segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Amigos (VIII)
- Esquece.
- Pow, eu nem terminei e você já desanima, cara. Fala sério. Me escuta primeiro e ...
- Eu não vou tentar novamente. Desculpa mas para mim não dá mais.
- Como assim? Vamos ficar aqui, parados, esperando cair do céu.
- Vamos, não. Eu vou.
- Não entendi.
- Você ainda sonha, tem forçar para caminhar, seguir em frente. É hora de você partir e eu vou ficar aqui. Não quero mais andar.
- Pensei que a gente sempre ia ficar juntos.
- Estaremos juntos. Só que em lugares diferentes.
- Porque isso? É por causa das minhas ideias? Eu posso mudar, dá uma sugestão. nada é definitivo.
- Não, apenas não tenho forças para seguir. E é injusto te prender a mim. Vai, quem sabe um dia eu te siga.
- Não vou sem você. Ou partimos juntos ou ficamos aqui.
- Não seja tolo. Você ainda tem sonhos, ainda acredita em mudanças. Eu não, desisti, já não aguento mais. Não desperdice sua vida por causa de mim. Siga seu caminho, tente ser feliz. Um dia quem sabe te acompanho.
- Se eu te abandonar quem vai te ajudar a recomeçar?
- Eu não quero recomeçar. Não quero mais tentar de novo. Aqui é um bom lugar, se eu me cuidar posso viver bem. Mas se você ficar será infeliz pois aqui não te serve.
- Um lugar só é bom quando a gente o ama, quando temos alguém que valha a pena. Paramos aqui por falta de opção.
- Sim e por falta de opção melhor eu vou ficar aqui.
- Partir é uma opção melhor.
- Não é. Para mim não. Sinto muito, mas dessa vez um fica e o outro vai.
Não se despediu na partida, nenhum dos dois gostava de despedida. Foi embora com lágrimas escorrendo, prometendo que se o amigo quisesse parava onde estivesse para acompanha-lo. Seu companheiro de longas jornadas tinha razão, se ficasse ali ia acabar enlouquecendo ou desistindo também e não queria isso. Ainda ia tentar mais uma vez. Só mais uma vez, prometeu a si mesmo novamente.
sábado, 20 de abril de 2013
A Última Despedida
Última noite que eu iria passar naquela casa antes de retornar para o Rio e sugeri irmos a uma pizzaria, queria reunir a família naquele encontro antes de partir como outras vezes.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
FIM (II)
sábado, 6 de abril de 2013
Fim
domingo, 17 de março de 2013
Alívio, Tristeza e Recomeço
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Revolução
Você já conhece um pouco dessa história. Quem é daquela época conta que o governo era corrupto, vivia no luxo enquanto o povo estava cada vez mais miserável. Eleito pelo voto direto, se beneficiava de uma democracia viciada para permanecer no poder, usando artifícios legais para a continuidade do mandato, como plebiscitos e prorrogações votadas por um congresso sempre disposto a atender suas exigências mediante o atendimento de suas demandas. Explorando os pobres e agradando a elite, começou a ser odiado e, como nada na vida é para sempre, um dia a população se cansou e foi protestar nas ruas. Eram poucos e foram reprimidos com violência; logo eram muitos, e o estado foi perdendo o controle até que o exército e os policiais ficaram ao lado do povo. O presidente caiu, e muitos sonharam com uma vida diferente.
O governo foi deposto pelo exército, deu lugar a outro pregando a reconciliação nacional, e as pessoas voltaram para suas casas. Foi feita uma nova reforma na constituição e um novo presidente foi eleito. Muitos anos se passaram, o país progrediu, mas as estruturas não foram mudadas. Desde então, cada governo dava atenção aos pobres e enriquecia mais os ricos, agradando a ambos os extremos e evitando problemas. Mas a burguesia se ressentia disso, não aceitava ver seus impostos sendo gastos com a parte mais desfavorecida, vendo-a ascender socialmente, e apoiou um golpe de estado, levando ao poder alguém que se adequava aos seus interesses.
