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quarta-feira, 17 de julho de 2024

Uma Vitória Inesquecível

 

  As memórias de uma vitória que uniu o país inteiro ainda estavam vivas. Aquela final da Copa do Mundo de 1994 foi um marco na vida dele, um dia que ficou gravado na memória de todos os brasileiros.

          - Lembra do Galvão narrando? - disse ele, enquanto abria a champanhe.

           - Como esquecer? A voz embargada, a tensão no ar... 

          - E quando o Baggio chutou pra fora? - Ele levantou a taça, revivendo o momento.

           - Ah, aquele momento... 

         - Eu achei que ia ter um infarto ali mesmo.

Eles brindaram, as taças tilintando num som que reverberou pelo tempo, misturando o passado com o presente.

- Sabe, a vida é feita desses momentos - ele disse, com um olhar pensativo.

- É verdade. A gente precisa celebrar mais, agradecer mais... 

 - Trinta anos. Parece que foi ontem.

Riram, brindaram mais uma vez e beberam, saboreando a champanhe e as memórias.

- Às vitórias passadas e às que ainda virão 

- À vida e aos momentos inesquecíveis 

Aquela noite, como tantas outras, ficaria guardada no coração deles, uma prova de que, apesar do tempo passar, certas vitórias são eternas.

 

Trinta Anos

-   Para que essa champanhe, homem?

-  Comemorar.

-  Hã?

-  Comemorar vitórias conquistadas faz bem ao espírito. Temos que celebrar nossas conquistas.

-  Jesus. Enlouqueceu de vez.

-  Hoje é dezessete de julho.

-  E?

-  Não lembra mais? O terraço, a TV a cores, aquela tosse infinda, um frio, suas preces no banheiro...

-  Brasil, Itália, 94?

-  Sim, lembra né?

-   A narração do Galvão quase chorando quando foi pros pênaltis.

-  A tensão em volta. Todos com o coração nas mãos.

-  Eu lembro de tanta coisa.

-  Devemos comemorar?

-  Abre essa champanhe, caralho. Trinta anos.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

2 de Julho

     Sentado em uma cadeira da universidade, os pensamentos remetiam a um ano atrás e o coração sangrava. A derrota na Libertadores tinha se juntado a outros problemas, e o sangue escorria. Uma hemorragia dolorida. O tempo passou, anos lembrando e tentando esquecer aquela noite, madrugada, dia.
    Mas não há mal que sempre dure. Não há ferida que não cicatrize, apesar de algumas demorarem demais. Acabou ano passado. O que vai ocorrer este ano não importa. Sarou. Passou.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

GALVÃO BUENO O MAIOR QUE EU VI NARRAR

 

Dizem que se deve separar o personagem do mundo real. Ou o artista da sua obra. Algo impossível para outros mas para mim é de boa. Candeia era policial violento, Sabotage foi traficante, Facção Central o DumDum tirou cadeia, Neymar é um babaca bolsonarista, mas é craque e não tremeu na olímpiada. Se fosse o outro bolsonarista chorão teria desmaiado todo cagado esperando o samu. Maradona era um cheirador alcoólatra com uma vida marginal romantizada por brasileiros hipócritas.

E porque escrevi tudo isso?  Um dos meus ídolos na narração esportiva: Galvão Bueno. 

Galvão é o narrador dos melhores momentos no esporte que eu guardo com carinho exceto o primeiro título do Guga na França narrado pelo Rui Vioti.

É um cara com a exata noção de ser parte do show, se torna melhor do que o jogo as vezes, não é raro pensarmos que o jogo está uma merda mas tem o Galvão confundido nome dos jogadores, repetindo teorias tão antigas quanto decoradas por todos, com bordões inesquecíveis e isso é povão. Torcedor especialista em futebol seria bom ouvir na academia, em palestras, congressos ou com imensa paciência em algum grupo do face. Fora isso são chatos para caralho vendo futebol de seleções.

Galvão Bueno é e dificilmente deixará de ser o narrador dos meus momentos especiais seja em uma copa do mundo, medalha de prata no atletismo, fórmula 1 e outros tantos esportes com ele lá.

Porém Galvão sofreu um processo de cancelamento faz algum tempo (e depois escrevo sobre o início e porquê) e o "cala boca, Galvão" "Pacheco" "torce descaradamente para a seleção" entre outras coisas se juntaram a parte pessoal.

Galvão Bueno foi íntimo da relação de poder dividida entre clubes, CBF, TV Globo e jogadores.  Se tornou íntimos de craques e inimigos de outros. Sua corneta feroz tal qual a de um torcedor comum deve ter prejudicado a muitos. E isso causa críticas ferozes até hoje. Justas em grande parte.

