Mostrando postagens com marcador mae. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mae. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de maio de 2016

Dia das Mães II

- Alan, eu quero entrar no grupo da família no whatsapp

- Hã? A senhora não sabe nem digitar direito. Vai fazer o que lá?

- Eu estou aprendendo.

- Não.

- Eu fico lendo e treino mandar mensagens.

- Melhor do que ficar treinando mandando pro meu. Concordo. Vou te colocar. 

Dias das Mães

- Alan, eu quero usar o facebook igual todo mundo está usando.

- A senhora não sabe lidar com aquilo. Não vai te servir pra nada.

- Eu aprendo. Basta você me ensinar.

- Procura um curso de informática.  Posso indicar um pra sua idade. Ali em Bangu tem um.

- Não vou pra curso nenhum.

- Ok.

- E o whatsapp?

- O que tem?

- Todo mundo usa. Você pode me ensinar.

- Hum.

- Tem que ter um celular novo. O seu é antigo.

- Compra um e me dá o seu.

- Nem pensar. Não faz nem  dois anos que eu troquei e não vou trocar não. Compra um para você.

Tempos depois.

- Comprei um celular novo e te darei o meu.

-  Me dá o novo.

- O meu está novo. Nem usei direito. E para você está bom. Vou colocar o whats e o instagram já que curte foto.

- E vai me ensinar a mexer.

- Vou, mas sei que vou me arrepender disso.

domingo, 10 de maio de 2015

Mãe (dialogos) IV

- Eu odeio essa música.

- Hum.

- Porque a mulher fica chorando?

- Porque o filho foi assaltar um banco e morreu na porta giratória.

- Eu to falando. Música de bandido. Isso tinha que ser proibido para não colocar coisas nas cabeças das crianças.

- Eu não sou criança. Já sou adulto. Esqueceu?

- Já foi e se não sou eu te colocando um freio nem sei o que teria sido feito de você.

- Humrum.

- Não quero mais escutar essa música aqui em casa.

- A música é do racionais, não é apologia ao crime e não tem nada demais.

- Se não tivesse a mãe não estava chorando.

- Todo rap do racionais tem alguém chorando, morto, com tiro, caído no chão, etc. Esse é só mais um.

- Música de bandido, tinha que ser censurado.

- Censura acabou.

Mãe (dialogos) II

- Fluminense joga hoje?

- joga sim.

- Você vai?

- Vou sim, almoço, durmo um pouco e vou.

- É contra quem?

- Flamengo.

- E VOCÊ VAI? Não é perigoso?

- Não, tomo meus cuidados.

- Vai com camisa comum né?

- Sim, mãe, vou, com qualquer camisa.

- Vai com essa que tem azul/preto/amarelo que não confunde.

- Ok, vou com essa.

- Não é melhor ver em casa?

- Não.

- É decisão?

- É a segunda rodada.

Mãe (dialogos)

- Eu preciso que você veja o meu exame nesse site aqui.

- Espera  um pouco deixa eu acabar essa conversa

(olha por cima do seu ombro a tela do computador)

- Quem é essa mulher?

- É uma pessoa aí.

- E ela não tem nome não?

- Tem.

- Ela é de onde?

- Bairro tal.

- Ela é solteira?

- Não sei não trabalho pesquisando a vida das pessoas.

- Fala direito com sua mãe. Não está falando com sua “mulher” não.

- Você vai ficar olhando eu conversar?

- Vou, o que tem? Está escrevendo algo que eu não possa ver?

- Tem algo que se chama privacidade.

- Com mãe não tem isso. Eu te vi nascer.

- Hum

- Ela tem filhos?

- Não sei. Não perguntei.

- Ela é bonita. Namora com ela.

- Qual é o site para ver seu exame?

domingo, 11 de maio de 2014

Dia das Mães

Feliz dia das Mães

Vai fazer frio. Leva casaco.

Quando chegar liga pra mim.

Liguei porque estava demorando. Sempre chega antes das 8.

Vai pro jogo? Toma cuidado.

Vai com a camisa do Fluminense? Hoje é clássico?

Vou fazer um chá para você que resolve rapidinho.

Quer um chá de boldo? Eu faço.

Fulana é legal. Namora com ela.

Não seja antipático.

Vai no médico. Vai esperar piorar?

Eu te avisei.

Se precisar de dinheiro eu tenho.

Está ameaçando chover muito. Vai sair mesmo assim?

Gênio ruim, não sei a quem puxou.

Já te falei para ter paciência.

sábado, 4 de maio de 2013

Maio


A sua ausência já não dói tanto, a gente quase não fala no seu nome e a saudade embora presente conseguimos enganar ano após ano. Você partiu em noventa e oito, já faz tanto tempo, não obstante ainda sinto sua falta. Se eu paro e penso, logo me lembro de suas visitas, aposto que estaria aqui uns dias atrás no aniversário da minha mãe, você sempre vinha. Ela se lembra de você embora não fale muito, já perdemos tantas pessoas queridas que as lembranças vão envelhecendo e dando lugar a outras,  mas mesmo estando em um plano diferente somos amigos e uma verdadeira amizade não morre jamais. De repente, no silêncio do quarto, olhando para o nada, as recordações aparecem e eu fico quieto com meus pensamentos.
Aqui em casa  continua tudo igual, minha mãe continua presenteando as visitas com as historias que você tanto gostava e te fazia rir francamente, se chegasse depois de tanto tempo não ia estranhar nada, ela é a mesma de sempre, agora a gente mora em um lugar diferente desde dois mil e cinco, saímos daquele lugar e dos problemas dali.
Eu sempre passo onde você morava, fito o apartamento, confesso que o coração às vezes aperta, lembro de quantas vezes passei por ali e deixei a visita para depois, por causa de um compromisso ou outro eu não te visitei, sempre achando que tinha todo o tempo para isso, até a maldita doença aparecer e tudo se acabar.
Às vezes a gente  não fala o quanto amamos as  pessoas, ficamos com vergonha de dizer a o outro o quanto é especial em nossa  vida, adiamos telefonemas, visitas (afinal ele (a) está tão próximo), e então a morte vem e finda para sempre uma amizade. A dor pela sua partida ao menos me ensinou a valorizar cada minuto ao lado dos meus amigos, me ensinou a sempre tentar manter um contato, mesmo parecendo um pouco ‘enjoativo, sempre deixar claro o quanto são importantes  para mim. Sua última  lição foi uma das mais valiosas na minha vida.