Nos últimos quinze anos, a proteção social da classe baixa foi diminuída paulatinamente, enquanto o número de pobres e miseráveis voltava a subir dramaticamente. A burguesia voltou a controlar o ensino superior e os gastos dos impostos. Os ricos, mais uma vez, não foram afetados em nada e lavaram as mãos perante a situação. A parte de baixo da pirâmide social, levada a uma situação desesperadora, não aguentou mais, se armou e foi para as ruas, como seus pais e avós fizeram há muito tempo.
Um dia, alguém vai dizer que o início disso tudo foi pelas redes sociais, mas não saberá dizer como ou quem começou, somente que a indignação na internet foi ridicularizada e vista como mais uma sem efeitos maiores. Uma manifestação foi marcada e apareceram poucas pessoas, solenemente ignoradas e dispersadas pela polícia. Na outra semana, as duas maiores cidades tiveram outros protestos, sempre combinados no mundo virtual, dessa vez com mais gente e com uma repressão maior. Imagens de pessoas sendo agredidas foram parar no YouTube, e quando o governo se deu conta, a indignação popular explodiu descontroladamente, levando as pessoas para as ruas, pedindo mudanças, e os acontecimentos foram se precipitando. Foi formado um exército irregular disposto a lutar pela libertação deste país.
Essa é a situação há semanas, e nesse tempo eu fiquei apenas observando, esperando os acontecimentos, rezando para que os políticos consigam um acordo que faça o povo voltar para suas casas com as armas guardadas. Não sou idiota e já vivi muitas guerras; sei o quanto elas são cruéis, e uma guerra civil coloca irmãos contra irmãos, rachando para sempre uma nação. Mas já não consigo me manter neutro, e escolhi meu lado, o do povo, o nosso povo. Por ele vou lutar, e espero seu perdão por ter largado tudo para mais uma vez ir para o campo de batalha. Sei que lhe prometi nunca mais fazer isso, mas desta vez é por um bom motivo. Se um dia tivermos filhos, quero que cresçam em um país melhor, e morreria de vergonha se eles me perguntassem o que eu fiz nessa época e minha resposta fosse “não fiz nada”.
Quando você ler esta carta, eu estarei bem longe e peço perdão por isso. Mas me entenda, detesto despedidas, já te falei isso muitas vezes. Consola-me saber que não será surpresa para ti. Nas últimas semanas, sabíamos que era questão de tempo até eu ser mais um dos revolucionários a lutar contra o governo. Várias vezes você me viu olhando as lembranças do meu pai e limpando minha arma.
Olhe pela sua janela e verá o povo nas ruas, pedindo liberdade e mudanças. Eu quero fazer parte disso, como meu pai fez. Prometo me cuidar para retornar aos seus braços, se depois disso tudo ainda me quiser. Cuide-se, evite sair de casa e reze para que essa revolução seja breve, para que nosso país seja um lugar bom para nossos filhos viverem. Eu prometo tentar voltar e, se não conseguir, guarde esta carta para lembrar de mim.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Reencontro
terça-feira, 15 de maio de 2012
Amigos V
- Já tinha acabado há tempos atrás, ficamos aqui de teimoso.
- É verdade, mas eu sempre tive esperanças de voltar a tudo como era antes. Quando dizia que não acreditava nisso estava mentindo.
- Mentindo para você mesmo, eu sempre soube. Também tinha esperanças, por isso fiquei tanto tempo. Mas é hora de ir, arrume suas coisas, partimos ao amanhecer.
- Ir para onde? Esqueceu que a gente não tem para onde ir? Não temos casa e nem ninguém que nos acolha.
- Prefere ficar onde não lhe querem mais? Onde não tem mais onde você ficar? Vamos encarar de frente a situação, se for para ficar no frio que a gente fique, se for para dormir na praça, que a gente durma. Não vou ficar mais aqui me enganando.
- Tenho medo. Muito medo.
- Também, mas não se preocupe, embora deteste dizer isso, pior do que está não fica. Isso eu tenho certeza.
- Sempre pode piorar, aqui a gente ao menos tem pouco quando a gente partir não teremos nada.
