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quarta-feira, 22 de março de 2017

Cotidiano

    Saio de casa para resolver um problema no Centro. Adoro andar por ali, isso me faz falta, e estou feliz por tudo correr bem até que... A burocracia, ah, a burocracia brasileira, esse monstro sempre à espreita pronto para tomar tempo e paciência.
    Para o que eu preciso, não basta apenas os documentos originais, minha presença e assinatura. Preciso ir ao Poupatempo pegar um encaminhamento. Tudo ok. Tem um perto, e lá vou eu cantarolando "cantando um gol sofrido não vai me abater" para o bendito órgão. Seu CPF, por favor. Dou meu CPF e aguardo.

  - Você mora em qual bairro?
 
  - Padre Miguel.

  - Você tem que ir ao Poupatempo de Bangu.

    Respiro fundo e saio de lá pensando comigo qual será a diferença entre ser atendido em um e outro. Talvez seja para não sobrecarregar, excesso de serviço, sei lá, deve ter um motivo sério.
   Pego o VLT e percebo que a demência já está chegando, pois não reconheci a Rio Branco. Ela está diferente. Cadê aqueles assaltos a banco, os tiroteios, os pivetes dando "bote"? Não tem mais. Suspeito que seja por causa da privati... ops... Daqueles guardas de vermelho (farei um textão sobre isso qualquer dia).
    Venho para Bangu e vou onde fui mandado e, vejam só, o que não pode ser feito no Centro era apenas me dar um papel.

 - Você faz algum tratamento?

 - Não.

 - Não?

 - Continuo não. (Eu deveria fazer um com psiquiatra a cada pixotada do Gum, mas sou teimoso. Aliás, saiu o Gum e entrou o Reginaldo para me convencer disso).

 - Espera aí. (Espero).

 - Ele não faz tratamento contínuo.

  - Qual o seu problema? 

Penso em dizer "de tanto entrar em um fórum para discutir política, estou meio desvairado, sabe. Logo estarei pela rua dizendo que o PSDB é de esquerda e isso aqui vai virar Cuba. Respondo:

 -  Física.

- Tudo bem. Você tem doença crônica?

 (Sim, uma gastrite chamada Fluminense).

-  Não.

- Basta pedir para o médico preencher o laudo e trazer aqui.

Agradeço e saio feliz da vida por ter resolvido em 5 minutos a primeira etapa da minha demanda. Ainda tem mais pela frente; suspeito que com mais textões.




sexta-feira, 29 de março de 2013

Encontro Marcado (IV)

- Nunca passou pela sua cabeça que poderia ser um?

- Um o que?

- Um bruxo, ora! Estamos falando de que? (sorriso). Não me enrola.

- Um dia, em algum lugar, alguém me disse que eu era, achei interessante e segui a minha vida, não dei atenção ao fato.

- Não teve curiosidade em aprender? Tentar ao menos ser um aprendiz?

- Eu sou católico, tive medo de ser excomungado, não quero ir para o inferno.

- Está falando sério?

- Estou, pareço brincando (rs)?

- Não parece alguém que tenha medo do inferno.

- Tenho, espero não ir pra lá.

- E te contaram também sobre o seu poder?

- Hahahahaha, poder só se for de arrumar confusão. Se eu tivesse algum, arrumaria dinheiro e ajeitaria a minha vida, não viveria tal qual um vagabundo, vagando nesse mundo em busca de farelos de alguém com gratidão.

- Existem várias formas de usar os nossos dons e com certeza ganhar dinheiro e ser um sucesso capitalista não é uma delas.

- Você aprendeu isso com os outros bruxos ou com algum comunista maluco?

- Não, com a vida e você está mentindo novamente. O meu guia disse-me que é muito poderoso e tem exata noção do quanto, por isso nunca deveria subestimá-lo e acreditar na sua fraqueza, só você é capaz de saber seus limites.

- A última parte é verdade, mas acho que, com todos são assim. A única pessoa capaz de saber até onde consegue ir é você mesma. Pelo visto você sabe muito sobre mim.

- Pode-se ler um resumo de um livro e falar sobre, mas nunca poderemos dizer que conhecemos o livro.

