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segunda-feira, 15 de julho de 2024

Esperança

        A festinha de formatura transcorria como sempre. Mães e pais empolgados, flashes, a criançada com suas pequenas becas indo até o palco pegar seus diplomas. Havia risadas, abraços e uma sensação de realização no ar.

         Ao fundo, uma idosa prestava atenção a tudo. Suas feições inexpressivas escondiam o turbilhão na sua alma. Seu netinho estava entrando na adolescência e ela havia conseguido viver para ver isso. Em meio às comemorações, sua mente viajava pelo tempo, relembrando os momentos que a haviam levado até ali.

           Dois casamentos, dois lutos, duas dores. A vida nunca fora fácil para ela. O primeiro casamento, ainda na juventude, trouxe felicidade e a bênção de um filho. Mas a guerra levou seu marido, deixando-a viúva e com um bebê para criar. Tempos difíceis se seguiram, mas ela encontrou forças para seguir em frente, casando-se novamente anos depois. Seu segundo marido trouxe estabilidade, mas a paz foi breve. Outra guerra, outro luto. O segundo marido também foi levado pela crueldade dos conflitos.

          Seu filho, seguindo o caminho do pai e do padrasto, alistou-se quando fez dezoito anos. Era uma guerra longa e dolorosa. Ela esperou com fé o retorno do seu filho, mas ele voltou gravemente ferido, com notícias desesperadoras. Os médicos disseram que ele não teria muito tempo, mas ele provou ser mais forte do que esperavam, lutando por cada dia. Ainda assim, as noites foram preenchidas por suas lágrimas amargas, enquanto a realidade cruel se impunha.

         Hoje, vendo seu netinho com a beca, ela sentia uma mistura de dor e orgulho. Dor pelas lembranças dos entes queridos que a guerra tirou dela, e orgulho por ter conseguido criar e sustentar sua família, mesmo em meio a tanta adversidade. Seu netinho era a prova viva de sua resiliência e amor inabalável.

        A formatura continuava, mas para ela, cada sorriso e cada flash de câmera eram um tributo à sua luta e à memória daqueles que ela havia perdido. Com o coração pesado, mas grato, ela enxugou uma lágrima solitária que escapou, permitindo-se um pequeno sorriso de esperança. Afinal, apesar de tudo, a vida seguia em frente, e ela estava lá para testemunhar um novo começo.

        Seu filho tinha sobrevivido apesar das probabilidades e tomado uma boa mulher como esposa. A depressão pós-guerra tinha sido forte para ele. A cada guerra, ele se sentia um inútil por não poder seguir o mesmo caminho dos homens da família. Isso também era passado, felizmente. O bebê cresceu, se tornou um menino genioso, igual ao pai e ao avô, pensou sorrindo. "Deve ser genético", sussurrou para si mesma.

      Ainda não tinha falado disso, mas temia que o neto também se tornasse soldado. Mas o menino era de outra geração, com outros valores. Era das artes, o pequeno. Gostava de pintar e sabia que ele seria um artista de sucesso, longe das armas.

     Enquanto observava seu neto no palco, a avó sentiu uma onda de alívio. Talvez, finalmente, a maldição da guerra que assombrava sua família tivesse chegado ao fim. Ela fechou os olhos por um momento, agradecendo silenciosamente por essa nova esperança. Quando os abriu novamente, viu seu netinho sorrindo para ela, o diploma nas mãos e um brilho de felicidade nos olhos. E, pela primeira vez em muitos anos, ela sentiu que o futuro era promissor.

