Pedido de Ajuda
Não precisavam ser apresentados, pois eram velhos conhecidos. Não foi um encontro amistoso ou com demonstrações de afeto das duas partes, mas a rispidez estava somente de um lado.
Não precisavam ser apresentados, pois eram velhos conhecidos. Não foi um encontro amistoso ou com demonstrações de afeto das duas partes, mas a rispidez estava somente de um lado.
- Preciso de sua ajuda.
- Ajuda? Minha? Tem algo errado
aí.
- Na verdade não sou eu que
estou precisando. É Ele que mandou eu vir aqui te pedir.
- Hum, peraí. Os papéis estão
invertidos. Não sou eu que peço ajuda, rezo, vou à igreja e tal?
- Sim, era você. Nos últimos
tempos já não faz isso.
- Claro, pedia, pedia, e nada.
Desisti.
- Está sendo injusto.
- Se tivesse sido auxiliado
acho que não teria deixado de pedir, correto?
- Você foi, mas imerso em sua
dor deixou de ver ao seu redor e passou a olhar somente para si. Várias vezes
velei seu sono enquanto você rolava na cama perturbado por pesadelos. Não foram
poucas manhãs que tentei melhorar algo para que enfrentasse um novo dia, pois
eu tinha medo da sua desistência. Mas você não me via, não o chamava mais,
lidou com a sua dor e dificuldades do seu jeito. Não o recrimino.
- Obrigado por não me
recriminar.
- De nada.
- Vou ignorar sua ironia.
Porque eu? Tem tanta gente por aí.
- Às vezes eu não entendo as
decisões dele. Acato as ordens.
- Pois já faz um tempinho que
não estou disposto a acatar as decisões dele se é que não perceberam ainda.
- Percebemos.
- E porque eu acataria essa?
- Não me pergunte. Ele sabe o
que faz. Quem sou eu para perguntar os motivos.
- Que tipo de ajuda vocês
querem?
- Coisa simples, amanhã é natal
e certa família não tem nada na geladeira. Basta você levar uma cesta básica
para ela.
- E porque eu faria isso? Não
está querendo que amanhã, véspera de natal eu vá para um supermercado cheio de
gente mal educada comprar os itens né? Vocês estão malucos. Procurem outros.
- Sempre o mesmo, tentando
esconder atrás dessa grossura um coração mole.
- Eu estou falando sério. Não
vou fazer isso.
( continua)
-
Não posso te obrigar. Apenas pense que será uma nova chance para você.
-
Chance de que?
-
De ser feliz.
-
Não entendi.
-
Lei do retorno. Não preciso explicar do que se trata. Sabe muito bem disso.
-
Isso é chantagem. E daquelas emocional.
( continua)
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