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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Teimosia

- Você conhece esse caminho.
- Sim, conheço.
- E sabe os riscos.
- Sim, sei.
- E não vai voltar.
- Deveria?
- Depois vai reclamar (risos)
- E eu deixo de reclamar de algo?
- Teimoso...
- Igual ao meu pai. É genético.

- Ao menos saiba que se cair eu estou ao seu lado para ajudar.
- Sim, eu tenho essa certeza.
- Ao menos toma mais cuidado dessa vez.
- Porque tanta preocupação? Eu nunca morri  e não vai ser agora.
- Verdade, mas chega de choro né?
- Seja o que Deus quiser.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Um Pedido Para Ficar

A ambulância ia abrindo caminho pelas ruas, o motorista cortava passava pelos carros em alta velocidade, o alerta sonoro não deixava dúvidas quanto a sua missão. Lá dentro os médicos faziam os procedimentos padrões para essa situação e não suspeitavam que uma discussão ocorresse entre um anjo da guarda e seu protegido.

- Segura a onda, cara. Se a gente conseguir chegar ao hospital dá para te salvar.

- E quem disse que eu quero ser salvo?

- Ainda não é hora de partir. Tentei te avisar umas três vezes para não ficar naquele lugar, mas é teimoso né? Agora estamos nessa enrascada.

- Não estou em enrascada nenhuma. A não ser que chegando lá em cima eu seja comunicado que vou pro inferno.

- E se isso ocorrer?

- Não deve ser pior do que a minha vida na terra.

- Não fala isso, cara. Não sabe o que diz. Não desiste, espera ao menos a gente chegar ao hospital.

- Eu pensava que quem decidia se eu ia morrer ou não era Deus.

- Putz, vai começar com seu deboche?

- Ué, estou falando sério.

- É ele quem decide. Ocorre que às vezes a pessoa precipita à hora e ele decide aceitar que ela morra antes do planejado. Suicídio é um exemplo disso.

- Eu não precipitei...

- Ah não. Claro que não. Eu te avisei três vezes para ir embora e você teimou.  Bastava ter saído dali uns minutos antes, mas preferiu ficar mais um pouco. Bastava mudar de lugar, mas não arredou o pé. E não precipitou?

- Não, ué. Sou obrigado a receber seus avisos por acaso? Não é a primeira vez que por não te escutar dá problemas.

- Ah, você escutou sim. Tenho certeza disso. Não saiu dali porque não quis. Deixou de dá valor a sua vida e ficar se arriscando.

- Não se estressa. Se eu morrer não vai fazer falta a ninguém, ninguém vai chorar. Não há motivos para lamentos.

- Vai fazer falta a mim. Minha missão aqui na terra é te proteger e fiz isso durante todos esses anos. Não quero você partindo por falha minha.

- Um anjo "caxias". Eu daria uma gargalhada se pudesse.

- Você deve ser a única pessoa que quase morrendo fica fazendo piadas sem graças. Ah meu pai, olha a missão que você me dá.

- Relaxa, eu estou indo em paz. Lutei o quanto pude, consegui algumas vitorias, ganhei, perdi. A única coisa que eu não queria era ir com algo por fazer.

- Segura mais um pouco.

- Não tenho mais nada a fazer aqui? Você mesmo falou: Não dou mais valor a minha vida.

- Claro que tem, sempre temos algo a fazer. Seja especial para alguém, adote um cão e faça a diferença pra ele, visite um orfanato, um hospital, basta você querer que acha um propósito para ti.

- Sou egoísta demais para esses atos altruístas.

- Deixa de ser, sempre há tempo para mudar.

- Meu tempo acabou.

- Não fala isso. Não desiste.