sábado, 17 de novembro de 2012

Espera

   Ela esperou como faz todos os anos, sabia que não viria, mas mesmo assim esperava com uma esperança que se recusa a morrer.
   O dia foi passando e ficou olhando pela janela, com o telefone na mão, checando os e-mails mesmo sabendo que seu número tinha mudado e que atualmente ninguém usa o Hotmail, e seu endereço não é conhecido por ele. Mesmo assim, esperava, quem sabe um milagre divino, e então escreveria em seu diário como aquela tinha sido a melhor data da sua vida e choraria, explicando o porquê desse pensamento.
    Mas a noite veio, e nada aconteceu. Tudo igual, as crianças na rua, os carros passando com seus motoristas indiferentes, as pessoas preocupadas andando a pé, cachorros vira-latas procurando comida, tudo como sempre. 
   Teve vontade de gritar alto sua angústia, talvez procurar o CVV e conversar com alguém fizesse bem. Ligou o computador e tentou curar a solidão em um chat, mas desistiu quando isso lhe trouxe lembranças tristes.
    Desistiu de esperar depois da meia-noite. Não haveria uma chegada alegre, uma lembrança que lhe fizesse sorrir. Tomou um remédio para dormir, deitou-se e esperou tempos melhores ou menos dolorosos.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Resgate da Esperança

         
         O Contato

   De uns dias para cá, eu sinto constantemente a sua presença, como se ela estivesse perto, por isso fiquei inquieto, esperando notícias, ela chegou através de um mensageiro desconhecido. Dizia ele que a minha esperança tinha sido seqüestrada e se eu quisesse podia resgatá-la de onde estava.

        
      A Descoberta


  Quando soube disso, me dei conta, que o sentido por mim era ocasionado pelo seu retorno, devia está perto com certeza, mas cometeu algum erro e foi seqüestrada por rebeldes. Velha companheira, sempre comigo em todas as situações, não iria deixá-la a própria sorte.

    
     O Resgate


 Minha esperança foi entregue essa noite. Alquebrada, fraca, não traz o vigor de outrora, quase não a reconheci. A recebi com carinho dei um sorriso enquanto lhe dizia palavras reconfortantes.

sábado, 15 de outubro de 2011

Demora

Ficou esperando na janela e viu o dia amanhecer mais uma vez. Nos últimos dias tinha se levantado da cama sem sono e ficava olhando o final da rua até o sol nascer. Então começava a se preparar para mais um dia sem notícias do seu amado. A guerra já tinha acabado os soldados retornavam para suas casas, mas o pai da sua filha não tinha retornado até então. Nos primeiros dias esperou pacientemente, depois tentou obter notícias e frustrada percebeu que não tinham informações do seu paradeiro. Era comum isso ocorrer, soldados sumiam para sempre, alguns escolhiam viver uma nova vida e simplesmente morriam para a vida antiga, outros morriam de verdade e nem seus corpos retornavam e tinha também os prisioneiros, pessoas capturadas pelos inimigos ficando incomunicável até surgir uma oportunidade de serem inseridos em alguma negociação.
Eram os "desaparecidos" e as historias das suas famílias tinha sempre esperas torturantes e tristes para serem contadas. Quantas vezes soube de casos onde mães esperavam até o fim da sua vida o retorno do filho (a) sem querer aceitar a sua morte, algumas pessoas depois de longos anos reapareciam e então se descobria que as lágrimas derramadas não eram merecidas, não tinham morrido e nem estavam presas, apenas tinham decidido não mais retornar.
Acabou de preparar o café e foi acordar sua filha, quando tinha dúvidas se ele realmente a amava lembrava-se que ele não deixaria sua menina sem um pai, disso tinha certeza, se não tinha voltado ainda era porque não podia, quem sabe estava morto. Pensando isso, chorou a que ponto tinha chegado, o preferia morto a se sentir abandonada, seus pensamentos estavam confusos. Não, ele iria voltar assim que pudesse, tinha prometido antes de ir que voltaria e gostava de dizer com aquele sorriso irônico que suas promessas sempre eram cumpridas, não seria dessa vez a falhar.
A menina tomou seu banho e foi para a mesa fazer a primeira refeição do dia sendo olhada pela mãe. Era linda como o pai, pensou, e tinha as mesmas manias. O jeito de olhar, a personalidade forte e aquele maldito sorriso que a tinha conquistado alguns anos antes. Como adorava e odiava aquele jeito de sorrir,  enigmático e irônico, a irritava e ao mesmo tempo apaixonava sempre. O jeito desafiador era outra herança paterna, pensou sorrindo enquanto fazia os últimos preparativos para sair para mais um dia de espera, esperança e fé. Um dia ele iria voltar, sempre cumpria suas promessas.