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sábado, 4 de maio de 2013

Maio


A sua ausência já não dói tanto, a gente quase não fala no seu nome e a saudade embora presente conseguimos enganar ano após ano. Você partiu em noventa e oito, já faz tanto tempo, não obstante ainda sinto sua falta. Se eu paro e penso, logo me lembro de suas visitas, aposto que estaria aqui uns dias atrás no aniversário da minha mãe, você sempre vinha. Ela se lembra de você embora não fale muito, já perdemos tantas pessoas queridas que as lembranças vão envelhecendo e dando lugar a outras,  mas mesmo estando em um plano diferente somos amigos e uma verdadeira amizade não morre jamais. De repente, no silêncio do quarto, olhando para o nada, as recordações aparecem e eu fico quieto com meus pensamentos.
Aqui em casa  continua tudo igual, minha mãe continua presenteando as visitas com as historias que você tanto gostava e te fazia rir francamente, se chegasse depois de tanto tempo não ia estranhar nada, ela é a mesma de sempre, agora a gente mora em um lugar diferente desde dois mil e cinco, saímos daquele lugar e dos problemas dali.
Eu sempre passo onde você morava, fito o apartamento, confesso que o coração às vezes aperta, lembro de quantas vezes passei por ali e deixei a visita para depois, por causa de um compromisso ou outro eu não te visitei, sempre achando que tinha todo o tempo para isso, até a maldita doença aparecer e tudo se acabar.
Às vezes a gente  não fala o quanto amamos as  pessoas, ficamos com vergonha de dizer a o outro o quanto é especial em nossa  vida, adiamos telefonemas, visitas (afinal ele (a) está tão próximo), e então a morte vem e finda para sempre uma amizade. A dor pela sua partida ao menos me ensinou a valorizar cada minuto ao lado dos meus amigos, me ensinou a sempre tentar manter um contato, mesmo parecendo um pouco ‘enjoativo, sempre deixar claro o quanto são importantes  para mim. Sua última  lição foi uma das mais valiosas na minha vida.

sábado, 20 de abril de 2013

A Última Despedida


   Última noite que eu iria passar naquela casa antes de retornar para o Rio e sugeri irmos a uma pizzaria, queria reunir a família naquele encontro antes de partir como outras vezes.
Minha vó, já idosa, não queria ir. Diante da sua teimosia uma filha tentava convencê-la em vão enquanto as outras se arrumavam na esperança dela mudar de idéia. Suspeitei que dona Maria achasse  a presença dela desimportante e ia incomodar a todos, ocupando mais um lugar no carro, por isso ficou deitada na cama sem dá atenção a ninguém.
Depois de algum tempo fui ao seu encontro e ternamente, como dificilmente eu falo com alguém, disse-lhe com carinho o quanto a queria presente, pedi para colocar a roupa nova e ir com a gente. Ela era especial demais para mim e mesmo se não comesse pizza, ia adorar vê-la ao nosso lado. Aceitou meu pedido e, algo raro, posou para fotos, não reclamou de nada, comeu alguma coisa, enfim, foi uma companhia agradável.
No outro dia, na hora de me despedir percebi as lágrimas em seu rosto, nunca a vi chorar quando nos despedimos  outras vezes, já no carro, senti um aperto no coração quando pensei ser aquela a última vez.
Um ano e alguns meses depois, novamente viajei para Pernambuco. Minha vó, chegou até os oitenta e sete anos em pé, lúcida, mas em janeiro, um derrame deteriorou a sua saúde e desde então as notícias não foram animadoras. Quando pude, parti mais uma vez para vê-la, ao chegar, os esforços dos parentes eram em me preparar para o que estava por vir. Quando adentrei na casa, tomei o primeiro choque, ela sempre vinha nos receber feliz e dessa vez estava em uma cama, balbuciando palavras, sem reconhecer ninguém. Contive as lágrimas, procurei um canto e chorei sozinho, contido e aceitei ser assim a vida. No outro dia ela morreu, dormindo, foi para a eternidade e somente várias horas depois disso eu deixei as lágrimas descerem fartas pelo meu rosto. A mulher que eu amava tanto tinha esperado apenas a chegada do seu neto e filha para ir desse mundo e deixou comigo a lembrança da última despedida onde aquelas lágrimas delas tenham sido quando entendeu ser a última vez.

sábado, 10 de novembro de 2012

Eutanásia


Era um asilo como todos os outros. Tendo uma paisagem agradável e uma mansão linda hospedando as pessoas via-se melancolia e certa tristeza nos residentes que aparentavam a vontade  de está em outro lugar se pudessem. Era um bom lugar para morrer, pensou consigo, não de quem desejava viver os dias que restavam.

