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domingo, 3 de abril de 2016

Liberdade Cantou


- A cidade de Santa Maria fica afastada do mundo.

A frase do taxista lhe trouxe de volta a realidade. Olhando pela janela lutava para ordenar seus pensamentos enquanto o carro ia engolindo a distância pela estrada bem asfaltada. A cidade ficava longe, lugar ideal para construírem um presídio de segurança máxima e jogar lá todos aqueles que uma sociedade onde não vigora a pena de morte quer se livrar.
Condenados por diversos crimes violentos vão para lá, alguns travam verdadeiras batalhas judiciais para evitar esse destino, outros sem recursos financeiros aceitam sem reclamar, não tem santo atrás dos muros, talvez nem Deus e o Diabo ousam atravessar para o outro lado da muralha, lugar sombrio, com algumas pessoas tendo a sorte de ter uma visita.
 O carro chega à cidade, pequena, que sobrevive em torno do presídio, mulheres de presos que resolveram ficar perto de quem amam famílias de agentes penitenciários, de policiais, pequenos comércios, uma escola, uma farmácia, uma igreja e lá em cima da colina a construção de pedra, razão de aquela cidade existir. A selva de pedra, inferno de concreto, fortaleza são alguns dos apelidos pouco carinhosos adjetivando aquela construção sombria depósito de pessoas violentas.
 Para chegar lá não pode ser de carro particular, é necessário se identificar na entrada da estrada, pegar uma vam que leva até a outra cancela onde então depois de uma nova identificação o caminho até o portão de ferro é feito a pé. Mais uma vez é necessário se identificar e então adentrar no que os presos chamam de castelo, mas aqui não tem princesa e muito menos é cenário para contos infantis. Foi levado até uma sala, revistado, confirmado a autorização para visitar e levado até o pátio onde foi orientado a escolher com cuidado um lugar que não "pertencesse" a ninguém, não podia olhar no rosto das pessoas e de forma nenhuma fazer movimentos bruscos, era chegar, parar ficar quieto e esperar.
Tensão no ambiente acendeu um cigarro e esperou por alguns minutos. Chegou quem esperava, estendeu a mão e não a teve apertada.

- O que você faz aqui?

- Vim te visitar. O que mais eu posso fazer nesse inferno?

- Não preciso de visitas. Se quiser ajudar mande cigarros. Eu preciso de muito deles.

- Sempre orgulhoso. Não está em situação de exigir nada.

- Não exigi. Eu pedi. Ou melhor, sugeri.

- Aceite o que vim lhe trazer e cale-se.

- O que veio me trazer?

- A liberdade, filho da puta. Vim lhe tirar dessa merda que se meteu e não consegue mais sair. Talvez lá fora você volte a ser o que era né?

- Eu não estou entendendo. Do que você está falando? Não brinca assim comigo.

- Consegui contratar o melhor advogado da cidade. Vai me custar um bom dinheiro, mas ele prometeu te tirar daqui em breve. Se prepare para sair.

- Eu não sei o que dizer.

- Quando estiver lá fora diga obrigado e faça valer à pena o meu dinheiro gasto. Por hora não diga porra nenhuma. Não estou aqui para te escutar.

- Porque você está fazendo isso?

- Por quê? Deve ser porque sou seu amigo. Deve ser porque você caiu aí enquanto eu fiquei na pista sozinho tendo que me virar. Deve ser porque não era para você está  tanto tempo nesse inferno. Deve ser porque está na hora da gente voltar a ficar juntos na pista. Sei lá porque eu fiz isso. A visita acabou e eu vou embora. Se mantenha vivo até a liberdade vir.