No carro veloz a equipe médica se esforçou o quanto pode, mas foi inútil tendo sido obrigados a aceitar aquela derrota. Enquanto lamentava a perda da vida o anjo lamentava ter falhado em sua missão. Tinha avisado ao seu protegido, mas não foi escutado, tinha certeza que se quisesse ele poderia chegar até o hospital vivo, mas preferiu partir. Chorava a perda enquanto pensava qual seria o seu futuro sem seu amigo.

sábado, 4 de abril de 2015

Tragédia Cotidiana

Precisava escrever algo, um textão no face ou no word onde ficam guardados sem que ninguém leiam. Nas redes sociais um desabafo talvez, no tuiter usar várias pequenas mensagens para expressar o que sentia e mesmo assim não escreveu nada, preferiu caminhar por alguns minutos e logo depois sentar um banco de frente pro mar.
As ondas batiam na areia e o barulho chegava aos seus ouvidos quando sentiu uma presença familiar, sorriu, fazia algum tempo que ele não aparecia, pensou. 
Como se faz com os amigos, aqueles de longa data, chegou com perguntas diretas, sem saudações preliminares ou assuntos irrelevantes precedendo o que importava.

- Teve uma tragédia no Complexo do Alemão. Viu a notícia?

- Tragédias ali e em outras favelas são cotidianas. Infelizmente. Um menino morreu né?

- Morreu. Baleado na cabeça.

- Policial ou bandido?

- Tudo leva a crer que foi a polícia.

- Lamentável.

- Já escreveu algo sobre?

- Não, estou evitando ler e falar sobre isso.

- Porque?

- Não quero desejar o mal a escória do Brasil em uma quinta e sexta feira santa. Não quero desejar a canalhas o que merecem por incentivarem a barbárie.

- Entendo. Não precisa lidar com esses, existem pessoas que não conhecem toda a realidade de uma favela, precisam saber.

- Sempre tem quem fale, grite, não precisam da minha voz. 

- Um clamor é feito de várias vozes...

- Eu não estou conseguindo lidar com o mau-caratismo. Não estou conseguindo lidar com pessoas que parecem ter perdido a humanidade.

- Não estou te mandando falar para esses. Mas sim a aqueles que ainda podem ser conscientizados.

- Se não foram até agora porque serão doravante? É inútil, são cegos, justificam, relativizam, não se importam.

- Alguns podem mudar de opinião. Fechar-se te fará menos uma voz gritando por justiça. E foi por não ter quem gritasse o suficiente que pessoas estão sendo assassinadas pelo Estado, dia e noite, cotidianamente.

- E o quer que eu faça? Vá em manifestações para tomar tiro, borrachada, spray no rosto?

- Não, leve a realidade para quem quer escutar. 


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal (Parte III)



             Pedido de Ajuda (II)


    - Bem, eu preciso ir embora. Qual resposta eu levo para Ele?

    - Diga-lhe que nesses anos todos eu chorei e não tive consolo, precisei de ajuda e ninguém estava ao meu lado, caí e tive que me levantar sozinho. Por que eu vou me preocupar com uma família que nem conheço? Por que eu vou fazer algo pelos outros se nunca tive quem fizesse por mim?

    - Está sendo injusto novamente. Não é porque sente dor que todos devem sentir também. A resposta a todas as suas perguntas é uma só. Tem uma criança que merece sonhar, acreditar em um mundo melhor. E você será o causador disso.

 - Belo argumento, mas não me convenceu. Esse mundo é cada um por si e quanto mais cedo ela entender o quanto aqui é infernal, melhor.

 - Você realmente acredita nisso?

  - Foi à conclusão que cheguei nos últimos anos.

  - E realmente acredita?

 - Sim.

- Não minta para si mesmo. Como diz a música, é a pior mentira.

- Não importa o que eu acredito ou deixo de acreditar. O mundo é assim comigo e se não é com os outros é por terem melhor sorte. Sinto pela família, pela menina, mas são apenas mais uma nesse mundo a passar mais um dia com fome. Uma cesta agora não vai adiantar nada, é só uma festa capitalista.

- Não é uma festa qualquer. É a celebração de um nascimento e seu gesto irá trazer conforto a três pessoas. Conforto e esperança em dias melhores. Bem sabe o quanto à falta de esperança mata aos poucos.

- Sei.

- Pois é. Não é triste quando isso ocorre?

- Sim, é.

- Então, faça esse favor. Depois cobre dele ou de mim. Faça isso pela gente e por você.