- Quando não se tem nada é que criamos mais coragem e temos mais forças para mudar. Não é a primeira vez e nem será a última que iremos procurar um outro caminho.
- Você tem razão.
- Então, ânimo, arrume suas coisas, ao amanhecer a gente não estará mais por aqui.
Observou seu companheiro ir arrumar suas coisas e ficou pensando no vivido ali. Não iria reclamar e nem lamentar mas não tinha nada para comemorar, poderia partido anos antes para algo melhor mas preferiu esperar pacientemente, agora irão sair só com lembranças doces e amargas que não servirão de consolo apenas de lição. Seus pertences já estavam na mala, tinha pego cada coisa com carinho e guardado, deixaria para trás algumas coisas irrelevantes e partiria sem olhar para trás, sem molhar o rosto de lágrimas e tentando não sentir-se triste, alegre não ficaria tinha certeza, mas tristeza não queria sentir mais.
Olhou para o céu e viu a lua na fase nova, quis acreditar em um sinal para eles e sorriu, com certeza a grande deusa iria abençoar seu novo caminho, afinal de contas, estava tentando apenas ser feliz.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Amigos Para Sempre.
- Não torna as coisas mais difíceis para mim, por favor. Para com esse carinho, porque você não pode simplesmente aceitar que a gente está se separando? A nossa vida não é mais a mesma, as dificuldades estão enormes e não está dando para ficarmos juntos, não percebe isso? Não torne mais difícil a situação, logo você vai encontrar alguém que te ame igual eu te amo você vai ver só. E tenho certeza que depois de alguns anos você nem lembrará da gente.
- Eu vou embora. Já está quase amanhecendo e logo alguém chega ao abrigo e vou ter que explicar porque estou te deixando. Não quero isso, ser julgado pelos meus atos por pessoas estranhas, já basta minha consciência. Aqui você vai ter comida, cuidados, algo que eu não posso te dá. Estará muito melhor do que comigo sem termos como saber qual será o dia de amanhã.
Deixou o cãozinho preso em uma coleira no portão de um abrigo para animais, uma dessas ONG que cuidam de bichos abandonados na rua. Depois de tantos anos iria deixar seu amigo para trás por amor, pois pensava ser o melhor a fazer. Não tinha emprego, despejado por não pagar o aluguel, hoje podia almoçar e jantar, amanhã nem essa certeza tinha. Como poderia cuidar de um cachorro se perguntou. Não iria simplesmente abandoná-lo a própria sorte e por isso decidiu largá-lo ali onde tinha certeza que as pessoas iriam dá guarida a mais um bicho abandonado pelo dono.
Foi caminhando pela rua e olhou para trás uma última vez para se certificar que seu companheiro estava bem. O cão simplesmente o olhava, em seus olhos uma mistura de incredulidade e não entendimento de ver seu amigo de tanto tempo indo embora sem ele, largando-o naquele lugar estranho desfazendo a dupla que estavam juntas há tantos anos. Não forçava a corrente tentando se soltar e nem esboçava outra reação, apenas olhava com olhos fixos, talvez tentando entender toda a situação onde seu melhor amigo partia e o deixava para trás.
Os olhos se encontraram e ficaram parados um no outro por vários minutos e então o homem retornou enquanto o cão abanava o rabo alegremente. Entre lambidas, abraço e lágrimas a corrente foi retirada do portão e os dois saíram caminhando um ao lado do outro enquanto o dia amanhecia na cidade.
Não sabia o que o futuro tinha reservado e por quanto tempo as dificuldades seriam tão graves. Tinham um ao outro e a vida seria melhor simplesmente por isso.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Rodoviária
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Adeus
- Não se erra por isso. Não houve erro entre a gente.
- Então porque estou sofrendo? Porque terminou?
- Porque nada é eterno nessa vida e as perdas são sempre lamentadas.
- Não é justo.
- A vida não é justa.
- Você lembra o que eu te falei um dia sobre voltas. Você sabe que se sair da minha vida é para sempre né?