Fez o caminho de volta sem lágrimas. Elas tinham secado faz tempo e não eram mais derramadas. Não escutava o que dizia o motorista. Pensamento estava longe demais. Iria tirá-lo daquele inferno. A vida ia voltar a ser boa. Mereciam.

domingo, 23 de setembro de 2012

Regime Aberto

O tempo é inexorável, a madrugada está seguindo o seu ritmo, enquanto eu fico esperando cada minuto a abertura da cela. Insone, ocupando meus pensamentos para não esquecer, arrumo lembranças que não doem, faço planos possíveis de serem executados, engano-me com sonhos que não virarão realidade. Anseio pelo raiar do dia que trará a minha liberdade, preciso sair daqui o quanto antes, não suporto a prisão. O ar daqui não é puro, não existe o vento no rosto, é sombrio, não escuto risos verdadeiros e as lágrimas são companheiras constantes. Lugar mal assombrado, quantas almas penam por seus corredores, quantos homens desistiram de viver diante das dificuldades, derrotas constantes faz qualquer um desistir.
Olho um relógio, não falta muito, penso, preciso agüentar até a hora de ir embora, sou forte o suficiente para isso, preciso ser forte o suficiente, caso contrário serei outro derrotado nessa masmorra. 
Meus pensamentos são meus inimigos, assombrações de outros tempos, o tédio e o ócio fazem piorar meus sentimentos, falta pouco para tirar meus grilhões, sair pela porta sem fugir, calmamente colocar os pés na rua e sentir o ar fresco me abraçar.  Não é solução para os meus problemas, preciso encará-los de frente, além disso, no final do dia serei obrigado a voltar, mas aqui é pior. As paredes me sufocam, a luz acesa no corredor me vigia e a escuridão da noite me oprime. Quero ir embora. Sair. Quero a minha liberdade, mesmo que seja tão breve quanto doze horas.

sábado, 22 de setembro de 2012

Os Prisioneiros e O Vagabundo


No engarrafamento da cidade ele vai dirigindo e olhando o relógio, impaciente com a demora, tempo é dinheiro e não pode ser desperdiçado. Amaldiçoa o trânsito e xinga mais uma vez o povo que não sabe votar e os políticos eleitos, incapazes, corruptos que só sabe sugar os impostos. Olha novamente o horário, vai perder a reunião urgente, se irrita mais ainda e para aproveitar o tempo começa a trabalhar ali mesmo falando no celular.
Trabalha dez a doze horas por dia,  nunca tem férias, no máximo uma licença de dez dias e somente no domingo descansa quando não tem trabalho acumulado. Seu patrimônio é grande, cada dia está mais rico, para a sociedade é o exemplo de homem bem sucedido e se orgulha disso,  nunca se deu conta de que construiu a cela, entrou e se trancou. Tem orgulho das algemas nas mãos e olha com desdém quem não segue o seu caminho, se sente um vencedor quando olha os bens materiais que possui e não percebe o quanto é derrotado quando não consegue perder meia hora jogando vídeo game com o seu filho.
No mesmo engarrafamento, o ônibus lotado leva pessoas para o trabalho, precisam chegar no horário para não serem despedidos ou descontados no salário, acordam de madrugada, pegam uma ou mais condução na ida e volta, dormem no trânsito o que não conseguem em suas casas.
A lei trabalhista determina o máximo de oito horas de trabalho por dia, mas muitas vezes é forçado a fazer hora extra, as oito viram dez a volta para casa é tão demorada quanto à ida, passa quatorze, quinze horas na rua. Usa o horário de almoço para resolver assuntos pessoais, precisa de tempo para si e só consegue para servir ao patrão.
Se tivesse a opção de trabalhar menos ou perto de casa aceitaria somente se não tivesse redução nos ganhos, mas a oportunidade não aparece e continua a jornada, aprisionado pelas dívidas, compromissos e necessidade de consumir, não pode parar.
O vagabundo acorda em qualquer horário, suas noites são vividas com a mesma intensidade do dia, não deve satisfação a ninguém e se sente feliz assim. Não sabe o que e quando irá comer, sua casa tem poucos móveis, o aluguel às vezes atrasa, não é um namorado que se apresente a família, é um fracasso aos olhos da sociedade, um exemplo a não ser seguido. Comentam a sua vida desperdiçada quando poderia ser útil para alguém, sua carteira de trabalho é um documento largado em algum canto, trabalha o necessário para ter diversão, a propaganda da televisão não lhe tem como alvo. É livre dos sonhos e temores, não tem ambições e se preocupa pouco com o dia de amanhã. Não tem bens para proteger e nem medo de perder o pouco que possui, e às vezes quando a liberdade dói, pensa em como seria ter uma vida igual aos outro e logo desiste. Não foi feito para ficar preso a nada e a ninguém.

sábado, 9 de junho de 2012

Livre


Anda pela rua falando sozinho sem se importar com que pensam dele. É louco.

