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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Amigos (VIII)

- Olha, eu tenho um plano para a gente. Tenho certeza que dará certo ou ao menos nos colocará em um caminho melhor. Escuta só, poderíamos...

- Esquece.

- Pow, eu nem terminei e você já desanima, cara. Fala sério. Me escuta primeiro e ...

- Eu não vou tentar novamente. Desculpa mas para mim não dá mais.

- Como assim? Vamos ficar aqui, parados, esperando cair do céu.

- Vamos, não. Eu vou.

- Não entendi.

- Você ainda sonha, tem forçar para caminhar, seguir em frente. É hora de você partir e eu vou ficar aqui. Não quero mais andar.

- Pensei que a gente sempre ia ficar juntos.

- Estaremos juntos. Só que em lugares diferentes.

- Porque isso? É por causa das minhas ideias? Eu posso mudar, dá uma sugestão. nada é definitivo.

- Não, apenas não tenho forças para seguir. E é injusto te prender a mim. Vai, quem sabe um dia eu te siga.

- Não vou sem você. Ou partimos juntos ou ficamos aqui.

- Não seja tolo. Você ainda tem sonhos, ainda acredita em mudanças. Eu não, desisti, já não aguento mais. Não desperdice sua vida por causa de mim. Siga seu caminho, tente ser feliz. Um dia quem sabe te acompanho.

-  Se eu te abandonar quem vai te ajudar a recomeçar?

- Eu não quero recomeçar. Não quero mais tentar de novo. Aqui é um bom lugar, se eu me cuidar posso viver bem. Mas se você ficar será infeliz pois aqui não te serve.

- Um lugar só é bom quando a gente o ama, quando temos alguém que valha a pena. Paramos aqui por falta de opção.

- Sim e por falta de opção melhor eu vou ficar aqui.

- Partir é uma opção melhor.

- Não é. Para mim não. Sinto muito, mas dessa vez um fica e o outro vai.


Não se despediu na partida, nenhum dos dois gostava de despedida. Foi embora com lágrimas escorrendo, prometendo que se o amigo quisesse parava onde estivesse para acompanha-lo. Seu companheiro de longas jornadas tinha razão, se ficasse ali ia acabar enlouquecendo ou desistindo também e não queria isso. Ainda ia tentar mais uma vez. Só mais uma vez, prometeu a si mesmo novamente.

sábado, 20 de abril de 2013

A Última Despedida


   Última noite que eu iria passar naquela casa antes de retornar para o Rio e sugeri irmos a uma pizzaria, queria reunir a família naquele encontro antes de partir como outras vezes.
Minha vó, já idosa, não queria ir. Diante da sua teimosia uma filha tentava convencê-la em vão enquanto as outras se arrumavam na esperança dela mudar de idéia. Suspeitei que dona Maria achasse  a presença dela desimportante e ia incomodar a todos, ocupando mais um lugar no carro, por isso ficou deitada na cama sem dá atenção a ninguém.
Depois de algum tempo fui ao seu encontro e ternamente, como dificilmente eu falo com alguém, disse-lhe com carinho o quanto a queria presente, pedi para colocar a roupa nova e ir com a gente. Ela era especial demais para mim e mesmo se não comesse pizza, ia adorar vê-la ao nosso lado. Aceitou meu pedido e, algo raro, posou para fotos, não reclamou de nada, comeu alguma coisa, enfim, foi uma companhia agradável.
No outro dia, na hora de me despedir percebi as lágrimas em seu rosto, nunca a vi chorar quando nos despedimos  outras vezes, já no carro, senti um aperto no coração quando pensei ser aquela a última vez.
Um ano e alguns meses depois, novamente viajei para Pernambuco. Minha vó, chegou até os oitenta e sete anos em pé, lúcida, mas em janeiro, um derrame deteriorou a sua saúde e desde então as notícias não foram animadoras. Quando pude, parti mais uma vez para vê-la, ao chegar, os esforços dos parentes eram em me preparar para o que estava por vir. Quando adentrei na casa, tomei o primeiro choque, ela sempre vinha nos receber feliz e dessa vez estava em uma cama, balbuciando palavras, sem reconhecer ninguém. Contive as lágrimas, procurei um canto e chorei sozinho, contido e aceitei ser assim a vida. No outro dia ela morreu, dormindo, foi para a eternidade e somente várias horas depois disso eu deixei as lágrimas descerem fartas pelo meu rosto. A mulher que eu amava tanto tinha esperado apenas a chegada do seu neto e filha para ir desse mundo e deixou comigo a lembrança da última despedida onde aquelas lágrimas delas tenham sido quando entendeu ser a última vez.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

