sábado, 17 de novembro de 2012

Espera

   Ela esperou como faz todos os anos, sabia que não viria, mas mesmo assim esperava com uma esperança que se recusa a morrer.
   O dia foi passando e ficou olhando pela janela, com o telefone na mão, checando os e-mails mesmo sabendo que seu número tinha mudado e que atualmente ninguém usa o Hotmail, e seu endereço não é conhecido por ele. Mesmo assim, esperava, quem sabe um milagre divino, e então escreveria em seu diário como aquela tinha sido a melhor data da sua vida e choraria, explicando o porquê desse pensamento.
    Mas a noite veio, e nada aconteceu. Tudo igual, as crianças na rua, os carros passando com seus motoristas indiferentes, as pessoas preocupadas andando a pé, cachorros vira-latas procurando comida, tudo como sempre. 
   Teve vontade de gritar alto sua angústia, talvez procurar o CVV e conversar com alguém fizesse bem. Ligou o computador e tentou curar a solidão em um chat, mas desistiu quando isso lhe trouxe lembranças tristes.
    Desistiu de esperar depois da meia-noite. Não haveria uma chegada alegre, uma lembrança que lhe fizesse sorrir. Tomou um remédio para dormir, deitou-se e esperou tempos melhores ou menos dolorosos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário