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sábado, 10 de agosto de 2013

Desculpas

  - Olha o que você fez. Sempre errando comigo. 

  - Novamente, não acredita em mim. Eu não fiz nada. Você está tirando conclusões erradas e me acusando de algo que eu não fiz.

   - Ok, não vou discutir. 

   - Que bom. Melhor assim. 

    - É por isso que eu fui embora. Não tinha a menor condição de ficar. 

   - Caramba! Já percebeu quantos motivos você já deu para ir embora? 

    - Claro, como eu vou ficar com alguém sempre errando comigo?

    - Por favor, me escute. Sempre arruma um motivo para justificar a sua partida porque é desonesta, não reconhece o óbvio. 

   - Desonesta, eu? Que óbvio? 

   - Nunca quis ficar, nunca teve interesse nisso, nunca se importou. Pergunte a si mesma quantas vezes cogitou fazer isso? Se algum dia levou essa possibilidade a sério. 

  - Claro que sim. Está louco. 

   - Não estou louco. Seja honesta consigo mesma, caramba! Nunca teve interesse e por isso fica arrumando motivos para justificar sua partida, por não ter coragem de dizer a si mesma a verdade. Até quando vai tentar se enganar? A mim não consegue mais. Olha pra mim, pelo amor de Deus!! Olha nos meus olhos e seja sincera. Para com essa palhaçada. 

   - Você está me magoando. Para com isso. 

   - Estou? Chumbo trocado não dói. Fica na conta de quantas vezes eu fiquei com cara de idiota pedindo, arrumando motivos, me esforçando pela sua permanência. 

  - Se você realmente quisesse, teria feito por onde. 

  - Eu fiz por onde, caramba, mas quando um quer e o outro não, não há o que fazer. Só eu queria, você nunca quis.

    - Está sendo injusto. 

  - Nada disso. Eu não me interesso mais em saber seus motivos para partir, se é que algum dia isso me interessou. Eu faria de tudo para te ter ao meu lado e sempre deixei isso claro, mas se não quis, então adeus. Vá embora junto com seus motivos. 

  - Para, não mereço que fale assim comigo. 

  - Nem eu mereço suas tentativas de me culpar pela sua covardia e desinteresse. Chega. 

  - Depois do que me disse, nunca mais irá me ver. 

  - Vá e leve seus motivos. Adeus.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dia dos Namorados

Entro na loja de 1.99 para comprar um cofrinho (pobre adora um para colocar as "economias") e fico escutando a conversa da caixa com uma que mulher que está sendo atendida:

Mulher: E aí, já comprou o presente do seu namorado?

Caixa: Não e nem vou comprar. Ele não está merecendo.

Eu: ( É daqueles que vacila, fica no bar e esquece da hora, diz que dia festivo é quando seu time ganha e só)

Mulher: Porque?

Caixa: Eu heim, parece criança. Sabe o que ele me pediu?

Eu: (Homem moderno que curte um ps3. Aposto que pediu um game)

Mulher: O que?

Caixa: Primeiro pediu uma calça saruel, mas batemos Bangu inteiro e não compramos.

Eu: (Putz, que viadagem)

Mulher: Hum.

Caixa: Aí então desistiu e pediu um carretel de linha daqueles grandes.

Eu: (Justo e compreensível. Ganhou meu respeito)

sexta-feira, 29 de março de 2013

Encontro Marcado (IV)

- Nunca passou pela sua cabeça que poderia ser um?

- Um o que?

- Um bruxo, ora! Estamos falando de que? (sorriso). Não me enrola.

- Um dia, em algum lugar, alguém me disse que eu era, achei interessante e segui a minha vida, não dei atenção ao fato.

- Não teve curiosidade em aprender? Tentar ao menos ser um aprendiz?

- Eu sou católico, tive medo de ser excomungado, não quero ir para o inferno.

- Está falando sério?

- Estou, pareço brincando (rs)?

- Não parece alguém que tenha medo do inferno.

- Tenho, espero não ir pra lá.

- E te contaram também sobre o seu poder?