FIM (II)


Não me lembro a primeira vez que eu cogitei um retorno, fui adiando, arrumando desculpas, sempre postergando o momento da volta, embora sendo honesto comigo diga claramente nunca ter partido de vez, parte de mim ficou, uma porta aberta permaneceu e isso não foi bom.
Durante o tempo entre a minha saída e agora, fui atormentado por esqueletos no armário, diversas vezes tentei acabar com qualquer possibilidade de dá uma meia volta, teimosamente segui em frente mesmo diante de tantas dificuldades.
Um dia o dinheiro acabou desempregado, sem casa, dormindo em um banco da praça, reconheci diante de um espelho d`água que onde estava já não tinha mais nada a me oferecer, como se fosse um sertanejo persistente no agreste nordestino arei a terra infértil, plantei esperando a chuva e vi aos poucos todo o meu trabalho não dá em nada até aquele momento, já não tinha mais nada a fazer ali, somente viver de uma esperança raquítica enganando-me que, um belo dia tudo ia dá certo, pois merecia um outro final. A esperança morreu sem choro e vela acesa, enterrada com poucos lamentos e assim já não havia outra alternativa, somente ir embora, botar o pé no caminho e seguir em frente ou talvez, a escolhida, voltar atrás e com o orgulho guardado em algum canto pedir para ser recebido.
O caminho de volta foi difícil, várias vezes parei e me perguntei se era realmente o que eu queria, não obstante as dúvidas, segui, tendo a certeza de ser o correto não adiar mais o cogitado há muito tempo.
Entrei na cidade, onde outrora fui feliz ao amanhecer, não fui recebido com festas e nem com alegria, reconheci rapidamente alguns lugares e fui em direção a casa onde pretendia me hospedar. Toquei o interfone, o portão foi aberto depois de uma saudação pouco entusiasmada, não fui convidado a entrar, permanecendo no quintal escutei ter demorado demais entre outras coisas desagradáveis, a porta foi batida em meu rosto deixando-me no quintal falando sozinho tentando lidar com a frustração.
Não sei quanto tempo permaneci olhando a porta fechada, esperando ela abrir, uma hora, duas, não sei realmente, fato é, fui para a rua de novo, saí da cidade e segui em frente, sem olhar para trás, sem chorar, apenas com uma leve tristeza no olhar.

sábado, 6 de abril de 2013

Fim


- É o adeus definitivo né?

- Sim, nunca mais a gente volta aqui.

- Bastava uma palavra, uma atitude e tudo seria diferente...

- Palavras essas que deveriam ter sido ditas há muitos anos atrás. Agora não tinham a menor chance de serem faladas, não se maltrate com “tudo podia ser diferente” nessa parte final. Não podia, ocorreu exatamente como era evidente que ia acontecer.

-Eu podia ter me arrependido e voltado atrás.

- Podia.

- E porque eu não fiz isso?

- Entre tantos motivos, por mais que não queira reconhecer você sabe que, não há mais chances de vitória, voltar atrás seria retornar para o mesmo lugar onde estava e não estava feliz.

- Talvez, tudo mudasse.

- Se acreditasse realmente nisso, não teria tomado nenhuma decisão. Esperaria até o último momento antes de decidir algo. Fizestes isso?

- Não.

- Está arrependido?

- Não.

- Então, não lamente pelo fim e sim por ter demorado a aceita-lo. Recolha as suas coisas, coloque um sorriso no rosto, mesmo se ele for dolorido e pegue a estrada. Siga outro caminho, a vida não para.


06/04/13

domingo, 17 de março de 2013

Alívio, Tristeza e Recomeço


- Não lamenta, era para ter sido feito e você fez.

- Eu não queria fazer...

- Queria, se não quisesse não faria, não tente se enganar. São poucas as coisas que faz totalmente sem querer.

- Pode ser. Mas podia ter adiado mais um pouco, ter feito de outro jeito. Vou causar destruição demais.