- E mesmo assim veio ao meu encontro?

- Sim, estava marcado, não adiantava fugir.

- Não teve medo?

- Tive, coloquei cartas e perguntei se oferecia perigo, fiz perguntas ao meu guia, mas, não se foge do que decidiram lá em cima para sempre.

- E decidiram que a gente ia se encontrar e mais o que?

- Mais nada. A partir do nosso encontro, as páginas estão em branco, podemos nos separar e nunca mais vermos ou ficarmos amigos para sempre, não sei.

- hum

- Não vai falar nada?

- Vou dizer o que?

- Sei lá, tudo isso é uma loucura, eu sou uma louca, estranhe, fale algo, homem.

- A vida tem dessas coisas.

- É só isso que tem a dizer?

- As páginas estão em branco, então, vamos escrever algo nela. O que, só com o tempo saberemos, confesso, estou começando a gostar desse início.

- Eu também.

- Então, um brinde ao início da nossa história.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Encontro Marcado (Parte III)

         - Posso continuar a minha historia? Onde parei?

- Quando se divorciou e tentou reconstruir sua vida.

- Isso, senti o gosto da liberdade e tratei de usufruí-la o quanto pude, mas, as coisas deram errado.

- Por quê?

- Não queria viver sozinha, precisava de alguém ao meu lado.

- Todos nós precisamos, alguns lidam com isso de forma diferente, mas, acho que ninguém, aceita viver só nesse mundo.

- Pois é, fiquei procurando alguém e tendo experiências ruins, um dia desisti e resolvi focar na minha carreira e agora chego aos quarenta e cinco anos, sendo uma profissional bem sucedida e resolvida financeiramente.

- Mas poderia ser melhor né?

- Sim, às vezes sinto falta de alguém e não estou falando de sexo, é de companhia mesmo.

- Eu entendo, sei bem como é.

- E você, não vai me contar nada? Nesse jogo só eu falo?

- Nesse jogo, por enquanto eu tento saber quais são as peças e as regras (sorriso).

- Ué, e não sabe ainda?

- Não, ainda não.

- Quer saber o que?

- Você é uma espécie de vidente, é isso?

- Bruxa,  os leigos chamam de bruxa, feiticeira, maga e afins. Rs.

- Uma bruxa, uma bruxa linda, deveras.

- Obrigado.

- E você fala com uma entidade, né?

- Não é uma entidade...

- Já sei, os leigos chamam de entidade...

- Pense em um guia espiritual, um espírito que conversa comigo quando eu o chamo. Resumidamente é isso.

- E ele falou que a gente iria se encontrar...

- Sim, disse.  Iríamos nos encontrar um dia, mas não falou a hora, local, nem nada. Segundo ele nossos caminhos estão traçados e um encontro entre a gente marcado sabe-se lá por quem nesse universo e ele estava certo. Aqui estamos nós.

-  Não sei o que dizer.

- Saberá quando começar a deixar de tentar mentir para mim e resolver ser verdadeiro. Desculpe-me os maus modos, mas não vou te subestimar, disseram para jamais fazer isso quando a gente se encontrasse.

- Vou tomar como um elogio.

-  Você também é um bruxo não é? É um de nós, digamos assim.

- Não sou, sinto te decepcionar.

- Fale a verdade, por favor, não minta dessa forma, se quer se ver livre de mim, basta falar e eu vou embora, nada nos prende mais, já cumprimos o nosso destino.

-  Estou falando a verdade.

(continua)

terça-feira, 26 de março de 2013

Encontro Marcado (Parte II)


- Eu estou meio confuso então deixa eu me situar. Um dia eu estou sentado tomando um café, lendo um livro quando você me aborda e diz que eu não deveria ver o filme, pois iria detestar.

- Sim, não ia perder a chance de falar com você né? Nessa vida nunca sabemos se teremos outra oportunidade, não se pode correr riscos.

- Eu surpreso, pergunto o porquê, você sorri, diz que apenas sabe, deixa seu telefone e vai embora sem dizer nada.

- Sim, aí você me telefona eu te conto o que sou e estamos aqui, simples.

- Não é simples assim.