- Hahahahaha, poder só se for de arrumar confusão. Se eu tivesse algum, arrumaria dinheiro e ajeitaria a minha vida, não viveria tal qual um vagabundo, vagando nesse mundo em busca de farelos de alguém com gratidão.

- Existem várias formas de usar os nossos dons e com certeza ganhar dinheiro e ser um sucesso capitalista não é uma delas.

- Você aprendeu isso com os outros bruxos ou com algum comunista maluco?

- Não, com a vida e você está mentindo novamente. O meu guia disse-me que é muito poderoso e tem exata noção do quanto, por isso nunca deveria subestimá-lo e acreditar na sua fraqueza, só você é capaz de saber seus limites.

- A última parte é verdade, mas acho que, com todos são assim. A única pessoa capaz de saber até onde consegue ir é você mesma. Pelo visto você sabe muito sobre mim.

- Pode-se ler um resumo de um livro e falar sobre, mas nunca poderemos dizer que conhecemos o livro.

- E mesmo assim veio ao meu encontro?

- Sim, estava marcado, não adiantava fugir.

- Não teve medo?

- Tive, coloquei cartas e perguntei se oferecia perigo, fiz perguntas ao meu guia, mas, não se foge do que decidiram lá em cima para sempre.

- E decidiram que a gente ia se encontrar e mais o que?

- Mais nada. A partir do nosso encontro, as páginas estão em branco, podemos nos separar e nunca mais vermos ou ficarmos amigos para sempre, não sei.

- hum

- Não vai falar nada?

- Vou dizer o que?

- Sei lá, tudo isso é uma loucura, eu sou uma louca, estranhe, fale algo, homem.

- A vida tem dessas coisas.

- É só isso que tem a dizer?

- As páginas estão em branco, então, vamos escrever algo nela. O que, só com o tempo saberemos, confesso, estou começando a gostar desse início.

- Eu também.

- Então, um brinde ao início da nossa história.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Encontro Marcado (Parte III)

         - Posso continuar a minha historia? Onde parei?

- Quando se divorciou e tentou reconstruir sua vida.

- Isso, senti o gosto da liberdade e tratei de usufruí-la o quanto pude, mas, as coisas deram errado.

- Por quê?

- Não queria viver sozinha, precisava de alguém ao meu lado.

- Todos nós precisamos, alguns lidam com isso de forma diferente, mas, acho que ninguém, aceita viver só nesse mundo.

- Pois é, fiquei procurando alguém e tendo experiências ruins, um dia desisti e resolvi focar na minha carreira e agora chego aos quarenta e cinco anos, sendo uma profissional bem sucedida e resolvida financeiramente.

- Mas poderia ser melhor né?

- Sim, às vezes sinto falta de alguém e não estou falando de sexo, é de companhia mesmo.

- Eu entendo, sei bem como é.

- E você, não vai me contar nada? Nesse jogo só eu falo?

- Nesse jogo, por enquanto eu tento saber quais são as peças e as regras (sorriso).

- Ué, e não sabe ainda?

- Não, ainda não.

- Quer saber o que?

- Você é uma espécie de vidente, é isso?

- Bruxa,  os leigos chamam de bruxa, feiticeira, maga e afins. Rs.

- Uma bruxa, uma bruxa linda, deveras.

- Obrigado.

- E você fala com uma entidade, né?

- Não é uma entidade...

- Já sei, os leigos chamam de entidade...

- Pense em um guia espiritual, um espírito que conversa comigo quando eu o chamo. Resumidamente é isso.

- E ele falou que a gente iria se encontrar...

- Sim, disse.  Iríamos nos encontrar um dia, mas não falou a hora, local, nem nada. Segundo ele nossos caminhos estão traçados e um encontro entre a gente marcado sabe-se lá por quem nesse universo e ele estava certo. Aqui estamos nós.

-  Não sei o que dizer.

- Saberá quando começar a deixar de tentar mentir para mim e resolver ser verdadeiro. Desculpe-me os maus modos, mas não vou te subestimar, disseram para jamais fazer isso quando a gente se encontrasse.

- Vou tomar como um elogio.

-  Você também é um bruxo não é? É um de nós, digamos assim.

- Não sou, sinto te decepcionar.

- Fale a verdade, por favor, não minta dessa forma, se quer se ver livre de mim, basta falar e eu vou embora, nada nos prende mais, já cumprimos o nosso destino.

-  Estou falando a verdade.

(continua)

terça-feira, 26 de março de 2013

Encontro Marcado (Parte II)


- Eu estou meio confuso então deixa eu me situar. Um dia eu estou sentado tomando um café, lendo um livro quando você me aborda e diz que eu não deveria ver o filme, pois iria detestar.

- Sim, não ia perder a chance de falar com você né? Nessa vida nunca sabemos se teremos outra oportunidade, não se pode correr riscos.

- Eu surpreso, pergunto o porquê, você sorri, diz que apenas sabe, deixa seu telefone e vai embora sem dizer nada.

- Sim, aí você me telefona eu te conto o que sou e estamos aqui, simples.

- Não é simples assim.

- Claro que é, a gente é que complica as coisas querendo explicações para tudo.

- Para tudo não, mas, algumas coisas é preciso.

- Será mesmo?

- Acho que sim.

- Já te enrolei demais e acho que você está curioso em saber como a gente veio parar aqui, não é mesmo?

- Confesso que sim.

- Então, como diz aquele rap do Racionais (conhece a música Negro Drama?) a minha historia é mais ou menos assim...

(balança a cabeça confirmando conhecer a música)


- Eu tentei ser aquela mulher que meus pais sonhavam,  boa aluna, ingressei em uma boa faculdade, uma profissão que paga bem e o casamento com o cara que é o genro preferido de toda mãe, sabe como é?

- Sim (sorriso), bom moço, bem sucedido profissionalmente, essas coisas.

- Sim, isso mesmo e consegui tudo isso antes dos 30 anos, estava tudo perfeito para todos, menos para mim. O casamento se tornou uma prisão que aos poucos se transformou em um inferno, diziam para eu ter um filho e tudo ia melhorar loucos, eu não curto crianças, nunca me vi sendo mãe.

- Entendo, pressão social é horrível mesmo.

- Um dia descobri que ele estava me traindo, chorei mais pelo fracasso dos planos feitos para mim por outros do que propriamente pela traição. Por ele não chorei nem um pouco, fui franca com ele a respeito e decidimos terminar o casamento com cada um seguindo o seu caminho, com trinta anos eu era a mais nova divorciada nesse país e cheia de planos para o recomeço da minha vida.

- Recomeçar é preciso, sempre, nunca podemos parar e aceitar as coisas como o final.

- Estou falando demais?

- Não, pode continuar.

- Estou sim, eu falo de mim e você não fala nada sobre você.

- (sorriso) E precisa falar? Lembra o que me contou quando a gente se falou no telefone?

- Sim, lembro, mas eu não sei muito sobre você, se acertaram o que disseram a seu respeito só saberei o que quiser.

- Continue sua historia, estava interessante, não interrompa por favor. Depois eu conto-lhe o que desejar.

- Hahaha, duvido

- Não é prudente duvidar de mim, sabia?

- Sim, disseram isso.

- Pois é.

(continua)

domingo, 24 de março de 2013

Encontro Marcado (Parte I)


- Então você veio? (sorriso)

- E porque não viria?

- Sei lá, podia me achar louca, alguma maluca que fica contando historias estranhas por aí.  Rssss

- De louco todos nós temos um pouco e confesso gostar de historias loucas.

- Haha, por isso veio?

- Não.

- Porque então?

- Pensei, não tenho nada a perder, porque não aceitar o convite para jantar.

- Teve um tempo que os homens aceitavam meus convites para beber por me achar interessante e não por ter nada a perder. E não confundiam com jantar.

- Ué? Não é um jantar?

- Que eu lembre era para tomar uma bebida em um bar, conversarmos e eu contar a historia toda que iniciei naquela noite...

- Perdão, então. Que seja assim, não vou reclamar.

- Devo agradecer-te por isso?

- Agradeça quando eu fizer outras coisas.

- Por exemplo, me ouvir?

- Também não, vim para isso, esqueceu?

