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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Um Pedido Para Ficar

A ambulância ia abrindo caminho pelas ruas, o motorista cortava passava pelos carros em alta velocidade, o alerta sonoro não deixava dúvidas quanto a sua missão. Lá dentro os médicos faziam os procedimentos padrões para essa situação e não suspeitavam que uma discussão ocorresse entre um anjo da guarda e seu protegido.

- Segura a onda, cara. Se a gente conseguir chegar ao hospital dá para te salvar.

- E quem disse que eu quero ser salvo?

- Ainda não é hora de partir. Tentei te avisar umas três vezes para não ficar naquele lugar, mas é teimoso né? Agora estamos nessa enrascada.

- Não estou em enrascada nenhuma. A não ser que chegando lá em cima eu seja comunicado que vou pro inferno.

- E se isso ocorrer?

- Não deve ser pior do que a minha vida na terra.

- Não fala isso, cara. Não sabe o que diz. Não desiste, espera ao menos a gente chegar ao hospital.

- Eu pensava que quem decidia se eu ia morrer ou não era Deus.

- Putz, vai começar com seu deboche?

- Ué, estou falando sério.

- É ele quem decide. Ocorre que às vezes a pessoa precipita à hora e ele decide aceitar que ela morra antes do planejado. Suicídio é um exemplo disso.

- Eu não precipitei...

- Ah não. Claro que não. Eu te avisei três vezes para ir embora e você teimou.  Bastava ter saído dali uns minutos antes, mas preferiu ficar mais um pouco. Bastava mudar de lugar, mas não arredou o pé. E não precipitou?

- Não, ué. Sou obrigado a receber seus avisos por acaso? Não é a primeira vez que por não te escutar dá problemas.

- Ah, você escutou sim. Tenho certeza disso. Não saiu dali porque não quis. Deixou de dá valor a sua vida e ficar se arriscando.

- Não se estressa. Se eu morrer não vai fazer falta a ninguém, ninguém vai chorar. Não há motivos para lamentos.

- Vai fazer falta a mim. Minha missão aqui na terra é te proteger e fiz isso durante todos esses anos. Não quero você partindo por falha minha.

- Um anjo "caxias". Eu daria uma gargalhada se pudesse.

- Você deve ser a única pessoa que quase morrendo fica fazendo piadas sem graças. Ah meu pai, olha a missão que você me dá.

- Relaxa, eu estou indo em paz. Lutei o quanto pude, consegui algumas vitorias, ganhei, perdi. A única coisa que eu não queria era ir com algo por fazer.

- Segura mais um pouco.

- Não tenho mais nada a fazer aqui? Você mesmo falou: Não dou mais valor a minha vida.

- Claro que tem, sempre temos algo a fazer. Seja especial para alguém, adote um cão e faça a diferença pra ele, visite um orfanato, um hospital, basta você querer que acha um propósito para ti.

- Sou egoísta demais para esses atos altruístas.

- Deixa de ser, sempre há tempo para mudar.

- Meu tempo acabou.

- Não fala isso. Não desiste.


No carro veloz a equipe médica se esforçou o quanto pode, mas foi inútil tendo sido obrigados a aceitar aquela derrota. Enquanto lamentava a perda da vida o anjo lamentava ter falhado em sua missão. Tinha avisado ao seu protegido, mas não foi escutado, tinha certeza que se quisesse ele poderia chegar até o hospital vivo, mas preferiu partir. Chorava a perda enquanto pensava qual seria o seu futuro sem seu amigo.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Vai Ter Copa (Amigos)



Pelo segundo dia ficou dentro de casa, sem abrir as janelas, saindo da cama só para ir ao banheiro. Tinha Depressão, se procurasse um médico ia diagnosticá-lo com essa doença, tinha certeza, precisava de um tarja preta, qualquer coisa para levantar seu ânimo, uma ajuda química qualquer para lhe colocar em pé novamente. 
Era meio dia, hora do almoço em várias casas, mães gritando seus filhos para levá-los a escola, famílias felizes, pessoas saindo do trabalho para comer alguma coisa em algum restaurante. E ele ali, prostrado, sem ânimo para nada, querendo que o mundo acabasse para poder descansar em paz.
Já chegou à tarde, dezesseis horas, continua olhando o nada, tentando arrumar um motivo para viver, repentinamente à porta da sua casa se abre e escuta passos, quem será, pensa, enquanto ainda está se levantando, uma figura conhecida adentra o seu quarto.

- Pensei que tinha morrido. Liguei várias vezes e não atendeu, receei que entraria aqui já com o cheiro ruim alertando.

- Sempre gentil. 

- Outra crise depressiva?

- Acho que sim. Sei lá, talvez seja o meu normal, talvez eu só não queira ver a cara de ninguém.

- Talvez continue mentindo a si mesmo, talvez seja orgulhoso demais para admitir que precisa de ajuda, talvez seja burro demais para pedir ajuda enquanto é tempo.

- Veio aqui para me deixar pior? É melhor voltar, já tenho o suficiente para ficar ruim.

