Mostrando postagens com marcador Reencontro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reencontro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Encontros Inevitáveis

- Senhor, desculpa te incomodar, mas me pediram para te fazer uma pergunta.
- Fique a vontade, faça.
- Aquela pessoa sentada na cadeira ao lado da porta. Está vendo?
- Sim.
- Pediu para perguntar se você ainda lembra-se dela.
- Lembro.

- Senhor, sei que estou incomodando.
- Pois não.
- Eu fui lá e dei sua resposta, mas ela hesita em acreditar na sua resposta.
- Diga-lhe que eu tenho um pequeno baú onde guardo lembranças. Nele tem uma pequena medalha de nossa senhora. De prata. Benzida.
- Eu direi sim.
- Diga-lhe também que eu continuo o mesmo, ela não precisa se preocupar.


Ficaram a distância e não se falaram evitando que seus acompanhantes percebessem que eram conhecidos. Lágrimas foram secadas furtivamente. Era necessário manter as aparências e evitar perguntas inconvenientes.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Reencontro


   Noite mal dormida, aquelas que você fica acordado durante horas ou dorme e seus sonhos lhe atormentam. Aconteceu à primeira opção e o dia foi amanhecendo enquanto esperava a cidade acordar para ir ao encontro dela.
   Porque reapareceu? Tanto tempo depois o que tinha para falar com ele? Eram tantas perguntas, tantos sentimentos se confundindo, que só de pensar sentia certo mal estar.
  Olhou pela janela e ao menos o Cristo Redentor continuava com seus braços abertos, pensou sorrindo, enquanto ele estiver lá em cima cariocas são protegidos de alguma forma.
 Foi o que lhe disseram quando desembarcou na rodoviária há vinte anos querendo ter tudo o que sonhava, pensando ser esperto o suficiente para essa cidade. Tempos depois descobriu o quanto a selva de pedra é cruel. “Viver no Rio não é para os fracos” lhe disseram em uma favela qualquer, “se você ama a cidade então é carioca falou alguém”, “a cidade te adota” disse outra pessoa em um bar na Lapa foram lições dadas como tantas outras que aprendeu do jeito bom ou ruim. Hoje em dia entendia a cidade e seus habitantes, já não era um forasteiro passando um tempo para retornar ao seu lugar, aqui era onde desejava ficar, apesar de algumas coisas ruins, lembranças esquecíveis como a que tinha resolvido se tornar atual com o telefonema de ontem.
  Sim, gostaria de esquecer apesar de ter sido os momentos mais bonitos de sua vida onde com certeza tinha sido muito feliz por alguns anos, a forma dela agir quando terminou a relação o fez pensar assim e por isso riscou da sua vida de todas as formas possíveis a sua presença sem nunca pensar em voltar até ontem, o telefonema, a voz que não reconheceu se identificando, sua surpresa e a pergunta:
  - Pode me ver amanhã na praia de Copacabana?
  Poderia não aceitar, o que iriam falar, não tinham deixado nada em aberto, tudo havia sido decidido com palavras ou atitudes, mas confirmou o encontro querendo enganar-se quanto ao motivo: Queria vê mais uma vez.
  Sai pela rua, o sol já está quente, quem é carioca sabe, o dia terá aquele calor intenso, caminha para a estação do metrô tendo mil pensamentos todos com ela sendo o motivo principal, naquele horário os vagões já não estão cheios como na hora do rush, pode sentar calmamente e vai ao seu destino tentando controlar seu coração. Chega ao calçadão da Avenida Atlântica, procura o número do posto onde marcou o encontro e a reconhece facilmente, não mudou nada, pensa, por fora não demonstra o que sente por dentro, a cumprimenta e vão conversar como se fossem dois conhecidos em um encontro agradável.

  Algumas horas depois parte deixando pedidos de desculpa e perdão, é sincero em suas palavras, nunca a esqueceu, mas não vai perdoá-la, deixa-a com algumas lágrimas nos olhos e parte sem olhar para trás, se sente triste, mas não importa a cidade, o tempo não para, é necessário continuar sempre.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Reencontros

-  Você de volta. Não sabia.


 - Olá. Faz uma semana mais ou menos que estou aqui de novo.


- Pensei que iria ficar por lá.


- Morto? (sorriso).


-Claro que não, palhaço.


-  Pensei.


-Como vc está? E as novidades?


- Continuo detestando essas perguntas idiotas. Se esqueceu?


- Não (sorriso) por isso perguntei. Para te irritar. E pelo visto continua o rabugento de sempre.


- Continuo igual mesmo depois de tantos anos.


-  Que bom. Fico feliz em saber. Gostava de você desse jeito.


- Gostava?


- Gosto.


- Quando saí daqui, você tinha vários planos. Aprender a dirigir, aprender italiano, queria viajar para outros países...


- Memória boa.


- Está surpresa?


- Não. Conheço sua memória o suficiente para não me surpreender. Sou fluente em italiano e pretendo viajar para a Italia quando tiver oportunidade. Aprendi a dirigir mas estou sem carro, pois o último foi roubado.


- Que ruim. Eu preciso ir, tenho que ir no mercado.


- Tudo bem. Ainda é fanático por futebol?


- Sou, não mudei nada, lembra. O Fluminense é apaixonante.


- Eu sei... rs


- Sabe?


- Sim, quando partiu, para eu me sentir perto de você comecei a acompanhar o Flu, achava que um dia iria querer saber de jogos que não viu, historia dos bastidores, bobeira minha.


- Mas eu quero saber.


- Sério?


- Sim. Você sabe que eu quero. Que tal me acompanhar as compras e ir me contando?


- Aceito. Maldito seja esse seu encanto.