- Claro que não.

(continua)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Casal


- Já fez sexo em tal lugar?

- Já.

- Com a ex?

- Sim.

- Gostou?

- Sim.

- Era bom o sexo com ela?

- Normal.

- O que significa normal?

- Significa que diante dos níveis de satisfação causadas pela atividade sexual pode-se dizer que ao final os dois estavam de pleno acordo quanto a ter sido bom.

- E precisa falar tão formal assim?

- Sim.

- Você gostava dela?

- Se não gostasse tinha assinado um 121.

- O que é  isso?

- Homicídio.

- Fala sério?

- Estou falando, de onde eu venho  mata-se quem nos irrita e a gente não gosta.

- Dá para falar sério? Não estou brincando!!

- Ok. Eu falo sério.

- Você era apaixonado por ela né?

- Não.

- Era sim, a gente nem se conhecia direito e lembro que você era.

- Está lembrando de outra pessoa.

- Tenho memória boa.

- Então ela está falhando.

- Sabe o que eu acho?  É que você está enrolando para não me responder.

- Humrum.

- Não entendi. O que você falou?

- Eu não falei, eu grunhi. É diferente.

- Grosso.

- Podemos dormir agora?

- Mal educado. Nem sei por que eu te amo.




segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal



 - Alô.

- Oi, onde você está?

- Na igreja.

- Hahahahaha, sério, onde você está?

- Já falei, na igreja.

- Agora chamam de igreja?

- Bom, que eu saiba nunca chamaram de outro nome. Tem a palavra templo, mas não é comum usarem e...

- Para!! Você é muito sonso, e acha que eu sou idiota.

- Não começa.

- Como assim não começa, eu faço uma pergunta e a resposta é um deboche? Como você quer que eu te responda?

- Ontem te deixei falando sozinha por ficar gritando comigo, se fizer de novo agora, bato na sua cara novamente.

- Faz isso, para ver se eu te ligo mais. Liguei agora para fazer as pazes, maldita hora que fiz isso, deveria ter esperado ao menos ficar de tarde. Boba que sou, liguei com você ainda na putaria.

- Não estou na putaria.

- Claro que não, está na igreja. Deve ser aquelas que tem luzes vermelhas, mulheres nuas, bebidas, etc.

- Essa era uma boa, infelizmente não estou.

- Odeio quando começa com essas ironias baratas, consegue ser mais inteligente do que isso.

- Olha só, você está falando alto e já tem umas velhinhas aqui me olhando estranho.

- Que velhinhas?

- As que estão recolhendo os presentes.

- Caralho, que presentes, homem de Deus?

- Então, o padre da paróquia pediu para os fiéis doarem brinquedos e eu vim trazer a minha contribuição.

- E desde quando você é algum fiel?

- Bem, eu não sou um exemplo de religioso, mas acredito em Deus, vou à igreja, rezo sempre.

- Puta que pariu nunca te vi indo a uma igreja, rezar só se for quando seu time está jogando, porque não sendo assim.

- Bem, eu não sou assíduo nas missas, mas quando dá eu freqüento.

- E desde quando comunista é católico?

- Mas eu não sou comunista, sou socialista.

- É tudo a mesma merda.

- Não é não, já te expliquei, comunismo é...

- Não começa pelo amor de Deus. A última vez que você foi me explicar à diferença entre um e outro, passei duas horas te escutando e no final não entendi nada. Para mim são as mesmas merdas e ponto final. Tudo vermelho, malucos, pensando em mudar o mundo. O que importa é,  você realmente está em uma igreja?

- Sim, aquelas que têm padre, altar, missa, etc.

- Ha ha há, engraçadinho. E os presentes são para quem? Para os santos, tipo a umbanda que coloca oferendas para os orixás?

- Você de religião entende tanto quanto eu de física. Não oferecemos presentes aos santos, fazemos promessas e não é nada disso. Os presentes são para a festa de natal, a igreja vai distribuir para as crianças pobres e eu vim trazer a minha doação, todo ano eu venho.

- Por isso que você comprou aquelas bonecas?

- Sim, foi por isso.

