- - Eu quero sumir dessa merda! Me tira daqui!
- - Calma. Tudo ao seu tempo.
- - Vai se fuder, arrombado. Enfia seu tempo no cu. Sempre essa ladainha, porra. E sempre a gente se fodendo.
- - Sempre não. Mal agradecido. Os últimos anos até que foram legais.
- - Muito legais. Muito mesmo. Pandemia, uma infeliz infernizando a gente, chute no cu.
- - Está vendo o copo meio vazio. Tivemos coisas boas.
- - Foda-se.
- - Está sendo mal educado.
- - Foda-se de novo.
- - Eu vou te largar aí.
- - Você não faria isso. Se veio até esse inferno foi para me tirar. Qual o plano de fuga?
- - Não tenho um plano?
- - Hã?
- - Então. Não tem plano nenhum. Você vai ficar aí até o tempo necessário para sair pela porta da frente.
- - Jesus Cristo. Não estou acreditando nisso. Eu não estou acreditando. Você veio até aqui só para olhar minha cara?
- - Calma. Vamos sair dessa. Juntos. Sem fazer merda.
- - Eu quero morrer!
- - Para de drama. Não é tão ruim aí.
- - Não, não é tão ruim. É um ninho de cobras, picando tudo e todos, com ataques de ansiedade toda hora, um mundo a ser construído e eu esperando a luz do sol.
- Não está ruim, caralho. Para de drama, fdp. Calma.