- Não, toma um banho, coloca uma roupa no corpo e outra na mochila que vamos para São Paulo.

- Vamos? São Paulo? Fazer o que lá?

- Arrumei dois ingressos para a copa do mundo. Jogo de estréia do Brasil, vamos realizar nosso sonho de criança, cara.

- O meu você pode vender ou doar. Não vou. Estou boicotando a copa.

- Eu sei que vou me irritar, mas, pergunto: Boicotando a copa?

- Sim, olha o que ela causou, desvio de dinheiro, remoções. Uma tristeza enorme.

- E por isso vai boicotar a copa.

- Sim, e vou pra rua protestar. Vem comigo, como nos velhos tempos, temos muito pelo que lutar. 

- Uma das coisas que eu aprendi contigo foi sonhar e lutar pelos meus sonhos. E um deles é ver o Brasil jogar uma copa do mundo em casa.

- Mas não era para ser assim, polícia repressora, políticos desonestos, está tudo errado, cara. Tudo errado.

- Eu achava que a gente separava a política do futebol.

- Não dá, minha copa é na rua, desafiando o choque, gritando pelos que não tem voz.

- E não pode fazer isso depois da copa?

- Engraçadinho.

- Falo sério. A copa vai passar, os problemas vão ficar e a luta será a mesma. Porque não podemos por alguns dias esquecer essa merda toda.

- Enquanto a gente se diverte tem gente se fudendo por causa da copa, você sabia?

- Sim, nesse país, por causa de várias coisas tem gente se ferrando. 

- Então?

- A copa vai acabar e vão precisar de gente lutando por um Brasil melhor. Eu serei um deles, como sempre fui. Tenho direito a sonhar, por alguns instantes esquecer as lágrimas no meu rosto.

- Não, não temos. Não somos melhores do que aqueles que sofrem, entenda isso.

- Não somos melhores do que ninguém e mesmo assim, perceba, o quanto está tentando ser superior ao sentir uma dor que não é sua. Depressivo, em um quarto escuro, lamentando a vida, sorvendo cada gole de tristeza com prazer. Deixou de gostar de futebol? Responda-me sinceramente.

- Não.

- Levanta, vamos embora pra São Paulo. Ninguém é forte o suficiente para lutar constantemente. Às vezes é necessário parar e se divertir um pouco. Vamos embora, garoto. Não me faça chorar sozinho quando ouvir o hino nacional.

- Eu vou te acompanhar até São Paulo, mas não garanto que vou entrar. Se do lado de fora estiver mais divertido eu escolherei as ruas.

- Ok, revolucionário. Ok. Se adianta que já é tarde.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Amigos (VIII)

- Olha, eu tenho um plano para a gente. Tenho certeza que dará certo ou ao menos nos colocará em um caminho melhor. Escuta só, poderíamos...

- Esquece.

- Pow, eu nem terminei e você já desanima, cara. Fala sério. Me escuta primeiro e ...

- Eu não vou tentar novamente. Desculpa mas para mim não dá mais.

- Como assim? Vamos ficar aqui, parados, esperando cair do céu.

- Vamos, não. Eu vou.

- Não entendi.

- Você ainda sonha, tem forçar para caminhar, seguir em frente. É hora de você partir e eu vou ficar aqui. Não quero mais andar.

- Pensei que a gente sempre ia ficar juntos.

- Estaremos juntos. Só que em lugares diferentes.

- Porque isso? É por causa das minhas ideias? Eu posso mudar, dá uma sugestão. nada é definitivo.

- Não, apenas não tenho forças para seguir. E é injusto te prender a mim. Vai, quem sabe um dia eu te siga.

- Não vou sem você. Ou partimos juntos ou ficamos aqui.

- Não seja tolo. Você ainda tem sonhos, ainda acredita em mudanças. Eu não, desisti, já não aguento mais. Não desperdice sua vida por causa de mim. Siga seu caminho, tente ser feliz. Um dia quem sabe te acompanho.

-  Se eu te abandonar quem vai te ajudar a recomeçar?

- Eu não quero recomeçar. Não quero mais tentar de novo. Aqui é um bom lugar, se eu me cuidar posso viver bem. Mas se você ficar será infeliz pois aqui não te serve.

- Um lugar só é bom quando a gente o ama, quando temos alguém que valha a pena. Paramos aqui por falta de opção.

- Sim e por falta de opção melhor eu vou ficar aqui.

- Partir é uma opção melhor.

- Não é. Para mim não. Sinto muito, mas dessa vez um fica e o outro vai.


Não se despediu na partida, nenhum dos dois gostava de despedida. Foi embora com lágrimas escorrendo, prometendo que se o amigo quisesse parava onde estivesse para acompanha-lo. Seu companheiro de longas jornadas tinha razão, se ficasse ali ia acabar enlouquecendo ou desistindo também e não queria isso. Ainda ia tentar mais uma vez. Só mais uma vez, prometeu a si mesmo novamente.

sábado, 27 de julho de 2013

Culpa (V)

- Você está estranho. O que houve?

- Eu?

- E tem mais alguém aqui a não ser você e eu?

