Meu exemplo na defesa dos direitos humanos, ativista político e catolicismo. Uma das pessoas que me ensinou a me inconformar sem largar minha fé. Um dos que teve a sensibilidade de compreender o catolicismo popular e proteger a devoção a São Jorge.
Vai em paz Dom Paulo Evaristo. Vai pra luz encontrar o pai. Vão me perguntar porque eu choro se fostes pra vida eterna e estamos aqui de passagem. As lágrimas são pelos que ficam e não terão nunca a sua dignidade.
Não foi em vão sua luta. Nunca será.
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
sábado, 23 de abril de 2016
Salve, Santo Guerreiro
Não é a homenagem que eu planejei. Não era isso, ou somente isso, que iria postar. Mas você há de entender esse seu cavaleiro. As vezes não é possível fazer o que pretendemos. Agradeço a você por ter me protegido, peço forças para lutar, quero apenas manter minha fé em ti. Salve, Jorge.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Santo Guerreiro
As
vielas da vida eu percorro amparado em sua proteção, nos becos escuros não temo,
pois você me guia, se fraquejo você não me deixa ajoelhar perante o inimigo, se
meu rosto fica no chão é em ti que encontro forças para levantar. Os estampidos
que me causaram medo não me acertaram, pois sua armadura me protegeu sua lança e
sua espada afastam os inimigos e se um deles me fere a cicatriz, marca de
batalha, é em sua homenagem, sua força é minha força, sua luz é minha luz, seu
exército conta comigo, meu agradecimento tem razão de ser. Salve, Jorge, salve,
guerreiro, salve, santo mais popular do RJ.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Salve, Jorge
-
Amor, onde que tem uma encruzilhada?
-
Uma o que??
-
Encruzilhada, eu preciso de uma.
- Enlouqueceu,
só pode ser isso. Para que você precisa de uma encruzilhada, homem de Deus?
-
Hoje é dia de São Jorge.
-
E daí?
- Todo
dia de São Jorge eu acendo velas em uma encruzilhada.
- Não
sabia que você era macumbeiro. Aliás, não sabia nem que você era religioso.
-
Não existe macumba, tem umbanda e candomblé e...
-
Foda-se o politicamente correto entendeu isso que importa.
-
Então, precisamos encontrar um local para acender as velas.
-
Precisamos não. Eu não vou a lugar nenhum a essa hora da madrugada, não conte
comigo.
-
Eu preciso de ajuda. Você segura às velas e eu acendo.
-
Foda-se. Não vou. E se resolve baixar um santo na encruzilhada. Eu heim.
-
Não vai baixar, não somos médiuns, pais de santo ou algo do tipo. Não vai
ocorrer nada.
-
Não vou, não vou e não vou. Porque não faz igual a todo mundo, vai a uma igreja
e acende lá. Ou sei lá, acende na calçada, na pqp, mas me deixa quieta.
-
A promessa é para acender em uma encruzilhada.
-
Que promessa, homem de Deus? Que promessa? Porque eu sempre me irrito com suas
maluquices? Porque não é um homem com aqueles hábitos normais, ir ao bar, ao
futebol, etc.?
-
Meu pai prometeu que se eu ficasse vivo todo dia 23 de abril ia acender uma
vela para são Jorge.
-
Ficasse vivo? Como assim?
-
Teve um assalto lá em casa, o bandido atirou e meu pai desesperado fez essa
promessa.
-
E o tiro te acertou?
-
Milagrosamente pegou de raspão.
-
A promessa era dele. Ele morreu a dívida acabou.
-
Eu estou vivo até hoje, não estou? Quero agradecer a graça alcançada.
-
Não conhecemos nada por aqui. Onde vamos achar uma encruzilhada, cacete?
-
Sei lá. Algum lugar deve ter.
A
lua ainda estava presente no céu quando o casal saiu pela rua de mãos dadas e
maços de vela na mão, procurando por uma encruzilhada. Enquanto ele ia
compenetrado como se cumprisse um ritual, ela não conseguia mais
reclamar. Ele estava vivo, embora não acreditasse em santos, Deus, milagres e
coisas do tipo, tinha vivido para encontrá-la. Se por acaso esse santo
existisse mesmo, merecia dela um obrigado por ter permitido viver essa historia
de amor.
