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quarta-feira, 17 de julho de 2024

Uma Vitória Inesquecível

 

  As memórias de uma vitória que uniu o país inteiro ainda estavam vivas. Aquela final da Copa do Mundo de 1994 foi um marco na vida dele, um dia que ficou gravado na memória de todos os brasileiros.

          - Lembra do Galvão narrando? - disse ele, enquanto abria a champanhe.

           - Como esquecer? A voz embargada, a tensão no ar... 

          - E quando o Baggio chutou pra fora? - Ele levantou a taça, revivendo o momento.

           - Ah, aquele momento... 

         - Eu achei que ia ter um infarto ali mesmo.

Eles brindaram, as taças tilintando num som que reverberou pelo tempo, misturando o passado com o presente.

- Sabe, a vida é feita desses momentos - ele disse, com um olhar pensativo.

- É verdade. A gente precisa celebrar mais, agradecer mais... 

 - Trinta anos. Parece que foi ontem.

Riram, brindaram mais uma vez e beberam, saboreando a champanhe e as memórias.

- Às vitórias passadas e às que ainda virão 

- À vida e aos momentos inesquecíveis 

Aquela noite, como tantas outras, ficaria guardada no coração deles, uma prova de que, apesar do tempo passar, certas vitórias são eternas.

 

Trinta Anos

-   Para que essa champanhe, homem?

-  Comemorar.

-  Hã?

-  Comemorar vitórias conquistadas faz bem ao espírito. Temos que celebrar nossas conquistas.

-  Jesus. Enlouqueceu de vez.

-  Hoje é dezessete de julho.

-  E?

-  Não lembra mais? O terraço, a TV a cores, aquela tosse infinda, um frio, suas preces no banheiro...

-  Brasil, Itália, 94?

-  Sim, lembra né?

-   A narração do Galvão quase chorando quando foi pros pênaltis.

-  A tensão em volta. Todos com o coração nas mãos.

-  Eu lembro de tanta coisa.

-  Devemos comemorar?

-  Abre essa champanhe, caralho. Trinta anos.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Londres 2012





 Londres 2012

E essa série chega até a Inglaterra em 2012 para a última olimpíada que eu assisti (se Deus quiser até essa sexta feira). Desde a Coréia até a Inglaterra são lembranças que trago comigo como se fosse um álbum de fotos que às vezes folheio para matar a saudade.
Futebol é mais do que um esporte, costumo dizer isso, portanto a maior celebração esportiva são os jogos olímpicos e é nele que deixo de lado todos os dias dedicados a uma religião (aka futebol) para curtir todos os esportes. Ou melhor, quase todos. Golfe não desperta a mínima vontade mesmo nesses dias.
Londres, de forma eficiente, organizou a sua olimpíada e apesar de problemas na reta final foi um sucesso  e teve a única festa de despedida que eu realmente prestei atenção. A próxima era no Rio de Janeiro e a entrega da bandeira iniciou a contagem regressiva que finalizará em breve.
 Enquanto por aqui no Brasil ainda discutiam se deveria ter ou não copa/olimpíada e Dilma começava a fazer parte do seu processo de destruição o Fluminense surrava seus fregueses de sempre e campeão estadual começava a ser campeão brasileiro e estava cada vez mais evidente o desastre que seria a eleição do congresso nacional. Só não viu quem não quis, ou melhor, quem se preocupava com tolices enquanto espertos angariavam votos.
Londres foi o palco de medalhas muito especiais. O jamaicano Usain Bolt com toda a sua simpatia fez da capital inglesa seu palco tornando-se o primeiro atleta, no atletismo, bicampeão olímpico nos cem, duzentos e revezamento quatro por cem conquistando seis ouros consecutivos nessas provas. Acho que não é exagero dizer que o mundo parou para assistir. Michel Phelps conseguiu  sua vigésima segunda medalha em Londres se tornando o maior atleta da historia das olimpíadas. Nas piscinas inglesas ganhou medalha de ouro no 4x100m medley, 200m medley, 100m borboleta  4x200m medley e duas medalhas de  prata no 4x100m livre e nos 200m borboleta. Tanto o nadador quanto o velocistas são daqueles atletas que eu torço para que algum dia não se descubra nada desabonador.
 Yane Marques foi aquela típica história brasileira que envolve superação, ineditismo, uma medalha muito comemorada e emocionante. Bronze no pentatlo moderno, no último dia dos jogos serviu para que eu fechasse o ciclo e começasse a pensar no que estava por vir. O ouro em Pequim, conquistado pelas mulheres de voleibol de quadra  não foi suficiente, era necessário exorcizar o fantasma russo definitivamente. Quartas de finais, vôlei feminino, Brasil e Rússia, e dessa vez quem virou o jogo foram às brasileiras. Na final contra as americanas perdeu o primeiro set e depois foi impecável. Bicampeãs olímpicas e definitivamente calando a boca dos críticos e/ou vira latas que abundam por esses lados.
Além dessa medalha eu lembro com carinho do ouro no judô e prata na natação no primeiro dia. Foi uma surpresa agradável um começo tão bom. Pena que a expectativa de uma participação melhor foi frustrada pela realidade brasileira. Conseguimos três ouros como em outros jogos.