- E porque eu estou estranho?

- Não reclamou de nada até agora.

- E do que eu deveria reclamar posso saber?

- Ora, te convenci a largar tudo para trás e tentar outro caminho e agora estamos sem nada. Nem um dinheiro para comer algo a gente tem no momento. Vamos ter que nos virar de algum jeito.

- Não tínhamos tanta coisa assim que eu lembre. Nas minhas lembranças era quase nada e em certos dias nem para matar a fome dava.

- Era pouco, concordo. Mas era nosso.

- Se fosse um pouco que nos desse o suficiente para a gente sentir falta eu reclamaria. Mas se for para viver na miséria que ao menos seja tentando mudar.

- Nossa, estou surpreso. Não é sempre que lhe escuto com essa disposição.

- (sorriso) Você sabe por que está me provocando né?

- Não sei. Por quê?

- Está em dúvida e se eu resmungasse disso não se sentiria tão responsável por essa situação.

- Não me arrependo, mas confesso que imaginei chegar nesses dias atuais em uma situação diferente. Imaginei que alguns meses depois nós estaríamos felizes e eu lhe diria o quanto foi bom a minha decisão.

- Nossa decisão. Eu aceitei vir e não fui obrigado.

- Isso.

- Também apostei nisso e perdi. Pretendia ter um pouco de conforto para nós dois, algum lugar que a gente pudesse descansar menos dissabores e perdi feio. Mas não há motivos para arrependimentos ou sentimentos do tipo, ficar lá seria permanecer em uma situação miserável até sabe-se lá quando.

- Ao menos tínhamos algo para nos cobrir nas noites frias, um alimento qualquer, motivo para sorrir em alguns dias.

- Em dias de inverno rigoroso um pano não serve para nada. Perdemos um alimento que não matava a nossa fome e é sempre possível achar um motivo para sorrir.

- Você não quer reclamar mesmo né? Vai fazer de propósito (risos).

- Não vou reclamar. Desiste. (sorriso)


sábado, 4 de maio de 2013

Maio


A sua ausência já não dói tanto, a gente quase não fala no seu nome e a saudade embora presente conseguimos enganar ano após ano. Você partiu em noventa e oito, já faz tanto tempo, não obstante ainda sinto sua falta. Se eu paro e penso, logo me lembro de suas visitas, aposto que estaria aqui uns dias atrás no aniversário da minha mãe, você sempre vinha. Ela se lembra de você embora não fale muito, já perdemos tantas pessoas queridas que as lembranças vão envelhecendo e dando lugar a outras,  mas mesmo estando em um plano diferente somos amigos e uma verdadeira amizade não morre jamais. De repente, no silêncio do quarto, olhando para o nada, as recordações aparecem e eu fico quieto com meus pensamentos.
Aqui em casa  continua tudo igual, minha mãe continua presenteando as visitas com as historias que você tanto gostava e te fazia rir francamente, se chegasse depois de tanto tempo não ia estranhar nada, ela é a mesma de sempre, agora a gente mora em um lugar diferente desde dois mil e cinco, saímos daquele lugar e dos problemas dali.
Eu sempre passo onde você morava, fito o apartamento, confesso que o coração às vezes aperta, lembro de quantas vezes passei por ali e deixei a visita para depois, por causa de um compromisso ou outro eu não te visitei, sempre achando que tinha todo o tempo para isso, até a maldita doença aparecer e tudo se acabar.
Às vezes a gente  não fala o quanto amamos as  pessoas, ficamos com vergonha de dizer a o outro o quanto é especial em nossa  vida, adiamos telefonemas, visitas (afinal ele (a) está tão próximo), e então a morte vem e finda para sempre uma amizade. A dor pela sua partida ao menos me ensinou a valorizar cada minuto ao lado dos meus amigos, me ensinou a sempre tentar manter um contato, mesmo parecendo um pouco ‘enjoativo, sempre deixar claro o quanto são importantes  para mim. Sua última  lição foi uma das mais valiosas na minha vida.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Buraco


- Outro dia que será igual ao de ontem, até quando? Já não agüento mais isso, daria tudo para sair dessa situação.

- Há quanto tempo estamos nesse buraco?

- Cinco anos.

- Ta maluco?! Não é tudo isso não.

- É sim, quando caímos aqui eu marquei o dia ali na parede. Dá uma olhada lá, basta contar.

- Você contou todos os dias que estamos aqui?

- Sim, no começo fiz isso achando que não iríamos demorar. Achei que era uma questão de tempo, quando passou um ano a contagem virou uma forma de lamento, hoje em dia é um hábito adquirido, somente isso.

-  Cinco anos jogados fora.

- Discordo, aprendemos muito nesses anos, foram proveitosos apesar de tudo.

- Eu odeio esse seu modo de achar algo de bom em tudo. Proveitosos? Proveitosos com a gente nesse buraco, sem ter a nossa vida de volta, sem saber se um dia vamos sair.

- Proveitosos sim, todos os dias estamos nos preparando para quando sairmos vamos dá valor a pequenas coisas, não vamos cometer alguns erros, não vamos ficar reclamando, aprendemos demais aqui.