- Claro que é, a gente é que complica as coisas querendo explicações para tudo.

- Para tudo não, mas, algumas coisas é preciso.

- Será mesmo?

- Acho que sim.

- Já te enrolei demais e acho que você está curioso em saber como a gente veio parar aqui, não é mesmo?

- Confesso que sim.

- Então, como diz aquele rap do Racionais (conhece a música Negro Drama?) a minha historia é mais ou menos assim...

(balança a cabeça confirmando conhecer a música)


- Eu tentei ser aquela mulher que meus pais sonhavam,  boa aluna, ingressei em uma boa faculdade, uma profissão que paga bem e o casamento com o cara que é o genro preferido de toda mãe, sabe como é?

- Sim (sorriso), bom moço, bem sucedido profissionalmente, essas coisas.

- Sim, isso mesmo e consegui tudo isso antes dos 30 anos, estava tudo perfeito para todos, menos para mim. O casamento se tornou uma prisão que aos poucos se transformou em um inferno, diziam para eu ter um filho e tudo ia melhorar loucos, eu não curto crianças, nunca me vi sendo mãe.

- Entendo, pressão social é horrível mesmo.

- Um dia descobri que ele estava me traindo, chorei mais pelo fracasso dos planos feitos para mim por outros do que propriamente pela traição. Por ele não chorei nem um pouco, fui franca com ele a respeito e decidimos terminar o casamento com cada um seguindo o seu caminho, com trinta anos eu era a mais nova divorciada nesse país e cheia de planos para o recomeço da minha vida.

- Recomeçar é preciso, sempre, nunca podemos parar e aceitar as coisas como o final.

- Estou falando demais?

- Não, pode continuar.

- Estou sim, eu falo de mim e você não fala nada sobre você.

- (sorriso) E precisa falar? Lembra o que me contou quando a gente se falou no telefone?

- Sim, lembro, mas eu não sei muito sobre você, se acertaram o que disseram a seu respeito só saberei o que quiser.

- Continue sua historia, estava interessante, não interrompa por favor. Depois eu conto-lhe o que desejar.

- Hahaha, duvido

- Não é prudente duvidar de mim, sabia?

- Sim, disseram isso.

- Pois é.

(continua)

domingo, 24 de março de 2013

Encontro Marcado (Parte I)


- Então você veio? (sorriso)

- E porque não viria?

- Sei lá, podia me achar louca, alguma maluca que fica contando historias estranhas por aí.  Rssss

- De louco todos nós temos um pouco e confesso gostar de historias loucas.

- Haha, por isso veio?

- Não.

- Porque então?

- Pensei, não tenho nada a perder, porque não aceitar o convite para jantar.

- Teve um tempo que os homens aceitavam meus convites para beber por me achar interessante e não por ter nada a perder. E não confundiam com jantar.

- Ué? Não é um jantar?

- Que eu lembre era para tomar uma bebida em um bar, conversarmos e eu contar a historia toda que iniciei naquela noite...

- Perdão, então. Que seja assim, não vou reclamar.

- Devo agradecer-te por isso?

- Agradeça quando eu fizer outras coisas.

- Por exemplo, me ouvir?

- Também não, vim para isso, esqueceu?

- Claro que não.

(continua)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Madrugada



   Outra madrugada insone em um lugar com a janela aberta, dando para um muro de concreto, frio e silencioso, sem nem ao menos um vento no rosto. Está frio; madrugadas são frias. Eu gostava disso. Ah, como eu gostava de sentir essa friagem enquanto caminhava de volta para casa. A mente diz que eram bons tempos, mas é mentira. É apenas saudosismo, idealizando e romantizando o passado. Não eram tão bons, mas eu gostava daquela vida que já não tenho mais. Talvez seja por isso que o que não temos e não podemos mais ter é o que nos faz muita falta e nos faz sentir saudades.
     Eu não fumo, nunca fumei, mas hoje eu queria um cigarro, um copo de bebida em uma sacada qualquer, olhando a madrugada, a rua, a lua, o céu. Queria poder refletir sobre o rumo que minha vida tomou, quando perdi o controle dessa forma. Em vez de conduzir, passei a ser conduzido por uma série de acontecimentos pelos quais sou culpado pelas pessoas que convivem comigo.
    Fico me imaginando com o cigarro na boca. Sou bom de imaginação. Quando criança, viajava dessa forma e mantive o costume até os dias atuais, embora agora, bem menos. A realidade está sempre desesperadamente presente, evitando que meus esforços sejam para qualquer coisa que não lidar com o mundo real.
    O copo imaginário na outra mão enquanto a fumaça sobe, um sorriso cínico no rosto de alguém acostumado a desafiar qualquer um. Basta achar que a batalha vale a pena. Olhando para a vida e como um Muhammad Ali gritando "me bate, me bate que eu não caio". É o que resta, é o que sei fazer de melhor.

sábado, 22 de setembro de 2012

Os Prisioneiros e O Vagabundo


No engarrafamento da cidade ele vai dirigindo e olhando o relógio, impaciente com a demora, tempo é dinheiro e não pode ser desperdiçado. Amaldiçoa o trânsito e xinga mais uma vez o povo que não sabe votar e os políticos eleitos, incapazes, corruptos que só sabe sugar os impostos. Olha novamente o horário, vai perder a reunião urgente, se irrita mais ainda e para aproveitar o tempo começa a trabalhar ali mesmo falando no celular.
Trabalha dez a doze horas por dia,  nunca tem férias, no máximo uma licença de dez dias e somente no domingo descansa quando não tem trabalho acumulado. Seu patrimônio é grande, cada dia está mais rico, para a sociedade é o exemplo de homem bem sucedido e se orgulha disso,  nunca se deu conta de que construiu a cela, entrou e se trancou. Tem orgulho das algemas nas mãos e olha com desdém quem não segue o seu caminho, se sente um vencedor quando olha os bens materiais que possui e não percebe o quanto é derrotado quando não consegue perder meia hora jogando vídeo game com o seu filho.
No mesmo engarrafamento, o ônibus lotado leva pessoas para o trabalho, precisam chegar no horário para não serem despedidos ou descontados no salário, acordam de madrugada, pegam uma ou mais condução na ida e volta, dormem no trânsito o que não conseguem em suas casas.
A lei trabalhista determina o máximo de oito horas de trabalho por dia, mas muitas vezes é forçado a fazer hora extra, as oito viram dez a volta para casa é tão demorada quanto à ida, passa quatorze, quinze horas na rua. Usa o horário de almoço para resolver assuntos pessoais, precisa de tempo para si e só consegue para servir ao patrão.
Se tivesse a opção de trabalhar menos ou perto de casa aceitaria somente se não tivesse redução nos ganhos, mas a oportunidade não aparece e continua a jornada, aprisionado pelas dívidas, compromissos e necessidade de consumir, não pode parar.
O vagabundo acorda em qualquer horário, suas noites são vividas com a mesma intensidade do dia, não deve satisfação a ninguém e se sente feliz assim. Não sabe o que e quando irá comer, sua casa tem poucos móveis, o aluguel às vezes atrasa, não é um namorado que se apresente a família, é um fracasso aos olhos da sociedade, um exemplo a não ser seguido. Comentam a sua vida desperdiçada quando poderia ser útil para alguém, sua carteira de trabalho é um documento largado em algum canto, trabalha o necessário para ter diversão, a propaganda da televisão não lhe tem como alvo. É livre dos sonhos e temores, não tem ambições e se preocupa pouco com o dia de amanhã. Não tem bens para proteger e nem medo de perder o pouco que possui, e às vezes quando a liberdade dói, pensa em como seria ter uma vida igual aos outro e logo desiste. Não foi feito para ficar preso a nada e a ninguém.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Futebol