sábado, 12 de maio de 2012

Amor de Mãe


      Em algumas ruas do Rio de Janeiro, quando chega a madrugada fica perigoso andar por elas, mas para quem conhece o lugar como nós três e tem um pouco de coragem, era algo normal vir da farra pelo meio da rua, falando alto, brincando até cada um chegar em suas respectivas casas.
     Naquela noite, fazia frio intenso, um de nós alcoolizado vinha pelo meio da rua contando como tinha se aproximado de uma mulher no baile, quando eu visualizei uma senhora parada um pouco a nossa frente. Devia ter uns quarentas anos, se vestia de forma simples, “está assustada com três homens andando pela rua e espera a gente passar para continuar seu rumo”, foi meu pensamento e analisei cá com meus botões o que ela fazia ali uma hora daquelas.
      Quando estávamos perto ela nos chamou e pediu para que informássemos como fazia para chegar a uma determinada rua.  A pergunta nos pegou de surpresa, o endereço era dentro de uma favela, na madrugada, definitivamente não era uma situação comum. O mais sóbrio dos três (eu), falei que era perigosa ainda mais naquela hora. A senhora insistiu, precisava ir, e o mais bêbado do nosso grupo perguntou sem rodeios os seus motivos.
    A resposta nos comoveu. Segundo ela, tinha adotado um menino de rua e ele não se adaptou à falta de liberdade, fugiu de casa e alguém lhe informou que ele estava morando  embaixo de uma marquise naquele endereço. Um de nós talvez afetado pelo álcool, perguntou por que ela estava fazendo isso se não era seu filho. A resposta veio rápida e não deixou margem para contestação “Mãe não é só gerar, é quem ama também”. Ainda insisti ser ali um lugar perigoso, adverti que ali era vida real e não uma novela e mais uma vez ela reagiu com firmeza “qual mãe não vai até o inferno pelo seu filho? Eu não sou diferente”.
    Calamos-nos, talvez pensando nas nossas em casa nos esperando, se preciso fosse fariam a mesma coisa que aquela senhora estava fazendo, não havia dúvida disso. O que fazer silenciosamente me perguntei olhando para os outros dois acompanhantes, poderíamos apenas informar e ir dormir, mais isso não era “papel de homem” conforme um de nós definiu dias depois ao recontar a historia.
    Mesmo com medo, sabendo dos riscos, resolvemos acompanha-la até a entrada da comunidade mais sem entrar lá dentro. Três homens juntos, dois deles negros em uma favela carioca são os chamados “suspeitos padrões” pela policia e mesmo sendo todos inocentes, os riscos eram grandes demais. Pelo caminho mais longo que o costume, fui pensando comigo o que levava aquela mulher a ter tamanha coragem, eu estava assustado, rezava, pedia proteção, enquanto olhava seu rosto e apenas via determinação. Se eu tinha uma certeza era que se a gente desistisse, ela prosseguiria sem hesitar. Caminhamos em silencio, cada qual em seu pensamento, cada qual com seus medos e crenças.
     Na entrada, um de nós, não sei se o mais corajoso ou o mais temerário foi até o “menino” da entrada e falou que a “tiazinha” estava procurando seu filho e se ele podia entrar com ela. Confesso, me senti orgulhoso de ser amigo daquele cara, embora ele quando reconte essa historia para ser modesto, diga que fez apenas porque não estava sóbrio. Mentira. Fez por uma mãe, talvez pela dele, talvez pela nossa, com certeza pelo sentimento de um filho. Certo tempo depois, a dupla retorna com um menino franzino, a mulher acariciava sua cabeça, não havia reprimenda, apenas amor. Fizemos o caminho de volta, dia amanhecendo, esperamos uma Kombi aparecer para a senhora e o garoto irem para casa e recebemos seus agradecimentos dizendo que nossas mães deveriam ter muito orgulho de ter filhos assim.
     Retornando para a nossa casa, pensei novamente sobre os motivos para alguém  fazer isso? A resposta estava em meu coração. O amor de mãe, capaz de fazer uma mulher não temer nada nem ninguém, enfrentar situações adversas quando o motivo é alguém a quem ela chama de filho ou filha. Exemplificar ou tipificar esse amor seria errôneo de minha parte, pois algo tão intenso e tão bonito não pode ser analisado e quantificado como algo qualquer, naquela madruga eu tive um exemplo ao vivo do sentimento materno e de como ele independe do ato de gerar e dá a luz.  Mãe é mãe, não importa como seus filhos foram gerados, a idade que eles tenham ou a situação onde eles se encontram, elas são sempre capazes de tudo pelos seus filhos.



* Esse texto é a minha homenagem as mamães nesse 13 de maio, dia de N Sra de Fátima, ela própria um belo exemplo de mãe.