(continua)

Natal (parte II)


Pedido de Ajuda

Não precisavam ser apresentados, pois eram velhos conhecidos. Não foi um encontro amistoso ou com demonstrações de afeto das duas partes, mas a rispidez estava somente de um lado. 

- Preciso de sua ajuda.

- Ajuda? Minha? Tem algo errado aí.

- Na verdade não sou eu que estou precisando. É Ele que mandou eu vir aqui te pedir.

- Hum, peraí. Os papéis estão invertidos. Não sou eu que peço ajuda, rezo, vou à igreja e tal?

- Sim, era você. Nos últimos tempos já não faz isso.

- Claro, pedia, pedia, e nada. Desisti.

- Está sendo injusto.

- Se tivesse sido auxiliado acho que não teria deixado de pedir, correto?

- Você foi, mas imerso em sua dor deixou de ver ao seu redor e passou a olhar somente para si. Várias vezes velei seu sono enquanto você rolava na cama perturbado por pesadelos. Não foram poucas manhãs que tentei melhorar algo para que enfrentasse um novo dia, pois eu tinha medo da sua desistência. Mas você não me via, não o chamava mais, lidou com a sua dor e dificuldades do seu jeito. Não o recrimino.

- Obrigado por não me recriminar. 

- De nada.

- Vou ignorar sua ironia. Porque eu? Tem tanta gente por aí.

- Às vezes eu não entendo as decisões dele. Acato as ordens.

- Pois já faz um tempinho que não estou disposto a acatar as decisões dele se é que não perceberam ainda.

- Percebemos.

- E porque eu acataria essa?

- Não me pergunte. Ele sabe o que faz. Quem sou eu para perguntar os motivos.

- Que tipo de ajuda vocês querem?

- Coisa simples, amanhã é natal e certa família não tem nada na geladeira. Basta você levar uma cesta básica para ela.

- E porque eu faria isso? Não está querendo que amanhã, véspera de natal eu vá para um supermercado cheio de gente mal educada comprar os itens né? Vocês estão malucos. Procurem outros.

- Sempre o mesmo, tentando esconder atrás dessa grossura um coração mole.

- Eu estou falando sério. Não vou fazer isso.

- Não posso te obrigar. Apenas pense que será uma nova chance para você.

- Chance de que?

- De ser feliz.

- Não entendi.

- Lei do retorno. Não preciso explicar do que se trata. Sabe muito bem disso.


- Isso é chantagem. E daquelas emocional.

( continua)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Morte

  - Vai ser de uma forma dolorosa? Não suporto a dor, já te falei isso.


 - Não sei detalhes, mas perguntei isso e informaram que não. Não ia te avisar, poucos tem esse privilégio, mas sempre tivemos um relacionamento próximo por isso fiz esse favor.

  - Privilégio? Favor? Não sabia que anjos ficavam bêbados e falavam merdas para quem deveria proteger.

  - As pessoas podem morrer a qualquer momento, no entanto fingem não saber disso. Adiam compromissos, fazem planos, não vivem o presente, deixam para depois o que poderiam fazer agora e quando partem ficam lamentando o tempo perdido. Você terá duas semanas até sua morte e acredite é um privilégio saber isso, poderá aproveitar bem os dias restantes.

  - Eu ainda tenho tanta coisa para fazer...

  - Terá duas semanas para fazer as importantes, as outras não importam. Nesses quatorze dias irá entender isso muito bem.

  - Tanta pessoa ruim por aí e vão me levar? Puta mundo injusto.

  - Se eu fosse você em vez de se lamentar, trataria de viver cada segundo que resta. Acredite, não haverá atrasos e nem antecipações. Na hora marcada sua partida ocorrerá.

  - Talvez haja algum engano, ou lá em cima mudem de idéia, sei lá.

  - Esqueça. Foi decidido e não será mudado. Viva o que resta não cometa o erro de desperdiçar seu tempo.

  - E você?

  - O que tem eu?

  - Pelo que eu sei, sempre esteve cuidando de mim. Para isso serve os anjos da guarda. Quando sair dessa vida para onde você vai?

  - Não se preocupe comigo, agradeço seu carinho. Minha função é cuidar das pessoas até o final de suas vidas. Quando elas partem, me confiam outras missões, ou seja, vou proteger alguém que está iniciando a sua jornada. É um ciclo eterno.