- Poderia ter comprado umas mais caras né? Tinha que ser tão baratas?

- Não interessa, o que importa é que eu comprei com carinho e dentro do  meu orçamento. Não vou me endividar no cartão igual a você.

- E porque não me contou?

- Porque o bem a gente faz sem dizer a ninguém. É bíblico.

- E desde quando você segue a bíblia, criatura?

- No natal eu tento.

- Só no natal né?

- Sim, quem faz um pouco com amor no coração está fazendo muito.

- Pronto, além de religioso, virou filósofo. Hahahaha. Já que está impregnado de espírito natalino, faz as pazes comigo?

- E eu briguei como você? Quando?

- Bobo, te espero aqui, vem logo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Resgate (III)


- Minhas amigas sempre dizem que ali é muito perigoso, cheio de bandidos sanguinários. Pode ser uma armadilha, não vai, por favor.

- Suas amigas, sabem de favela apenas o que passa na Globo, ou seja, porra nenhuma. Se fosse bandido pedia resgate pelo bichinho quando ligou. Disse-me que entregava, mas não ia descer porque tinha medo, algo totalmente compreensível. Ele quer ganhar o dinheiro prometido pela gente e gastar da melhor forma.

- Não entendo isso, quem tem medo de polícia é bandido.

- Viva um ano na favela e irá entender bem.

- Isso é conversa de esquerdista defendendo direitos humanos para bandido. Em qualquer lugar, quem tem medo de bandido é policia e pronto.

- Humrum

- Me escuta, poxa!!

- Eu estou escutando, acredite, estou, contra a minha vontade, mas estou.

- Não vá sozinho, é perigoso, pode ocorrer uma tragédia, não quero nem pensar nisso.

- Não pense, fique quietinha e eu resolvo isso.

- Se você for eu vou ligar para a polícia em seguida.

- Caralho! Não entendeu ainda algo simples. Vou desenhar, ok. Se a polícia aparecer lá a minha vida e a de quem está com o cachorro não valerá um real furado . Não entendeu ainda?

- E se for uma armadilha, um seqüestro relâmpago, já pensou nisso?

- Já.

- Está vendo, eu tenho razão, me escuta, pelo amor de Deus. A gente pensa em outra solução.

-  Você acha que em uma situação de risco, o Pluto nos abandonaria a própria sorte?

- Ele não abandonaria.

- Então não farei isso com ele, São Jorge vai me proteger.

- Lá vem você com essas crendices populares.

- Não começa, ao menos dessa vez, se não acredita deixe-me acreditar. Eu preciso disso nesse momento.

- E o que eu faço? Fico aqui quieta, esperando, é isso?

- Não, espere uma hora e ligue para o meu celular. Se eu não atender, chame a polícia, porque algo saiu errado. Mas não vai acontecer não se preocupe.


Subiu o morro tenso, todos os preconceitos e os  medos justificados presentes, e conforme combinado foi até o alto do morro, onde foi recebido por lambidas e latidos do seu cachorro de estimação. Ao contrário de bandidos, encontrou uma família humilde esperançosa em receber o dinheiro da recompensa e ter alguns dias de fartura na sua casa. O cachorro tinha sido encontrado vagando pelas ruas e um dos meninos o levou para cima, percebendo a coleira com nome, o mais velho desceu para o asfalto e viu os cartazes com a foto e o anúncio recompensando quem devolvesse o cão, com medo de serem acusados de roubo tinham decidido telefonar e fazer a devolução em um local que consideravam seguro.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Resgate (II)


- Porque ele vai ter medo? Você não me disse que ele era bandido.

- E quem está dizendo que ele é, criatura?????

- Quem tem medo de polícia é bandido, pessoas de bem não tem medo.

- Pessoas de bem, faveladas, sentem medo tanto de bandido quanto de polícia.

- Se não devem não precisam temer.

- Claro que sim, afinal, nesse estado, pobre tem todo os seus direitos respeitados né?

- Eles fazem muito drama, parece até que eles são santinhos e a polícia é vilã.

- Não é hora de a gente discutir os direitos dos excluídos cariocas, no momento temos algo mais urgente.