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Pequim 2008

Pequim 2008 chegou para suavizar a tragédia esportiva ocorrida com o Flu um pouco antes.  A vida não estava lá muito fácil e como desgraça pouca é bobagem vivi aquela decepção arrasadora. Nesse cenário a chegada dos jogos olímpicos veio a calhar para melhorar o astral.
Devido a violações dos direitos humanos a candidatura chinesa sofreu duras críticas e ameaças de boicote. Como nesse mundo capitalista quem fala alto é o dinheiro não foi adiante e os jogos ocorreram sem problemas políticos.
Pequim é a olimpíada da volta por cima do vôlei feminino tantas vezes chamadas de “amarelonas” devido à freqüente derrotas. A medalha que eu esperei em 1996 e 2000  vieram quando não acreditava. Uma agradável surpresa.  Na piscina Cesar Cielo me esperou chegar esbaforido ao trabalho para nadar e chegar a vitória. Explico, trabalhando de madrugada eu saltei do ônibus e tentei chegar rapidamente até o prédio onde tinha uma TV. Mal entrei na sala e  a prova estava para começar.
Além dessas duas Maurren Magi conseguiu superar uma suspensão de doping e ser a primeira mulher medalhista no atletismo. Depois de um longo jejum esse esporte voltava a ser ouro. Lembro-me que tentei ficar acordado para assistir a prova sem ter muita esperança de medalha, mas a atleta brasileira saltou de forma espetacular. E eu esperando os outros saltos. A cada marca o que era apenas uma torcida despretensiosa passou a ser esperança de medalha que se transformou em esperança de medalha de ouro. O último salto da sua concorrente foi muito bom e por uns instantes ficou o suspense até a confirmação. É a melhor lembrança de Pequim.
Se em 2004 as redes sociais ainda não eram tão populares e a internet não fazia parte da minha vida nessa eu assisti “conectado” e me arrependi. A babaquice dos brasileiros me fez prometer que doravante em época de olimpíada eu iria evitar o máximo possível interagir. Fiz em Londres e pretendo fazer agora. Os jogos merecem essa atenção.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Atenas 2004