- Sei
- Então vá e seja feliz. Nunca lhe prendi e não será agora. Você é livre e por mais que isso me doa, não irei tentar impedir sua liberdade. Voe, procure outros lugares e se um dia sentir saudades me olhe de longe e guarde para si, não me diga, pois não vou querer saber.
- A gente pode continuar amigos. Não precisamos nos odiar.
- Não vou te odiar nunca. Tanto tempo comigo e ainda não me conhece. Amigos, quem sabe. Isso o tempo dirá e me reservo o direito de não querer nem mesmo isso. Ao sair da minha vida eu vou decidir quando e se pode voltar.
- Não queria te magoar. Mas ...
- Não me de mais justificativas. Por favor. Não precisa. O que deveria ter sido dito já foi. Não é preciso mais nada.
- Tchau. Fica com Deus. Você é uma das pessoas mais especiais que eu conheci nessa vida.
- Adeus. Apesar de tudo, valeu a pena te conhecer.
sábado, 24 de setembro de 2011
A Despedida de Um Guerreiro
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Até Logo.
terça-feira, 14 de junho de 2011
O Último Guerreiro
Com essa frase meu comandante deu a noticia de que eu deveria sair do posto guardado por mim até agora. Durante longos meses velei essa ponte olhando quase ininterruptamente para o outro lado, esperando um retorno nunca ocorrido. Aqui eu esperei até hoje, quando Karlos em pessoa veio me buscar. Não merecia tanta honra falei, e a resposta foi que minha bravura não poderia ser tratada de outra forma.
Eu fui o último a permanecer aqui, pensei em pedir para sair, mas cumpri meu dever. No fundo do meu coração acalentava a esperança de ver isso aqui fervilhando de soldados, com pessoas rindo e cantando como era antigamente. Hoje em dia só tem casas destruídas, cruzes em alguns lugares, nada mais resta só essa ponte guardada por mim até agora. Agora até ela será destruída, não tenho mais o que fazer aqui. Como já me disseram é hora de ir embora.
Existem outros lugares precisando de soldados, não é igual aqui nos bons tempos, mas nada será eu sei disso. Fui feliz aqui, muito feliz embora nos últimos meses a felicidade tenha ido embora ficando apenas a esperança de dias melhores ou quem sabe os risos de outrora. Dizem-me que eu posso ir para lá também. Posso ajudar com minha experiência. Penso nessa possibilidade, mais logo a descarto. Aqui acaba minha historia no exército, é hora de paz para minha alma. Não quero mais lutas.
Começo a juntar meus pertences, são poucos. De uns tempos para cá, recebia o suficiente para subsistir, trazido pela esperança. Eu aceitava de bom grado, e compartilhava com ela como seria a festa quando todos retornassem e e sozinho permaneci os últimos meses.
Agora acabou. Acabou tudo, a última ponte foi destruída, já não preciso ficar aqui, o fim chegou. Dirijo-me ao carro que me espera, com os soldados me escoltando, olho para trás e me volto em direção ao meu comandante. Quem sabe a gente ainda retorna para cá, pergunto com um fio de esperança. Se um dia retornarmos, será por outro caminho me responde, embora isso seja praticamente impossível. Aqui não voltamos mais, é hora da retirada.
Paro um pouco, respiro, agradeço a Deus, por ter lutado com honra, e sigo em frente. Entro dentro do carro, lágrimas caem, não me importo de esconder. São lágrimas de quem nos últimos meses, suportou tudo sem reclamar, de desilusão, desabafo, alívio. Lágrimas de um último guerreiro partindo do campo de batalha para nunca mais voltar.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Fui
Tudo na vida tem fim não tenho o que lamentar foi bom enquanto durou, hora de ir embora sabendo não voltar nunca mais.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Fim
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Partida
- Não.
- E eu?
- Vem comigo. Formamos uma bela dupla.
- Fala sério?
- Sim.
- Me espera?
- Quanto tempo? Não quero demorar mais aqui. Meu tempo acabou nessa cidade. Não tenho mais motivos para ficar.
- O tempo suficiente para arrumar a mala e chorar na despedida.
- Seja breve.