O "cala a boca Galvão" parece ter sido iniciado em um desses programas que legaram ao Brasil a ascensão de um genocida e se tornado popular junto com a ascensão de novos narradores em busca de espaço e com novos públicos. Desgaste enorme da sua imagem e com ele insistindo em não se aposentar. Em 2012 para agradar à torcida tricolor inclusive seu filho tentou um "é tetra, é tetra" parecendo um ocaso.

Porque eu não sei, mas demitido não foi, continuou pelas copas, eurocopas, copas américas e olimpíadas revertendo uma imagem negativa cada vez mais forte até que chega em 2021 aclamado por ser o maior.

O tempo é inexorável e vai nos levando aos poucos o que temos de melhor. E Galvão já não consegue narrar como vigor ou ao menos enganar e continuar tentando. É divertido os bordões, as histórias aleatórias, as gafes e cornetas, mas o narrador não consegue mais. É um craque em campo tentando enganar o grande público com lançamentos, passes precisos, mas sem fôlego para aguentar quarenta e cinco minutos e jogando noventa.

É embaraçoso pedir a aposentadoria de alguém mas faço isso a vontade por ter nesse narrador o carinho que tive com Jose Carlos Araújo e por pouco tempo Osmar Santo,

Está na hora de parar. Hoje foi constrangedor em alguns momentos quando necessitou ecoar o grito de gol ou fazer dos pênaltis maior que qualquer disputa é.

Tudo na vida tem um fim e é hora de a Globo tomar a decisão de procurar outro narrador principal.

 

Final da Eurocopa

      Ontem quando vi a Itália entrar em campo sorri e pensei: Já sei o enredo. Tenta ganhar no tempo normal, na prorrogação vai sorrateiramente ganhar e se não conseguir se garante nos pênaltis. Olhei pra Inglaterra e só consegui pensar em um time que a única vez que eu lembro de algo bom tinha Paul Gasgoine.

   Tudo mudou com o primeiro gol da Inglaterra. E que gol. Uma batida de primeira antes dos dois primeiros minutos. Parecia uma Inglaterra diferente disposta a doutrinar a Itália e falar: Lugar de fachos é exportando para o Brasil a família para virar vagabundo político. Aqui não.

    Porem a Itália colocou a bola no chão, tocou a bola, começou a jogar e a Inglaterra retrancou. Inevitável gol de empate.

     Segundo tempo se eu tivesse mil reais eu apostaria na Itália. Não tinha e somente vi minha previsão dá errada e eu não perder dinheiro que não tinha. Itália tentou ganhar é claro, mas foi do jeito italiano de jogar. Um jeito resumido em um tuiter: Triste de assistir desde 1934.

     Na prorrogação a Inglaterra tentou algo a mais, o técnico inglês cometeu o supremo erro de substituir duas vezes só para bater pênaltis e a Itália foi para os penais segura.

     Ganhou a seleção que não esteve na final devido a um roubo, ganhou uma seleção que ao não ir para uma copa do mundo se reconstruiu (ao contrário de uma brasileira que fez vergonha no Brasil, perdeu em 2018 e ainda tem jogador fazendo papagaiada apoiando genocida em vez de sumir da seleção e ir para a pqp, o raio que o parta, chorar em outro canto) e voltou a ganhar

    A mesma Itália de sempre: Triste de se ver as vezes, com brasileiros naturalizados, levando para os pênaltis, não se incomodando nenhum pouco com o sofrimento das prorrogações e sendo campeã... desde 1934 é assim.

     Quanto à Inglaterra deixou de ser uma Argentina da vida. Está abaixo. Argentina ao menos se aproveita de um presidente fudido trazendo uma copa fudida, para um país fudido, com uma seleção fudida para ter um gosto especial no final do seu jejum.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Dia do Futebol

Dia do futebol. 10 momentos inesquecíveis que esporte me deu:
1) Final da copa de 94
2) Final da copa de 2002.
3) Todos os fla Flus de 95.
4) Estreia do Fred em 2009.
5) Gol 150 do Fred.
6) Flu x Guarani em 2010.
7) Gol do Antonio Carlos em 2005.
8) Brasil x Uruguai em 93.
9)Brasil x Uruguai 89.
10) Gol do Branco em 94 (Brasil x Holanda)