Atenas 2004
Após perder a disputa para Atlanta em noventa e seis finalmente os jogos olímpicos voltaram a sua casa, o lugar onde tudo começou e que, apesar de ter se transformado em negócio, ainda tem algo romântico na sua alma. Atenas foi à escolhida para sediar a olimpíada em 2004 e tornou ao lado de Atlanta os jogos olímpicos que eu mais gostei de assistir.
Esse ano foi um dos melhores da minha vida, apesar de algumas dificuldades, eu estava seguindo um caminho prazeroso então não é surpresa que os jogos olímpicos desse ano tenham sido parte dele. Enquanto eu estava bem, o Flu passava mais um ano sem títulos apesar de ter um patrocínio invejável, o PT enfrentava o escândalo do mensalão e  o ocidente vivia um novo tipo de terrorismo, com motivação religiosa, atingindo civis e não sendo cometido por um Estado ou grupo ocidental com ideologia política. Não podia adivinhar que o atentado ao WTC em 2001 e os outros posteriores eram o ovo da serpente para algo pior que estava por vir.
Não vale a pena lembrar fracassos, é maldade com atletas, e a escrotice dos brasileiros com isso é irritante, mas um eu lembro com prazer. O vôlei feminino ganhava com tranqüilidade da Rússia no quarto set e de forma inacreditável perdeu o jogo. Foram chamadas de amarelonas, sofreram críticas e vítimas de deboche. Demoraria um pouco para esse fantasma ser exorcizado definitivamente, mas aí é outra historia.
O Brasil nesses jogos ganhou 5 medalhas de ouro, uma delas, a do Rodrigo Pessoa só foi dada um ano depois devido a um caso de doping. Pessoa que quatro anos antes era favorito e fracassou terrivelmente conseguiu de maneira dramática a medalha de prata. O último percurso eu assisti com o coração na boca enquanto cavalo e cavaleiro davam a volta por cima.
Tendo um time espetacular do vôlei, franco favorito, eu comecei a ter certeza da medalha dourada em uma partida contra a Itália, na primeira fase, ganhando  um tie breake que passou dos trinta pontos. Depois foi demolindo seus adversários até a glória final.  Um time inesquecível.
Das minhas muitas lembranças boas também tem a medalha de bronze do Vanderlei Cordeiro de Lima  e sua entrada  no estádio olímpico na prova mais nobre do atletismo sendo aplaudido pelo público.

Era para ser a sexta medalha de ouro brasileira, eu estava acompanhando na TV, quando um imbecil o jogou no chão. Graças à ajuda de um grego voltou à prova e como eu torci para que ele recuperasse a concentração e conseguisse ao menos o bronze. A última medalha brasileira foi o ato final para que essa olimpíada se tornasse especial.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Sidney 2000


O mundo não acabou conforme o previsto e o bug do milênio não foi à tragédia temida e anunciada.  Por aqui o Flu retornava ao seu lugar merecido e eu recomeçava a minha vida de onde parei. Quando olho para trás e lembro-me de dois mil vejo que demorei demais para tomar certas decisões, mas sempre é tempo.  O novo século trazia algo de novo para mim e eu não desperdicei a oportunidade.
Sidney chegou em um momento de calmaria na vida pessoal enquanto o Rio de Janeiro e o Brasil continuavam no mesmo nível de agora: corrupção, violência, patifaria e outras coisas mais.
Anos olímpicos sempre me deixam lembranças especiais nos esportes, mas esse só teve de especiais fatos fora dos jogos olímpicos. Guga em Roland Garros foi mais uma vez espetacular e terminaria o ano como o número um do mundo.
Quem chegou até aqui já percebeu que eu não nutro muita simpatia por essa olimpíada e estão certos quanto a essa suspeita.  Não gosto dela, e é a que menos tenho motivos legais para relembrar algo, não me deixou saudades nenhuma, somente um sentimento de frustração. A história mais legal é a de Eric Moussambani.
Vindo da Guine Equatorial e sem nunca ter nadado em uma piscina olímpica, Moussambani treinou menos de um ano e realizou seus treinos em uma piscina de hotel. Na sua bateria dois atletas queimaram a largada e então nadou sozinho, perdendo o fôlego na reta final, mas terminando a prova usando a força de vontade deixando de lado a pouca técnica. Na época não dei muita atenção, e a cena pareceu digna de risos, mas hoje em dia acho que isso é parte do que chamam espírito olímpico. Ele teve dignidade de fazer o seu melhor sem trapacear igual a uma velocista americana (não vale a pena digitar no Google e procurar seu nome) ganhadora de várias medalhas e depois descoberta no exame antidoping.
 O Brasil conseguiu não conquistar nenhuma medalha de ouro e foram muitas as decepções com vices e fracassos. A medalha  do revezamento 4x100, um segundo lugar, narrada pelo Galvão Bueno (sempre ele) é o melhor momento de todo o evento. Se o mundo do esporte fosse justo essa prata já teria se transformado em ouro, pois há suspeitas de ter ocorrido doping no revezamento campeão e bronze no basquete feminino.
As outras medalhas de bronze ou prata ficaram com um gosto de decepção, a olimpíada inteira para ser sincero ficou com esse sabor. Restou esperar a próxi

