entender o que eu sentia pelo time, só tinha uma certeza, era tricolor não importando as derrotas ou as vitórias. Ora, eu tinha escolhido torcer pelo Flu, não seria flamenguista de jeito nenhum e os outros times grandes do RJ não me seduziam, apesar do título histórico alvinegro e do Cocada vascaíno. 

    É verdade que o Corinthians tinha me cortejado quando um tal de Viola fez um gol emocionante garantindo um estadual (naquela época um título importante) para os paulistas, também é verdade que me incomodava muito eu não ver meu time campeão.
   Naquele domingo de oitenta e oito, eu sofri a minha primeira tristeza causada por uma derrota tricolor, decepcionado vi os baianos irem para a final enquanto meu time mandava embora jogadores que eu admirava tanto.
   Na semana pós derrota foi difícil ir para a escola, encarar os coleguinhas, ver o globo esporte na segunda, a derrota doía demais, mas de uma coisa eu não tinha dúvidas, eu amava o Fluminense e esse amor só foi fortalecendo durante os anos, seja em que divisão fosse não interessando a posição no campeonato, acompanhando o menino que ainda habita na minha alma.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Obrigado Conca. Apenas Obrigado.

- Você vai mesmo embora?
- Vou. É muito dinheiro e será bom para todos, inclusive para mim.
- Aqui você é querido, tem muita moral. Vai para aquele final de mundo, nem te conhecem direito.
- Sou querido, mas você sabe muito bem que a qualquer momento posso cair em desgraça. Basta começar a errar, deixo de ser elogiado para ser criticado.
- Não é verdade, quantas vezes a gente te relevou. Mesmo quando o erro nos fez chorar nunca te culpamos. Não é verdade, cara. Aqui você sempre teve carinho.
- Eu sei, não nego isso. Mas entenda, é muito dinheiro, eles precisam de grana ...
- Não entendo, não me peça isso. Sou movido a emoção e deixo sempre a razão de lado. Boa sorte, detesto despedidas, por isso dou a você um até logo. Volta que aqui sempre será sua casa.

sábado, 25 de junho de 2011

Um jogo inesquecível

   O time deles era mais leve, então choveu a tarde inteira e o gramado ficou pesado. O time dele tinha o melhor jogador do mundo, então um zagueiro entrou na decisão para jogar muito. A gente precisava ganhar, então contávamos com um craque no seu canto dos cisne. A gente precisava de ajuda e quantos cantaram a benção João de Deus depois do empate. A gente precisava de sorte e foi por causa dela que a bola bateu no travessão. Naquele domingo, os deuses do futebol decidiram que era hora de sair da fila, do jejum acabar e tinha que ser do jeito tricolor de ganhar títulos, no sofrimento, do jeito improvável.

   O tempo passa , mas a emoção da lembrança permanece.

Obrigado.

Wellerson, Ronald, Lima, Sorley e Lira; Márcio Costa, Ailton, Djair e Rogerinho; Renato e Leonardo, Ézio e Cadu.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Se Um Dia...