O estádio está aberto, sua entrada não é impedida e tem lugares disponíveis. O jogo começa, a empolgação é substituída por apreensão, desejo de sucesso o medo de dá tudo errado, fica a esperança de dá tudo certo no final do jogo.
Sem você pode fazer nada seu time leva um gol, o jogador adversário começa a comemorar, seus ouvidos escutam o outro lado do estádio vibrar e o que resta é a esperança do juiz anular o lance, por alguns segundos resta ainda à esperança de que não foi gol, o jogo vai continuar com o placar em 0 a 0.
Em outras ocasiões o jogo acaba os outros torcedores começam a sair e ficamos olhando o campo, imóvel sem querer acreditar no fim, esperando alguns minutos a mais para poder reverter o resultado, uma última chance de ser feliz, até aceitar que o jogo acabou, é hora de ir para a casa aceitando o resultado imutável.
Naquele banco da praça pensava nisso, se sentia como se estivesse vendo um jogo de futebol em casa ou no estádio, tentando ter a esperança de tudo não ter passado de um susto, vai ter virada, algum árbitro vai deixar acesa a esperança, terá um último cruzamento, o chute certeiro indo em direção ao gol. A razão, cruel e friamente avisou sobre o término, acabou, era hora de aceitar a derrota, o juiz apitou forte, avisando explicitamente o final do jogo, o estádio precisa fechar, é hora de ir embora.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O Cachorrinho

Se fosse humano eu chamaria de imprudente, criticaria por colocar a sua vida e a de outros em risco e esqueceria a cena minutos depois, mas era um cachorro vira latas, que atravessou as duas pistas da Avenida Brasil elegantemente, sem se importar nem um pouco com os carros velozes vindo em sua direção, não demonstrando qualquer hesitação. Chegando a calçada, não olhou para trás, seguiu seu destino sem nem alterar o passo. Deixou-me com inveja.



* Informo que ainda me encontro impossibilitado de voltar a postar frequentemente devido a um tendinite.

domingo, 17 de junho de 2012

Líder


Cabe a um bom líder decidir sempre, ele não pode se recusar ou deixar a responsabilidade para outros, um líder covarde, medroso ou hesitante não tem o respeito dos seus comandados, traz problemas para todos e está sujeito a conspirações.
Ele pode ouvir outras opiniões, pode colocar em votação o assunto, mas a palavra final e a responsabilidade disso são suas, é obrigação está ciente disso e não pode fugir dessa responsabilidade, mesmo tendo dúvidas ou medo. Cabe a ele decidir, e uma vez decidido, tem que seguir em frente, sem olhar para trás.  
Um líder só deve olhar para trás quando isso evitar erros ao enfrentar uma situação semelhante ou para ter as vitórias como exemplo, não pode se prender ao passado e ficar parado esperando tudo ser como antes porque isso não vai ocorrer, é seu dever ser o mais forte de todos e dizer a eles a verdade, mesmo doendo, devem ir adiante quando não tiverem mais motivos para ficar.
Um líder deve sofrer em silêncio, pois sabem, seus liderados estão sofrendo mais e precisam de sua força, precisa ser duro e rigoroso, mas sempre reconhecendo o valor dos seus auxiliares, é necessário ser grande para aceitar os erros cometidos, os dos outros e os seus e o mais importante, sempre deve ter tomar a melhor decisão para todos ou ao menos a maioria.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Andarilho

Chegou depois da sua fama, essa já tinha chegado primeira na cidade e não era surpreendente que isso ocorresse, há muito já deixara de ser um completo desconhecido onde parava. Não se importava com a fama, nem com os problemas que ela trazia, sempre dizia a si mesmo que era tudo passageiro e por isso não deveria se incomodar.
Há anos atrás ele praticamente se convidava a falar para o público, agora rejeitava convites,  surgiram propostas para agenciar a sua carreira ou cuidar dos seus compromissos, rejeitava cada proposta com uma risada e continuava seu rumo, sem saber o dia de amanhã parando onde tivesse alguém que prestasse atenção no que dizia.
Subia no palco armado e falava sobre o amor, caminhos a seguir e outros temas para ouvidos atentos e rostos sérios. Era veemente em suas palavras, transmitia emoção em cada palavra e ao final saía discretamente rumo ao hotel da cidade onde se hospedava ou partia para outro lugar.
Quando lhe perguntaram se era um pregador religioso ou algo do tipo dizia ser apenas um palestrante motivacional, quando lhe perguntaram se era um palestrante disse ser um enviado de Deus, a todos não contava sua verdadeira historia, eles não iriam entender, por isso guardava para si sem expor a ninguém o que tinha acontecido anos antes.
Era mais uma pessoa nesse mundo que trabalhava por um salário baixo, alienado do mundo e sem grandes alterações no cotidiano quando um dia escutou uma voz lhe dizendo para sair pelo mundo mostrando aos outros um caminho a seguir. No inicio não deu atenção a que escutava, com a insistência daquela voz resolveu aceitar que não estava insano e mesmo achando  uma loucura perguntou a quem deveria mostrar e como isso seria feito se ele próprio não achava o seu.
Desde a resposta recebida caminha pelo mundo, falando a quem deseja escutar sobre assuntos que lhe dão vontade sem explicar a ninguém o porquê disso talvez por nem ele mesmo saber. Ainda não descobriu o seu caminho, fez dele uma trilha para outros, também não sabe por que foi escolhido para essa missão, a única certeza é que desde aquele dia nunca lhe faltou comida ou um abrigo para morar e nunca mais se sentiu sozinho.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Embriaguez

