Seu doutor... Você não entende... Madame disse que samba, carnaval, essas coisas do povão não é bom pro país... Madame disse e você concorda que o carnaval faz uma tal de alienação com o povo. Não sei o que é isso, seu doutor? É doença? Algo que eu deva ter medo igual as balas perdidas? Igual quando meu filho adolescente sai e eu tenho medo dele está no lugar errado na hora errada? Aconteceu isso com a vizinha, doutor. O filho dela morreu duas vezes. Uma vez assassinado por homens armados. A segunda vez pelos seus amigos aqui nas redes sociais. Sua reputação de bom menino deu lugar a "nessas horas todo mundo é estudante". Mas deixa pra lá, deixa eu falar de carnaval.
O senhor não entende e nem tentarei explicar, Não sou bom de palavras e meu vocabulário é pouco. Deixa o povo se divertir, doutor. Deixa o povo chorar suas mágoas sambando. Deixa quem quiser ir pras ruas e curtir os dias de folia. Deixa o povo em paz seu doutor. Sua gente sempre que tenta consertar o Brasil faz besteira e nos atrasa mais. Não vai ser o carnaval ou a falta dele que irá mudar o Brasil. Deixa o povo em paz, doutor. Já sofremos demais. O povo precisa de festa,
Escuta, Doutor (II)
Rio de Janeiro é uma cidade com gemidos de dor pelas suas vielas, ruas e avenidas. É um caos fazendo de cada cidadão um lutador a cada dia do ano. É um inferno organizado com as pessoas lidando com tragédias literais ou outras. É uma cidade que precisa do carnaval para purgar sua dor.
Nem sempre se faz festa porque está tudo bem. Entenda. As vezes é necessário cantar, sorrir para esquecer. Deixem o carnaval e quem gosta em paz. Acreditem: Não foram os blocos carnavalescos com sua (des) organização que colocaram o Brasil no buraco quando foram pras ruas. Não foram foliões os patos amarelos seguindo trio elétrico de financiados por empresários.
Deixem o carnaval acontecer, o povo na rua, a subversão da ordem sem repressão estatal, as ruas sendo tomadas pelo proletariado.
Mostrando postagens com marcador carnaval. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador carnaval. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Velho Conhecido
- Eu pensei que você não gostava de carnaval.
- Não tenho nada contra. Só não vou a blocos, não gosto de aglomerações, evito sair, prefiro ficar em casa.
- E você vai no sambodromo porque, criatura?
- O samba.
- O que tem?
- Ele me faz sair de casa só para reve-lo na avenida. Um dia você há de entender.
sábado, 1 de março de 2014
Carla e o Carnaval
Odiava o carnaval. Não era daqueles que compartilhava vídeos e opiniões de jornalistas loiras imbecis ou que enchia a paciência dos seus amigos com aqueles cartazes ridículos no Facebook, simplesmente não achava divertido tudo aquilo que outros diziam ser. Olhava os blocos com aquela multidão e torcia o nariz, não aguentava assistir dez minutos de desfile na Sapucaí, viajar só se fosse para o exterior, definitivamente nada o atraía na festa popular e mesmo assim lá estava ele preparado para ir a uma festa de rua se perguntando como tinha sido convencido a isso.
Carla, a menina que agora alegrava a casa (embora só admitisse isso sob pressão e para poucos) tinha chegado com um sorriso perguntando "quando vai me levar ao carnaval?" e seu rostinho ficou sombrio quando respondeu:
- Pra onde?
- Curtir o carnaval. A Clara disse que o pai dela vai viajar e eles vão pular o carnaval fora. O André vai com a mãe dele no bloco do Bola Preta...
- Cordão do Bola Preta.
I
I
- Isso, a Clarissa em um baile no clube...
- Não precisa dizer o nome de todos os seus amigos.
- E então?
- Detesto o carnaval. Muito barulho, violência, gente bêbada.
- Eu vi na televisão as pessoas felizes. Queria ir.
- Alegria forçada. Depois que acaba todo mundo volta aos seus problemas e fica reclamando da cidade, do país, de tudo.
- Alegria forçada é melhor do que tristeza forçada.
Ficou calado. Onde essa menina tinha aprendido a responder desse jeito? Crianças de hoje em dia são abusadas, no seu tempo se respondesse a um adulto dessa forma tomava umas palmadas e ficaria de castigo. A voz de um adulto era lei sem contestações, mas esse mundo está de ponta-cabeça, tudo culpa desses degenerados. Respirou fundo para não responder com grosseria.