- Já era para ter sido feito há muito tempo, sabemos disso. Não adianta, de qualquer jeito iríamos ter danos, infelizmente, não tem outro jeito. Para nascer um novo mundo, o velho é destruído em parte ou totalmente.

- Não é um novo mundo, é tudo familiar, parece igual.

- Nada nessa vida é igual, aprenda isso. Se você caminha pela mesma trilha mais de uma vez, ela não é igual embora seja capaz de reconhecer muitas coisas nela. Mas algo sempre muda.

- Eu queria está feliz ou sem tristeza...

- Impossível, fizestes algo que estava postergando por não ter coragem de lidar com as conseqüências. Sinta-se recompensado com o sentimento de ter feito o certo.

- Nunca serei perdoado.

- Não, as pessoas não perdoam quem as magoa.

- Eu não queria isso.

- Ninguém quer, mas assim são as relações humanas. Por mais que se evite, sempre vai ocorrer. Não se culpe por mais que seja considerado culpado.

- Agora é seguir em frente né?

-  Sim, finalmente seguir em frente.

- Eu estou com medo, sinto-me como se tivesse pulado do trapézio sem rede de proteção.

- E foi o que fizestes.

- E se eu cair e me machucar?

- Não será a primeira vez, até hoje não morreu, não será agora.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Revolução


      Neste momento, estou olhando pela janela a agitação na rua, com o sangue fervendo. Você sabe como eu me sinto nessas situações. Nas ruas, há pessoas com trajes civis portando armas pesadas. Se havia alguma dúvida, agora não há mais: o povo vai tentar tirar o governo do poder à força novamente. Não é a primeira vez na história do país que isso ocorre, mas a última vez já faz mais de quatro décadas, e poucos viveram esses tempos. Quem foi para a linha de frente agora talvez sejam os filhos e sobrinhos daqueles.

     Você já conhece um pouco dessa história. Quem é daquela época conta que o governo era corrupto, vivia no luxo enquanto o povo estava cada vez mais miserável. Eleito pelo voto direto, se beneficiava de uma democracia viciada para permanecer no poder, usando artifícios legais para a continuidade do mandato, como plebiscitos e prorrogações votadas por um congresso sempre disposto a atender suas exigências mediante o atendimento de suas demandas. Explorando os pobres e agradando a elite, começou a ser odiado e, como nada na vida é para sempre, um dia a população se cansou e foi protestar nas ruas. Eram poucos e foram reprimidos com violência; logo eram muitos, e o estado foi perdendo o controle até que o exército e os policiais ficaram ao lado do povo. O presidente caiu, e muitos sonharam com uma vida diferente.

     O governo foi deposto pelo exército, deu lugar a outro pregando a reconciliação nacional, e as pessoas voltaram para suas casas. Foi feita uma nova reforma na constituição e um novo presidente foi eleito. Muitos anos se passaram, o país progrediu, mas as estruturas não foram mudadas. Desde então, cada governo dava atenção aos pobres e enriquecia mais os ricos, agradando a ambos os extremos e evitando problemas. Mas a burguesia se ressentia disso, não aceitava ver seus impostos sendo gastos com a parte mais desfavorecida, vendo-a ascender socialmente, e apoiou um golpe de estado, levando ao poder alguém que se adequava aos seus interesses.

    Nos últimos quinze anos, a proteção social da classe baixa foi diminuída paulatinamente, enquanto o número de pobres e miseráveis voltava a subir dramaticamente. A burguesia voltou a controlar o ensino superior e os gastos dos impostos. Os ricos, mais uma vez, não foram afetados em nada e lavaram as mãos perante a situação. A parte de baixo da pirâmide social, levada a uma situação desesperadora, não aguentou mais, se armou e foi para as ruas, como seus pais e avós fizeram há muito tempo.

    Um dia, alguém vai dizer que o início disso tudo foi pelas redes sociais, mas não saberá dizer como ou quem começou, somente que a indignação na internet foi ridicularizada e vista como mais uma sem efeitos maiores. Uma manifestação foi marcada e apareceram poucas pessoas, solenemente ignoradas e dispersadas pela polícia. Na outra semana, as duas maiores cidades tiveram outros protestos, sempre combinados no mundo virtual, dessa vez com mais gente e com uma repressão maior. Imagens de pessoas sendo agredidas foram parar no YouTube, e quando o governo se deu conta, a indignação popular explodiu descontroladamente, levando as pessoas para as ruas, pedindo mudanças, e os acontecimentos foram se precipitando. Foi formado um exército irregular disposto a lutar pela libertação deste país.