Depois
de muito andar, sem direção, encontraram um lugar adequado para as velas serem
acesas, ele ia acendendo e colocando no chão, de joelhos fazia uma prece para
cada uma. No final, ao acender a última vela os dois murmuraram um “salve,
Jorge”.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Ateu? Não Sei.
- Pai, você acredita em Deus?
A pergunta o pegou de surpresa.
Carla desde que tinha chegado a sua casa tinha algo a perguntar. Natural,
adotada, com oito anos de idade tentava entender quem era aquele adulto que a
tinha buscado no orfanato e dado um lar. Logo deixou de chamá-lo pelo nome para
chamar de pai, o interrogava constantemente e isso não o irritava. Ah se
fosse com qualquer outra pessoa, mas aquela menininha que tinha trazido luz
para sua vida ele achava compreensível à curiosidade. Pousou os talheres sobre
a mesa e começou a ensaiar uma resposta.
- Hum... Acreditava... Não sei
mais... Porque a pergunta?
A menina rapidamente responde.
- O pai da Clara disse que não.
Disse que é uma forma das igrejas tirar dinheiro dos otários. Você acha isso?
Mexeu-se desconfortável na cadeira,
olhou para os lados, e agora? Começava a discorrer sobre o ópio do povo e a corrupção
dos religiosos? Ela era uma criança ainda, melhor não, pretendia que ela lesse
Marx quando tivesse uns doze anos ao menos. Tentou algo mais simples.
- Tem uns que usam Deus e estão
na igreja para enganar os outros. Outros realmente acreditam.
- E como nós sabemos quem faz
isso, pai?
Boa pergunta, pensou. Coçou a
cabeça e mais uma vez procurou uma resposta convincente. Essa historia de
paternidade definitivamente era algo difícil demais:
- Bem, quem acredita em Deus
faz o bem, ajuda as pessoas, então esses não enganam ninguém.
- E quem não acredita, não
ajuda ninguém?
Putz. Eu sabia que ela ia
perguntar isso. Essa pestinha deve está lendo aquelas páginas no feice com
ateus criticando cristãos e vice versa só pode ser. Preciso me lembrar de
vigiá-la melhor quando estiver conectada.
- Não, meu amor. Quem não
acredita ajuda sim. Eu estava falando dos que enganam os outros.
- O pai da Clara falou que são todos otários.
- Acreditar ou não acreditar em
algo não faz alguém ser otário, meu amor.
- Outro dia você falou que só
sendo muito idiota para acreditar no PT, lembra?
Sim, eu lembro. Sim, eu preciso
começar a prestar atenção no que eu falo na sua frente. Quem sabe fique mudo e
não precise perder o meu almoço tentando explicar coisas complicadas. E sim,
acreditar em algumas coisas somente sendo idiota, mas eu não vou lhe dizer isso
agora.
- Eu falei na hora da raiva.
Não são todos otários.
- Só alguns?
Suspirou com ar de paciência e
não se conteve.
- Outros são espertos, mocinha.
Espertos demais.
- São os espertos que enganam?
- Nesse país, a esperteza é sempre
associada à desonestidade. Infelizmente.
- Você ainda não falou se
acredita em Deus ou não.
- Eu acreditava. Hoje em dia eu
não sei mais se acredito.
- Porque não sabe mais?
- Porque não falo mais com ele.
Um dia você vai passar por isso. Temos amigos que com o tempo não nos vemos
mais e deixamos de nos falar. Deus é como se fosse um amigo que sumiu e o tempo
foi passando fazendo com que eu deixasse de acreditar na sua existência.
- Vocês brigaram?
- Eu briguei com ele.
- Por quê?
- Na igreja que eu ia diziam
que ele ia me ajudar. Mas as coisas foram ficando difíceis, eu pedia ajuda e
nada. Um dia eu me revoltei e falei que não acreditava mais nele.
- Hummm
- Você já viu aquela foto que
está no meu quarto né. A da mulher com um vestido vermelho.
- Já sim.
- Foi no dia que ela morreu que
eu me revoltei.
- Então deixou de acreditar?
- Deixamos de nos falar.
- Ele deve ter ficado chateado.
Você explicou a ele?