- Você é uma criança e essas festas que viu na televisão não são para crianças e sim para adultos. Tem bebidas, brigas, um monte de coisas ruins.
- Você também acha que é coisa do diabo igual à mãe da Carminha?
- Não, eu acho que é coisa dos homens mesmo.
- Eu vi no Facebook um monte de crianças fantasiadas. Vi na televisão também. Só eu que não vou, todo mundo vai.
- Você não é todo mundo.
- Eu sei. Sou diferente.
- Por que diferente?
- O Luam que falou.
- Falou o que?
- Que eu era adotada ao contrário dos outros e que quem tinha me adotado era um cara velho e por isso eu era diferente deles.
- Mas que filho da mãe!
- Pai!! Não pode falar palavrão.
- E quem falou que não pode?
- Você mesmo. Não lembra.
- A regra vale para você e não para mim. Vá se arrumar para irmos ao carnaval. Velho, filho da mãe, até parece que eu sou um idoso.
- Tem que ter fantasia e eu não tenho.
E foi assim que resmungando de tudo e prometendo a si mesmo ser a última vez que se deixava enrolar por aquele rosto angelical é que enfrentou o tumulto da Saara e conseguiu comprar uma fantasia infantil, quase xingando a vendedora gentil que lhe perguntou se pra ele não ia comprar nada, pesquisou na internet algum bloco de rua que tivesse um ambiente familiar e se obrigou a participar dos festejos de Momo.
Enquanto sua menina tinha um sorriso lindo e certamente se divertia, ele se perguntava o quanto ela tinha sido verdadeira e o quanto tinha sido chantagista emocional, e sorria.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Carnaval (III)
Samba é coisa de alienado né comédia que diz ser da rua mas não conhece o ritmo das favelas, paga de malandrão em cima do palco, revolucionário no asfalto, falando alto para uns e outros ouvir, e se esquece, periferia tem cultura própria e você é só mais um. Escuta aí um samba, você não curte, respeito, mas, chega devagar, porque, quando a bateria toca, irmão, branco de olho azul diz no pé tal qual o negão, o carnaval, apesar de tudo, ainda consegue ser a festa do povo.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Carnaval (II)
Eles dizem que carnaval é
alienação, coisa de pobre desinformado e não olham para trás para ao menos se
informarem sobre o que não sabem, acham que por terem uma graduação ou certa
posição social são superiores culturalmente, talvez por isso ignorem obra
primas como esse samba.
O Brasil ainda temia a volta
dos militares depois de um longo período de ditadura, o presidente no poder não
tinha sido escolhido pelo povo e nem indiretamente pelo colégio eleitoral, a
sua legitimidade só não estava sendo contestada na época por medo de um retorno
aos anos de chumbo, muitos defendiam o adiamento das eleições presidenciais
para evitar a subida ao poder de alguém da esquerda e então a Caprichosos de
Pilares levou um samba primoroso para avenida, seu refrão não era um pedido e
nem um grito de ordem, prefiro pensar que foi o desejo expresso de uma gente
que procurava esperanças em dias melhores, pedia apenas para o povo o que era
do povo, o direito de escolher quem deveria governar seu país.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Carnaval, Torcida Organizada e Regionalismo
A apuração para definir a escola de samba campeã do carnaval paulista já estava na parte final quando um homem invadiu o local onde estavam sendo anunciadas as notas, rasga os papeis e foge em seguida. Logo depois começa uma confusão, com a televisão mostrando várias pessoas integrantes de uma TO agindo como vândalos no meio da rua e um carro alegórico pegando fogo, incêndio possivelmente causado por um artefato jogado por uma pessoa.
Mal começou o tumulto rapidamente vieram às críticas ao carnaval paulista, muitos dos paulistanos evidentemente não gostaram e em resposta chamaram a atenção para o fato de no Rio de Janeiro as escolas serem ligadas a bicheiros e o primeiro invasor ser dirigente de uma agremiação que estava acompanhando o desfile e não integrante da Gaviões da Fiel. Todos esses acontecimentos viraram o palco ideal para os de sempre começarem com seus argumentos bairristas e outras opiniões tolas onde o importante é somente criticar nada mais do que isso.