   Acordou deitado no chão da sala com uma garrafa vazia ao lado e aquela vontade de não despertar, continuar dormindo e assim não sentir mais dor. O sol se fazia presente, aproveitando as frestas na janela, em outros tempos ele seria um bom motivo para uma caminhada na rua ou banho de mar, hoje era somente um intruso ferindo com sua claridade uma alma que queria permanecer no escuro.
  Levantou-se com dificuldade e foi até o banheiro, um banho iria melhorar a situação pensou. Abriu o chuveiro e ficou embaixo da água enquanto se preparava para mais um dia difícil. Sua vida nunca foi um exemplo de correção, em determinado momento passou a dá muito errado e pouco certo em todos os aspectos, a derrocada tinha levado um homem forte a se esconder atrás do álcool transformando-o em um dependente da bebida.
  Sempre tinha gostado de beber, não se incomodava em tomar porres e voltar para casa bêbado, eles não eram freqüentes e não interferiam em sua rotina igual estava ocorrendo agora, conseguia que isso fosse parte da sua vida como outras atividades,  diante das dificuldades a garrafa virou o único refúgio onde poderia ter um pouco de paz. Anestesiado pelo álcool se sentia melhor, esquecia as dores do espírito e do corpo por breves momentos, mas a embriaguez passava e tinha de encarar a realidade novamente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Boxeador

Eu fui à lona, beijei a lona e noucateado não consegui me levantar rapidamente deixando a contagem chegar a nove quando consegui finalmente me erguer cambaleante me mantendo em pé o suficiente para a luta continuar. Recebi mais golpes, fortes, fracos fiquei me defendendo como pude. No outro assalto além de resistir consegui revidar, parecia que eu teria chances de me recuperar apesar de tudo mas mais uma vez tomei uma seqüência de golpes e me defendi da forma que consegui. 
Depois de tantas porradas, sem o término da luta me tornei um lutador duro de cair, daqueles que vão apanhando de forma constante e permanece sabe Deus como em pé resistindo à saraivada de socos. Não beijei a lona novamente e a luta continuou. 
A única alternativa é a de lutar como eu posso, de qualquer jeito, desesperadamente, sem me importar se vou vencer ou perder cada round, pois não consigo desistir.
Meu supercílio sangra o nariz já está quebrado há muito tempo, o correto seria o árbitro parar alegando nocaute técnico, alguém jogar a toalha me dando uma derrota digna, comigo tendo a certeza de ter lutado até onde consegui. Mas o combate não para, o adversário implacável aplica os golpes, certeiros, consecutivos, sem me deixar ter reação e eu me defendo,  recuo algumas vezes para o centro do ringue, outras fico encurralado nas cordas, esperando uma chance, quem sabe o golpe certeiro e eu o acerte  em cheio me dando a esperança de uma reação dramática daquelas capazes de emocionar até o expectador mais frio. 
A luta continua dramática, sem o árbitro parar, o adversário já está cansando de bater e eu não fui a nocaute, nem a toalha foi jogada pelo meu técnico. O médico examina e não determina o final, tenho condições de continuar ele diz, e o ringue volta a ter dois lutadores. Até quando? Não sei.