sábado, 3 de dezembro de 2016

Saudades, Doutor

     Os corintianos estão relembrando a data da sua partida e eu me dei conta: Foi em um quatro de dezembro que deixou esse mundo . Deixo aqui minhas palavras a ti.
     Doutor espero que tenha recebido bem o time da Chapecoense. A ganância, a maldita ganância causou a tragédia. Eu não culpo capitalismo é claro, se eu fizer isso logo sou confrontado de forma dura. Aí de cima você deve está sabendo no que se transformou o Brasil. Uma mistura de macarthismo com uma gentinha se dizendo liberal sem perder a oportunidade de se postar ao lado do Estado. Eu chamaria de loucos se não suspeitasse quais as motivaçõe$ dessa gente.
     Antes deve ter recebido seu camarada Fidel. Esse eu teci comentários aqui e acolá, mas o tratam como um santo ou como o diabo. Já não tenho idade para esse maniqueísmo infantil. Ou paciência. O tempo passa e vou ficando mais rabugento e impaciente. Então me calei e passei somente a observar.
São tempos difíceis, sufocantes me fazendo temer o futuro.
    Viu no que deu a partida de pessoas iguais a você? Choro por quem foi e por muitos que estão por aqui (fazendo peso e criando problemas).
    Desde sua partida pioramos, doutor. Diria que deterioramos. A conciliação de classes não deu certo e a reação oligárquica está sendo tão dura que o retrocesso parece objetivar uma volta a república de trinta (antes de Vargas chegar). Não, não é exagero da minha parte. Se ainda estivesse nesse mundo você concordaria comigo.
      Termino minha carta por aqui pedindo um pequeno favor. Um fã seu se foi uns anos depois de você. Caso o encontre diga que eu ainda sinto saudades e discretamente nutro simpatia pelo Corinthians só por causa dele. Faça-me esse favor se puder. Na próxima arrumo um jeito de mandar whatsapp ou e-mail. Pessoas iguais a você fez esse país melhor e formaram resistentes.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

É só futebol. Força Chapecoense.

   Torcedor se acostuma a viver com o "se". Se aquela bola entrasse. Se o goleiro não tivesse defendido. Se o resultado fosse outro. O "se" tortura, faz o torcedor pensar em como tudo poderia ser diferente. Cada torcedor carrega consigo muitos "se",
   Torcedor se acostuma com as tragédias. A perda do título, a eliminação precoce, o vexame inesquecível. O trágico faz parte da história entre o clube e sua torcida. 
   Torcedor sente medo do seu clube acabar. Em qualquer fase ruim teimando em durar a preocupação começa. Sua paixão correndo qualquer risco é motivo de temores.
   Torcedor entende os outros torcedores. Brigam, discutem, são maledicentes mas basta acontecer algo mais do que o futebol para o sentimento comum de tristeza e solidariedade existir.
   É só futebol, dizem. Sim, é. É só futebol. A dor da perda de um título não seria tão grande quanto a essa queda do avião. Os torcedores catarinenses saberiam disso. Eu sei. Qualquer torcedor sabe. 
    E é por ser futebol que a tragédia se torna mais próxima de cada torcedor. Por cada um imaginar a dor que os torcedores da Chapecoense estão sentindo. Imaginar porque saber só eles mesmos sabem.
     Mais do que nunca o clichê "somos todos" é próprio no dia de hoje.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Eu e o Torcedor Racional

Imagine que você está bem em seu relacionamento, mas sua namorada causa um problema irritante. Você não quer brigar, sabe que estarão bem nos próximos dias, está apenas puto, mas tem o primo mala racional a te atazanar.

Você diz que mulheres são assim mesmo e o primo diz que é machismo.

Você diz que ela é escorpiana a entende e o primo diz que zodíaco é bobagem.

Você diz que não foi nada demais e o primo diz que pode ser o início de um aborrecimento maior.

Assim é a minha relação com o Flu e o torcedor racional. O meu time perdeu um clássico (bem ou mal é um clássico) e eu não quero brigar com jogador, xingar o cartola, reclamar da zaga, culpar o meio campo ou achar que aquele garoto é a reencarnação do Lenny.

E então eu digo que:

A culpa foi da zica e o torcedor racional diz que isso não existe.

A culpa foi do mosaico e o torcedor racional diz que ele não ganha ou perde jogo.

A culpa foi dos astros e o torcedor racional diz que astrologia é bobagem.


A culpa foi o jogo passando na Globo e o mala elenca todas as nossas vitorias às 16 horas transmitidas pela emissora.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A Maior Barrigada de Todos os Tempos

