sábado, 4 de maio de 2013
Maio
sábado, 20 de abril de 2013
A Última Despedida
Última noite que eu iria passar naquela casa antes de retornar para o Rio e sugeri irmos a uma pizzaria, queria reunir a família naquele encontro antes de partir como outras vezes.
sábado, 10 de novembro de 2012
Eutanásia
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Finados
O cemitério estava cheio; pessoas com flores e velas nas mãos entravam para homenagear os seus mortos, enquanto ela permanecia do outro lado da rua, como se esperasse alguém. Era bonita, parecia ter uns quarenta anos, rosto sério e um olhar firme, capaz de silenciar qualquer um que a olhasse por minutos. Vestia-se com simplicidade e lá ficou por quase meia hora.
Foi até o vendedor ambulante e comprou um maço de velas. Entrou no cemitério e, com passos firmes, foi até a parte onde estavam enterrados os indigentes. Abaixou-se e acendeu as velas até ficar somente com uma na mão. Essa derradeira foi banhada por suas lágrimas, e ao acender, murmurou: “Ainda sinto saudades”.
Minutos depois, saiu tentando não demonstrar emoção. Onde ele estivesse, não iria gostar de vê-la chorar, ainda mais ali, lugar que ele sempre detestou e sempre dizia não querer ser enterrado, mas sim cremado, para ninguém procurá-lo em determinados dias. Sorriu ao lembrar disso; o conhecia e apostava que lá no céu estaria resmungando por ela não seguir suas recomendações, mas logo daria aquele sorriso infantil e cederia às suas justificativas.
Não queria esquecê-lo e nem tirá-lo da sua vida. Quem sabe um dia só a saudade vai restar, mas, por enquanto, doía demais, e por isso estava ali. Há muito tempo atrás, o seu amor morreu em uma batalha e foi enterrado como indigente em terras estrangeiras. Igual a ele, outros foram, por isso rezava por todos, pedindo a paz para quem foi e quem ainda está por aqui.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Vida/Morte
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A Morte
- Não sei detalhes, mas perguntei isso e informaram que não. Não ia te avisar, poucos tem esse privilégio, mas sempre tivemos um relacionamento próximo por isso fiz esse favor.
- Privilégio? Favor? Não sabia que anjos ficavam bêbados e falavam merdas para quem deveria proteger.
- As pessoas podem morrer a qualquer momento, no entanto fingem não saber disso. Adiam compromissos, fazem planos, não vivem o presente, deixam para depois o que poderiam fazer agora e quando partem ficam lamentando o tempo perdido. Você terá duas semanas até sua morte e acredite é um privilégio saber isso, poderá aproveitar bem os dias restantes.
- Eu ainda tenho tanta coisa para fazer...
- Terá duas semanas para fazer as importantes, as outras não importam. Nesses quatorze dias irá entender isso muito bem.
- Tanta pessoa ruim por aí e vão me levar? Puta mundo injusto.
- Se eu fosse você em vez de se lamentar, trataria de viver cada segundo que resta. Acredite, não haverá atrasos e nem antecipações. Na hora marcada sua partida ocorrerá.
- Talvez haja algum engano, ou lá em cima mudem de idéia, sei lá.
- Esqueça. Foi decidido e não será mudado. Viva o que resta não cometa o erro de desperdiçar seu tempo.
- E você?
- O que tem eu?
- Pelo que eu sei, sempre esteve cuidando de mim. Para isso serve os anjos da guarda. Quando sair dessa vida para onde você vai?
- Não se preocupe comigo, agradeço seu carinho. Minha função é cuidar das pessoas até o final de suas vidas. Quando elas partem, me confiam outras missões, ou seja, vou proteger alguém que está iniciando a sua jornada. É um ciclo eterno.
- Você é um bom protetor, me ensinou demais e irá ensinar a outra pessoa também. Sorte dela, ter você ao lado.
- Irei ensinar com certeza e algumas das coisas ensinadas foram aprendidas te protegendo. Muitas vezes aprendi ao longo da sua vida e saiba quando suas lágrimas caíram meu rosto também se molhou, quando sua mãe não aguentou velar seu sono e dormiu eu permaneci vigilante preparado para alertá-la caso piorasse. Teve noites que até torcedor virei, tudo para te ver feliz.
- Sério? (rsss).
- Sim, ou acha que foi parar no atendimento médico naquela decisão por quê? Fiquei olhando o gol sendo feito e não percebi que você estava passando mal. Quando me dei conta o enfermeiro te levava para enfermaria e eu me recriminava pela negligência.
- Hahahaha. Lembro disso. Tivemos momentos bons.
- E ruins também.
- Sim, naquela chuva de 99, lembra? Putz, nem sei como não fui arrastado pelas águas.
- Eu sei (sorriso) Não foi porque eu te ajudava a equilibrar. Se estivesse sozinho ia parar dentro de algum bueiro.
- Também teve aquela vez que encheu a cara e cismou de voltar dirigindo. Tive trabalho para você não encontrar a chave do carro até alguém te convencer a pegar um táxi.
- Enchi a cara por um motivo justo, era comemoração.
- E quase vira tragédia. Quando me avisaram do risco de acidente entrei em desespero tentando impedir sua saída.
- Desculpa pelo trabalho. Causei muitos problemas né?
- Foi divertido. Cumpri bem meu trabalho, não falhei.
- Cumpriu sim. Bem, já que esteve até aqui não vai me deixar na mão nessa reta final, portanto vamos em frente até a linha de chegada. Ou vai me deixar na mão depois de tanto tempo? (rsss).
- Claro que não. O tempo não para, vamos em frente.