Aqui no RJ o jogo do bicho sempre foi visto como um crime menor até hoje é considerado pelo código penal como uma contravenção, e se formos comparar os bicheiros com outros problemas vividos nesse estado, eles sempre foram discretos na condução dos seus "negócios". Embora esteja cada vez mais elitizado, principalmente o desfile na Sapucaí, o carnaval ainda é uma festa popular, ali no chão muitas pessoas é gente da comunidade que está pouco se importando com quem é diretor, presidente ou patrono, quer apenas se divertir, desfilar pela escola escolhida. Não estou defendendo de forma nenhuma a participação deles nesse evento e sim explicando o porquê da relação entre escola de samba e contraventor ser tão antiga e tolerada pela sociedade carioca.
Uma antiga norma do jogo do bicho é "vale o que está escrito" isso significa um total respeito ao combinado e colocado no papel, justamente o que faltou em São Paulo nessa apuração e cá entre nós falta ao povo brasileiro, seja carioca, paulista ou de outro estado. Além disso, existe um certo temor, pois nunca foi colocada em dúvida a autoridade de quem comanda o carnaval do Rio (contraventores) e os motivos para isso deixo para os leitores imaginarem o porquê.
O episodio de São Paulo e a comparação com o carnaval do Rio de Janeiro mais uma vez nos dá a lição de precisarmos urgentemente parar com esse costume de não aceitar o decidido pela maioria e combinado anteriormente.
No Rio chama atenção o respeito à autoridade de quem está organizando e o fato de não obstante as reclamações ocorridas em vários anos quando sai o resultado final, sempre se preocupam em preservar a legitimidade da competição deixando o espetáculo fortalecido mantendo o grupo especial lucrativo e organizado, assim de alguma forma todos são beneficiados.
Eu sempre detestei a mistura de torcida organizada com qualquer outra coisa que não seja futebol. No estádio é o lugar dela, ao lado do time, torcendo e fazendo festa, sou contra a mistura com o MMA e mais ainda com escolas de samba. A confusão não começou com a Gaviões, mas a saída dela mostrou como muda o ambiente, mas não muda o comportamento de alguns. Futebol e carnaval não devem ser misturados, espero nunca ver o Rio de Janeiro tomando esse caminho. Em São Paulo existe esse fenômeno e as críticas sempre foram justas em relação a isso, hoje pode não ter ocorrido por causa delas, mas ao menos uma delas continuou a baderna e serviu para pessoas iguais a mim mais uma vez criticarem a junção organizada e carnaval.
As mensagens trocadas entre paulistas e cariocas com um procurando algo para criticar no outro mostra como essa disputa idiota causada por um regionalismo babaca ainda é forte, bastando qualquer motivo para eles virem à tona rapidamente. Eu só vejo o desfile do grupo especial carioca, mas nem por isso faço questão de desmerecer o carnaval do outro lado da Dutra embora considere como todo mundo ser o do Rio com uma qualidade superior.
A terça está acabando e com ela o último dia da maior festa popular brasileira, amanhã para muitos o ano começa, para outros somente quinta feira, e se você é daqueles horrorizados com isso não se estresse, te garanto, os problemas do Brasil não são por isso, se fossem, seria tão fácil resolver.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Carnaval
- Não sabia que você gosta de carnaval, achei que era mais um item da sua imensa lista de coisas que implica e critica ferozmente.
- Eu não critico ferozmente tantas coisas assim.
- Não?
- Não.
- Sei.
- Eu não curto muito o carnaval, passaria tranquilamente em um sítio qualquer cheio de filmes e livros. Mas tem algo mais.
- O que?
- Já escutou uma bateria?
- De escola de samba? Já, o que tem?
- Ela é mágica.
- Hã? !!
- Ela tem uma magia, entendeu. Quando começa a tocar o sangue ferve, é indescritível.
- Você vai sair de casa para ver o desfile na Sapucaí, somente por causa de uma bateria? Endoidou de vez.
- Não é apenas isso. A bateria toca no esquenta, o puxador começa o samba, tem a paradinha, o desfile dos carros, tudo junto é um espetáculo.
- Em casa, você verá tudo isso e com conforto.
- Você não entende. Em casa a magia não acontece, é tudo normal. É lá na avenida que as coisas se tornam lindas. Quando samba se faz presente tudo se torna menos importante e ele é quem dita o ritmo. É o samba, é ele que faz tudo ser tão especial.
- Eu não critico ferozmente tantas coisas assim.
- Não?
- Não.
- Sei.
- Eu não curto muito o carnaval, passaria tranquilamente em um sítio qualquer cheio de filmes e livros. Mas tem algo mais.