     Eu não gosto de dias frios ou de chuvas, associo com momentos ruins na minha vida. E naquele domingo quando ela desabou eu temi o pior apesar do campo pesado nos favorecer.
Renato em uma entrevista diz que temeu uma contusão, não me recordo de ter sentido medo disso, aliás, me recordo verdadeiramente de poucas coisas, a lenda, o mito, há muito superou a realidade, quem conta um conto aumenta um ponto diz o ditado e a cada ponto acrescido a historia é contada.
   Não temo fla-Flu, nunca temi, é o único jogo que o respeito pelo rival me faz ter uma coragem plena mas estava temendo outro vice, outro ano sem título enquanto todos os times grandes tinham o que comemorar.
     Lembro-me de não ter comemorado nenhum dos 3 gols, de ter me desesperado com a última disparada do Savio e de ter rezado para aquele jogo acabar. Minutos intermináveis em uma narração do Garotinho escutada no walkmam amarelo com um fone arrebentado na hora do terceiro gol.
Foi o maior Fla Flu do séc., o maior jogo do Flu que eu vi e verei, tenho certeza. Foi um título com a cara do Flu tendo um enredo que todo torcedor sonha viver um dia.
    Nós torcedores temos isso, sonhamos viver momentos especiais, elegemos a partida das nossas vidas, nos orgulhamos dela, contamos para os mais novos invejosos como foi viver aquilo e quando olhamos matérias, ídolos daquela época, revivemos o passado com carinho. É um orgulho nosso, é meu orgulho ter vivido noventa cinco, um pequeno troféu que guardo comigo.
    Vinte anos se passaram e ainda não consigo falar sobre esse momento sem me emocionar. Nossa vida é feita de pequenas lembranças boas que vamos guardando em nossos corações para superar os momentos ruins. Trago comigo as imagens imortalizadas daquele domingo chuvoso, noite fria, inesquecível.

domingo, 6 de julho de 2014

Vai Em Paz, Carrasco

    Eu comecei a amar o Fluminense sabendo que o Assis era um ídolo do Flu e que deveria ser reverenciado onde ele estivesse. Não precisei que alguém me ensinasse a faze-lo, não precisei perguntar o que ele fez, ele estava tão associado ao Flu, suas façanhas eram contadas tão frequentemente que me tornei tricolor já sabendo dos gols decisivos, da dupla com o Washington, todos aqueles capítulos conta a historia do Flu na década de 80.
Mas havia algo mais do que isso. Assis era tricolor, gostava do carinho da nossa torcida e retribuía, se emocionava quando falava do Flu, quando se referia a nós torcedores e não era raro ve-lo banhando em lágrimas quando falava de nós, tricolores, do nosso amado clube, de toda sua historia com a nossa camisa. Era um de nós.
    Hoje a tarde eu entrei na internet e vi a notícia. Não acreditei, joguei no google e a página continua aberta, várias citações a sua morte e eu sem querer acreditar, quem sabe seja algum boato, que tudo será desmentido e essa homenagem vire uma gafe monumental. Queria que isso ocorresse, que não estivesse vendo partir mais um que fez parte do meu Flu de infância, dos tempos de moleque, quando você sonha fazer um gol em um fla Flu, de título e sentir a mesma emoção que ele sentiu.
Vai em paz, carrasco, obrigado por tudo. Pelos gols, pelos jogos, por ter aceitado vir jogar no Flu, por ter feito daqui a sua casa, por ter honrado a camisa tricolor mas principalmente pelo carinho que sempre demonstrou com nós torcedores, por sempre, ter falado do meu clube com carinho. Faço minha as suas palavras no documentário. Com todo respeito? Então, com todo respeito e minha reverência... Se recordar é viver...


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Obrigado, Chilenos

“Saí da estação de trem vestindo orgulhosamente a minha camisa tricolor, com um boné do Brasil como se fosse uma visita, um turista e não estava me importando, ficava admirando aquele povo alegre que a cada instante gritava ‘chi chi le le, viva Chile” enquanto procurava driblar a multidão para chegar ao portão indicado no meu ingresso e realizar meu sonho de criança.
Entrei no estádio e vi as arquibancadas vermelhas, o maraca, o novo maracanã como diziam pejorativamente tinha recebido os visitantes como se fossem da casa, sem cerimônia, com gente sentada nos degraus, pulando em pé, bebendo cerveja, sem as regras e etiquetas que querem nos impor, mas, o melhor estava por vir, a hora do hino nacional.
E eu sem saber cantar uma letra me emocionei com o hino chileno, com eles cantando a plenos pulmões e por 90 minutos eu fiz parte da sua torcida, recebi na minha casa, fiquei feliz com eles sabendo o que é jogar e ganhar naquele lugar, me senti um deles.