- Sim, naquele dia eu deixei
bem claro os motivos. Sempre é bom a gente ser sincero. Dizer a verdade faz bem.
- O pai da Clara falou que Deus
não existe. Vou falar pra ele que existe sim e você até conversava com ele.
- É por aí. Tem gente que
acredita, outros não, alguns conversam com ele, outros rezam para ser
escutados, tem gente que pede. Tem lugar para todo mundo nesse mundo.
- A Roberta disse que quem não
acredita vai para um lugar ruim. A mãe dela que disse. Será que o pai da Clara
vai pra lá?
- É porque a mãe dela acredita
em uma religião que diz isso. Tudo é uma questão de acreditar.
- E quem está certo, pai?
- Quando você acredita em algo
é porque acha que aquilo é certo. Acho que não tem ninguém errado.
- Nem por acreditar no PT?
Por pouco não se deixou levar e
começou um discurso sobre a situação política no Brasil, mas, se conteve. Era
só uma conversa de pai para filha, ela talvez um dia se lembrasse disso com
carinho, não queria estragar aquele momento especial. Respirou fundo para a
resposta.
- Nem. Se você acredita em algo
e não prejudica ninguém por causa da sua crença não vai para um lugar ruim e
podemos achar que ele não está errado.
- E se prejudicar?
- Aí nem precisa ir para um
lugar ruim. Onde ele está será ruim.
- Se eu falar com Deus ele vai
me escutar? Mesmo se eu não acreditar nele?
Boa pergunta, pensou. Gostaria
de saber essa. Será que se eu consultar o google encontro alguma teoria
filosófica, religiosa, sei lá o que. Estou quase começando a voltar acreditar
só para pedir ajudar a ele nessa conversa. Apelou para uma mentira.
- Bem, se ele existir, vai te
escutar sim. Quando eu ia pra igreja sempre me diziam que ele escutava todo
mundo até quem não acreditava nele.
A menina se distraiu com a
comida, provavelmente pensando em tudo que lhe havia sido dito. Apostava que
iria voltar a esse assunto e era melhor se preparar para ter respostas melhores
às perguntas que viriam. Será que tinha um tutorial no google que lhe ajudasse?
Seria bom uma orientação. Talvez se perguntasse em um fórum ou perguntasse para
alguma mulher. Sim, mulher entendia disso, ia perguntar para uma como respondia
certo. Dessa vez tinha se saído mal, mas também, pego de surpresa tentou fazer
o que podia.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Fé.
Tudo conspira contra. As portas se fecham. Onde bater? Alguém para amparar? Cadê os amigos? Um auxílio, por favor. Quem você confia te apunhala. Pelas costas. Quem você ama já não te quer por perto. Quem você quer já não te quer mais. O céu está nublado. As noites são escuras, sem estrelas. Os dias são chuvosos, sem motivos para sorrir. Seu corpo tem doenças que os médicos não curam. Seu coração tem feridas que não cicatrizam. Seus pés andam enquanto seu corpo quer parar. O que fazer? Tudo dói. A cabeça, as pernas, a alma. Caminha às cegas pelas madrugadas, vielas adentro, becos abandonados, ruas vazias. Olha para os lados assustado, desafiador, temeroso do que pode encontrar. Tudo pode ficar pior, sempre pode piorar. Há de ter cuidado, com tudo, com todos, com os seres humanos, as piores feras, os mais capazes de ferir. Nada mais resta, somente a fé.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Santo Guerreiro
Uma
tarde vi quem eu amo desesperada e mesmo assim consegui ser forte o suficiente
até a situação se acalmar graças a ti.
Uma
noite perigosa onde a qualquer momento o risco podia aumentar, invoquei o seu
nome e voltei para casa sem motivos para lamentar.
Uma
tarde qualquer, diante dos riscos, esteve comigo dando-me a segurança que,
protegido por você nada tenho a temer.
Quando
me despi do orgulho e chorei copiosamente, me consolastes lágrimas não são
sinais de fraqueza.
Quando
em uma noite fui negligente, me cobristes com sua armadura e o único dano
causado foi um tremor nas mãos.
Se
eu pensei em desistir foi na sua fé que me amparei para seguir em frente,
afinal, um guerreiro não foge da luta.