- Finalmente chegastes, até que enfim.

- Hahahaha, se eu fosse você daria graças a Deus por ter lhe encontrado, olha esse fim de mundo, pergunto-me o que estava fazendo aqui.

- É um bom lugar, pessoas acolhedoras e que não fazem  muitas perguntas, não tenho motivos para reclamar.

- Rs, que bom então. Porque não me chamou antes?  Achei que éramos amigos.

- Ainda somos. Eu não rompi minha amizade.

- Então, filho da puta, porque demorou tanto a me chamar?

- Primeiro eu achei que iria resolver sozinho, não havia motivos para te preocupar, depois eu concentrei toda a atenção na tentativa de recuperação, um dia percebi a necessidade de ajuda e nada melhor para ajudar em uma situação difícil do que um amigo.

- Claro, e eu vim o mais rápido que pude.

- Sei disso, por isso lhe chamei não me deixará na mão.

- Li sua carta, só você mesmo para em pleno século XXI ainda escrever a mão. A doença é realmente incurável? A medicina é tão moderna, talvez tenha alguma chance...

- Não tenho, não vamos nos enganar.

- Porque eu?

- Ei garoto, não chora, homens iguais à gente só choram por causa de futebol, esqueceu?

- Rss. Porque eu?

- Eu poderia procurar algum parente, alguém próximo, mas em você eu confio. Não é nada demais, apenas uma assinatura...

- É uma condenação. Estarei condenando o meu melhor amigo à morte.

- Não, é um ato de caridade, estará abreviando meu sofrimento. Só não faço eu mesmo porque não quero prestar minhas contas com Deus sendo um suicida.

- E tem alguma diferença?

- Sim, malandramente estou jogando a responsabilidade para você, quando chegar lá em cima vou alegar ao pai celestial que eu não me suicidei.

- E eu que fico com a responsabilidade né? Pqp.

- Você é ateu, porra. Desde quando ateu se preocupa com isso?

- E minha consciência? Como vou lidar com essa situação?

- Quando chegar os últimos meses, ao ver-me, perceberá ser o melhor a assinatura do termo de responsabilidade. Em nome da nossa amizade saberá disso.

- Tenho dúvida.

- Mermão, olha onde estou. Isso aqui é um asilo, onde ficam pessoas solitárias ou que os parentes não conseguem manter em casa. Eu aceitei vir para cá para ter paz, somente isso, não mereço ficar penando sem ter nenhuma chance de viver. Se eu quisesse lutar, não tinha vindo para cá, não teria chamado você.

- Minha vontade é ir embora, esquecer essa conversa e mandar você a merda (rsss).

- Eu peço-te um último ato de amizade, somente isso. Faça por mim, por favor.

- Se assim quer, farei.

- Enxuga essas lágrimas, cara. Vivi muito, curti essa vida, nada é para sempre. Sempre te disse isso, aproveita cada momento porque a vida é curta e acaba um dia. Não há motivo para lamentos, até quando tiver consciência estarei vivendo da forma como quero, são poucos os que podem dizer isso.


Alguns meses depois entrou em um hospital e se identificou como sendo a pessoa que estava apta a assinar a autorização da eutanásia. Quando perguntado se queria despedir-se, sorriu tristemente e declinou. Já tinha feito isso quando seu amigo estava consciente e podia escutar o que tinha a lhe dizer, agora era só uma questão dolorosamente burocrática, ele já tinha morrido há dias atrás apesar do seu coração pulsando.




sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Finados

O cemitério estava cheio; pessoas com flores e velas nas mãos entravam para homenagear os seus mortos, enquanto ela permanecia do outro lado da rua, como se esperasse alguém. Era bonita, parecia ter uns quarenta anos, rosto sério e um olhar firme, capaz de silenciar qualquer um que a olhasse por minutos. Vestia-se com simplicidade e lá ficou por quase meia hora.

Foi até o vendedor ambulante e comprou um maço de velas. Entrou no cemitério e, com passos firmes, foi até a parte onde estavam enterrados os indigentes. Abaixou-se e acendeu as velas até ficar somente com uma na mão. Essa derradeira foi banhada por suas lágrimas, e ao acender, murmurou: “Ainda sinto saudades”.