Obrigado pela tarde especial irmãos chilenos.

quinta-feira, 27 de março de 2014

O Torcedor (?) Chato

  Estou no tuiter quando caiu na minha TL  um RT de um desses politicamente corretos que no seu ar condicionado ou morando fora do Brasil sempre estão dispostos a incentivar um protesto qualquer. É fácil perceber um deles, geralmente, homens velhos, ainda parecem aqueles alunos do DCE ou que irritavam na sala de aula por ser todo certinho. Estão sempre dispostos a lutar por causas justas desde que essas causas rendam, é claro, destaque na mídia. O cidadão estava indignado com um canto da torcida tricolor ontem no Maraca. Homofobia? Racismo? Algo grave assim? Não, simplesmente porque a torcida cantou "segunda divisão" para o torcedor adversário.
  Ora, faça-me o favor, começo a achar que aprenderam a torcer, amar um time, tomando tody, assistindo TV a cabo dentro de casa e quando ficam adultos vão pelo mundo afora impor sua chatice.
Caríssimos, futebol é zoação, queriam o que? Que não respondessem as provocações porque os intelectualoides defensores da moralidade acham que podem palpitar na torcida alheia?
  Essas pragas que agora infestam a internet com suas regras babacas e manuais de conduta qualquer dia vão conseguir acabar com a graça no futebol que é provocar. Ah é muita cara de pau a torcida tricolor cantar isso. Imbecil, todo torcedor é cara de pau, clubista, ele não se importa com o certo ou errado, não quer ter razão, pretende apenas dá uma resposta ao rival.
  Voltem para seus aptos, suas casas, seus esconderijos, não tragam para o futebol suas chatices, seus dogmas, suas regras. Deixem os torcedores se divertirem em paz.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Álbum da Copa

  Em 86 eu não tinha álbum só as figurinhas que vinham nos chiclete Ping Pong. No ano de 90 eu me lembro que quando vi o álbum foi paixão a primeira vista e não consegui completar. 94 época de reafirmar a masculinidade e a entrada no mundo adulto eu era criticado por colecionar. Era coisa de criança, diziam, e eu sem me importar colecionei e completei. Alex Lalas foi o mais difícil e consegui-lo achar foi um golpe de sorte. 98 o ano foi ruim, considerei que era coisa de criança e eu era "adulto", passou batido. 2002 não colecionei reparando esse erro anos depois quando comprei de um vendedor na praça XV. 2006 e 2010 virou febre de crianças e adultos (graças a Deus) já se podia pedir nas bancas sem dá aquela desculpa "é pro moleque". 2014 o ponto frio colocou uma pré venda eu já garanti um e aguardo ansioso o começo da nova coleção.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Briga Entre TOs

                                                                                                       Por Fernando Scorsin

 Sei que tem muita gente que tá de saco cheio de ler sobre esta briga, mas temos que aproveitar a situação pra expor a hipocrisia de cachorros grandes. Vamos lá.
   Nada como a mídia comprar uma briga. Governo resolve "falar grosso", a Dilma resolve twittar sobre o assunto (que desconhece, óbvio), a prefeitura de Joinville toma suas medidas, o Ministério Público de SC passa a batata pro Atlético, que devolve pro Vasco em declarações de seu dirigente, a batata volta pra PM catarinense, que joga pro Ministério Público, que fala sobre os seguranças particulares em eventos privados, e enquanto tudo isso rola na tua frente... A mídia resolve opinar de maneiras completamente equivocadas através de boa parte de seus cronistas.
  O maior equívoco da imprensa esportiva quando se diz respeito às brigas entre torcidas organizadas, ou mesmo barras-bravas latino americanas, ou grupos ultras na europa, é que eles desconhecem por completo como essas brigas funcionam. Há gente na imprensa que ainda acha tratar-se de 22 jogadores e 1 bola. Há outros que acham que são "bandidos infiltrados", quando na verdade, é uma soma de fatores, que incluem sempre rivalidades construídas ao longo do tempo, ora por alianças, ora por situações passadas, além da adrenalina da situação e a oportunidade de trocar porrada - tirar a casquinha - sempre quando ela aparece.
  Entre os exemplos que a imprensa nacional têm amado louvar nos últimos 5 anos - desde que a TV fechada encontrou uma maior expansão de clientela, que com isso passou a acompanhar jogos da Premier League - está o (fracassado) "Modelo Inglês". Este modelo consiste na falência completa do poder público em solucionar ou amenizar problemas, criando empecilhos e mais práticas burocráticas. Proíbe-se a cerveja alcoólica nos estádios.
   A responsabilidade passa a ser dos clubes com supervisão das entidades máximas de Futebol, que por sua vez, resolvem aumentar exponencialmente o preço dos ingressos. Naturalmente existem "n" casos para comprovar que não há NENHUMA relação entre "preço barato de ingressos + cervejas alcoólicas" x "hooliganismo". Não há nenhum indício que mostre como esta relação se comprova, e podemos utilizar o ano de 2013 no Brasil, onde diversos confrontos ocorreram justamente nas... Arenas "padrão FIFA" que a Copa utilizará, sob exceções de Joinville e Itu.
   Adiante, a falência do "Modelo Inglês" se exemplifica na forma que a Inglaterra viu seus torcedores mais jovens desaparecerem por completo. Viu seus estádios (arenas) sucumbirem em meio ao espetáculo teatral da falta de cantorias e de uma atmosfera mais propícia ao futebol. O espetáculo de outrora, como o épico jogo entre Liverpool x St. Etienne (França) pela Champions League em 1977, foi punido. E as brigas não cessaram, até que a polícia tenha se informado suficiente sobre as rivalidades. Elas haviam passado a acontecer nos arredores dos estádios, nos pubs, nos terminais e estações de metrô e assim por diante.
   Rapaziada, aprendam a pensar por conta PRÓPRIA. O foco do problema do hooliganismo é a falta de manejamento do poder público em áreas de segurança (coincidência com as taxas de homicídio, assaltos, etc? Pois é). O foco do problema é a burocracia, a ignorância ora do MP, ora da polícia, ora dos próprios cartolas, ora de órgãos governamentais em (não) ouvir as torcidas organizadas, em (não) arregaçar as mangas, em (não) colocar em prática soluções de deslocamentos, escoltas, acompanhamentos quando se mais precisa. Quando brigas ocorrem, há sempre a omissão de organizadores e responsáveis pelo manejamento de segurança pública. Esta parte precisa ser cobrada sim. Porque esta parte precisa garantir o seu papel funcional de arrecadação de 5 meses de impostos em 1 ano.
   Esta omissão é SEMPRE repassada na responsabilização dos objetos: proibição de faixas, de bandeiras, de camisas, de cervejas, de ingressos baratos, de alambrados, e assim por diante. Porque é mais fácil. Você resolve com uma caneta, joga com o populismo, e diz ter resolvido o problema sem nem ter arregaçado as mangas.
  Não caiam neste conto do vigário.
    Não Ao Futebol Moderno.

