Estavam sentados em um banco de praça e quem visse a cena não imaginaria que eram dois mercenários soldados de muitas guerras, lutando unicamente por dinheiro e algumas vezes por ideologia embora não gostassem de admitir. Nas ocasiões que lutaram por um pensamento se recusaram á ser pagos pelos serviços prestados e nunca aceitaram qualquer tipo de homenagem ou benefício próprio.
Eram soldados anônimos e faziam questão de permanecer assim, por segurança e também por garantirem a liberdade de ir e parar onde e quando quiser sem precisar se preocupar com ninguém. A última batalha deles juntos tinha sido sangrenta, um deles ferido gravemente resolveu se recuperar na cidade natal onde tinham nascidos e saído para o mundo, prometendo voltar logo para novas aventuras.
O tempo passou, semanas viraram meses e anos, um dia seu velho companheiro apareceu de surpresa.
Agora estavam sentados ali, como duas pessoas comuns, olhando o sol se por no horizonte e conversando:
- Detesto esse lugar, putz. Graças a Deus estou indo embora.
- E porque veio? (sorriso).
- Vim te buscar. Porque foi? Olhar para seus belos olhos e ir embora? Cada uma.
- Hahaha. Quando saiu daqui disse que não voltava mais. Ou estou enganado?
- Disse, e continuaria sem voltar se você não tivesse a infeliz idéia de ficar parado aqui. Com tanta cidade para se estabelecer tinha que ficar nessa merda. Olha isso, nada mudou. Continua do mesmo jeito de quando fomos embora há tanto tempo atrás.
- Não seja resmungão. Sempre fui bem acolhido aqui, não há motivos para eu reclamar.
- Você não tem. Eu tenho e muito. Detesto ficar parado, sem novidades. Quando se sentiu vivo pela última vez? Sentiu o sangue quente, a adrenalina no corpo, aquela sensação de medo?
- Faz tempo...
- Pois é. E gosta disso? De ficar vendo um dia após o outro passar como se fossem todos iguais? Quando retornou para cá da última vez foi para curar seus ferimentos. Mudou o pensamento porque?
- Sei lá, talvez não tenha mais condições de viver aquela vida novamente. Olha para meu corpo e veja quantas cicatrizes, só não morri porque São Jorge livrou a minha cara muitas vezes. Sabemos disso.
(Continua)
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