    Essa é a situação há semanas, e nesse tempo eu fiquei apenas observando, esperando os acontecimentos, rezando para que os políticos consigam um acordo que faça o povo voltar para suas casas com as armas guardadas. Não sou idiota e já vivi muitas guerras; sei o quanto elas são cruéis, e uma guerra civil coloca irmãos contra irmãos, rachando para sempre uma nação. Mas já não consigo me manter neutro, e escolhi meu lado, o do povo, o nosso povo. Por ele vou lutar, e espero seu perdão por ter largado tudo para mais uma vez ir para o campo de batalha. Sei que lhe prometi nunca mais fazer isso, mas desta vez é por um bom motivo. Se um dia tivermos filhos, quero que cresçam em um país melhor, e morreria de vergonha se eles me perguntassem o que eu fiz nessa época e minha resposta fosse “não fiz nada”.

   Quando você ler esta carta, eu estarei bem longe e peço perdão por isso. Mas me entenda, detesto despedidas, já te falei isso muitas vezes. Consola-me saber que não será surpresa para ti. Nas últimas semanas, sabíamos que era questão de tempo até eu ser mais um dos revolucionários a lutar contra o governo. Várias vezes você me viu olhando as lembranças do meu pai e limpando minha arma.

   Olhe pela sua janela e verá o povo nas ruas, pedindo liberdade e mudanças. Eu quero fazer parte disso, como meu pai fez. Prometo me cuidar para retornar aos seus braços, se depois disso tudo ainda me quiser. Cuide-se, evite sair de casa e reze para que essa revolução seja breve, para que nosso país seja um lugar bom para nossos filhos viverem. Eu prometo tentar voltar e, se não conseguir, guarde esta carta para lembrar de mim.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Reencontro


   Noite mal dormida, aquelas que você fica acordado durante horas ou dorme e seus sonhos lhe atormentam. Aconteceu à primeira opção e o dia foi amanhecendo enquanto esperava a cidade acordar para ir ao encontro dela.
   Porque reapareceu? Tanto tempo depois o que tinha para falar com ele? Eram tantas perguntas, tantos sentimentos se confundindo, que só de pensar sentia certo mal estar.
  Olhou pela janela e ao menos o Cristo Redentor continuava com seus braços abertos, pensou sorrindo, enquanto ele estiver lá em cima cariocas são protegidos de alguma forma.
 Foi o que lhe disseram quando desembarcou na rodoviária há vinte anos querendo ter tudo o que sonhava, pensando ser esperto o suficiente para essa cidade. Tempos depois descobriu o quanto a selva de pedra é cruel. “Viver no Rio não é para os fracos” lhe disseram em uma favela qualquer, “se você ama a cidade então é carioca falou alguém”, “a cidade te adota” disse outra pessoa em um bar na Lapa foram lições dadas como tantas outras que aprendeu do jeito bom ou ruim. Hoje em dia entendia a cidade e seus habitantes, já não era um forasteiro passando um tempo para retornar ao seu lugar, aqui era onde desejava ficar, apesar de algumas coisas ruins, lembranças esquecíveis como a que tinha resolvido se tornar atual com o telefonema de ontem.
  Sim, gostaria de esquecer apesar de ter sido os momentos mais bonitos de sua vida onde com certeza tinha sido muito feliz por alguns anos, a forma dela agir quando terminou a relação o fez pensar assim e por isso riscou da sua vida de todas as formas possíveis a sua presença sem nunca pensar em voltar até ontem, o telefonema, a voz que não reconheceu se identificando, sua surpresa e a pergunta:
  - Pode me ver amanhã na praia de Copacabana?
  Poderia não aceitar, o que iriam falar, não tinham deixado nada em aberto, tudo havia sido decidido com palavras ou atitudes, mas confirmou o encontro querendo enganar-se quanto ao motivo: Queria vê mais uma vez.
  Sai pela rua, o sol já está quente, quem é carioca sabe, o dia terá aquele calor intenso, caminha para a estação do metrô tendo mil pensamentos todos com ela sendo o motivo principal, naquele horário os vagões já não estão cheios como na hora do rush, pode sentar calmamente e vai ao seu destino tentando controlar seu coração. Chega ao calçadão da Avenida Atlântica, procura o número do posto onde marcou o encontro e a reconhece facilmente, não mudou nada, pensa, por fora não demonstra o que sente por dentro, a cumprimenta e vão conversar como se fossem dois conhecidos em um encontro agradável.