* Fernando Scorsin, é torcedor do Paraná, profundo conhecedor das torcidas organizadas, um amigo e gentilmente cedeu esse texto escrito na sua tl do facebook para esse espaço.

domingo, 16 de junho de 2013

O Meu Retorno ao Maraca

1) Muito organizado até eu entrar. Aí esqueceram de pedir a minha identidade e comprovante de residência. 

2) Subir a rampa de novo foi especial.

3) Tomei um choque quando vi o campo mutilado.

4) Não me incomodei com as mudanças para melhor.

5) O infeliz do jornalista que considerou aquelas cadeiras confortáveis é desonesto.

6) É claro que eu me perdi e entrei no lugar errado. Pedi informação umas 5 vezes e em todas elas me orientaram errado.

7) Na sexta vez consegui uma informação correta mas mesmo assim tive que quase discutir com uma senhora. Ela dizia que meu lugar era no camarote e eu dizia que era favelado, pobre, tinha comprado o ingresso mais barato. Na sétima pessoa eu consegui achar o maldito do nível 2.

8) Não fiquei no camarote por medo de ser retirado quando descoberto o erro. Vontade eu tive. Cadeiras ali são confortáveis.

9) Tentei de todas as formas não sucumbir a ditadura do lugar marcado e fiquei vendo o jogo em pé. Não deu, 20 minutos e eu me rendi, procurei meu lugar e banquei o espectador.

10) A acústica do Maracanã me fez lembrar a do engenhão e desejar nunca mais voltar ao vazião.

11) Fazia tempo que eu me divertia tanto em um jogo de futebol quanto me diverti hoje. Talvez porque sabia que o Abel e nem o Diguinho estavam em campo.

12) Supervia para variar fudeu a minha vida... Mas são só centavos né... rs

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vendedores de Mentiras



Um dia me venderam a ideia que o futebol europeu estava modernizando seus estádios e aqui teríamos que fazer a mesma coisa. Com ar superior exemplificavam essa modernidade com os lugares numerados, lá, ninguém fica em pé, diziam e ninguém contestava. Eu me calei, olhando para a geral, pensei que gostava daquilo, mas era para a segurança dos torcedores e tentei entender e aceitar o que estava por vir.
Então acabaram a geral, o choro e lamento de alguns foram abafados ou ignorados e colocaram cadeiras, proibiram os torcedores organizados de subirem em cima delas para torcer e eu achei que era a tal modernidade, pois se na Europa onde (dizem) tudo dá certo, porque faríamos diferentes por aqui me perguntei. E aceitei tudo como se fosse verdade.
Mas, para a minha surpresa descobri que na Alemanha tem um estádio com geral, e triste, assistindo a ESPN agora a tarde, escuto o jornalista dizer eufórico que são 25 mil em pés e outro completa rindo "a UEFA exige cadeiras, mas ninguém fica sentado, ficam em pé nas cadeiras" e enquanto eles elogiavam a tal "muralha alemã" lembrei da geral e percebi o quanto fui enganado. Senti vergonha de ter sido tão tolo, agora é tarde demais. A geral do povo, não existe mais, os lugares serão numerados e se continuarmos nesse ritmo, torcer será proibido restando apenas à opção de assistir aos jogos.
 E eles continuam por aí, vendendo mentiras, pregando a modernidade, elogiando europeus, enganando a outros como eu fui enganado e se são questionados finge não ouvir, se escondem atrás da empresa empregadora, são vozes respeitadas e tidas como formadoras de opinião, influenciam o seu público e convencem como fui convencido.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Futebol


