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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pelas Redes Sociais...

Lendo o Facebook, acho que consigo traçar um perfil de quem posta na minha timeline:

  1. Conservadores: Quando estão irritados, eu nem me atrevo a discutir o assunto (risos). Quando não estão tão irritados, eu discordo ou concordo e tudo fica bem.                                          
  2. Liberais: Defendem o estado mínimo. Um deles foi forçado pelas circunstâncias a ficar quieto. Com esses, eu discuto de boa usando a "liberdade de expressão" como escudo
  3. Ala da Esquerda: Adoram tretar comigo. Quase sempre consigo irritá-los.
  4. Neutros: Comenta sobre política, mas não se enquadra em nenhum dos dois polos e não treta comigo. Motivo? Eu evito discutir com esses.
  5. Comentadores "Alexandre Frota": Não têm ideia do que é direita ou esquerda, pegam uma polêmica qualquer e pagam de politizados.
  6. Flamenguistas: Quando o time ganha, aparecem vários. Quando perde, um ou outro. Um em especial sempre aparece quando eu critico o "amarelinho de Quintino".
  7. Ateus: Eram mais ativos e não sei por que estão calados. Acho que andam por aí defendendo o fechamento de museus (tô zoando, porra).
  8. Religiosos de todas as religiões: Às vezes postam belas mensagens.
  9. Tricolores: Minha timeline fica mais bonita quando o Fluminense ganha e eles postam. Prefiro os tricolores corneteiros.
  10. Rapzeiros: Aqueles que postam raps estão mais raros. Acho que começaram a escutar Pablo, Simone e Simaria, sei lá.
  11. Família, conhecidos, amigos: Só curtem ou comentam as fotos que eu posto.
  12. Desconhecidos: Às vezes aparecem na timeline e eu até me assusto. O que estão fazendo aqui? Conheço de onde? Adicionei por quê?

sábado, 15 de agosto de 2015

Conectado

   Pedro foi olhando a tela do computador e lendo o que diziam sobre a nova polêmica da última semana. Estava na roda viva da internet, pensou, a procura de informações, opiniões a serem dadas, polêmicas que às vezes só eram importantes no mundo virtual.
Lembrou-se de outros anos quando tinha começado a se conectar e se viu diante de um novo mundo. De lá para cá ainda não tinha aprendido a filtrar informações, evitar escrever por impulso, aceitar comentários irracionais e pessoas com falhas de caráter enfim a não arrumar confusões nos fóruns e redes de relacionamentos.
     Alguém tinha escrito um daqueles textos grandes, criticava a intolerância alheia e era tão intolerante quanto, a pessoa por ter certeza do lado certo se dava o direito de tratar o "errado" da mesma forma que criticava. Vários comentários leu alguns, sentiu vontade de participar da discussão preferiu evitar. Não eram dez horas da manhã, iria ficar conectado por longas horas, para que se desgastar?
     Olhou os números de amigos e seguidores e não tinha perdido nenhum algo incomum, pois a cada vez que causava alguma polêmica os números mudavam com pessoas o excluindo. Também chegavam novos e presumia que isso ocorria por concordarem ou acharem que ele convergia com suas idéias. Muitos não ficavam nem uma semana, descobriam cedo que dedicava à maior parte do que escrevia ao time de coração e quando saía disso costumava ferir suscetibilidades por não medir críticas a todos os espectros políticos.
    As notícias chegavam a sua tela, várias informações, muitas irrelevantes, ainda não tinha decidido colocar em prática um modo de filtrar o que era importante. Um link na tela apareceu decidiu ler apesar de indicado por quem detestava, deu mais view ao autor, outra porcaria, perguntou-se como alguém tão idiota era tratado como importante no mundo virtual, tanto quem tinha indicado como quem tinha escrito a coluna no jornal.
     Internet era assim, pensou com seus botões do teclado, as pessoas tinham voz e algumas se sabe lá porque eram tidas como inteligentes não obstante as asneiras escritas. Percorreu sites, portais, redes de relacionamento, uma foto postada, um link compartilhado, o tempo passava, às dezesseis horas já se sentia exausto, tinha que dá um tempo de computador, pensou.
   Iria deixar o lap top em um canto, o celular desligado e ficar longe do desktop, quem sabe ler um livro, ver televisão ou olhar a janela. Quando estava decidido a desligar tudo algo ocorreu na rede de computadores. Alguém tinha cometido um erro, a notícia ia se espalhando, hipócritas bancavam os moralistas, as pessoas pegavam suas pedras virtuais, um linchamento se iniciava. Não ficou de fora, é claro, tinha que se opinar e participar da turba insana e assim ficou conectado por horas até o cansaço obrigá-lo a se deitar. Exausto ainda deu uma última olhada antes de dormir. Era necessário saber se não tinha perdido nenhuma informação nova. O mundo não para o ideal seria ficar conectado vinte e quatro horas para não perder nada.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Celebração

  • Eles estão celebrando. Você não vai ficar com eles?

  • Não.

O silêncio paira entre as duas pessoas. Elas parecem estranhas, cada uma olhando para frente com seus pensamentos. Já foram íntimos; ele a fazia gargalhar e gostava disso, mas a vida, ah, a vida, havia separado os dois e transformado o passado em dor. O silêncio podia ser cortado com uma faca e não estava fazendo bem a nenhum dos dois.

  • Por que não vai?

  • Não faço parte desse povo, dos costumes deles. Sou um forasteiro aqui.

  • Já está aqui há bastante tempo e todos chegaram de algum lugar. Não existem nativos por essas bandas.

  • Não precisa ser nativo para se sentir assim. E eu me sinto um forasteiro mesmo depois de ter passado todos esses anos aqui.

Voltaram a silenciar. A festa continuava a toda, as pessoas se divertiam enquanto os dois não tinham o que comemorar. As feridas no coração ainda sangravam, o passado atormentava e não permitia um sorriso. Mais uma vez, ela tentou acabar com aquele silêncio opressor.

  • Eu achei que você se sentia bem aqui. Sempre falou desse lugar com certa empolgação.

  • Eu me sinto bem, apesar de, nos últimos tempos, o ambiente ter piorado. Não me sinto parte desse povo. Prefiro ficar quieto no meu canto.

  • A solidão não é uma boa opção.

  • Melhor do que tentar rompê-la com falsidade.

Ficaram calados pela terceira vez, até que ela se levantou e foi para onde estava a maioria. Entendia o amargor, mas não queria ficar assim. Iria tentar fazer parte daquela terra, ter seus costumes, não ficaria sozinha.