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terça-feira, 7 de julho de 2015

Celebração

  • Eles estão celebrando. Você não vai ficar com eles?

  • Não.

O silêncio paira entre as duas pessoas. Elas parecem estranhas, cada uma olhando para frente com seus pensamentos. Já foram íntimos; ele a fazia gargalhar e gostava disso, mas a vida, ah, a vida, havia separado os dois e transformado o passado em dor. O silêncio podia ser cortado com uma faca e não estava fazendo bem a nenhum dos dois.

  • Por que não vai?

  • Não faço parte desse povo, dos costumes deles. Sou um forasteiro aqui.

  • Já está aqui há bastante tempo e todos chegaram de algum lugar. Não existem nativos por essas bandas.

  • Não precisa ser nativo para se sentir assim. E eu me sinto um forasteiro mesmo depois de ter passado todos esses anos aqui.

Voltaram a silenciar. A festa continuava a toda, as pessoas se divertiam enquanto os dois não tinham o que comemorar. As feridas no coração ainda sangravam, o passado atormentava e não permitia um sorriso. Mais uma vez, ela tentou acabar com aquele silêncio opressor.

  • Eu achei que você se sentia bem aqui. Sempre falou desse lugar com certa empolgação.

  • Eu me sinto bem, apesar de, nos últimos tempos, o ambiente ter piorado. Não me sinto parte desse povo. Prefiro ficar quieto no meu canto.

  • A solidão não é uma boa opção.

  • Melhor do que tentar rompê-la com falsidade.

Ficaram calados pela terceira vez, até que ela se levantou e foi para onde estava a maioria. Entendia o amargor, mas não queria ficar assim. Iria tentar fazer parte daquela terra, ter seus costumes, não ficaria sozinha.