  Algumas horas depois parte deixando pedidos de desculpa e perdão, é sincero em suas palavras, nunca a esqueceu, mas não vai perdoá-la, deixa-a com algumas lágrimas nos olhos e parte sem olhar para trás, se sente triste, mas não importa a cidade, o tempo não para, é necessário continuar sempre.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Amigos V

   - Acabou mesmo né?
  
  - Já tinha acabado há tempos atrás, ficamos aqui de teimoso.

  - É verdade, mas eu sempre tive esperanças de voltar a tudo como era antes. Quando dizia que não acreditava nisso estava mentindo.

  - Mentindo para você mesmo, eu sempre soube. Também tinha esperanças, por isso fiquei tanto tempo. Mas é hora de ir, arrume suas coisas, partimos ao amanhecer.

  - Ir para onde? Esqueceu que a gente não tem para onde ir? Não temos casa e nem ninguém que nos acolha.

  - Prefere ficar onde não lhe querem mais? Onde não tem mais onde você ficar? Vamos encarar de frente a situação, se for para ficar no frio que a gente fique, se for para dormir na praça, que a gente durma. Não vou ficar mais aqui me enganando.

 - Tenho medo. Muito medo.

 - Também, mas não se preocupe, embora deteste dizer isso, pior do que está não fica. Isso eu tenho certeza.

 - Sempre pode piorar, aqui a gente ao menos tem pouco quando a gente partir não teremos nada.

 - Quando não se tem nada é que criamos mais coragem e temos mais forças para mudar. Não é a primeira vez e nem será a última que iremos procurar um outro caminho.

 - Você tem razão.

 - Então, ânimo, arrume suas coisas, ao amanhecer a gente não estará mais por aqui.

  Observou seu companheiro ir arrumar suas coisas e ficou pensando no vivido ali. Não iria reclamar e nem lamentar mas não tinha nada para comemorar, poderia partido anos antes para algo melhor mas preferiu esperar pacientemente, agora irão sair só com lembranças doces e amargas que não servirão de consolo apenas de lição. Seus pertences já estavam na mala, tinha pego cada coisa com carinho e guardado, deixaria para trás algumas coisas irrelevantes e partiria sem olhar para trás, sem molhar o rosto de lágrimas e tentando não sentir-se triste, alegre não ficaria tinha certeza, mas tristeza não queria sentir mais.
  Olhou para o céu e viu a lua na fase nova, quis acreditar em um sinal para eles e sorriu, com certeza a grande deusa iria abençoar seu novo caminho, afinal de contas, estava tentando apenas ser feliz.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Amigos Para Sempre.

      - Não me olha assim. Vai ser melhor para nós dois a separação, entenda, por favor. Eu não quero isso, não estou fazendo com felicidade em meu coração, mas é necessário. Fica bem, ta bom?
     - Não torna as coisas mais difíceis para mim, por favor. Para com esse carinho, porque você não pode simplesmente aceitar que a gente está se separando? A nossa vida não é mais a mesma, as dificuldades estão enormes e não está dando para ficarmos juntos, não percebe isso? Não torne mais difícil a situação, logo você vai encontrar alguém que te ame igual eu te amo você vai ver só. E tenho certeza que depois de alguns anos você nem lembrará da gente. 