domingo, 31 de julho de 2016

Atlanta 96


No Brasil de noventa e seis começava o calvário do Flu, a internet começava sua expansão ainda dependente do Estado e televisão a cores deixava de ser luxo. O século XX começava a falar na sua aposentadoria e fazer planos para quando tivesse tempo sobrando.
Aterrorizado pela epidemia do HIV acompanhei a agonia do Renato Russo que partiria naquele ano. Era mais uma personalidade vitimada pela doença, o coquetel usado hoje em dia chegou tarde demais para o vocalista da Legião Urbana. O presidente era um sociólogo, perseguido pela ditadura, Fernando Henrique Cardoso ainda não tinha enlameado sua biografia enquanto eu terminava o ensino médio sem ter a menor perspectiva para noventa e sete. Se esse ano tem algo que mereça ser lembrado  é a chegada de mais um mega evento esportivo sediado novamente pelos EUA.
A pessoa escolhida para acender a pira foi Muhammad Ali. Segredo bem guardado, quando as câmeras do mundo inteiro focaram nele eu vi um negro altivo, mostrando para mim, que não o tinha visto lutar, porque era uma lenda do esporte.  Sua altivez conduzindo a tocha, acometido pela doença, me fez emocionar e reverenciar um mito que eu só tinha escutado algumas histórias e nada mais. Naquele momento eu me tornei fã do ex boxeador, ativista, grande nome do século. A olimpíada de Atlanta começou a ganhar meu coração para sempre naquela noite e até hoje eu a tenho como uma das melhores.
O cara que tinha sido campeão olímpico e jogado sua medalha fora em um ato de revolta e desilusão era reverenciado pelo mundo dos esportes,  como se fosse um pedido de desculpas, homenagem merecida. Não me importo desse evento não ser visto como um sucesso e sua escolha antipática por ter sido  mais pelo apelo comercial do que emocional. Ali era uma pessoa grandiosa, um nome histórico, um mito e só por ele tudo valeu a pena.
Ao contrário das outras duas olimpíadas que eu vi nessa teve “fartura” de medalhas para os padrões brasileiros e algumas me marcaram demais além do futebol sempre me decepcionando.
O bronze do vôlei feminino após uma derrota traumática para as cubanas foi conquistado no sofrimento, com o time tendo que juntar seus pedaços e tentando não sair de mãos vazias. Eu torci muito, achava muito merecido que subissem no pódio. No basquete feminino a prata conquistada foi uma poucas vezes nessa vida que não senti gosto de derrota em um vice.  O ouro do vôlei de praia foi à consagração definitiva das atletas femininas em uma final brasileira. A história estava sendo escrita  de novo.
A olimpíada em Atlanta foi considerada um fracasso tanto na organização e na escolha. Era uma olimpíada centenária e Atenas, capital da Grécia, preferida do mundo fora da política. Entre o apelo comercial e o emocional os cartolas preferiram o tilintar das moedas e não deu certo.