- E se a gente nunca sair, já pensou nisso?

- Já, às vezes eu penso.

- E?

- Sinto tanto medo quanto você de ficar aqui até o final da nossa vida, sempre sonho com a nossa liberdade, a gente correndo pelas ruas e comemorando.

- Sairemos com tantos traumas, você pensa em comemorar e eu penso apenas em conseguir viver melhor.

- Quanto otimismo.

- Tenho muitos motivos, né?

- Um dia a gente tenta sair de novo.

- Um dia? Até lá a gente morre.

- Porque não agora, então?

- Ainda estou com machucados da última tentativa, prefiro esperar sarar.

- E mais dias vão passando.

- Já perdemos cinco anos, o que são alguns dias.

- Deveríamos dá valor a cada dia e, no entanto, vamos ficando aqui sempre achando que, um dia a gente sai. Olha quanto tempo ficamos, se prepara, pois mesmo machucados vamos tentar de novo, e quantas vezes for necessário. Não podemos desistir, aqui não é o nosso lugar.

sábado, 10 de novembro de 2012

Eutanásia


Era um asilo como todos os outros. Tendo uma paisagem agradável e uma mansão linda hospedando as pessoas via-se melancolia e certa tristeza nos residentes que aparentavam a vontade  de está em outro lugar se pudessem. Era um bom lugar para morrer, pensou consigo, não de quem desejava viver os dias que restavam.

- Finalmente chegastes, até que enfim.

- Hahahaha, se eu fosse você daria graças a Deus por ter lhe encontrado, olha esse fim de mundo, pergunto-me o que estava fazendo aqui.

- É um bom lugar, pessoas acolhedoras e que não fazem  muitas perguntas, não tenho motivos para reclamar.

- Rs, que bom então. Porque não me chamou antes?  Achei que éramos amigos.

- Ainda somos. Eu não rompi minha amizade.

- Então, filho da puta, porque demorou tanto a me chamar?

- Primeiro eu achei que iria resolver sozinho, não havia motivos para te preocupar, depois eu concentrei toda a atenção na tentativa de recuperação, um dia percebi a necessidade de ajuda e nada melhor para ajudar em uma situação difícil do que um amigo.

- Claro, e eu vim o mais rápido que pude.

- Sei disso, por isso lhe chamei não me deixará na mão.

- Li sua carta, só você mesmo para em pleno século XXI ainda escrever a mão. A doença é realmente incurável? A medicina é tão moderna, talvez tenha alguma chance...

- Não tenho, não vamos nos enganar.

- Porque eu?

- Ei garoto, não chora, homens iguais à gente só choram por causa de futebol, esqueceu?

- Rss. Porque eu?

- Eu poderia procurar algum parente, alguém próximo, mas em você eu confio. Não é nada demais, apenas uma assinatura...

- É uma condenação. Estarei condenando o meu melhor amigo à morte.

- Não, é um ato de caridade, estará abreviando meu sofrimento. Só não faço eu mesmo porque não quero prestar minhas contas com Deus sendo um suicida.

- E tem alguma diferença?

- Sim, malandramente estou jogando a responsabilidade para você, quando chegar lá em cima vou alegar ao pai celestial que eu não me suicidei.

- E eu que fico com a responsabilidade né? Pqp.

- Você é ateu, porra. Desde quando ateu se preocupa com isso?

- E minha consciência? Como vou lidar com essa situação?

- Quando chegar os últimos meses, ao ver-me, perceberá ser o melhor a assinatura do termo de responsabilidade. Em nome da nossa amizade saberá disso.

- Tenho dúvida.

- Mermão, olha onde estou. Isso aqui é um asilo, onde ficam pessoas solitárias ou que os parentes não conseguem manter em casa. Eu aceitei vir para cá para ter paz, somente isso, não mereço ficar penando sem ter nenhuma chance de viver. Se eu quisesse lutar, não tinha vindo para cá, não teria chamado você.

- Minha vontade é ir embora, esquecer essa conversa e mandar você a merda (rsss).

- Eu peço-te um último ato de amizade, somente isso. Faça por mim, por favor.

- Se assim quer, farei.

- Enxuga essas lágrimas, cara. Vivi muito, curti essa vida, nada é para sempre. Sempre te disse isso, aproveita cada momento porque a vida é curta e acaba um dia. Não há motivo para lamentos, até quando tiver consciência estarei vivendo da forma como quero, são poucos os que podem dizer isso.


Alguns meses depois entrou em um hospital e se identificou como sendo a pessoa que estava apta a assinar a autorização da eutanásia. Quando perguntado se queria despedir-se, sorriu tristemente e declinou. Já tinha feito isso quando seu amigo estava consciente e podia escutar o que tinha a lhe dizer, agora era só uma questão dolorosamente burocrática, ele já tinha morrido há dias atrás apesar do seu coração pulsando.




quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Amigos IV (Parte 3)

- Então.

- Então o que?

- Puta que pariu! Gosta de me irritar. Vai ou fica, cacete? Não vou ficar aqui eternamente te esperando.

- Não tenho armas.

- E isso é desculpa desde quando? Isso a gente arruma fácil, ou desaprendeu a se virar no mundão?

- Certas coisas não se esquecem (rsssss). Eu ainda lembro de muitas coisas.

- Já é então, irmão. Amanhã a gente cai para a pista como nos velhos tempos.

- A gente quem cara pálida? Eu não concordei com nada ainda. Apenas pensei sobre a possibilidade, mas estou muito bem aqui. Não ouço tiros e nem choro, de tarde venho aqui e fico olhando a paisagem, final de semana tomo uma bebida no bar. Não há motivos para reclamação.

- Hum, sei. Faz tudo isso e depois tenta enganar os amigos dizendo mentiras. Pois eu te conheço e sei de toda a verdade. Gente igual a você e a mim não nasceram para essa cidade, somos maiores do que ela, nossos sonhos sempre foram maiores.

- Concordo.

- Então...

- Então o que?

- Pqp! Quer saber, desisto! Fique aí, eu vou embora, tenho ainda muito a viver.

- Hahaha. Não se irrite, amanhã não quero aturar seu mau humor pela estrada afora.

- Então vem comigo? É sério?

- É sério. Amanhã a gente parte, como em outros tempos, em busca de novos desafios. Estava sentindo falta disso.

- Por isso vim te buscar. Não fomos feitos para a paz, gostamos de guerras.

Amigos IV (Parte 2)

  - Fala como se estivesse inválido. Não é verdade.
 
  - Cara, o tempo passa e as feridas começam a ter cicatrizações demoradas, algumas nunca se curam. Ir para linha de frente novamente é me arriscar a ter velhas dores no corpo.
 
  - E por isso se acha sem condições? Algum dia a nossa vida foi fácil? Pare de sentir pena de si mesmo, porra! Ter condições você tem. Deixa de ser molenga, toma coragem e vem comigo, caralho! Vamos de novo, lutar pelos nossos sonhos, vai ficar nessa acomodação em uma cidade do interior com todos os dias sendo sem graça? Gente igual á gente nasceu para ser águia e não galinha, porra!

  - Pronto, agora virou contador de parábola. Hahahaha.

  - Você não leva nada a sério...

  - A vida não merece ser levada a sério.

  - Também não merece ser desperdiçada igual está fazendo.

  - Melhor assim. Aqui não tenho maiores preocupações. Sabe quando estive em um hospital pela última vez?

  - Não.

  - Quando fui ferido e se não fosse a sua doação de sangue estaria morto.

  - Pelo visto te fez mal o meu sangue. Transformei um guerreiro em um acomodado.

  - Não fala merda (rs). Não quero ficar lutando por utopias, apenas isso. Adianta eu levantar, pegar a arma e sair por aí guerreando com moinhos de ventos pensando ser gigantes? Faça-me o favor, não tenho mais idade para isso.

 - Moinhos de ventos ou gigantes, sempre nos fez sentir vivos. Utopia ou realidade, sempre lutamos o bom combate. E eu vim te buscar para fazermos isso de novo.

 - Já nos ferimos demais, talvez seja hora de parar.
 
 - Você está feliz aqui? Se disser que está, eu vou embora e te deixo aqui. Olha a sua volta cara, está tudo em paz menos o seu coração. E quando não estamos em paz com ele o resto não interessa.

 - É verdade.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Amigos IV (Parte 1)

   Estavam sentados em um banco de praça e quem visse a cena não imaginaria que eram dois mercenários soldados de muitas guerras, lutando unicamente por dinheiro e algumas vezes por ideologia embora não gostassem de admitir. Nas ocasiões que lutaram por um pensamento se recusaram á ser pagos pelos serviços prestados e nunca aceitaram qualquer tipo de homenagem ou benefício próprio.
   Eram soldados anônimos e faziam questão de permanecer assim, por segurança e também por garantirem a liberdade de ir e parar onde e quando quiser sem precisar se preocupar com ninguém. A última batalha deles juntos tinha sido sangrenta, um deles ferido gravemente resolveu se  recuperar na cidade natal onde tinham nascidos e saído para o mundo, prometendo voltar logo para novas aventuras.
  O tempo passou, semanas viraram meses e anos, um dia seu velho companheiro apareceu de surpresa.
  Agora estavam sentados ali, como duas pessoas comuns, olhando o sol se por no horizonte e conversando:

  - Detesto esse lugar, putz. Graças a Deus estou indo embora.

  - E porque veio? (sorriso).

  - Vim te buscar. Porque foi? Olhar para seus belos olhos e ir embora? Cada uma.

  - Hahaha. Quando saiu daqui disse que não voltava mais. Ou estou enganado?

  - Disse, e continuaria sem voltar se você não tivesse a infeliz idéia de ficar parado aqui. Com tanta cidade para se estabelecer tinha que ficar nessa merda. Olha isso, nada mudou. Continua do mesmo jeito de quando fomos embora há tanto tempo atrás.