    - Eu vou embora. Já está quase amanhecendo e logo alguém chega ao abrigo e vou ter que explicar porque estou te deixando. Não quero isso, ser julgado pelos meus atos por pessoas estranhas, já basta minha consciência. Aqui você vai ter comida, cuidados, algo que eu não posso te dá. Estará muito melhor do que comigo sem termos como saber qual será o dia de amanhã.   
    Deixou o cãozinho preso em uma coleira no portão de um abrigo para animais, uma dessas ONG que cuidam de bichos abandonados na rua. Depois de tantos anos iria deixar seu amigo para trás por amor, pois pensava ser o melhor a fazer. Não tinha emprego, despejado por não pagar o aluguel, hoje podia almoçar e jantar, amanhã nem essa certeza tinha. Como poderia cuidar de um cachorro se perguntou. Não iria simplesmente abandoná-lo a própria sorte e por isso decidiu largá-lo ali onde tinha certeza que as pessoas iriam dá guarida a mais um bicho abandonado pelo dono.
   Foi caminhando pela rua e olhou para trás uma última vez para se certificar que seu companheiro estava bem. O cão simplesmente o olhava, em seus olhos uma mistura de incredulidade e não entendimento de ver seu amigo de tanto tempo indo embora sem ele, largando-o naquele lugar estranho desfazendo a dupla que estavam juntas há tantos anos. Não forçava a corrente tentando se soltar e nem esboçava outra reação, apenas olhava com olhos fixos, talvez tentando entender toda a situação onde seu melhor amigo partia e o deixava para trás.
   Os olhos se encontraram e ficaram parados um no outro por vários minutos e então o homem retornou enquanto o cão abanava o rabo alegremente. Entre lambidas, abraço e lágrimas a corrente foi retirada do portão e os dois saíram caminhando um ao lado do outro enquanto o dia amanhecia na cidade.
   Não sabia o que o futuro tinha reservado e por quanto tempo as dificuldades seriam tão graves. Tinham um ao outro e a vida seria melhor simplesmente por isso.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Rodoviária

Saiu do táxi, pagou, agradeceu ao motorista e foi caminhando em direção ao prédio. Olhou de cima a baixo e  também o cumprimentou silenciosamente  dizendo “aqui estou eu de novo, ainda lembra de mim?” entrando pela porta e se dirigindo ao elevador sem se perder como já tinha acontecido outras vezes. Foi para o segundo andar como sempre fazia, e estava tudo igual quando viu pela última vez, talvez por isso a melancolia em seu coração, se ao menos algo tivesse diferente quem sabe as lembranças não sairiam de onde estava para lhe assombrar.
Andou pelo saguão olhando para algum lugar no vazio imerso em seus pensamentos sem pressa e destino para chegar, apenas andava e tentava organizar na sua mente o que fazer pelo menos o suficiente para não parar e ficar apenas olhando em volta. Poderiam achar que estava louco ou quem sabe perdido, não que estivesse preocupado com alguém apenas não gostaria  de falar com ninguém.
Era como se não tivesse passado tanto tempo, ainda era capaz de relembrar pequenos detalhes como as palavras ditas, o sorriso, o aborrecimento ao comprar um lanche no quiosque, o jornal comprado para como sempre dizia retornar a sua rotina. Como estava feliz Deus, naquelas ocasiões, como era feliz. Parou em frente ao guichê e pediu uma passagem, só de ida e dessa vez não prometeu voltar como tanta outras vezes, em seu íntimo desejava apenas ir embora o mais rápido possível e pediu o horário mais próximo ao atendente. Até pagar despertava lembrança e lutou para não deixar cair uma lágrima enquanto pegava o papel para começar a preencher. Pegou a caneta, dessa vez não tinha ninguém para tirá-la da sua mão com carinho e escrever o seu nome, com mãos tremulas  assinou no lugar indicado e desejou que isso decidisse o fim daquela tristeza como se isso fosse possível.
Sentou na cadeira esperando chegar o seu horário de viagem e até isso fez relembrar momentos de alegrias, sorriu tristemente, levantou-se caminhando a esmo, dizendo a si mesmo o quanto era tolo.
De igual somente o lugar o resto não era assim, as pessoas, o momento, a vida era tudo diferente naquela hora, era bobeira ficar ressuscitando os mortos disse a si mesmo querendo se convencer.
Foi no banheiro, lavou as mãos e olhou-se no espelho, o rosto impassível sem transparecer o menor sentimento e se fosse o contrário ninguém iria reparar nisso, era um anônimo naquele lugar, apenas mais um partindo como tantos outros. 
Olhou o relógio e se deu conta de já está chegando a hora da partida, desceu as escadas com calma e rumou para a parte de embarque, cumprimentou o funcionário enquanto deixava conferir sua passagem, entrou no ônibus, olhou uma  última vez para trás e deu um adeus prometendo voltar um dia.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Adeus

- O meu erro foi te amar demais.

- Não se erra por isso. Não houve erro entre a gente.

- Então porque estou sofrendo? Porque terminou?

- Porque nada é eterno nessa vida e as perdas são sempre lamentadas. 

