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sábado, 10 de agosto de 2013

Desculpas

  - Olha o que você fez. Sempre errando comigo. 

  - Novamente, não acredita em mim. Eu não fiz nada. Você está tirando conclusões erradas e me acusando de algo que eu não fiz.

   - Ok, não vou discutir. 

   - Que bom. Melhor assim. 

    - É por isso que eu fui embora. Não tinha a menor condição de ficar. 

   - Caramba! Já percebeu quantos motivos você já deu para ir embora? 

    - Claro, como eu vou ficar com alguém sempre errando comigo?

    - Por favor, me escute. Sempre arruma um motivo para justificar a sua partida porque é desonesta, não reconhece o óbvio. 

   - Desonesta, eu? Que óbvio? 

   - Nunca quis ficar, nunca teve interesse nisso, nunca se importou. Pergunte a si mesma quantas vezes cogitou fazer isso? Se algum dia levou essa possibilidade a sério. 

  - Claro que sim. Está louco. 

   - Não estou louco. Seja honesta consigo mesma, caramba! Nunca teve interesse e por isso fica arrumando motivos para justificar sua partida, por não ter coragem de dizer a si mesma a verdade. Até quando vai tentar se enganar? A mim não consegue mais. Olha pra mim, pelo amor de Deus!! Olha nos meus olhos e seja sincera. Para com essa palhaçada. 

   - Você está me magoando. Para com isso. 

   - Estou? Chumbo trocado não dói. Fica na conta de quantas vezes eu fiquei com cara de idiota pedindo, arrumando motivos, me esforçando pela sua permanência. 

  - Se você realmente quisesse, teria feito por onde. 

  - Eu fiz por onde, caramba, mas quando um quer e o outro não, não há o que fazer. Só eu queria, você nunca quis.

    - Está sendo injusto. 

  - Nada disso. Eu não me interesso mais em saber seus motivos para partir, se é que algum dia isso me interessou. Eu faria de tudo para te ter ao meu lado e sempre deixei isso claro, mas se não quis, então adeus. Vá embora junto com seus motivos. 

  - Para, não mereço que fale assim comigo. 

  - Nem eu mereço suas tentativas de me culpar pela sua covardia e desinteresse. Chega. 

  - Depois do que me disse, nunca mais irá me ver. 

  - Vá e leve seus motivos. Adeus.

sábado, 27 de julho de 2013

Culpa (V)

- Você está estranho. O que houve?

- Eu?

- E tem mais alguém aqui a não ser você e eu?

- E porque eu estou estranho?

- Não reclamou de nada até agora.

- E do que eu deveria reclamar posso saber?

- Ora, te convenci a largar tudo para trás e tentar outro caminho e agora estamos sem nada. Nem um dinheiro para comer algo a gente tem no momento. Vamos ter que nos virar de algum jeito.

- Não tínhamos tanta coisa assim que eu lembre. Nas minhas lembranças era quase nada e em certos dias nem para matar a fome dava.

- Era pouco, concordo. Mas era nosso.

- Se fosse um pouco que nos desse o suficiente para a gente sentir falta eu reclamaria. Mas se for para viver na miséria que ao menos seja tentando mudar.

- Nossa, estou surpreso. Não é sempre que lhe escuto com essa disposição.

- (sorriso) Você sabe por que está me provocando né?

- Não sei. Por quê?

- Está em dúvida e se eu resmungasse disso não se sentiria tão responsável por essa situação.

- Não me arrependo, mas confesso que imaginei chegar nesses dias atuais em uma situação diferente. Imaginei que alguns meses depois nós estaríamos felizes e eu lhe diria o quanto foi bom a minha decisão.

- Nossa decisão. Eu aceitei vir e não fui obrigado.

- Isso.

- Também apostei nisso e perdi. Pretendia ter um pouco de conforto para nós dois, algum lugar que a gente pudesse descansar menos dissabores e perdi feio. Mas não há motivos para arrependimentos ou sentimentos do tipo, ficar lá seria permanecer em uma situação miserável até sabe-se lá quando.

- Ao menos tínhamos algo para nos cobrir nas noites frias, um alimento qualquer, motivo para sorrir em alguns dias.

