Noite mal dormida, aquelas que você fica acordado
durante horas ou dorme e seus sonhos lhe atormentam. Aconteceu à primeira opção
e o dia foi amanhecendo enquanto esperava a cidade acordar para ir ao encontro
dela.
Porque reapareceu? Tanto tempo depois o que tinha
para falar com ele? Eram tantas perguntas, tantos sentimentos se confundindo,
que só de pensar sentia certo mal estar.
Olhou pela janela e ao menos o Cristo Redentor
continuava com seus braços abertos, pensou sorrindo, enquanto ele estiver lá em
cima cariocas são protegidos de alguma forma.
Foi o que lhe disseram
quando desembarcou na rodoviária há vinte anos querendo ter tudo o que sonhava,
pensando ser esperto o suficiente para essa cidade. Tempos depois descobriu o quanto
a selva de pedra é cruel. “Viver no Rio não é para os fracos” lhe disseram em
uma favela qualquer, “se você ama a cidade então é carioca falou alguém”, “a
cidade te adota” disse outra pessoa em um bar na Lapa foram lições dadas como
tantas outras que aprendeu do jeito bom ou ruim. Hoje em dia entendia a cidade
e seus habitantes, já não era um forasteiro passando um tempo para retornar ao
seu lugar, aqui era onde desejava ficar, apesar de algumas coisas ruins,
lembranças esquecíveis como a que tinha resolvido se tornar atual com o
telefonema de ontem.
Sim, gostaria de esquecer apesar de ter sido os momentos
mais bonitos de sua vida onde com certeza tinha sido muito feliz por alguns
anos, a forma dela agir quando terminou a relação o fez pensar assim e por isso
riscou da sua vida de todas as formas possíveis a sua presença sem nunca pensar
em voltar até ontem, o telefonema, a voz que não reconheceu se identificando, sua
surpresa e a pergunta:
- Pode me ver amanhã na praia de Copacabana?
Poderia não aceitar, o que iriam falar, não tinham deixado
nada em aberto, tudo havia sido decidido com palavras ou atitudes, mas
confirmou o encontro querendo enganar-se quanto ao motivo: Queria vê mais uma
vez.
Sai pela rua, o sol já está quente, quem é carioca sabe, o
dia terá aquele calor intenso, caminha para a estação do metrô tendo mil
pensamentos todos com ela sendo o motivo principal, naquele horário os vagões
já não estão cheios como na hora do rush, pode sentar calmamente e vai ao seu
destino tentando controlar seu coração. Chega ao calçadão da Avenida Atlântica,
procura o número do posto onde marcou o encontro e a reconhece facilmente, não
mudou nada, pensa, por fora não demonstra o que sente por dentro, a cumprimenta
e vão conversar como se fossem dois conhecidos em um encontro agradável.
Algumas horas depois parte deixando pedidos de desculpa e
perdão, é sincero em suas palavras, nunca a esqueceu, mas não vai perdoá-la,
deixa-a com algumas lágrimas nos olhos e parte sem olhar para trás, se sente
triste, mas não importa a cidade, o tempo não para, é necessário continuar
sempre.
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