 - Não seja resmungão. Sempre fui bem acolhido aqui, não há motivos para eu reclamar.

 - Você não tem. Eu tenho e muito. Detesto ficar parado, sem novidades. Quando se sentiu vivo pela última vez? Sentiu o sangue quente, a adrenalina no corpo, aquela sensação de medo?

 - Faz tempo...

 - Pois é. E gosta disso? De ficar vendo um dia após o outro passar como se fossem todos iguais? Quando retornou para cá da última vez foi para curar seus ferimentos. Mudou o pensamento porque?
 
  - Sei lá, talvez não tenha mais condições de viver aquela vida novamente. Olha para meu corpo e veja quantas cicatrizes, só não morri porque São Jorge livrou a minha cara muitas vezes. Sabemos disso.


 (Continua)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Pessoas e Amigos

Existem pessoas que caminham ao nosso lado, mas não fazem diferença. Nossas vitórias não lhe alegram e nossos problemas não lhe afetam. Essas ficam pelo caminho e eu nem lembro os seus nomes.
Existem pessoas que caminham ao nosso lado apenas para usar o que temos de melhor. Pode ser algum bem material, ou simplesmente os nossos talentos. Essas pensando que usam, são usadas e descartadas ao longo do caminho, seus nomes quando lembrados são motivos de ironia.
Existem pessoas que só estão ao nosso lado nos momentos ruins. Sempre aparecem para nos censurar, dizer “eu avisei” e demonstrar o quanto erramos. Essas eu mantenho afastadas, suas opiniões não me interessam e seus nomes me dão sempre força para continuar a seguir em frente.
Existem pessoas que só caminham com a gente nos momentos de alegrias, geralmente são os primeiros que nos chamam para sair. Mais se você passa um momento difícil elas desaparecem. Seus nomes servem apenas para momentos alegres e não tem importância.
Existem pessoas que não caminham conosco mais tentam nos acompanhar. Ou nos julgam pelo que são ou nos bajulam, essas eu ignoro e seus nomes me irritam.
Existem pessoas que o caminhante encontra no meio do percurso e naturalmente começam a caminhar junta. Essas são verdadeiras e bonitas de alma. Ao longo do caminho ganham respeito, por pequenos gestos ou atitudes corretas.
Mesmo percebendo nossos defeitos não se importam e sempre estão visando nosso bem. Das mesmas forma que estão juntas nos momentos alegres sempre se dispõe a ajudar nos momentos difíceis. Seus nomes estão sempre comigo e recebem adjetivo de amigos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Amigos Para Sempre.

      - Não me olha assim. Vai ser melhor para nós dois a separação, entenda, por favor. Eu não quero isso, não estou fazendo com felicidade em meu coração, mas é necessário. Fica bem, ta bom?
     - Não torna as coisas mais difíceis para mim, por favor. Para com esse carinho, porque você não pode simplesmente aceitar que a gente está se separando? A nossa vida não é mais a mesma, as dificuldades estão enormes e não está dando para ficarmos juntos, não percebe isso? Não torne mais difícil a situação, logo você vai encontrar alguém que te ame igual eu te amo você vai ver só. E tenho certeza que depois de alguns anos você nem lembrará da gente. 

    - Eu vou embora. Já está quase amanhecendo e logo alguém chega ao abrigo e vou ter que explicar porque estou te deixando. Não quero isso, ser julgado pelos meus atos por pessoas estranhas, já basta minha consciência. Aqui você vai ter comida, cuidados, algo que eu não posso te dá. Estará muito melhor do que comigo sem termos como saber qual será o dia de amanhã.   
    Deixou o cãozinho preso em uma coleira no portão de um abrigo para animais, uma dessas ONG que cuidam de bichos abandonados na rua. Depois de tantos anos iria deixar seu amigo para trás por amor, pois pensava ser o melhor a fazer. Não tinha emprego, despejado por não pagar o aluguel, hoje podia almoçar e jantar, amanhã nem essa certeza tinha. Como poderia cuidar de um cachorro se perguntou. Não iria simplesmente abandoná-lo a própria sorte e por isso decidiu largá-lo ali onde tinha certeza que as pessoas iriam dá guarida a mais um bicho abandonado pelo dono.
   Foi caminhando pela rua e olhou para trás uma última vez para se certificar que seu companheiro estava bem. O cão simplesmente o olhava, em seus olhos uma mistura de incredulidade e não entendimento de ver seu amigo de tanto tempo indo embora sem ele, largando-o naquele lugar estranho desfazendo a dupla que estavam juntas há tantos anos. Não forçava a corrente tentando se soltar e nem esboçava outra reação, apenas olhava com olhos fixos, talvez tentando entender toda a situação onde seu melhor amigo partia e o deixava para trás.
   Os olhos se encontraram e ficaram parados um no outro por vários minutos e então o homem retornou enquanto o cão abanava o rabo alegremente. Entre lambidas, abraço e lágrimas a corrente foi retirada do portão e os dois saíram caminhando um ao lado do outro enquanto o dia amanhecia na cidade.
   Não sabia o que o futuro tinha reservado e por quanto tempo as dificuldades seriam tão graves. Tinham um ao outro e a vida seria melhor simplesmente por isso.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Amizade