O estádio está aberto, sua entrada não é impedida e tem lugares disponíveis. O jogo começa, a empolgação é substituída por apreensão, desejo de sucesso o medo de dá tudo errado, fica a esperança de dá tudo certo no final do jogo.
Sem você pode fazer nada seu time leva um gol, o jogador adversário começa a comemorar, seus ouvidos escutam o outro lado do estádio vibrar e o que resta é a esperança do juiz anular o lance, por alguns segundos resta ainda à esperança de que não foi gol, o jogo vai continuar com o placar em 0 a 0.
Em outras ocasiões o jogo acaba os outros torcedores começam a sair e ficamos olhando o campo, imóvel sem querer acreditar no fim, esperando alguns minutos a mais para poder reverter o resultado, uma última chance de ser feliz, até aceitar que o jogo acabou, é hora de ir para a casa aceitando o resultado imutável.
Naquele banco da praça pensava nisso, se sentia como se estivesse vendo um jogo de futebol em casa ou no estádio, tentando ter a esperança de tudo não ter passado de um susto, vai ter virada, algum árbitro vai deixar acesa a esperança, terá um último cruzamento, o chute certeiro indo em direção ao gol. A razão, cruel e friamente avisou sobre o término, acabou, era hora de aceitar a derrota, o juiz apitou forte, avisando explicitamente o final do jogo, o estádio precisa fechar, é hora de ir embora.

domingo, 26 de agosto de 2012

Centenário

  Infelizmente ainda me encontro impossibilitado de voltar a escrever nesse blog por ainda está com problemas no braço, por isso não consegui escrever sobre os cem anos do Nelson Rodrigues, deixo aqui mesmo atrasado um pequeno post sobre ele. 
   Mauricio Murad deu uma pequena aula ontem no Sportv quando falou que Nelson Rodrigues nas suas crônicas sobre futebol falava da sociedade brasileira.  Seus textos sobre futebol para mim são geniais, pois mostra o futebol além de um bando de homens correndo atrás de uma bola para muitos verem. 
O complexo de vira latas ainda está no brasileiro assim como o ufanismo (tão usado por ele ao escrever), a redenção do negro, antes estigmatizado no futebol brasileiro, estava no príncipe etíope que era Didi. Talvez ele não contasse que a pátria de chuteiras seria entendido como o Brasil sendo o país do futebol onde todos amam esse esporte, não é, outros país estão na nossa frente. É uma pátria que consegue no futebol ser vencedora, deixar de ser o país que "tem tudo para dá certo" ou que "ainda não foi dessa vez" e ao mesmo tempo não suporta que sejamos os melhores algo, por isso muitos torcem contra, criticam, botam defeitos. Somos uma nação bipolar, onde o sentimento de ufanismo e a vontade de se depreciar ficam se impondo diante das situações e a seleção brasileira em cada copa do mundo mostra isso.
      Discutiram se ele era de direita ou de esquerda, já li críticas por ele ser reacionário, ter apoiado a ditadura, a mim não importa esse Nelson Rodrigues, vejo nele alguém que me ensinou a amar a subjetividade no futebol, mais do que isso, alguém que conseguiu escrever sobre o meu time o que eu sinto e nunca poderia descrever. 
    Vaidoso, talvez lá no céu fique feliz por ter sido tão lembrado em seus 100 anos, merecido por tudo o que ele foi.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Onze Homens e Milhões de Corações Apaixonado

