sábado, 7 de janeiro de 2012

Ah Se Todos Fossem Torcedores de Futebol.

 Começo a escrever esse texto e peço ao leitor para não me entender errado e achar que estou legitimando aquela velha crítica a quem ama um time, faz dele a sua paixão e por isso sempre está disposto a lutar pela proteção dos interesses dele. Se o fizesse seria hipócrita, pois sou um deles e sempre encontro argumentos para discordar quando alguém tira essa teoria daquele “saco” chamado senso comum.
Também não é uma forma de dizer que no Brasil o “povo só se preocupa quando o assunto é futebol”, pois depois de tantos anos bem sei que muitos nem com isso se preocupam, preferindo apenas torcer no final de semana e ignorar os problemas como corrupção e má gestão.
Pretendo mostrar como o comportamento de uma pequena parte da sociedade brasileira, nesse caso específico, torcedores dos times cariocas, dispostos a defender os interesses dos seus times e como seria benéfico para o Brasil se esse comportamento fosse adotado por outros (torcedores ou não) quando o assunto fosse importante para o país.
 No Rio de Janeiro os quatros principais times de futebol são patrocinados por uma marca de cerveja famosa e essa empresa costuma fazer ações junto aos torcedores para expor sua marca associada ao time de coração de cada um. No final desse ano, depois de uma expectativa criada, foi anunciada uma ação onde o consumo de cervejas geraria aos times uma considerável soma em dinheiro para investimentos estruturais.
  Apesar dos clubes falidos e com sérias dificuldades para investir, tornando a ação uma belíssima oportunidade de ganhos,  a receptividade não foi tão boa conforme (pensou eu) o marketing da empresa esperava. Os torcedores iniciaram uma série de reclamações e exigências pedindo um aumento do valor e outras melhoras na promoção.
 Lançada no domingo de natal conforme anunciada exaustivamente,  já no final da tarde tinha sido mudada na tentativa de atender as exigências, mas, as críticas foram maiores por beneficiar mais o time de maior torcida (flamengo) e isso é claro não ser aceito por quem torce pelos outros três grandes. Mais uma vez as críticas foram fortes na página da rede social com muitos externando ali a sua irritação com o fato, o que levou a uma terceira mudança com um aumento do valor, mudanças beneficiando a todos e enfim uma campanha com uma boa aceitação.
Já foi escrito algumas vezes nesse blog sobre a relação do brasileiro com o futebol e o mito sobre a importância dele no cotidiano desses, por isso não pretendo me repetir e sim ver a situação de um outro ponto de vista. Sendo os torcedores capazes de se mobilizar e fazer uma respeitada marca mudar sua campanha três vezes (duas delas em um dia) para agradar o seu público como seria se a maioria dos brasileiros agisse igual a esses torcedores quando o assunto fosse interesse do estado?
Você deve está pensando nesse momento, como seria bom se os que brigaram e fizeram seu time ganhar mais dinheiro também brigassem por causas importantes do nosso país e eu concordo, mas, chamo a atenção para o fato (já falado nesse blog) do torcedor de futebol não ser nem metade da nossa população, então mesmo eles se mobilizando não podemos comparar com a maioria do povo se manifestando por uma causa justa mostrando a sua indignação.
Por diversas vezes já vi a gente se mobilizar por algum motivo e nesses momentos a união sempre deu resultados,  parciais e definitivos, mas, sempre em situações extremas com fatores capazes de causar uma grande comoção e unir a maioria em um pensamento único naquele momento. Não é algo constante, a manifestação de pesar não é duradoura e isso quando não ocorre o pior, nos acostumamos com a situação e usamos aquela frase “Brasil é assim mesmo. Tem jeito não”.  
A minha conclusão é que todos nós deveríamos agir como torcedor de futebol fanático, daqueles  sempre dispostos a defender o seu time contra tudo e todos quando fosse o Brasil. Seria muito bom se todos nós tivéssemos um pouco de torcedores de futebol em relação ao nosso país, quem sabe esse Brasil de Deus estaria muito melhor.

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