Barcelona 92

A década de noventa inicia com Mandela nos dando lições. O fim do apartheid permitiu que a África do Sul voltasse a competir e deixasse de ser uma pária internacional.
 Em 1992 a Europa vivia o drama de outra guerra sangrenta. O "fim da historia" dito por um liberal maluco é comprovadamente uma falácia embora alguns ainda acreditem nisso.  O desintegramento da URSS fez com que seus atletas competissem sob a sigla CEI (comunidade dos estados independentes) e eu me preparei para a segunda olimpíada da minha vida não menos ansioso do que a primeira.
Por aqui o jejum do Flu começava a incomodar, O que parecia algo passageiro começava a virar drama,  Fernando Collor, presidente eleito pelo voto direto, estava em queda livre (a democracia brasileira não se dá bem com presidentes eleitos pelo povo), Senna começava a virar um mito e eu vivia tentava passar da infância para a adolescência a duras penas.
Barcelona é considerada até hoje como uma sede exemplar, uma cidade que aproveitou bem a oportunidade para melhorar enormemente. Talvez lá os espanhóis da época tenham feito algo mais do que discutir se deveria ter ou não ter olimpíadas até a realização dela. Ou não curtem se sabotar continuamente. Esses são motivos subjetivos que eu me arrisco dizer.
Eu particularmente não curti tanto essa olimpíada como as outras posteriores por causa das poucas medalhas conquistadas pelo Brasil, foram apenas 3 não obstante duas de ouro (uma enormidade para um país igual ao nosso que tratava os atletas pior do que agora).
Uma dessas medalhas foi no judô e eu não lembro nada dessa luta. Não lembro onde eu estava como eu soube, se eu vi, nada. E a outra medalha de ouro foi com o time de vôlei que, sendo formado para 96, antecipou o ciclo e se tornou franco favorito na final após bater os EUA (um timaço). A Holanda não deu trabalho, foi dominada e o esporte coletivo brasileiro finalmente era campeão olímpico.
Você nem sempre consegue entender que está vendo a historia sendo escrita quando vive o momento.  Eu não consegui isso quando falavam da seleção americana de basquete ir disputar o ouro com seu time profissional. Até que começaram os jogos e me encantei com o aquele time. Nunca haverá outra seleção daquelas, alguém tão favorito, capaz de vencer, encantar, ter juntos tantos jogadores espetaculares. A seleção americana não jogava, dava show, fez de cada partida disputada um momento inesquecível e conquistou não apenas a medalha de ouro mais um lugar nos maiores times de todos os tempos.
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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Seul 88

1988. O mundo dividido por uma guerra fria sentia medo de uma guerra nuclear enquanto por aqui a inflação inclemente ignorava os “pacotes econômicos”. Collor ainda não tinha passado de “aventureiro” para “caçador de marajás”, Fluminense começava o seu jejum e a seleção olímpica contava com um jovem atacante indisciplinado chamado Romário.
Entre gibis, internação, cirurgia e futebol esperei ansioso a olimpíada de Seul. Tinham me dito que era um espetáculo esportivo e eu não esperava menos do que isso. Não me decepcionei. Acho que é uma das poucas coisas que eu lembro: Era tão sensacional quanto eu imaginei por longas noites ansiosas.
Minhas lembranças dessa primeira olimpíada que eu vi são:

O doping do Bem Johnson foi o que mais me marcou até hoje. A imagem dele vencedor após a prova de velocidade e depois a descoberta o marginalizando é "pesada" demais. 
Aurélio Miguel conquistando o ouro eu não Me lembro de praticamente nada. Procuro o vídeo com essa luta e com narração brasileira. Pago com gratidão.
Sei que acordei quando a luta estava para começar, logo depois do pódio fui pra rua e um idoso debochava da conquista (tão atual esse comportamento. Infelizmente).
E foi nessa olimpíada que surgiu uma certeza  levada comigo  até 94. “Se for pros pênaltis Taffarel garante”. Esses dias revi a decisão por pênaltis contra a Alemanha. Lembrava do goleiro defendendo um pênalti no tempo normal. Não lembrava quantos ele defende na disputa. Nem lembrava mais que o Galvão Bueno tinha narrado.  
A medalha de prata foi uma decepção imensa. Brasil perdeu na final para a URSS e eu continuaria com meu jejum particular de títulos.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Começo de Tudo

  Na década de oitenta uma tia veio morar comigo. A tia "Dita" e nas conversas com ela comecei a sonhar com o que era uma olimpíada. Ela sempre falava das dois últimos jogos olímpicos, do boicote (eu não conseguia entender o motivo), Misha e de Joaquim Cruz.
     Falava do atleta com mágoa do Brasil e de como ele era tratado e com admiração do feito dele. E contava como tinha sido a medalha de ouro conquistada. Contou uma, duas, tantas vezes eu pedi. Uma corrida espetacular, dizia, surpreendendo muitos, o garoto pobre de Brasília tinha feito história e ido depois pros EUA pois atleta não tem apoio.
     E eu sonhava. E também maldizia esse país que não valoriza os seus.
    No ano passado descobri no youtube a épica corrida do Joaquim.. Finalmente consegui assistir a primeira medalha do Brasil que eu "vi".

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Vai em Paz, Skidmore.