- Ok, e se ele for bandido e te pegar com refém?

- Você paga o resgate.

- Não debocha, eu estou com medo.

- Também estou, mas a gente vai fazer o que? Desde que o Pluto fugiu e a gente espalhou cartazes, já recebemos várias pistas e elas não deram em nada. O cara liga para meu celular e diz que está com ele, mas não vai descer o morro para não se complicar. Faço o que?

- Chama a polícia.

- Pqp! E digo o que? Alguém achou o nosso cachorro e quer nos devolver, é isso?

- Não vejo nada demais.

- Eu vejo tudo demais.

(continua)

domingo, 18 de novembro de 2012

O Resgate



Carlos e Raquel gostavam de se ver como a dama e o vagabundo, eram diferentes e gostavam disso. Tinham se conhecido em um daqueles lugares do Rio de Janeiro onde as classes sociais se misturam e depois voltam para seus lugares de origem,  começaram a namorar, casaram e foram morar em um condomínio perto de uma favela.
Ela, filha de um casal classe média, educada em uma boa escola e com um futuro decidido quando ainda era criança, seguiu a risca o traçado, formou-se e é bem sucedida em sua profissão enquanto ele foi criado em uma favela, desde pequeno aprendeu as suas leis e forma de viver, estudante de escola pública, contou com uma boa dose de sorte e estudos para conseguir ter uma formação universitária e um emprego capaz de lhe pagar algo mais do que um salário mínimo.
Eram diferentes e davam risadas disso, não tinham dificuldades para lidar com isso apesar de algumas discussões.

- Já estou pronta, podemos ir.

-  Você não vai, já disse isso, não seja teimosa.

- Se eu não for você não vai também. A gente resolve de outro jeito.

- Claro que sim, existem outros modos da gente resolver né?

- Podemos comunicar a polícia.

- Você está maluca né?

- Claro, a polícia. Essa instituição que pessoas de bem procuram quando necessitam. Se você foi acostumado em uma terra sem lei, lamento.

- Humrum. Imagino eu entrando em uma delegacia dizendo que meu cachorro de estimação pode está no alto do morro e eu estou com medo de ir lá. Capaz até de mobilizarem o BOPE para o resgate.

- Não seja debochado!! Eles podem nos ajudar sim, te levar até lá escoltado.

- Vou tentar ser claro, entendeu? Primeiro, eu não vou pagar esse mico. Segundo, eu jogo bola na parte baixa do morro e quero continuar jogando. Terceiro, se eu chegar com carro de polícia, quem está com o cachorro vai ter muito medo e pode fazer uma merda, quarto, não perdi o juízo e nem quero perder a vida em uma troca de tiros.

(continua) 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Hora de Ir


- Você vai para onde?

- Para o mesmo lugar que eu fiquei a maior parte da minha vida. Eu rodo o mundo e sempre retorno para lá, como diz o ditado, o bom filho a casa torna (sorriso). Lá não é o melhor lugar, mas é o suficiente para eu ficar por muito tempo.

- Quando você voltar para cá, eu estarei aqui e mesmo sem admitir, te esperando. Talvez você não se importe, mas queria te dizer isso, eu estarei aqui a sua espera, sempre.

- Não espere.

- Por quê?

- Não vou voltar mais aqui. Foi à última vez. Talvez a gente nosso reencontro ocorra em outro lugar, em outra vida, mas nessa não voltarei para cá.

- Quando saiu à outra vez também prometeu não voltar. Eu lembro...

- Foi diferente.

- Por quê?

- Estava mentindo, para todos  e para mim, tinha certeza que o tempo iria passar, eu começaria a idealizar o passado e sentiria saudades. Aconteceu isso, nada mais previsível o meu retorno, mas agora é diferente.

- Diferente?

- Sim, não adianta eu me enganar, aqui nunca mais será o lugar tão amado por mim que foi um dia. Olho em volta e está tudo diferente, não existe mais nada do que eu gostava, mais nada, nem mesmo as pequenas coisas existem mais.

- Sim, tudo mudou desde aqueles tempos. Fui muito feliz naquela época, se eu soubesse que duraria tão pouco, talvez tivesse aproveitado mais.

