No Brasil de noventa e seis começava o
calvário do Flu, a internet começava sua expansão ainda dependente do Estado e
televisão a cores deixava de ser luxo. O século XX começava a falar na sua
aposentadoria e fazer planos para quando tivesse tempo sobrando.
Aterrorizado pela epidemia do HIV acompanhei
a agonia do Renato Russo que partiria naquele ano. Era mais uma personalidade
vitimada pela doença, o coquetel usado hoje em dia chegou tarde demais para o
vocalista da Legião Urbana. O presidente era um sociólogo, perseguido pela
ditadura, Fernando Henrique Cardoso ainda não tinha enlameado sua biografia
enquanto eu terminava o ensino médio sem ter a menor perspectiva para noventa e
sete. Se esse ano tem algo que mereça ser lembrado é a chegada de mais um mega evento esportivo sediado
novamente pelos EUA.
A pessoa escolhida para acender a pira foi Muhammad
Ali. Segredo bem guardado, quando as câmeras do mundo inteiro focaram nele eu
vi um negro altivo, mostrando para mim, que não o tinha visto lutar, porque era
uma lenda do esporte. Sua altivez
conduzindo a tocha, acometido pela doença, me fez emocionar e reverenciar um
mito que eu só tinha escutado algumas histórias e nada mais. Naquele momento eu
me tornei fã do ex boxeador, ativista, grande nome do século. A olimpíada
de Atlanta começou a ganhar meu coração para sempre naquela noite e até hoje eu
a tenho como uma das melhores.
O cara que tinha sido campeão olímpico e
jogado sua medalha fora em um ato de revolta e desilusão era reverenciado pelo
mundo dos esportes, como se fosse um
pedido de desculpas, homenagem merecida. Não me importo desse evento não ser
visto como um sucesso e sua escolha antipática por ter sido mais pelo apelo comercial do que emocional.
Ali era uma pessoa grandiosa, um nome histórico, um mito e só por ele tudo
valeu a pena.
Ao contrário das outras duas olimpíadas que
eu vi nessa teve “fartura” de medalhas para os padrões brasileiros e algumas me
marcaram demais além do futebol sempre me decepcionando.
O bronze do vôlei feminino após uma derrota
traumática para as cubanas foi conquistado no sofrimento, com o time tendo que
juntar seus pedaços e tentando não sair de mãos vazias. Eu torci muito, achava
muito merecido que subissem no pódio. No basquete feminino a prata conquistada
foi uma poucas vezes nessa vida que não senti gosto de derrota em um vice. O ouro do vôlei de praia foi à consagração
definitiva das atletas femininas em uma final brasileira. A história estava
sendo escrita de novo.

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