Não trabalha, vive de doações e sem nenhuma renda. É vagabundo.

Não tem família e ninguém próximo a ele. É solitário.

Vive na rua, procurando abrigos nas marquises e bancos das praças. É um morador de rua.

Não reclama da chuva e nem do sol, agüenta o frio e se refresca no calor no improviso. É um sobrevivente.

Não tem esperanças de mudar o seu destino, vive como pode. É um acomodado.

Não torce por um time, não tem uma religião, ideologia. É alienado.

Não se preocupa com colesterol e nem com a dieta. Não á saudável.

Não faz compras à prestação, não tem cartões de crédito e nem usa o cheque especial. É uma pessoa sem dívidas.

Não vota não se preocupa com políticas e com economia, ignora as eleições e eleitos. É apolitizado.

Não tem sonho de consumo, usa qualquer roupa e sapato, vive sem celular. É pobre.

Não tem frustrações pelo que poderia ter sido, não lamenta o salário que ganha. Não é bem sucedido.

Não usa a internet, não faz parte de redes sociais, não tem e-mail. É desconectado do mundo.

Não fez faculdade, não lê jornais e revistas, não vê TV. Não se importa com o mundo onde vive.

Não sei se ele é feliz ou triste, se quer mudar de vida ou não, não sei nada sobre ele, mas desconfio que ele seja livre.

sábado, 31 de março de 2012

Primeiro de Abril

    Manoel Fiel Filho, Rubens Paiva, Vladimir Herzog, Zuzu Angel, Edson Luís de Lima Souto, e tantos outros que perderam a vida durante a ditadura militar merecem meu respeito. Primeiro de Abril, um golpe de estado, supostamente para evitar que o Brasil virasse comunista, levou ao poder os militares das três forças armadas e até a década de oitenta permaneceram no poder tendo ao longo da sua duração histórias tristes, corpos desaparecidos, pessoas exiladas, orfãos, pessoas sequestradas, torturadas e deixando ao seu final um Brasil pior.
  Qualquer ditadura merece meu repúdio, seja ela de esquerda ou de direita, não caio na conversa de quem critica a democracia para justificar a ditadura da sua preferência e sinto arrepios quando disfarçam o governo ditatorial em outros países para que sua ideologia não seja atacada, de todos os males para uma nação ainda penso que o melhor seja a democracia, mesmo sendo essa igual a brasileira com vários problemas, constantemente vilipendiada por muitos que se aproveitam das suas falhas. 
 O golpe militar de 64 hoje em dia é justificado por uma ameaça comunista, mas não penso assim, só ocorreu por haver uma crença antiga de que o Brasil precisava de ordem, por um total descrédito nos políticos, por acharem que o povo não tinha condições de fazer o país mudar, algo semelhante ao que dizem agora e muitos que não viveram ou quem sabe esqueceram de como era com um ar de nostalgia sentem saudades do período militar.
  O primeiro de Abril não deve ser lembrado com revanchismo, não deve servir para colocar em lados opostos a direita e  esquerda (até mesmo porque a maioria do povo ainda pouco se importa com ideologias), mas para a gente refletir sobre um regime militar que subiu ao poder com o sonho de fazer o nosso país gigante e no entanto foi engolido pelos seus de tal forma que se tornou sanguinário, torturador e deixou a nação pior que encontrou. 






segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Prisioneiro

   Nunca negou sua culpa e aceitou a pena imposta sem reclamar. Réu confesso, sem direito a benefícios, tendo uma pena dura a cumprir. Ainda se lembra do juiz batendo o martelo decidindo pela condenação rigorosa e mudando a sua vida para sempre
  Desde então perdeu a liberdade e passou a viver dias difíceis. Não é um prisioneiro problema, mas já foi parar na solitária, algumas vezes por ter que mostrar a quem duvida o porquê de ser considerado perigoso, as pessoas vêem uma fera enjaulada e se sentem corajosas, por isso mostrou a alguns guardas na prisão porque era tão temido e respeitado nas ruas.
  Se pudesse voltar atrás teria agido diferente, tem essa certeza embora pense que o seu erro foi apenas acreditar em quem não devia, ou quem sabe, apostar na sorte quando o melhor era ter optado por algo mais seguro. Às vezes você se envolve em assuntos que não são seu e quando se dá conta de que não valia a pena é tarde demais.
  Anos se passaram sempre a cela silenciosa escutando seus lamentos e presenciando seu desespero, o banho de sol sendo aproveitado em cada segundo para não enlouquecer, o rádio de pilha escondido trazendo notícias do mundo lá fora, a esperança de um dia esse inferno ter um fim.
  Tem algum dinheiro em algum lugar fora dali e o usa para conseguir pequenas coisas naquele lugar, uma visita íntima mais demorada, uma cama mais confortável, mas a paz não há dinheiro que compre, a liberdade tem um preço alto demais e não está em condições de pagar. Olha os muros e se lembra de um dia o Mano Brown dizer que todo prisioneiro deveria ter o direito de tentar fugir, pensa da mesma forma, queria esse direito de tentar, se desse certo iria sentir mais uma vez o prazer de ser livre se desse errado não aumentaria sua pena, talvez uma punição mais amena e teria o consolo de ao menos ter tentado. Mas não é assim, conta cada dia para sair dali e voltar para o mundo, procurar algum lugar que ninguém saiba da sua vida e ter o direito de ir e vir sem dá satisfação a ninguém.
  Merece isso, depois de ter lutado tanto para defender o seu país, deram medalhas e honrarias quando matou em nome do governo e de uma ideologia, quando matou para se defender não quiseram nem lhe escutar e o encarceraram como se fosse um criminoso comum.
  A vida tem dessas coisas, infelizmente, pensa, olhando para o céu, sentindo o sol no rosto, até que o mandem retornar para a cela novamente. Um dia isso acaba, se Deus quiser, acaba. E a liberdade vai chegar.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Correntes

  As correntes colocadas garantem a permanência do prisioneiro, mas quem disse que elas não podem ser arrebentadas? Basta forçar, os seus elos irão se romper e te dar a liberdade, já pensou nisso? Sim, a dor parece ser insuportável, mas não é nunca vi até hoje alguém morrer por isso, não vou te enganar pode causar problemas sérios posteriormente, como muitas coisas nessa vida. Viver é perigoso e não passamos incólumes pela vida, ninguém consegue isso, e você não irá conseguir também.
  A pergunta é, vale a pena não romper e ficar com os grilhões te machucando dia após dia, causando pequenos ferimentos, alguns deles já sendo crônicos de tanto serem reabertos sem nem está cicatrizados de forma satisfatória? Vale a pena ficar arrastando as correntes limitando seu ir e vir?
  Na vida várias coisas são questões de escolhas, e muitas delas dependem apenas de você, embora isso nem sempre seja algo fácil de acreditar. Talvez essa seja mais uma escolha sua com você se enganando dizendo “não tem jeito”, “é assim mesmo” ou “está melhor assim”. Será mesmo? Já se perguntou isso e obteve uma resposta sincera, daquelas direta e dura sem ser amenizada de alguma forma? E se sim, depois da resposta chegou á conclusão de que realmente está bem desse jeito?
  Se estiver, então conforme-se, pare de lamentar e ambicionar a liberdade, você não serve para ela e nem ela para ti, mas se não estiver, não se acomode nunca, olhe o horizonte e sonhe com o dia que será uma pessoa livre caminhando sem precisar ser limitado por nada e nem ninguém.
  Não é fácil, nada na vida é fácil, mas vale a pena se você realmente quiser a condição de liberto, as feridas nos pulsos e tornozelos irão cicatrizar algum dia, acredite, o tempo a tudo sara e não aparecerão novas nesses lugares, você irá se machucar de novo é claro mas dessa vez com a certeza de está seguindo em frente, progredindo e não parado em algum lugar sem querer.
  Quem aprisiona só se sente bem em ver a pessoa submetida aos seus caprichos, por isso nunca vai afrouxar ou te dá alforria, não se engane com isso. E também não se engane ao gritar e lutar por liberdade tentando ser compreendido nesse anseio, quem domina nunca admite perder o domínio e irá fazer questão de tentar voltar a situação antiga até quando não conseguir mais.
  Liberdade conquistada, mude sua vida, estabeleça novos termos, não abra mão disso e fique bem consigo mesmo. Ela irá te dá coragem para tudo isso. Basta lutar por ela.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Liberdade Ainda que Tardia