Se
nesses anos todos, mesmo sentindo medo nunca fui dominado pela covardia, foi
por causa da minha fé em ti.
Ilumine-me,
não me deixe ser injusto, ser forte com os fracos e fraco diante dos fortes.
Tira
de mim a covardia de machucar alguém por puro prazer, mas não me deixe cometer
o erro de permitir que alguém faça mal a mim e aos meus.
Tire
de mim o sentimento de arrogância, mas deixe meu orgulho, preciso dele para
manter sempre a cabeça erguida.
Proteja-me
nessas estradas da vida, continue me guardando, seja sempre o meu protetor,
pois a selva de pedra é perigosa e nem sempre estou preparado para os riscos.
Faça
de mim soldado de sua cavalaria, São Jorge, se assim eu merecer, pois com muita
honra sempre ofereço meus préstimos a sua causa esteja onde eu estiver.
domingo, 3 de junho de 2012
Soldado de Jorge
As
lágrimas rolaram na face, mas não desisti.
As
pernas tremeram, mas não recuei.
As
noites se tornaram longas, mas sempre fui vigilante.
Os
dias se tornaram nublados, mas meu caminho teve a sua luz.
O
mal se fez presente e não me desvirtuou.
Foi
necessário fazer o bem, mas sem perder a
humildade.
Tive
que lutar, mas sempre por uma causa justa.
Tive
que me defender, mas sem atingir inocente.
Foi
necessário fazer justiça e eu coloquei nas mãos de Deus.
Foi
necessário perdoar, e tive que ser forte para isso.
Não
foi difícil manter a fé.
Soldado
de Jorge, guerreiro da sua cavalaria, sempre a disposição.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
SALVE JORGE
Peço a ti Santo guerreiro
Se minhas lágrimas molharem meu rosto que não seja causadas pela minha covardia.
Se não puder lutar até o fim que eu não abandone a luta por medo.
Se minha espada foir erguida que nunca seja para o mais fraco.
Se minha lança for pega que não seja por motivos vãos.
Que sua proteção não seja exílio para um fraco.
Que meu corpo sempre esteja fechado pela fé.
Que meu rosto toque o chão mas meus joelhos nunca dobrem diante de quem me odeia.
Que eu tenha sabedoria para sempre lutar pelo que é justo.
Que eu entenda sempre a hora de arriscar e a hora da prevenção.
Que sua coragem seja sempre a minha coragem.
Eis aqui um soldado da sua cavalaria e quero sempre ter a honra de se-lo.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Ato de fé
Não perdeu sua fé embora tenha pensado nisso intensamente nos últimos anos, ainda é capaz de acreditar no impossível, sem medo de parecer tola, crê em Deus. Perante os homens é uma pecadora, mulher mundana, vende o corpo por dinheiro. Já foi usada diversas vezes, olhada com desprezo e com desejo, somente uma vez a viram como alguém á ser amada. Pelas ruas, mercadora do prazer, segue seu caminhar, rezando para mudanças ocorrerem. Uma vez acreditou nisso, promessas de um freguês que se tornou amante e depois amor, mas, veio a guerra, o chamamento as armas e ele se foi. Chorou amargamente por vários dias quando percebeu a falta de dinheiro. Voltou para as ruas, para o mundo marginal onde mulheres tem preço e rótulos. Oferece seus serviços por necessidade, talvez por já ter desistido de outra vida. Um dia, passando por uma igreja, escutou o sermão de um padre. Falava da fé em Deus. Voz firme, o homem em cima do altar, discorria sobre a arte de acreditar no impossível divino. Por não ter mais em que acreditar na terra, acreditou no céu. Naquele dia acendeu uma vela fazendo o pedido da volta ao seu amado. Repetiu por outros dias seguidos. Nada ocorria mas era o que restava acreditar. Mais por necessidade do que por religiosidade, acreditou por meses. Um dia, o telefone tocou. Reconheceu a voz quando escutou. Ele perguntava se ainda o esperava, não se importando com mais nada. Diante da resposta afirmativa, pediu para que continuasse, ele voltaria para ela. Desde então acende as velas esperançosa, fazendo uma prece silenciosa. Jesus um dia evitou que uma adúltera fosse apedrejada, então poderia perdoá-la e quem sabe deixar ter uma nova vida.
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