Quantas coisas você podendo fazer agora e deixou para depois? Eu às vezes faço isso, mas a vida, essa que adora nos dá lições de uma forma dolorida, já aprontou algumas e por isso tenho evitado. Uma vez indo apressado para o trabalho passei em uma banca de jornal onde estava vendendo um dvd da Elis Regina por um preço barato. Sou fã dessa cantora e iria comprar, mas apressado olhei para o relógio e decidi que na volta faria a compra. Quando passei novamente naquele local não tinha mais, talvez aquele fosse o último ou mais de uma pessoa não tenha deixado para amanhã o que se pode fazer agora, mesmo que seja aproveitar uma simples ofertas.
As vezes a gente não se dá conta de que estamos aqui de passagem e podemos ser chamados a qualquer momento não importa se estamos preparados ou não, se queremos realmente ir ou ficar e então deixamos palavras sem serem ditas, amizades não reatadas, planos que não foram realizados. Não sei como é lá em cima (eu acredito em céu, inferno, outra vida, essas coisas), mas aqui embaixo para quem fica dando um triste adeus dói demais relembrar as oportunidades perdidas, a sensação de agora é tarde demais para voltar atrás. E isso não acontece apenas com a morte (coração parando de bater), mas também com a morte em vida, relacionamentos desfeitos, separações inevitáveis, partidas definitivas. O nosso adeus nesses casos tem um jeito de remorso e uma vontade louca de voltar atrás no tempo e dizer mais uma vez “eu te amo demais”, “fica comigo essa noite e esqueça o depois”, "me perdoa", "me desculpa". Infelizmente não há retorno, à via é de mão única sempre em frente sem possibilidades de voltar ao que era antes.
Eu morei por muito tempo em uma casa humilde de aluguel e com algum esforço me mudei para um apartamento próprio no mesmo bairro. Embora os dois locais sejam pertos, pouco freqüento onde morava indo esporadicamente para ver alguns amigos que ainda estão por lá. Uma noite fui visitar uma amiga que morando no exterior estava visitando a família e fiquei conversando com o seu cunhado no portão enquanto minha mãe acabava a visita.
Portão aberto eu olhando a rua vi uma outra amiga passando longe, sempre quando a via conversávamos algum tempo, por alguns minutos pensei em não interromper a sua caminhada, afinal, poderia falar com ela depois não é mesmo. Desobedeci a mim mesmo, gritei seu nome e ficamos conversando por muitos minutos, não tínhamos novidades a falar, as coisas permaneciam as mesmas, nada que fosse tão relevante a ponto de consumir muito tempo. Despedimos-nos e eu voltei para a minha casa sem saber ser a última vez que a veria.
Não me lembro se foi semanas ou meses depois, só do telefonema, a notícia e o meu total desamparo diante da situação. Um homem com um sangue frio igual a mim, capaz de lidar com situações críticas sem perder o rumo, simplesmente fiquei sem chão como se diz popularmente. A pessoa algum tempo atrás eu hesitei em cumprimentar por achar que haveria outras oportunidades tinha sido vítima de um ataque cardíaco e tinha morrido, não haveria um depois.
Até hoje eu sempre faço questão de dizer para as pessoas que eu gosto o quanto são especiais na minha vida, gestos carinhosos e demonstrações de amizades são sempre feitas como se não houvesse amanhã. Pode parecer um clichê tolo citar esse trecho da música da Legião Urbana, mas acredite é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã e posso dizer por experiência própria o consolo de a gente saber que a pessoa nunca teve dúvida o quanto era especial torna menos difícil à perda.
Que post triste.
ResponderExcluirOie... Brigado pelo comentário. É um pouco triste sim ... rs. Beijão.
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