Por Visão Desconexa
      Othon de Figueiredo Baena, Píndaro de Carvalho Rodrigues, Emmanuel Augusto Nery, Ernesto Amarante, Armando de Almeida, Orlando Sampaio Matos, Gustavo Adolpho de Carvalho, Lawrence Andrews e Arnaldo Machado Guimarães, no que esses dez caras estavam pensando quando resolveram seguir Alberto Borgueth em seu insano acesso de ira e posterior abandono da escalação do Tricolor Carioca lá pelos idos dos anos 11? Não, não era 2011, mas sim 1911, e os caras acima representam duas importantes facetas da história do universo futebolista carioca: são os primeiros torcedores do futebol rubro-negro e os primeiros vira-casacas também. Mas não devemos nem saudá-los pelo ineditismo do12º jogador do Flamengo e nem desferir sobre eles críticas envenenadas por conta da traição ao Tricolor; não, não devemos. Esses senhores, certamente sem se darem conta disso, acabaram por fundar com suas atitudes o maior e mais apaixonante Clássico do futebol brasileiro (do futebol mundial, penso eu, pois não creio que Barcelona e Real Madrid, ou Milan e Internazionale arrebanhem tantos corações apaixonados quando estão um diante do outro). Esses senhores saíram do coração Tricolor, sangrando, para fundarem o futebol do Clube de Regatas do Flamengo. Isso claro, eles sabiam estar realizando, mas a consequência deste ato... Duvido!
Foram onze homens importantes em minha vida e na vida de outros milhões de torcedores espalhados por este mundo tão imenso. Homens importantes não apenas por criarem o Departamento de Futebol num clube que posteriormente setransformaria no de maior torcida do país, mas homens importantes porque possibilitaram o nascimento de uma entidade mágica, apaixonante, ludibriante e muitas vezes explicável apenas por sua própria “inexplicabilidade”. Esses homens possibilitaram o nascimento do Fla-Flu, a maior expressão da paixão humana extraída por um esporte, por um jogo.
Hoje o Fla-Flu completa seu centenário. Cem anos de momentos esplêndidos e únicos no coração, na mente e na memória de cada um dos milhões de torcedores dos dois clubes. Quantas vezes cheguei em casa sem voz, rouco,  após divinas vitórias do Flamengo sobre o Fluminense... Quantas vezes molhei o travesseiro, com perdão do trocadilho, a partir das travessuras de maravilhosos Tricolores que impuseram inesquecíveis e doloridas derrotas à minha paixão...
Por falar em paixão...Somo meu agradecimento aos onze dissidentes Tricolores a outros homens tão importantes em minha vida quanto estes, não onze, mas vinte e três.
Primeiro de Setembro de 1974, Tijuca. Um descendente direto de portugueses – talvez este fato explique este dia – resolveu levar pela primeira vez seu filho ao Maracanã. Botafoguense doente, o homem não atentou para o detalhe de que naquele dia o Maracanã se encheria de mais de 87 mil pessoas para assistirem tranquilamente não ao Botafogo, mas a um Fla-Flu dos mais empolgantes. O primeiro Maracanã de minha vida, o primeiro Fla-Flu.
Félix, Toninho, Brunel, Assis e Marco Antônio; Kléber, Gérson e Mazinho; Cafuringa, Gil e Zé Roberto – Minha Nossa Senhora! -. Venceram por 2 x 1 a Renato, Luxemburgo, Jaime, Vantuir e Rodrigues Neto; Pedro Omar, Geraldo Assobiador e Paulinho; Doval e Zico. Foi um jogão! Marco Antônio e Gil colocaram o Fluzão na frente ainda na primeira etapa, Zico diminuiu no segundo tempo. Poderia ter saído daquele Maracanã Tricolor, mas quis Deus, além da vitória do Fluminense, que meu coração explodisse em cores diferentes, em cores rubro-negras.
O Maracanã se transformava em dias de Fla-Flus. Magia, tensão, alegria, tristeza, lágrimas e sorrisos, não há clássico igual a este! Ainda hoje, mesmo no acanhado Engenhão, Flamengo e Fluminense protagonizam um jogo a parte, diferente, um Clássico que não traz consigo outra importância relevante que não a sua própria existência. Um Fla-Flu não deve ser definido,mas sentido. Um Fla-flu precisa do rosto de um torcedor para ser traduzido. Um Fla-Flu faz nascerem torcedores, faz claudicarem corações... Não há como pensar um Fla-Flu sem a expressão de um sorriso, ou sem o lacrimejar de um olhar perdido. Sim, precisamos agradecer aos moços lá de cima e, é preciso também parabenizar a todos os torcedores, vivos ou mortos, por toda a emoção derramada para transformar este Clássico no Maior Clássico de Todos os Tempos. Não peço a Deus para completar os mesmo cem anos dos inebriantes Fla-Flus, não preciso viver tanto tempo, preciso viver paixões, mais cem Fla-Flus me bastariam.


* Visão Desconexa, autor desse texto é um querido amigo, flamenguista apaixonado por futebol e pelo Flamengo (evidente) e escreve no blog http://ovisaodesconexa.blogspot.com.br/ , onde a rivalidade do Fla Flu está sempre presente.