Minutos depois, saiu tentando não demonstrar emoção. Onde ele estivesse, não iria gostar de vê-la chorar, ainda mais ali, lugar que ele sempre detestou e sempre dizia não querer ser enterrado, mas sim cremado, para ninguém procurá-lo em determinados dias. Sorriu ao lembrar disso; o conhecia e apostava que lá no céu estaria resmungando por ela não seguir suas recomendações, mas logo daria aquele sorriso infantil e cederia às suas justificativas.

Não queria esquecê-lo e nem tirá-lo da sua vida. Quem sabe um dia só a saudade vai restar, mas, por enquanto, doía demais, e por isso estava ali. Há muito tempo atrás, o seu amor morreu em uma batalha e foi enterrado como indigente em terras estrangeiras. Igual a ele, outros foram, por isso rezava por todos, pedindo a paz para quem foi e quem ainda está por aqui.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Vida/Morte

Um dia que devia ser normal se torna dramático e todos os outros se tornam uma luta pela vida, então você se dá conta que o dinheiro não é tão importante e aos poucos vai se dando conta da possibilidade de perda. Chora, tenta reverter o quadro, mas, impotente se divide entre esperar o pior e uma ponta de esperança. Existe uma lenda de que o bicho de estimação recebe o mal que vem para o dono, se foi assim, até nisso foi meu amigo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A Morte

  - Vai ser de uma forma dolorosa? Não suporto a dor, já te falei isso.


 - Não sei detalhes, mas perguntei isso e informaram que não. Não ia te avisar, poucos tem esse privilégio, mas sempre tivemos um relacionamento próximo por isso fiz esse favor.

  - Privilégio? Favor? Não sabia que anjos ficavam bêbados e falavam merdas para quem deveria proteger.

  - As pessoas podem morrer a qualquer momento, no entanto fingem não saber disso. Adiam compromissos, fazem planos, não vivem o presente, deixam para depois o que poderiam fazer agora e quando partem ficam lamentando o tempo perdido. Você terá duas semanas até sua morte e acredite é um privilégio saber isso, poderá aproveitar bem os dias restantes.

  - Eu ainda tenho tanta coisa para fazer...

  - Terá duas semanas para fazer as importantes, as outras não importam. Nesses quatorze dias irá entender isso muito bem.

  - Tanta pessoa ruim por aí e vão me levar? Puta mundo injusto.

  - Se eu fosse você em vez de se lamentar, trataria de viver cada segundo que resta. Acredite, não haverá atrasos e nem antecipações. Na hora marcada sua partida ocorrerá.

  - Talvez haja algum engano, ou lá em cima mudem de idéia, sei lá.

  - Esqueça. Foi decidido e não será mudado. Viva o que resta não cometa o erro de desperdiçar seu tempo.

  - E você?

  - O que tem eu?

  - Pelo que eu sei, sempre esteve cuidando de mim. Para isso serve os anjos da guarda. Quando sair dessa vida para onde você vai?

  - Não se preocupe comigo, agradeço seu carinho. Minha função é cuidar das pessoas até o final de suas vidas. Quando elas partem, me confiam outras missões, ou seja, vou proteger alguém que está iniciando a sua jornada. É um ciclo eterno.

 - Você é um bom protetor, me ensinou demais e irá ensinar a outra pessoa também. Sorte dela, ter você ao lado.

 - Irei ensinar com certeza e algumas das coisas ensinadas foram aprendidas te protegendo. Muitas vezes aprendi ao longo da sua vida e saiba quando suas lágrimas caíram meu rosto também se molhou, quando sua mãe não aguentou velar seu sono e dormiu eu permaneci vigilante preparado para alertá-la caso piorasse. Teve noites que até torcedor virei, tudo para te ver feliz.

 - Sério? (rsss).

 - Sim, ou acha que foi parar no atendimento médico naquela decisão por quê? Fiquei olhando o gol sendo feito e não percebi que você estava passando mal. Quando me dei conta o enfermeiro te levava para enfermaria e eu me recriminava pela negligência.

 - Hahahaha. Lembro disso. Tivemos momentos bons.

 - E ruins também.

 - Sim, naquela chuva de 99, lembra? Putz, nem sei como não fui arrastado pelas águas.

 - Eu sei (sorriso) Não foi porque eu te ajudava a equilibrar. Se estivesse sozinho ia parar dentro de algum bueiro.

 - Também teve aquela vez que encheu a cara e cismou de voltar dirigindo. Tive trabalho para você não encontrar a chave do carro até alguém te convencer a pegar um táxi.

 - Enchi a cara por um motivo justo, era comemoração.

