segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Casamento Gay
domingo, 10 de agosto de 2014
Aprendi Com Meu Pai
Responder com “hum” a perguntas que eu não quero responder.
Saltar no ponto errado, me perder nos caminhos ou lugares.
Não pedir informação quando estou perdido.
Que se pode ser duro e o coração vulnerável.
Ser grosso sem perder a ternura.
Homem chora.
Nunca admitir que está chorando.
Colocar a culpa na minha mãe quando evidentemente foi eu que errei.
Esquecer onde eu coloquei algo e dizer que tiraram de onde estava.
Falar com alguém olhando para o lado oposto que esse alguém está.
Autismo voluntário.
Ter calma.
Ter calma em momentos tensos.
Não importa quem seja aqui em casa deve ser bem tratado.
Gostar de política.
Assistir o jornal nacional e jornais locais.
Manter a palavra dada.
Ser honesto.
Assumir responsabilidades.
domingo, 20 de abril de 2014
Saudades (Carla III)
- Já sim, mas...
domingo, 11 de agosto de 2013
Pai
Eram pequenos cadernos com páginas datilografadas. Cada um dos cadernos tinha um ano na capa, e lá dentro estavam algumas datas com anotações. Um diário, pensou, não aquele que sempre vem à mente quando citamos um. Não era escrito à mão; parecia ter sido digitado em um computador e não parecia ser organizado. Misturavam-se ali coisas pessoais com acontecimentos no mundo e no seu país. Em uma mesma data, tinha algo pessoal escrito junto com outro fato totalmente diferente. Dava para entender, é claro, mas isso o distanciava da imagem que ela tinha de um diário.
Ficou folheando alguns anos, leu mágoas e alegrias, descobriu como ele havia se sentido diante de alguns acontecimentos, sorriu. Era como se fosse um Forrest Gump contando a história a partir daquelas páginas, e percebeu que os anos se sucediam até o dia da sua morte. Inconscientemente procurou o ano da sua chegada ali. Tinha a esperança de ser citada e um medo de descobrir o que não queria. Se quisesse que ela visse, tinha avisado antes de morrer sobre a existência dos cadernos. Parecia estar cometendo uma invasão de privacidade, mas não ia desistir pelo meio. Era curiosa e agora ia até o final.
Achou o ano e, trêmula, começou a leitura. Já não lembrava o mês que tinha chegado, por isso ficou lendo data por data até encontrar. Uma nota fria informava que tinha decidido dar guarida a uma menina que, morando em um orfanato, tinha suas chances de ser adotada reduzidas. Era um texto frio, sem emoção. Entristeceu-se, mas não se surpreendeu. O escrito era exatamente como o escritor vivia a vida, sem mostrar muitos sentimentos, uma pessoa dura.
Ia desistir. Para que reabrir velhas feridas? Aquilo ali tinha sido largado para ser esquecido. O lugar adequado dele realmente era aquele baú velho sem ninguém abrir. Teimosamente, pegou outro ano aleatoriamente e, se recriminando por isso, começou a leitura. Era o ano do seu primeiro namorado, e ele escrevia que tinha sentido ciúmes, mas o garoto parecia ser legal. Sorriu, mal se lembrava desse namorico. Não tinha durado muito, e ele tinha dado tanta importância que tinha escrito sobre o fim do relacionamento e a preocupação para que não ficasse triste.
O tempo ia passando, os acontecimentos se acumulando, e para cada um que a envolvesse, ele dedicava algo. Ali, descobriu que ele chorou no banheiro, escondido, quando ela se formou, e para não deixar que percebessem, lavou o rosto e se controlou quando foi lhe dar um beijo. Quando foi para a mesa de operação por causa de uma apendicite, o velho, duro na queda, fez promessas ao seu santo de devoção. Logo ele, que dizia não acreditar em religiões e achava que aqueles santos eram só para decorar a casa.
No seu último ano, relatou estar doente. Dia após dia, foi se despedindo da vida. Na última anotação, agradeceu pela filha que Deus tinha dado e por estar indo antes dela. Filha, ele a considerava como tal. Ali, naquele lugar onde não precisava se esconder de ninguém, deixava seus sentimentos à mostra. Ele considerava-se seu pai. Chorou, molhando as páginas, e se arrependeu de quantas vezes duvidou do sentimento paterno dele e não considerou a hipótese de morar naquela casa por uma circunstância qualquer que não fosse o amor nutrido por ele. Agora, tinha certeza. Tinha sido sempre a filha dele, a moleca que, como ele escreveu, o fez feliz até o último dia
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Aniversário (II)
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Esperando Alguém
Um dia, você volta; essa é minha esperança, e por isso fico aqui olhando o horizonte por muitos minutos. Não foi minha culpa a sua partida, e nem isso alivia a tristeza, só me consola. Por onde você anda, o que faz, suas risadas ainda são constantes. Quanta falta você me faz. Às vezes, preciso conversar com você sobre nossos assuntos preferidos, contar minhas novidades; como era bom fazer isso.
Eu agora virei religioso, por sua causa, e quando te contar, aposto que dará aquele sorriso irônico, me chamando de ateu de meia tigela, e eu o culparei pela minha conversão, rindo com o meu jeito debochado de ser. Deus não vai gostar nada disso, aposto. Correremos risco de ser castigados por não levar a sério o sagrado, mas ele vai entender. Afinal, sempre estivemos na vida errada, ficando do lado certo.
Até indo à igreja rezar, estou. Olha o que você apronta, seu canalha. Me ajoelho diante de São Jorge e peço a ele para me auxiliar; ele foi um guerreiro como você é, meu pai, e por isso tenho certeza da sua atenção. Às vezes, choro naquela igreja e me culpo por não ter sua coragem. Se tivesse, esperaria sua volta sem aborrecer ninguém com minhas lamúrias, nem mesmo o santo guerreiro.
Esses meses sem te ver são intermináveis, se transformaram em anos, já nem sei quantos. Um ano, dois anos, não me lembro, não quero lembrar a data da sua partida e sim a da sua chegada.
O Maracanã está fechado, sabia? Reforma para a copa. O Rio de Janeiro está em paz, algo raro nos últimos anos. Nunca mais retornei à praia da Urca; não quero voltar lá sem sua presença. O seu bar preferido continua aberto. Quando passo lá, tenho que dar notícias suas ao dono. Seus livros continuam na estante; não deixo ninguém mexer. Esperam seu retorno, de terras estrangeiras, para a sua casa.