- Eu era feliz e sabia, aproveitei tudo o que consegui, aprendi isso nessa vida a não deixar nada para depois.

- Vou levar-te até a saída.

- Venha comigo.

- Hã?

- Vem comigo, tenho a oferecer somente a minha companhia em todas as horas, a garantia de nunca ficar sozinha enquanto eu estiver vivo. O resto à gente dá um jeito, não sei se seremos felizes, mas prometo tentar todos os dias.

- Você está louco?

- Por querer a gente feliz? Não é uma loucura.

- Tem certeza do que fala? Não vai me largar na primeira cidade a própria sorte? Saindo daqui eu estarei arriscando muito por uma aventura maluca? Tem certeza?

- Já me conhece bem não conhece?

- Sim

- Então confie em mim, o que eu digo, cumpro. Se quiser, decida rápido, o tempo não para.

- Dizem que Deus protege os loucos né, que nos proteja, eu vou.

- Deus protege aqueles que lutam pelos seus sonhos. E vai nos proteger, faça suas malas, amanhã será outro dia, temos muito a viver.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Aeroporto

- Não gosto desse lugar.

- Espera, deixe-me anotar aqui.

- Anotar o que?

- Mais um item que você não gosta ou tem implicância. Pelos meus cálculos devem ser uns oitenta. 

- Palhaça.

- Qual o motivo que você não gosta daqui, para eu poder anotar também. Tem as categorias futebolísticas, sociais, amorosas, políticas e mais algumas que eu não lembro.

- Aqui não é um lugar alegre.

- Oi

- Aqui não é um lugar alegre, não está vendo. É um lugar triste, frio, não gosto daqui.

- Pronto, enlouqueceu de vez. Eu estou vendo um monte de gente alegre e o frio que sinto é do ar condicionado. Graças a Deus né, porque só me faltava no calor do Rio eu ter que ficar sem isso.

- Ninguém pode ficar alegre com partidas. Quando alguém se despede sempre deixa um pedacinho do seu coração e vai sangrando. No fundo a gente teme ser aquela a última vez e para muitos é.

- Existem pessoas indo para depois voltar.

- Mesmo assim vão tristes, pois deixam algo importante para trás e já sentem saudades antes do embarque.

- E os que chegam?

- Quem chegou para ficar também deixou algo, quem retorna de bom grado talvez seja os únicos felizes, mas esses são poucos. A maioria quando parte ou chega, sempre está trazendo consigo um pouco de tristeza.

- Desisto. Idiota sou eu por tentar argumentar.

- Rs.

- O que me disse é bonito e tal, mas para variar você está com suas maluquices. Como pode saber com certeza serem os tristes a maioria. É cada uma.

- Certezas, como se ela importasse tanto.

- Para mim importa, evita que eu escute seus argumentos justificando mais uma implicância. Você não gosta de lugares, cantores, datas, pessoas, políticos e mais umas quinhentas coisas. E para cada uma tem uma explicação insana.

- Não são insanas. 

- Há controvérsias.

- Não gosto desse lugar.

- Já disse isso, por isso estamos discutindo.

- Não estou discutindo, to conversando.

- Eu estou discutindo e já irritada com esse assunto. Porque não pega um livro e fica lendo quieto?

- Olhe aquele casal.

- O que tem?

- Estão tristes.

- Estão namorando, não parecem tristes, pelo contrário.

- Repare, só ela está com mala.

- E daí?!!

- Não grite.

- Grito, caralho. E daí que só ela está com mala? Que eu saiba a gente não é ladrão de malas e nem carregador.

- Ela vai viajar e ele vai ficar.

- E a gente com isso? Pode pelo amor de Deus me dizer?

- Então, eles estão tristes com a partida de um deles. Assim como outros aqui nesse aeroporto.

- Ah meu pai eterno. Dai-me paciência porque se der força eu mato. Vamos fazer o seguinte, guarde suas reflexões para si junto com as implicâncias e motivos para te-las, ok?

- Eu não gosto desse lugar.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Relacionamento

- Encontrei seu livro especial na estante.


- Hã? Todos os meus livros para mim são especiais (rs).

- Estou falando do livro dedicado a você.

- Ah sim. O do Thomas Skidmore é realmente muito especial. Ele veio para uma palestra aqui no Rio e ...

- Para de me fazer de boba, merda! Não estou falando desse!

- Não?

- Não.

- De qual então?

- Estou falando de um que sua ex te deu. Até parece que você não sabe né? Como se tivesse muitos livros dedicados a você com palavras melosas.

- Bem, se você olhar direitinho na minha biblioteca tem vários livros dedicados. Eu sempre peço livros de presentes aos amigos e ...

- Foda-se. Não quero saber dos seus presentes.

- Ok.

(alguns minutos depois)

- Você ainda gosta dela né?

- De quem?

- Como de quem? Para de ser sonso. Da sua Ex.

- Não, não gosto.

- Gosta sim. Se não gostasse não teria até hoje o livro que ela lhe deu.

- Todos os presentes que eu ganho eu guardo.

- Sei.

- Se você ainda não gostasse dela não deixaria o livro ali...

- Se não percebeu "ali" é onde estão todos os meus livros. É uma biblioteca, ao menos eu considero assim. Você quer que eu guarde onde? No banheiro?

- Não grita comigo!

- Grito, porque você me irrita.

- Você deixa a vista um presente da sua ex e ainda se acha certo e eu errada. Está bom assim?

- Não deixei a vista. Está junto com outros livros na estante.

- Poderia ao menos ter arrancado a página né.

- Hã???

- A página com a dedicatória. Você poderia ter ao menos arrancado.

- Nunca que eu faria isso. Vou estragar meu livro. É ruim heim.

- Eu faria isso se o livro fosse meu e eu não me importasse mais com meu ex.

- Não vou estragar meu livro por isso.

- Pensei que você me amava.

- Amo, mas não vou estragar meu livro.

- Não é estragar. É arrancar uma folha só. E aquela maldita dedicatória lá que está estragando livro.

- Eu não vou arrancar uma folha do meu livro. Para com isso.

- Já vi o quanto sou importante mesmo. Eu jogaria até o livro fora se estivesse no seu lugar.

- Humrum.

- Como não está, não precisará estragar um livro que está na estante sem fazer mal a ninguém.

- Eu odeio quando você fica com essas ironias, sabia?

- Sei, quando descobrir o que odeio em você te conto, até agora não descobri.

- Te amo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Reencontros

-  Você de volta. Não sabia.


 - Olá. Faz uma semana mais ou menos que estou aqui de novo.


- Pensei que iria ficar por lá.


- Morto? (sorriso).


-Claro que não, palhaço.


-  Pensei.


-Como vc está? E as novidades?


- Continuo detestando essas perguntas idiotas. Se esqueceu?


- Não (sorriso) por isso perguntei. Para te irritar. E pelo visto continua o rabugento de sempre.


- Continuo igual mesmo depois de tantos anos.


-  Que bom. Fico feliz em saber. Gostava de você desse jeito.


- Gostava?


- Gosto.


- Quando saí daqui, você tinha vários planos. Aprender a dirigir, aprender italiano, queria viajar para outros países...


- Memória boa.


- Está surpresa?


- Não. Conheço sua memória o suficiente para não me surpreender. Sou fluente em italiano e pretendo viajar para a Italia quando tiver oportunidade. Aprendi a dirigir mas estou sem carro, pois o último foi roubado.


- Que ruim. Eu preciso ir, tenho que ir no mercado.


- Tudo bem. Ainda é fanático por futebol?


- Sou, não mudei nada, lembra. O Fluminense é apaixonante.


- Eu sei... rs


- Sabe?


- Sim, quando partiu, para eu me sentir perto de você comecei a acompanhar o Flu, achava que um dia iria querer saber de jogos que não viu, historia dos bastidores, bobeira minha.


- Mas eu quero saber.


- Sério?


- Sim. Você sabe que eu quero. Que tal me acompanhar as compras e ir me contando?


- Aceito. Maldito seja esse seu encanto.