 - E quase vira tragédia. Quando me avisaram do risco de acidente entrei em desespero tentando impedir sua saída.

 - Desculpa pelo trabalho. Causei muitos problemas né?

 - Foi divertido. Cumpri bem meu trabalho, não falhei.

 - Cumpriu sim. Bem, já que esteve até aqui não vai me deixar na mão nessa reta final, portanto vamos em frente até a linha de chegada. Ou vai me deixar na mão depois de tanto tempo? (rsss).

 - Claro que não. O tempo não para, vamos em frente.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Vai Com Deus, Doutor

    Quando aquela cantora inglesa morreu possivelmente por causa de uma overdose (não vi ser confirmada essa causa), escrevi nesse espaço sobre a hipocrisia da sociedade brasileira que se acha no direito de julgar as pessoas. 
    Hoje quando acordei e li a notícia triste da morte do Sócrates mais uma vez me deparei com a babaquice das pessoas julgando o ex-jogador pelas suas posições políticas ou pela doença causada pelo hábito de beber. Uma das pessoas chegou a chamá-lo de mau exemplo por causa do alcoolismo o que me irritou bastante. 
    Sócrates era um doutor diferente de alguns existentes no Brasil, graças a Deus. Enquanto muitos usam esse título como uma forma de está acima dos outros passando a imagem de (falsa) intelectualidade, a imagem dele era de um homem comum, daqueles que facilmente se passaria como sendo povão, talvez porque ele sempre estivesse junto do povo. 
    Não ganhou uma copa libertadores ou copa do mundo mas foi um jogador espetacular dentro de campo e quando parou de jogar bola continuou sendo uma opinião que merecesse ser ouvida sobre vários assuntos, pois quando falava não era homem de falar besteiras. 
   Em um dos meus livros, tem uma passagem com ele dizendo ainda acreditar no Brasil e que esse país estava mudando, eu ainda concordo com isso apesar de uma sociedade cada vez mais babaca onde a moralismo hipócrita está cada dia mais forte e tendo voz na internet. Sócrates foi o homem que eu com mais de trinta ainda tento ser na minha vida cotidiana e um daqueles jogadores que dentro e fora de campo foi craque, algo tão difícil de acontecer que se pode contar nos dedos das mãos quantos chegaram a esse nível. 
    Vai com Deus, doutor, a democracia que você tanto lutou hoje em dia ainda está resistindo apesar de tudo, permite até que pessoas muito menores que você, se achem no direito de te julgar. Joga suas peladas no céu, beba sua gelada, viva a vida eterna como viveu a passageira do jeito que quis.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

E Se Não Tiver Amanhã?

Quantas coisas você podendo fazer agora e deixou para depois? Eu às vezes faço isso, mas a vida, essa que adora nos dá lições de uma forma dolorida, já aprontou algumas e por isso tenho evitado. Uma vez indo apressado para o trabalho passei em uma banca de jornal onde estava vendendo um dvd da Elis Regina por um preço barato. Sou fã dessa cantora e iria comprar, mas apressado olhei para o relógio e decidi que  na volta faria a compra. Quando passei novamente naquele local não tinha mais, talvez aquele fosse o último ou mais de uma pessoa não tenha deixado para amanhã o que se pode fazer agora, mesmo que seja aproveitar uma simples ofertas.
As vezes a gente não se dá conta de que estamos aqui de passagem e podemos ser chamados a qualquer momento não importa se estamos preparados ou não, se queremos realmente ir ou ficar e então deixamos palavras sem serem ditas, amizades não reatadas, planos que não foram realizados. Não sei como é lá em cima (eu acredito em céu, inferno, outra vida, essas coisas), mas aqui embaixo para quem fica dando um triste adeus dói demais relembrar as oportunidades perdidas, a sensação de agora é tarde demais para voltar atrás. E isso não acontece apenas com a morte (coração parando de bater), mas também com  a morte em vida, relacionamentos desfeitos, separações inevitáveis, partidas definitivas.  O nosso adeus nesses casos tem um jeito de remorso e uma vontade louca de voltar atrás no tempo e dizer mais uma vez “eu te amo demais”, “fica comigo essa noite e esqueça o depois”,  "me perdoa", "me desculpa".  Infelizmente não há retorno,  à via é de mão única sempre em frente sem possibilidades de voltar ao que era antes.
Eu morei por muito tempo em uma casa humilde de aluguel e com algum esforço me mudei para um apartamento próprio no mesmo bairro. Embora os dois locais sejam pertos, pouco freqüento onde morava indo esporadicamente para ver alguns amigos que ainda estão por lá. Uma noite fui visitar uma amiga que morando no exterior estava visitando a família e fiquei conversando com o seu cunhado no portão enquanto minha mãe acabava a visita.
Portão aberto eu olhando a rua vi uma outra amiga passando longe, sempre quando a via conversávamos algum tempo, por alguns minutos pensei em não interromper a sua caminhada, afinal, poderia falar com ela depois não é mesmo. Desobedeci a mim mesmo, gritei seu nome e ficamos conversando por muitos minutos, não tínhamos novidades a falar, as coisas permaneciam as mesmas, nada que fosse tão relevante a ponto de consumir muito tempo. Despedimos-nos e eu voltei para a minha casa sem saber ser a última vez que a veria.
Não me lembro se foi semanas ou meses depois, só do telefonema, a notícia  e o meu total desamparo diante da situação. Um homem com um sangue frio igual a mim, capaz de lidar com situações críticas sem perder o rumo, simplesmente fiquei sem chão como se diz popularmente. A pessoa algum tempo atrás eu hesitei em cumprimentar por achar que haveria outras oportunidades tinha sido vítima de um ataque cardíaco e tinha morrido, não haveria um depois.  
Até hoje eu sempre faço questão de dizer para as pessoas que eu gosto o quanto são especiais na minha vida, gestos carinhosos e demonstrações de amizades são sempre feitas como se não houvesse amanhã. Pode parecer um clichê tolo citar esse trecho da música da Legião Urbana, mas acredite é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã e posso dizer por experiência própria o consolo de a gente saber que a pessoa nunca teve dúvida o quanto era especial torna menos difícil à perda. 

sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse

  Na televisão a notícia de uma cantora inglesa ter sido encontrada morta provavelmente por overdose é mostrada pelo jornalista. Assisto, lamentando a morte de um ser humano  derrotado pelas dificuldades da vida. Sou um provinciano com músicas, noventa por cento das músicas no meu mp3 são nacionais e apesar de conhecer a importância de artistas internacionais não curto esses. Um pouco envergonhado percebo que me lembro  dessa cantora apenas por ela ter feito um show no Rio em um estado anormal parecendo embriagada. 
   Na internet começam as manifestações que ocorrem após o conhecimento da morte de uma celebridade, alguns já a tratam como uma cantora genial, nunca mais será esquecida dizem com segurança, lamentam sua partida tão precoce. Não sei se é ou não é para tanto, não conhecia seu trabalho, apenas leio opiniões e penso comigo como a morte é redentora. 
    Minha atenção se volta para os comentários críticos a respeito dos vícios dessa cantora,  pessoas escrevendo com uma segurança de dá inveja para mim, tão inseguro diante da vida tendo que a cada dia ser forte o suficiente para me manter de pé e não esmorecer a cada dissabor. Felizmente não procurei o abrigo das drogas por inúmeros motivos mas sei bem o quanto precisamos de um apoio em momentos difíceis.
 Talvez os críticos da Amy nunca tenham passado por problemas que causassem uma destruição tão grande a ponto de necessitarem de um escudo, uma proteção ou uma válvula de escape como a britânica precisou para viver. Fico triste por ela, só Deus sabe o quanto sua alma estava torturada para aos vinte e sete anos estivesse tão destruída como aparentava.
  Fico com uma suspeita,  o mesmo que critica talvez tome uma dose de scotch para relaxar, quem sabe precise de um remédio para conseguir levantar da cama,  tome remédios para dormir ou vá ao trabalho dopado de energéticos.  
   É fácil se mostrar forte,  criticar o alheio,  principalmente se o criticado tem sucesso, for bonito, tiver dinheiro, afinal nesse mundo capitalista isso é tudo ou quase tudo. Difícil é entender a dor dos outros,  é fácil esquecer o quanto uma alma torturada é capaz de fazer quando não é a nossa ou alguém tão próximo que a sua dor torna-se a da gente.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Fique em Paz

      Ele nasceu para servir de castigo, marcado pelo destino, teve uma vida breve, porém tumultuada. Com pouco mais de vinte anos, em uma idade em que a vida deveria estar apenas começando, sua história chegou ao fim. A notícia de sua morte chegou a mim como se fosse a de um estranho, pois assim é a vida. Não senti como se fosse alguém por quem nutro afeto, mas fiquei triste ao perceber como as pessoas estão partindo deste mundo cedo demais. O mundo é cruel, o destino prega peças e, de repente, a morte nos mostra o quanto somos frágeis e como a vida é efêmera