O Caminho                                 

Existem pessoas que caminham ao nosso lado, mas não fazem diferença. Nossas vitórias não lhe alegram e nossos problemas não lhe afetam.
Essas pessoas ficam pelo caminho e eu nem lembro os seus nomes.
Existem pessoas que caminham ao nosso lado apenas para usar o que temos de melhor. Pode ser algum bem material, ou simplesmente os nossos talentos.
Essas pessoas pensando que usam, são usadas e descartadas ao longo do caminho, seus nomes quando lembrados são motivos de ironia.
Existem pessoas que só estão ao nosso lado nos momentos ruins. Sempre aparecem para nos censurar, dizer “eu avisei” e demonstrar o quanto erramos.
Essas pessoas eu mantenho afastadas, suas opiniões não me interessam e seus nomes me dão sempre força para continuar a seguir em frente.
Existem pessoas que só caminham com a gente nos momentos de alegrias, geralmente são os primeiros que nos chamam para sair. Mais se você passa um momento difícil elas desaparecem.
seus nomes servem apenas para momentos alegres e não tem importância.
Existem pessoas que não caminham conosco mais tentam nos acompanhar.
Ou nos julgam pelo que são ou nos bajulam, essas eu ignoro e seus nomes me irritam.
Existem pessoas que o caminhante encontra no meio do percurso e naturalmente começam a caminhar junta.
Essas pessoas como nossos amigos, verdadeiras e de alma bonita. Ao longo do caminho ganham respeito, por pequenos gestos ou atitudes corretas.
Mesmo percebendo nossos defeitos não se importam e sempre estão visando nosso bem. Da mesma formas que estão juntas nos momentos alegres sempre se dispõe a ajudar nos momentos difíceis. Por isso seu nome está sempre comigo, seja na forma de uma foto, uma lembrança, um momento, encontros virtuais, um telefonema. 
Esses que nos ofertam sua amizade devemos sentir orgulho de te-los ao nosso lado, alegria e certeza que por mais que a vida seja difícil, Deus sempre vai colocar pessoas especiais iguais  a essas em nosso caminho.
Obrigado por serem meus amigos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Amigos (III)

- Proxima parada é a nossa cidade

- É verdade. Finalmente chegamos. Logo estamos em casa.

- Eu deveria estar feliz por isso...

- Rs, eu não tenho o menor motivo para estar. Não tenho ninguém me esperando, volto por não ter opção. 

-  Hoje é você que está resmungão. Depois fala de mim. Ânimo, homem. A gente vai recomeçar novamente, estamos vivos e podemos lutar de novo.

- Lutar. Como eu queria outra guerra vitoriosa. Essa última derrota doeu demais, perdemos tantos amigos por nada.

- Não devemos nos lamentar, tudo na vida tem uma razão, lembra do padre falando (sorriso) ? Realmente a nossa volta não está sendo alegre mas não quero me lamentar mais. O que passou ficou para trás.

- Você está certo. Que venha uma paz indesejada para logo voltarmos aos campos de batalhas.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Amigos (II)

- Jão, está dormindo?


- Não, você não cala a porra da boca. Como vou conseguir.


- Rss, não coloque a culpa em mim pela sua insônia. Toda noite você fica sem dormir maior tempão. Pensa que eu não percebo?


- É verdade. Esses últimos acontecimentos tiraram o meu sono. Fala aí, o que você quer?


- Acredita em outra encarnação, outra vida, essas paradas?

- Hã? Porque a pergunta?


- Ah cara, sei lá. Estou com isso na cabeça. Já ouvi falar que a gente morre e volta em outra vida em bichos ou gente. Acho que é essa parada, nem entendo de religião, você sabe. Aí fico imaginando como será isso, como eu voltar se posso escolher.


- Já escutei falar sobre isso, mas não sei te dizer. Nunca pensei sobre isso, vivo o presente e foda-se o resto. Se tiver outra vida que seja melhor, essa está ruim de aturar, essa última derrota foi dolorida demais.

- Eu queria voltar em um país sem guerras, comigo sem precisar pegar em armas frequentemente. Cansado de lutar, de perder amigos, de sempre está preparado para o pior em qualquer situação.

- Mas você não precisa de outra vida para isso. Basta não se alistar mais. Quando tiver a próxima guerra você não vai, viva sua vida de paz igual muitos fazem, dando milho aos pombos em uma praça tranqüila. Como diz o escritor, vivendo a vida como se fosse uma eterna tarde de domingo.

- Sei, até parece. Sabe o que vamos fazer? Chegar à nossa cidade, curar as feridas e com o passar do tempo esperar uma nova batalha para irmos tentar mais uma vez a vitória. É sempre assim, a gente não aprende.