 - Você é um bom protetor, me ensinou demais e irá ensinar a outra pessoa também. Sorte dela, ter você ao lado.

 - Irei ensinar com certeza e algumas das coisas ensinadas foram aprendidas te protegendo. Muitas vezes aprendi ao longo da sua vida e saiba quando suas lágrimas caíram meu rosto também se molhou, quando sua mãe não aguentou velar seu sono e dormiu eu permaneci vigilante preparado para alertá-la caso piorasse. Teve noites que até torcedor virei, tudo para te ver feliz.

 - Sério? (rsss).

 - Sim, ou acha que foi parar no atendimento médico naquela decisão por quê? Fiquei olhando o gol sendo feito e não percebi que você estava passando mal. Quando me dei conta o enfermeiro te levava para enfermaria e eu me recriminava pela negligência.

 - Hahahaha. Lembro disso. Tivemos momentos bons.

 - E ruins também.

 - Sim, naquela chuva de 99, lembra? Putz, nem sei como não fui arrastado pelas águas.

 - Eu sei (sorriso) Não foi porque eu te ajudava a equilibrar. Se estivesse sozinho ia parar dentro de algum bueiro.

 - Também teve aquela vez que encheu a cara e cismou de voltar dirigindo. Tive trabalho para você não encontrar a chave do carro até alguém te convencer a pegar um táxi.

 - Enchi a cara por um motivo justo, era comemoração.

 - E quase vira tragédia. Quando me avisaram do risco de acidente entrei em desespero tentando impedir sua saída.

 - Desculpa pelo trabalho. Causei muitos problemas né?

 - Foi divertido. Cumpri bem meu trabalho, não falhei.

 - Cumpriu sim. Bem, já que esteve até aqui não vai me deixar na mão nessa reta final, portanto vamos em frente até a linha de chegada. Ou vai me deixar na mão depois de tanto tempo? (rsss).

 - Claro que não. O tempo não para, vamos em frente.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Anjo Mensageiro

   Na bíblia por algumas vezes o anjo mensageiro é citado. Foi um deles –Gabriel - que anunciou a Maria que ela seria mãe. Aprendi a escutar o meu anjo mensageiro e sempre a ele recorro quando tenho alguma dúvida. Por diversas vezes ele me trouxe uma notícia antes dela ocorrer de fato, faz sempre isso de uma forma suave porém firme e pelo visto não se importa quando eu simplesmente finjo não escutar, pois já retornou várias vezes nesses anos de vida. Não sei se é sempre o mesmo, pois nunca tive a oportunidade de vê-lo e nem tive essa curiosidade, me basta saber da sua presença quando eu preciso e isso ocorreu por várias vezes quando senti uma presença ao meu lado, me mostrando o porque de algumas coisas terem acontecidos. 
   Outras vezes veio com mensagens de felicitações para alguma vitória minha, dividindo comigo a felicidade por aquele momento único. Ele não é o anjo da guarda, esse está sempre ao meu lado (um dia escrevo sobre esse também) me guardando dos perigos da vida e me fazendo seguir adiante, diria até que o da guarda é mais íntimo enquanto o mensageiro é mais formal (loucura da minha cabeça) só vem quando é necessário em ocasiões importantes com alguma mensagem lá de cima.
   Não costumo chama-lo sempre, somente quando as dúvidas são fortes ou preciso de um sinal para seguir em frente ou mudar de caminho, as vezes não é nem preciso invocar, quando menos espero se faz presente, me chama suavemente e cumpre sua missão. 
  Infelizmente nem sempre o escutei ou entendi a sua mensagem, em algumas ocasiões preferi seguir em frente mesmo sendo avisado para não prosseguir, outras vezes parei por não ter coragem de continuar enquanto nos meus ouvidos a mensagem era clara.  
   Manter contato com anjos não faz de mim especial pois todos são capazes disso basta abrir o seu coração e acreditar sinceramente em sua existência, eles sempre estão perto de nós, mesmo quando não o enxergamos ou não nos importamos com sua presença.