Alguma noite de 2004. Palestra concorrida no CCBB. Fiquei na fila imensa ansioso pela espera e consegui entrar. Tive conhecimento do evento através de um folder mostrando que vários convidados, por ocasião do aniversário de quarenta anos,  iriam falar sobre a ditadura civil militar do Brasil.
O palestrante para minha surpresa era bem humorado com uma simpatia que logo me conquistou. Avisado que iria dedicar um momento aos seus leitores quando terminasse de falar corri para comprar seu livro na livraria; Estava sem dinheiro no bolso.
- Vocês aceitam cartão?
- Infelizmente não. Na livraria eles aceitam. Deve ter para vender lá.
Sim, tinham para vender e aceitavam a minha “bandeira” (que sorte). Livro nas mãos, sorriso no rosto esperei ansioso a dedicatória. A palestra acabou tarde da noite, o CCBB estava para fechar, a fila grande e eu esperando pacientemente a minha vez.  O funcionário pouco educado tenta expulsar os gatos pingados que ainda restavam não obstante protestos educados dos últimos restantes esperando sua vez. O autor com uma simpatia imensa atendia um a um sempre tendo algumas palavras agradáveis.
- Qual o seu nome?
- Alan.
- Com dois ll?
-  Não, com um só.
Eu queria sentar e conversar com ele sobre a política brasileira, diretas já, Tancredo Neves, as minhas lembranças sobre os últimos anos dosa governos militares. Não foi possível.

 O livro virou um dos meus pequenos tesouros. A lembrança permanece. Vai em paz, Skidmore.




sábado, 19 de março de 2016

Feira e Lembranças


   É manhã e eu ando pela feira. Alguns já me conhecem, sorriem, eu olho o que chamo carinhosamente de bugigangas. Camisa tricolor, um cumprimento aqui, uma pergunta lá e escuto as discussões sobre política. Discutem se o Lula é ministro, comentam as notícias do dia anterior. O assunto chegou ao povo e ele, ao contrário do preconceito elitista, procura se informar sobre que discute o andar de cima. 
   Paro em uma banca com um jornal muito antigo que mancheta a morte do Lacerda. Infarto gritam as letras garrafais. Fico um certo tempo olhando e o senhor diz que eu posso abrir e ler. Declino, não estou interessado em comprar, meu pensamento vai longe e remete aos dias atuais. Lacerda bom de discurso, da UDN da tragédia citada por dois gênios.
   Mais adiante é uma banca de livros usados. Um me chama a atenção. Fala da posse de Tancredo, mais uma vez eu me pego com os pensamentos longe. A esperança, a posse que não houve, o enterro que eu confundi com uma festa, minha mãe dizendo ternamente "seu pai não foi trabalhar hoje é feriado porque o Tancredo morreu". Olho os autores do livro. Um deles tem trinta e poucos anos na época, sobrenome Noblat, e hoje em dia é figura controversa. O mundo gira, a vida dá voltas, largo o livro lá e continuo minhas andanças.
   Um chaveiro do Flu aqui (só pra não perder o costume), algumas figurinhas ali e dou de cara com um livro sobre o Lula. Sorridente na capa, nem peguei pra saber a data, rumei pra casa. Fiquei com medo do que poderia encontrar se continuasse procurando.


sábado, 27 de setembro de 2014

Sertão

  A paisagem árida, estrada esburacada, plantações de palmas, gado e aquela sensação de que ali o tempo parou. A casa no meio do nada, qualquer um entra no terreiro, os gritos na porta, chegou visita, e lá ia eu saltando, todo desejeitado, de um carro para cumprimentar quem ali estivesse.
"É seu filho, vona?", era a pergunta recorrente quando não me conheciam, o moleque que nunca foi simpático colocava um sorriso sincero no rosto, era alvo de olhares analíticos, ficava desconfortável mas aceitava fazer parte daquele momento onde tios, mãe, se reencontravam com suas origens.
   Em algumas casas a gente entrava, povo humilde, tentava nos agradar de algum jeito, um café, um beju, uma fruta, era necessário aceitar, quase obrigatório, em uma dessas me vi diante (mesmo detestando) de um grande pedaço de goiabada que foi dividida discretamente entre eu, mãe e uma tia até que ele acabasse.
   As conversas não me diziam respeito, olhava algumas fotos antigas na parede, fotos desenhadas em uma moldura, as vezes saía e ficava olhando o horizonte. Não era o meu mundo e ao mesmo tempo era, de alguma forma eu fazia parte daquilo ali. De alguma forma ainda faço parte embora cada dia mais seja só com lembranças.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