    Verão no Rio de Janeiro, temperatura acima de trinta graus como ele gosta,  trazendo uma noite agradável de lua cheia despertando velhas lembranças intrometidas presentes sem serem convidadas. Anda pela praia, escutando o barulho das ondas e pensando na sua situação atual. Está livre, pode fazer o que quiser com quem e a qualquer hora , e isso não vai ser desonesto ou um ato de traição e nem  vai lhe obrigar a dar alguma desculpa esfarrapada para ninguém, nem mesmo para sua consciência. Isso é bom, mas não está feliz e isso não é surpreendente, pois se entende  melhor de quem está próximo dele embora isso não tenha servido para muita coisa até agora. Adianta se conhecer e cometer os mesmos erros, ainda se deixar enganar como um tolo? Não adianta muito, algumas vezes pensando ser uma situação diferente foi obrigado a ver um final igual a outras vezes.
   Não foi feito para uma prisão, detesta se sentir preso e proibido de fazer algo. Proibições e regras não foram feitas para ele, talvez por isso implique tanto com o catolicismo (sua religião) e com quem mais tenta ditar regras seja quais forem. Não se importa que o coloquem na palma de uma mão mas se fecham a mesma ele ferroa sem dó, pois não aceita ser tolhido de forma nenhuma. Já tentou explicar, se deixarem livre ele volta, sem demorar muito. Dará seus vôos por aí, visitará novos lugares, sentirá o vento fresco no rosto e voltará para onde se sente bem e souber que alguém o espera. Isso é importantíssimo, saber que ao retornar o sorriso no rosto e um abraço apertado será dado com sinceridade por quem sempre está esperando o seu retorno. Uma volta ao lugar onde se é bem vindo sempre faz bem a alma de todos e não seria diferente com ele.
  Também sempre avisa e cumpre, diga-se de passagem, não foi feito para muitos lares, quando viaja não deixa alguém em cada porto, um lar em cada cidade, não é disso, não precisa agir assim, quer apenas viajar, voltar a lugares desconhecidos, reencontrar conhecidos, e sentir necessidade de retornar para quem ama.
  Seria perfeito se a vida fosse assim, mas a liberdade alheia incomoda e então é necessário aprisionar, um dos costumes dos seres humanos. E assim como o homem  coloca o pássaro em uma gaiola para ter o seu canto apenas para si as pessoas prendem as outras para não dividirem seus encantos (seja quais forem) com estranhos sem perceberem o mal feito.
   Alguns pássaros se acostumam com a situação, outros vêem nisso uma solução adequada e vivem bem porque não dizer felizes, mas existem os que permanecem o dia inteiro na mesma árvore sem voar, mas não aceitam a proibição de uma grade aos seus vôos. A falta de liberdade para ele faz mal em todos os aspectos da vida, nunca aceitou de bom grado o domínio de nada e nem de ninguém, rebelde por natureza sempre esteve disposto a lutar para ser livre.
  Sentado na murada, lança pedrinhas no mar, o coração está dolorido, já não tem para onde ir e nem para quem voltar por alguns instantes se recrimina por está assim. Ao menos estou livre, pensa, a liberdade não tem preço e mesmo doendo ela ainda é a melhor opção. Antes uma tristeza em liberdade a uma alegria em uma prisão.