- Em dias de inverno rigoroso um pano não serve para nada. Perdemos um alimento que não matava a nossa fome e é sempre possível achar um motivo para sorrir.

- Você não quer reclamar mesmo né? Vai fazer de propósito (risos).

- Não vou reclamar. Desiste. (sorriso)


domingo, 14 de julho de 2013

Culpa (III)

Olá, eu te escrevo e não sei se você irá ler, gostaria que sim, mas não tenho certeza. Estranho, não? Eu não quero te despertar nenhum sentimento apenas me despedir, dessa vez para sempre. Tantas vezes te dei adeus e voltei, em algumas delas nunca deixei que soubesse da minha volta, ficava te olhando de longe sem me aproximar e anunciar a minha presença. Certas vezes reconheci seu sorriso, jeito de caminhar, teve ocasião que me aproximando demais escutei você falando e senti muita saudade.

Eu estou sentindo-me culpado por me ver obrigado a partir e deixar tudo para trás, por não conseguir mais despertar o que um dia sentiu por mim, sinto-me culpado por tantas coisas e penso ser esse sentimento um jeito de me apegar ao que não tenho mais. Por isso estou indo embora, vou tentar deixar minhas culpas pelo caminho, em algum canto, se conseguir é porque o passado já não me assombrará.

sábado, 13 de julho de 2013

Culpa (II)

- Tive que perder para ver o quanto a amava.

- Será?

- Está evidente, não entendi a sua pergunta.

- Você só pode perder aquilo que tem.

- Mas eu tinha.

- Não, você no máximo tinha uma miragem, uma ilusão. Enganava-se com isso e agora não tem mais como se enganar. Por isso o sentimento de perda.

- Pode ser isso.

- É.

- E o que eu faço?

- Segue em frente.

- Como se fosse fácil.

- Como se fosse possível. É, portanto, siga em frente.



Culpa (I)

- Eu tinha que ter tentado fazer algo agora é tarde.

- Fazer o que?

- Sei lá, avisar a família, pensar em uma solução, era evidente os sinais da depressão.

- Você estava longe.

- Sim, eu estava.

- E então?

- Quem quer faz, quem não quer, arruma motivo. Foi isso que me ensinou.

- Sim, ensinei e também ensinei que certas coisas são inevitáveis. Não aprendeu essa parte? (sorriso).

- Sou teimoso, reconheço. Fico relutante em aceitar.

- Não existe espaço para a morte. A única opção é que ela é o destino final de todos e não há alternativas.

- Eu sei.

- Então não se culpe, ora!

- Vou tentar.

- Não, você vai deixar de se culpar.

- Ok.


domingo, 17 de março de 2013

Alívio, Tristeza e Recomeço


- Não lamenta, era para ter sido feito e você fez.

- Eu não queria fazer...

- Queria, se não quisesse não faria, não tente se enganar. São poucas as coisas que faz totalmente sem querer.

- Pode ser. Mas podia ter adiado mais um pouco, ter feito de outro jeito. Vou causar destruição demais.

- Já era para ter sido feito há muito tempo, sabemos disso. Não adianta, de qualquer jeito iríamos ter danos, infelizmente, não tem outro jeito. Para nascer um novo mundo, o velho é destruído em parte ou totalmente.

- Não é um novo mundo, é tudo familiar, parece igual.

- Nada nessa vida é igual, aprenda isso. Se você caminha pela mesma trilha mais de uma vez, ela não é igual embora seja capaz de reconhecer muitas coisas nela. Mas algo sempre muda.

- Eu queria está feliz ou sem tristeza...

- Impossível, fizestes algo que estava postergando por não ter coragem de lidar com as conseqüências. Sinta-se recompensado com o sentimento de ter feito o certo.

- Nunca serei perdoado.

- Não, as pessoas não perdoam quem as magoa.

- Eu não queria isso.

- Ninguém quer, mas assim são as relações humanas. Por mais que se evite, sempre vai ocorrer. Não se culpe por mais que seja considerado culpado.

- Agora é seguir em frente né?

-  Sim, finalmente seguir em frente.

- Eu estou com medo, sinto-me como se tivesse pulado do trapézio sem rede de proteção.

- E foi o que fizestes.

- E se eu cair e me machucar?

- Não será a primeira vez, até hoje não morreu, não será agora.