É Tetra


Talvez por causa da frustração recente com a seleção ou pelo término da copa do mundo eu demorei a me dá conta que dia era hoje. Estava deitado quando me lembrei que dezessete de julho não era uma data qualquer e fui no Google pesquisar, digitei "17 de julho", "tetra" e estava lá, 20 anos da quebra do jejum, de um dos dois momentos mais especiais na minha vida quando se trata de futebol, porque não dizer, do esporte em geral, com certeza um dos dez mais da minha vida.
Os menores ainda lamentam a vergonhosa derrota e começam a temer um longo jejum e não sabem que vivi uma fase pior do que essa que estamos vivendo não obstante a vergonha ainda presente causada por aquela derrota inesquecível. 
Vinte e quatro anos sem ganhar uma copa do mundo, títulos menores perdidos, eu só tinha visto a seleção campeã em oitenta e nove, dentro de casa, visto não, ouvido, por causa do monopólio da odiosa globo o jogo não passou ao vivo para o Rio de Janeiro me forçando a escutar em um rádio a conquista com um gol do Romário.
 As eliminatórias foram dramáticas, chegamos ao último jogo sem garantir a classificação, tendo que empatar com um Uruguai que ainda nos assombrava por causa de cinqüenta, com um time e técnico contestado, mas tendo Romário, o baixinho, o herói que no jogo final não fez gol permitindo a decisão nos pênaltis, novamente as penalidades igual a oitenta e seis. 
Era uma seleção corajosa, que disputou jogos épicos, sem tremedeira, sem choros, capazes de decidir uma copa do mundo nos pênaltis sem desabar emocionalmente.

O grito eternizado do Galvão foi o desabafo de todo um país estava cansado de esperar, torturado pela perda de um ídolo, esperançoso com um novo plano econômico, querendo dá certo, precisando de um caminho para deixar a inflação galopante e torturante no passado e tentar um futuro melhor.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Quarta de Final

   86 - Quartas na casa da Jurema. Tinha tanta gente e eu não lembro de ninguém que estava lá. Iria adorar se alguém tivesse tirado uma foto. Gesso no braço, não entendi o drama da prorrogação mas entendi a frustração da derrota. Vim pra casa triste e fiquei escutando os lamentos.

   94 - Gol do Branco, narração do Galvão, o melhor jogo da copa, TV toda fudida que milagrosamente não deu nenhum defeito naquele dia.

   98 - Dinamarca que fez parte das minha infância, que mesmo não sendo a mesma de 86 eu vibrei com a conquista da Eurocopa. Não me lembro se foi nesse ou na semi que minha tia Dita estava aqui e ficou xingando a canaria por, veja só, ficar cantando enquanto todos estavam nervosos. 3 a 2 e fomos para a semi, apesar do Zagallo.

   2002 - Jogo com o dia amanhecendo, eu tinha certeza que o Lucio ia falhar e falhou, nas minhas memorias depois do segundo gol dominamos o jogo, não sei se foi assim, o que importa? rs

   2006 - Vi o Zidane acabar com a gente durante um plantão. O bairro Botafogo estava triste, calado, a noite estava fria. Acabava o sonho de ver uma seleção ofensiva ganhar dando show. A culpa (sempre achamos um culpado) foi da falta de compromisso, dos jogadores fora de forma, mercenários que não se importavam com a seleção.

   2010 - Eu confiava muito naquela seleção do Dunga apesar do evidente erro de confiar no KK. Foi uma decepção grande perder para a Holanda, de virada, com falhas do goleiro e com a imprensa toda contra o Dunga.