- O que?
- Já escutou uma bateria?
- De escola de samba? Já, o que tem?
- Ela é mágica.
- Hã? !!
- Ela tem uma magia, entendeu. Quando começa a tocar o sangue ferve, é indescritível.
- Você vai sair de casa para ver o desfile na Sapucaí, somente por causa de uma bateria? Endoidou de vez.
- Não é apenas isso. A bateria toca no esquenta, o puxador começa o samba, tem a paradinha, o desfile dos carros, tudo junto é um espetáculo.
- Em casa, você verá tudo isso e com conforto.
- Você não entende. Em casa a magia não acontece, é tudo normal. É lá na avenida que as coisas se tornam lindas. Quando samba se faz presente tudo se torna menos importante e ele é quem dita o ritmo. É o samba, é ele que faz tudo ser tão especial.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
É O Samba
Não me olhe com esse rosto estranho e não me considere um modista porque vai me ofender, deixa eu te explicar primeiro seu moço e depois tire suas conclusões.
Como já lhe disse eu não vou à quadra de escolas de samba, não tenho a menor vontade de desfilar na avenida, não participo de carnaval de rua e se a festa não existisse confesso não sentiria muita falta, mas sem sempre tem algo mais.
Eu não tenho preconceito com a festa popular doutor assim como vários de sua gente e eu sei que é difícil você entender o povo nas ruas se divertindo daquela forma, afinal de contas fostes criado em outra cultura, tendo a sua disposição o conhecimento e ambientes sofisticados, realmente a rua não é lugar para pessoas iguais a você.
Sua gente me olha torto e resmunga algo sobre o país do carnaval como se ele fosse o motivo para os problemas do país e o que é pior, muitos acreditaram nisso e repetem sem refletir por falta de capacidade ou preguiça mesmo, alguns deles não chegam nem a metade da sua condição financeira ou intelectual, mas eles repetem com uma convicção invejável.
O carnaval é a festa do povo, apesar da elitização ele ainda sobrevive nas ruas do Rio de Janeiro tendo a massa como protagonista, se eu não tivesse nenhum motivo para gostar de carnaval me restaria à simpatia de ver a festa popular nos blocos de rua, mas não é isso que me leva a gostar, é o samba, entendeu? É o samba que me faz perder um pouco do meu tempo para ver a minha escola na avenida, é ele que já me fez emocionar quando escutei a primeira vez uma bateria na apoteose, ah doutor, não tem como eu descrever a sensação quando fizeram o esquenta antes de entrar na Sapucaí. Entendeu doutor? É o samba, somente o samba, que agoniza, mas não morre que está presente no coração de até quem igual a mim, não liga muito para carnaval.
Como já lhe disse eu não vou à quadra de escolas de samba, não tenho a menor vontade de desfilar na avenida, não participo de carnaval de rua e se a festa não existisse confesso não sentiria muita falta, mas sem sempre tem algo mais.
Eu não tenho preconceito com a festa popular doutor assim como vários de sua gente e eu sei que é difícil você entender o povo nas ruas se divertindo daquela forma, afinal de contas fostes criado em outra cultura, tendo a sua disposição o conhecimento e ambientes sofisticados, realmente a rua não é lugar para pessoas iguais a você.
Sua gente me olha torto e resmunga algo sobre o país do carnaval como se ele fosse o motivo para os problemas do país e o que é pior, muitos acreditaram nisso e repetem sem refletir por falta de capacidade ou preguiça mesmo, alguns deles não chegam nem a metade da sua condição financeira ou intelectual, mas eles repetem com uma convicção invejável.
O carnaval é a festa do povo, apesar da elitização ele ainda sobrevive nas ruas do Rio de Janeiro tendo a massa como protagonista, se eu não tivesse nenhum motivo para gostar de carnaval me restaria à simpatia de ver a festa popular nos blocos de rua, mas não é isso que me leva a gostar, é o samba, entendeu? É o samba que me faz perder um pouco do meu tempo para ver a minha escola na avenida, é ele que já me fez emocionar quando escutei a primeira vez uma bateria na apoteose, ah doutor, não tem como eu descrever a sensação quando fizeram o esquenta antes de entrar na Sapucaí. Entendeu doutor? É o samba, somente o samba, que agoniza, mas não morre que está presente no coração de até quem igual a mim, não liga muito para carnaval.
Assinar:
Comentários (Atom)