Se um dia eu tiver um filho (a) vou ensinar várias coisas que eu considero importante e uma dessas será a relação com o futebol, ou melhor, com essa coisa meio louca de torcer por um time de futebol. São coisas diferentes, eu amo o futebol e amo o Flu e em vários momentos esse amor se torna um só.
    Ainda no berço será educado para ser tricolor e sendo assim é lógico terá aquele time da Gávea como rival, mas não o quero considerando "eles" como inimigos ou inferiores, o respeito ao diferente será ensinado. Não estimularei o ódio ao time diferente e sim o amor ao clube de coração e assim será mais importante seu time ganhar do que o adversário perder.
    Todas as derrotas doem, mas algumas doem mais e tanto uma como outra ocorrerão sempre, portanto temos que nos acostumar com elas e mostrarei que as inadmissíveis são aquelas sem luta, aceitas covardemente. Perder de pé, lutando até o fim não é motivo para vergonha, mas tanto uma como outra vai doer.
    Vitórias não são motivos para humilhar os derrotados direi embora ser politicamente incorreto com o torcedor rival é um sinal de respeito, pois não há nada pior que a pena ou indiferença.
    Ensinarei a ter esperanças, pois sempre terá o próximo jogo e nunca devemos desistir com as dificuldades, o verdadeiro torcedor acredita até o fim mesmo quando outros já desistiram e sempre tem esperança em dias melhores.
    Pretendo ensina-lo que o futebol permite alguns xingamentos contra jogadores adversários ou juízes, mas a vida não. Descendo a rampa ao final do jogo, as ofensas devem ser deixadas no estádio para próximo jogo em outra ocasião.
    Xingar o juiz pode, mas em hipótese nenhuma se deve xingar o homem que é árbitro de futebol, chamar o jogador de viado pode se a opção sexual dele não importar nem um pouco, racismo não, é feio, futebol não permite isso de jeito nenhum.
     Não é vergonha chorar por causa de futebol, e se acaso tiver esse pudor, ensinarei como procurar um lugar discreto e sozinho deixar as lagrimas rolarem livremente. Também não deve se envergonhar perante os falsos intelectuais e suas teorias idiotas contra esse esporte, farei questão de mostrar como eles são tolos e nós apenas apaixonados. Eles não entendem um amor, pobre deles.
    Um filho ou filha será ensinado conforme eu aprendi embora volta e meia não coloque em prática. Pretendo dar o exemplo e quando não puder ensinarei por fim que eu estou errado e espero não ve-lo errar como errei.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Rivalidade

   Entro no trem lotado de flamenguistas. Não tenho comigo nenhum indício de ser tricolor a não ser o rosto triste por mais uma derrota. Me incomodo com torcidas adversárias, a felcidade deles me irrita por causa da minha inveja. Eles ganharam, a gente perdeu e isso é o suficiente para acabar com minha noite. Acomodado no vagão olhando em volta percebo surpreso alguns tricolores com suas camisas e uma bandeira sem serem incomodados. Sentado percebo um pai com três crianças entre quatro e seis anos todos devidamente uniformizados com as cores tricolores. Em volta rubros negros, muitos deles. Me lembro da recomendação de não ir a clássicos com a camisa do meu time, algo que eu faço sempre sem pensar duas vezes. Naquele vagão essa providência não foi necessária a civilidade estava vencendo o medo.

domingo, 17 de abril de 2011

Fla-Flu

  Tudo é Fla-Flu o resto é paisagem já disseram antes e eu concordo plenamente. Fred vai para o jogo? Deco se recupera? A torcida lotará? Nada disso importa meus amigos, Fla-Flu não depende de astros para ser especial, não depende de bom futebol, ele próprio é o espetáculo. Estou quase decidido a ver esse pela TV e isso não mudará nada pois a emoção é a mesma dos primeiros assistidos por mim seja em casa ou no estádio. Jogo de heróis de um jogo só (alguém lembra do Nildo) ou de craques inesquecíveis. Mais um clássico para minha coleção de memórias, quem sabe um daqueles inesquecíveis, relembrados com carinho pela torcida tricolor. Caso contrário suportarei as provocações flamenguistas, fazer o que, é do jogo. Fla-Flu é jogo especial

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Valeu Guerreiro

   Não sendo craque mas sempre honrando a camisa tricolor, eu só tenho a agradecer toda a dedicação quando esteve defendendo nossas cores. Sempre reclamei dos gols perdidos ou da falta de ténica, nunca da disposição quando esteve em campo. Naquela noite de 2008 eu não estava no Maraca, vi pela TV aquele gol inesquecível. Um dos poucos gols do Flu não comemorados por mim. Eu não conseguia acreditar na nossa classificação. Quando voltou a vestir nossas cores, eu estava lá. Falaram seu nome, a torcida ficou calada alguns minutos e começaram a cantar sua música. Eu também cantei e saí de lá sonhando com o título. Por isso, na sua despedida só tenho a dizer, valeu coração valente, guerreiro tricolor. O Flu se lembrará sempre do Xitão.