- Não é justo.

- A vida não é justa.

- Você lembra o que eu te falei um dia sobre voltas. Você sabe que se sair da minha vida é para sempre né?

- Sei

- Então vá e seja feliz. Nunca lhe prendi e não será agora. Você é livre e por mais que isso me doa, não irei tentar impedir sua liberdade. Voe, procure outros lugares e se um dia sentir saudades me olhe de longe e guarde para si, não me diga, pois não vou querer saber.

- A gente pode continuar amigos. Não precisamos nos odiar.

- Não vou te odiar nunca. Tanto tempo comigo e ainda não me conhece. Amigos, quem sabe. Isso o tempo dirá e me reservo o direito de não querer nem mesmo isso. Ao sair da minha vida eu vou decidir quando e se  pode voltar.

- Não queria te magoar. Mas ...

- Não me de mais justificativas. Por favor. Não precisa. O que deveria ter sido dito já foi. Não é preciso mais nada. 

- Tchau. Fica com Deus. Você é uma das pessoas mais especiais que eu conheci nessa vida. 

- Adeus. Apesar de tudo, valeu a pena te conhecer. 

sábado, 24 de setembro de 2011

A Despedida de Um Guerreiro

Não gosto de despedidas, e hoje eu estou diante de mais uma. O comandante do esquadrão da águia vai embora. Já estava com seu pedido de reforma desde sexta, tentei protelar, mais ver outra batalha perdida foi demais para ele. Se não fosse ontem seria hoje, depois das últimas notícias iria embora com certeza. Nosso exército foi empurrado para trás, cidades importantes dos nossos aliados foram tomadas. O comando já foi entregue, a ultima revista em tropas já foi feita, já está tudo terminado. Ele olha pra mim e vem ao meu encontro...
- Acabou irmão. Já não sou mais seu soldado.
- Sempre será meu soldado. Você sabe disso. Sabe também que  será sempre lembrado pela sua bravura e lealdade. Tivemos momentos bons juntos, agradeço a você pelas vitórias conquistadas. Não queria te ver saindo no meio de uma guerra
- Realmente foram momentos inesquecíveis. Lutamos várias batalhas e tive muito orgulho de ser um soldado do seu exército. Lhe deixo hoje diferente de quando eu cheguei, um comandante com várias qualidades. Lamento também sair assim, mas é melhor para todos. Já lutei demais e não tenho forças para continuar, um dia eu retorno para alguma festa comemorando uma vitória magnífica, daquelas rompendo a noite com bebidas e mulheres a vontade. Nesse dia eu estarei aqui com você, as tropas e o povo comemorando, prometo isso. Uma vez guerreiro do reino sempre guerreiro do reino.
- Que sua boca seja bendita. Que Deus escute suas palavras e as torne realidade, porque está muito difícil.
- Está na hora de eu ir. A estrada é longa e não quero viajar muito tarde.
- Você sempre terá um lugar no meu reino, quando quiser retornar basta me falar que eu providencio tudo. Aqui sempre será sua casa.
Dito isso nos abraçamos emocionados. Lutamos tantas guerras juntos, travamos tantas batalhas, e agora chegou a hora de nos despedir. 
Ele diz algumas palavras que eu não escuto e segue em frente seu caminho, não olha para trás, aprendeu comigo a sempre olhar para frente. Sigo com meus olhos, quem sabe eu um dia não o faça voltar para comemorar o final dessa guerra. Só me resta pedir a Deus, com fé, e lutar por isso. Meu guerreiro se vai no horizonte e deixa um líder cheio de dúvidas e tristezas. 
    A guerra continua.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Até Logo.

    Não gosto de despedidas, evito ao máximo que se despeçam de mim, prefiro um até logo ou simplesmente ir embora sem olhar para trás. Não sou antipático e muito menos mal agradecido, antes deixo bem claro a minha partida agradecendo a quem importa e demonstrando meu carinho, mas não me peçam para estar na hora da partida e não me façam dar adeus. Me deixem ir, sem olhar para trás, normalmente contendo as lágrimas com a sensação de querer ficar um pouco mais. Se está indo embora, não estarei para dar um último aceno, acredite, dói demais e nunca ficam lembranças boas para eu guardar. Não me lembro de nenhuma agradável, algumas eu sabia ser a última vez, outras tive esperança de retornar, não importa, todas dolorosas.
 