   Amanhã mais um capítulo será escrito. Espero que seja uma vitoria de 4 a 0 sem dramas e afins. Se não for, que seja uma vitoria qualquer. Se for derrota, só tenho um pedido: Que em 2018 eu possa relembrar de 2014.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Vai Ter Copa (Lembranças)


    Eu lembro que estava operado; o braço engessado não permitia que eu pulasse ou fizesse qualquer extravagância (minha mãe sempre usava essa palavra, ainda me recordo, para me impedir de me machucar mais) nas horas dos gols.

    Jurema tinha uma televisão a cores e fazia questão de me convidar para ver os jogos em sua casa. Lembro-me de ter visto dois jogos lá. Um foi contra um time vermelho, acho que era a Polônia, faz tanto tempo que as lembranças vão se tornando escassas. Foi na casa da Jurema que ela reuniu muita gente para assistir àquele jogo contra a França. Foi ali que eu senti minha primeira frustração futebolística.

   A rua ficou triste demais; os lamentos na vila onde eu morava, as críticas ao Zico, ainda estão comigo, embora a cada dia eu lute mais para não esquecê-los e, quando os conto, já não sou fiel à realidade. Me desculpem.

   Em oitenta e seis, eu era uma criança tentando conciliar minhas idas aos hospitais, intervenções cirúrgicas e a infância. O futebol, nesse cenário, era meu esporte preferido; ainda não tinha conhecido as Olimpíadas e só um pouco depois o futebol alcançaria o status de religião.

   Eu ouvia as histórias da minha tia sobre Copas do Mundo e sonhava. Devia ser muito bom ser campeão do mundo, imagina as ruas em festa, todo mundo comemorando. Eu pensava e sonhava. Infelizmente, tinha uma França no meio do caminho, um pênalti perdido, a decepção. Futebol não é apenas sonhos e felicidades; é dolorido também. E o pior: esperar mais quatro anos por uma nova chance, algo que me deixava inconsolável.

   Assisti a todas as Copas depois dessa. Para cada uma, eu tenho histórias, lembranças, alegrias, tristezas; guardo recortes, figurinhas, álbuns. Amanhã começará mais uma, talvez a única em que eu tema algo mais do que somente os resultados esportivos. O que vai ocorrer? Não sei, mas tenho certeza de que, quando o hino for tocado, eu vou chorar, quietinho em um canto. Vou chorar emocionado.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Álbum da Copa

  Em 86 eu não tinha álbum só as figurinhas que vinham nos chiclete Ping Pong. No ano de 90 eu me lembro que quando vi o álbum foi paixão a primeira vista e não consegui completar. 94 época de reafirmar a masculinidade e a entrada no mundo adulto eu era criticado por colecionar. Era coisa de criança, diziam, e eu sem me importar colecionei e completei. Alex Lalas foi o mais difícil e consegui-lo achar foi um golpe de sorte. 98 o ano foi ruim, considerei que era coisa de criança e eu era "adulto", passou batido. 2002 não colecionei reparando esse erro anos depois quando comprei de um vendedor na praça XV. 2006 e 2010 virou febre de crianças e adultos (graças a Deus) já se podia pedir nas bancas sem dá aquela desculpa "é pro moleque". 2014 o ponto frio colocou uma pré venda eu já garanti um e aguardo ansioso o começo da nova coleção.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Um Dia

     Um dia eu lutei pelo que acreditava e, por ter lutado, fui ferido gravemente. Hoje em dia, carrego cicatrizes dolorosas no corpo e na alma. Algumas delas ainda doem nos dias frios e não me deixam esquecer o passado.
   Um dia sonhei que poderia conseguir aquilo que julgava ser o ideal para mim. Por causa desse sonho, não desisti. Enfrentei todas as dificuldades, superei obstáculos e segui em frente até alcançar o que queria.
   Um dia eu consegui, mas logo depois perdi tudo. Restou-me apenas a fé e a vontade de continuar caminhando.
   Um dia recusei-me a assinar minha rendição. Se fosse para ser derrotado, deveriam lutar comigo. Fui massacrado e, mesmo se pedisse, não teriam piedade.
   Um dia deixei de olhar no espelho para não sentir vergonha de mim. Até que percebi: minha consciência continuava tranquila, enquanto outros talvez até hoje não durmam com tranquilidade.