quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Super Ezio. Obrigado

 É comum os torcedores de um time terem ídolos mas eu e muitos outros tricolores na década de 90 tínhamos um herói, um super-herói que assim como nas historias em quadrinhos nos fazia sonhar um pouco ao viver a dura realidade.
Torcer pelo Flu no começo dessa década não era uma tarefa fácil, principalmente para quem era menino e não tinha vivido os tempos gloriosos do passado. Administrações ruinosas, times ruins e o jejum de títulos nos fustigavam e faziam com que o amor ao tricolor em certos momentos fosse um fardo mas tínhamos o Ezio, apelidado pelo narrador Januário de Oliveira de super Ezio.
Nem me recordo quando chegou nas Laranjeiras ou quando começou a ganhar nosso carinho, mas me lembro de sempre ficar confiante com ele em campo, fazendo gols, ganhando jogos importantes, nos fazendo feliz por alguns momentos em meio a tanta dificuldade.  Foram vários clássicos contra o nosso rival que ele garantiu a vitória com seus gols decisivos.
Em 95, tinha ido para reserva, mas os deuses do futebol por justiça divina decidiram que ele estaria em campo quando nosso jejum acabasse e isso ocorreu, no nosso momento mais especial ele estava com a gente, naquele maracá lotado com tricolores em vários lugares delirando de emoção.
 Ezio partiria naquele ano, tinha conseguido na sua última temporada conosco finalmente  o título tão sonhado, mais do que isso, havia ganhado a admiração e o carinho de toda uma geração.
Só que o super-herói tricolor era humano e nesse ano, triste soube que estava com câncer, lutava bravamente contra a doença escondido de todos e quando a torcida soube e se mobilizou em solidariedade a ele  se emocionou. Nós não havíamos esquecido dele, não, cada moleque de outrora, agora homem guarda com carinho algum gol, jogo ou momento daqueles tempos difíceis.
Ezio perdeu a batalha contra a doença essa noite, a noticia me atingiu como uma bofetada e me emocionei. É difícil explicar o que eu senti e o resumo é de tristeza pela perda. Nunca vou a velórios e não vou nesse também, minha homenagem será no estádio no próximo jogo do Flu cantando o seu nome, lutando para segurar as lágrimas. Tenho certeza, lá de cima ele vai gostar de ver que a sua história no Fluminense está eternizada.

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