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Último Guerreiro

   “É hora de ir. Acabou. Não existem mais motivos para você ficar aqui”.
    Com essa frase meu comandante deu a noticia de que eu deveria sair do posto guardado por mim até agora. Durante longos meses velei essa ponte olhando quase ininterruptamente para o outro lado, esperando um retorno nunca ocorrido. Aqui eu esperei até hoje, quando Karlos em pessoa veio me buscar. Não merecia tanta honra falei, e a resposta foi que minha bravura não poderia ser tratada de outra forma.
    Eu fui o último a permanecer aqui, pensei em pedir para sair, mas cumpri meu dever. No fundo do meu coração acalentava a esperança de ver isso aqui fervilhando de soldados, com pessoas rindo e cantando como era antigamente. Hoje em dia só tem casas destruídas, cruzes em alguns lugares, nada mais resta só essa ponte guardada por mim até agora. Agora até ela será destruída, não tenho mais o que fazer aqui. Como já me disseram é hora de ir embora.
     Existem outros lugares precisando de soldados, não é igual aqui nos bons tempos, mas nada será eu sei disso. Fui feliz aqui, muito feliz embora nos últimos meses a felicidade tenha ido embora ficando apenas a esperança de dias melhores ou quem sabe os risos de outrora. Dizem-me que eu posso ir para lá também. Posso ajudar com minha experiência. Penso nessa possibilidade, mais logo a descarto. Aqui acaba minha historia no exército, é hora de paz para minha alma. Não quero mais lutas.
     Começo a juntar meus pertences, são poucos. De uns tempos para cá, recebia o suficiente para subsistir, trazido pela esperança. Eu aceitava de bom grado, e compartilhava com ela como seria a festa quando todos retornassem e e sozinho permaneci os últimos meses.
      Agora acabou. Acabou tudo, a última ponte foi destruída, já não preciso ficar aqui, o fim chegou. Dirijo-me ao carro que me espera, com os soldados me escoltando, olho para trás e me volto em direção ao meu comandante. Quem sabe a gente ainda retorna para cá, pergunto com um fio de esperança. Se um dia retornarmos, será por outro caminho me responde, embora isso seja praticamente impossível. Aqui não voltamos mais, é hora da retirada.
     Paro um pouco, respiro, agradeço a Deus, por ter lutado com honra, e sigo em frente. Entro dentro do carro, lágrimas caem, não me importo de esconder. São lágrimas de quem nos últimos meses, suportou tudo sem reclamar, de desilusão, desabafo, alívio. Lágrimas de um último guerreiro partindo do campo de batalha para nunca mais voltar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Fui

   Acabou, não adianta insistir. O corpo dói, já não enxergo com a clareza de antes, atrapalho mais do que ajudo. Hora de sair fora, sentar em uma cadeira de balanço em qualquer varanda com um copo na mão e ficar apenas com minhas lembranças. Não pensei viver o suficiente para chegar ao fim dessa forma, enfim como diz os católicos são os desígnios de Deus me resta aceitar. Vou embora com a sensação de dever cumprido, dizendo a mim mesmo foi bom enquanto durou tentando aceitar o final dessa porra toda.   Como será a vida nova eu não sei, temo por isso, talvez use a bebida para me consolar, umas putas para as noites frias e arrume algum clube mal falado o bastante para me aceitar sócio.
  Tudo na vida tem fim não tenho o que lamentar foi bom enquanto durou, hora de ir embora sabendo não voltar nunca mais.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Fim

     Olha para trás uma última vez. Tenta conter as lágrimas. Acabou diz para si. É hora de ir embora. Parte sem despedidas, sem promessas de retorno, sem ninguém a lamentar sua ausência. Vai tão discretamente como chegou, talvez mais. Na chegada ainda causou um certo interesse em poucos. Agora nem isso. Coloca a mochila nas costa, começa a caminhar, pensa em se virar mais uma vez para trás mas não faz. Acabou.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Partida

- Você volta?

- Não.

- E eu?

- Vem comigo. Formamos uma bela dupla.

- Fala sério?

- Sim.

- Me espera?

- Quanto tempo? Não quero demorar mais aqui. Meu tempo acabou nessa cidade. Não tenho mais motivos para ficar.

- O tempo suficiente para arrumar a mala e chorar na despedida.

- Seja breve.