- A gente quem cara pálida? Eu aprendo sim e muito. Quem se meteu nessa roubada foi você esqueceu? Eu te acompanhei por amizade, mas essa foi à última vez juro por Deus. Erros de agora em diante somente novos, velhos não rolam. Era evidente que a gente deveria ter pulado fora antes, não ter insistido tanto tempo. Mas fizemos isso? Não, ficamos achando que ia ocorrer um milagre e iríamos ver a situação resolvida. Deu nisso...


- Vai começar os resmungos. Nem sei para que fui conversar com você. Já conversamos sobre isso. Tentamos, se a gente tivesse saído antes estaríamos lamentando não ter permanecido até o limite. Não fomos covardes, ora.


- Então fica combinado que chega de velhos erros. Se voltar para o campo de batalha será por uma causa nova, outros motivos. Dá murro em ponta de faca machuca demais.


- Você acredita mesmo nisso? Que não vamos errar da mesma forma em algumas ocasiões? Rs.


- Quero acreditar. Preciso Acreditar.


- Estamos reclamando aqui da vida e tal, mas sabemos que logo estaremos de novo na pista. Não adianta, não nascemos para a tranqüilidade que a aceitação ou acomodação proporciona. Gente igual a nós não aceitamos, lutamos para mudar, então se tivermos que errar novamente vamos errar. Foda-se, só se vive uma vez até me provarem o contrário.

- É verdade, somos assim. Se os erros vierem que sejam a nosso favor ou não nos prejudique tanto.

- É isso. Vamos começar errar a nosso favor. Chega de nos fuder enquanto os outros ficam bem.


- Agora deixa eu dormir, porra. Quando quiser filosofar faça isso de dia.


- Hahaha. Já é.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Amigos

- Eu te avisei. Era evidente que ia dar errado.

- Você veio até aqui só para me dizer isso?

- Não, para te ajudar.

- Ah tá. Obrigado. Por alguns instantes eu pensei que iria  aturar seus resmungos nesse longo caminho de volta.  

- E quem te disse que eu não vou resmungar? Porra, estava na cara, não ia dá certo como não deu. Para que insistir em algo errado?

- Insisti porque tinha esperança de no final dar tudo certo. Não deu. Fazer o que, nunca errou? Arrisquei e me dei mal como ocorre com todo mundo. Até com quem não arrisca, não te ensinaram isso na escola da vida? Até quem nunca se arrisca está se dando mal.

-  Eu sei disso, mas existem erros e erros, irmão. Esse poderia ser evitado.

- Foda-se que poderia. A vida não é feita de acertos, de decisões pensadas, sendo uma ciência exata. Ao menos a minha não é, nunca foi. Poderia ter evitado essa situação mas e daí, estaria feliz hoje em um lugar melhor? Talvez sim, talvez não. Fiz o que meu coração mandava, sabia dos riscos e fui em frente. Estou pagando o preço, caro demais é verdade, mas segui em frente e faria de novo tudo igual

- Já é. Seguiu em frente fudendo com todo mundo que gostava de você né.

- Eu não acredito nisso. Você está mais preocupado com você? É isso? 

- Se eu estivesse preocupado somente comigo, não estaria aqui. O último lugar que eu queria estar era esse.

- Você reclama mas gosta daqui igual eu gosto.  Você pode negar para quem for, mas no sue íntimo desejava tanto quanto eu o sucesso por aqui. Fazer o que, as coisas deram erradas. Não tivemos sorte dessa vez.

- E desde quando tivemos sorte quando nos metemos nessas roubadas, elas sempre terminam iguais. Só não digo ser essa  a última vez porque eu falei isso antes e você me convenceu que dessa vez era diferente, tudo ia dar certo e aquela conversa de sempre. O resultado final é esse, a gente arrasado, com o rabo entre as pernas.

- Não seja resmungão, vai. Realmente não estamos bens, já estivemos em situações melhores. Mas vivemos cara, vivemos. Se amanhã você morrer, na outra encarnação seu espírito voltará mais experiente e...

- Primeiro vai se fuder com esse papo religioso. Segundo vai bancar o 171 com esses papos tortos na casa do caralho e terceiro eu vou começar a andar e se você me seguir é bom que seja calado, ok?

- Você não era assim. Isso é a idade ou falta de mulher. Só pode.

- Foda-se. 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Seguindo

  Parou o carro no acostamento e esperou o homem entrar. Sorriso irônico no rosto com aquele jeito debochado de ser saudou o passageiro com um palavrão e a ordem para entrar rápido no automóvel. Recebeu como resposta um "vai se fuder" acompanhado de uma sonora gargalhada.
   Riram como riem os amigos quando se encontram e o carro saiu em alta velocidade pela estrada.

- Para onde vamos?

- Sei lá. Pensei que soubesse, caralho.

- Há muito tempo não sei para onde vou só sigo em frente.

- Siga então e pare onde tiver mulher e bebida farta.

 A velocidade do carro aumenta, o som do carro fica mais alto enquanto seguem em frente sabendo apenas qual o motivo para parar em algum lugar sem ter idéia para onde vão. Não se importam com isso, aprenderam a viver apenas o hoje, o momento sem pensar no futuro. Hoje em um lugar, amanhã em outro, indo adiante sem olhar para trás.