quarta-feira, 29 de junho de 2016
saudosismo
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Vai Ter Copa (Lembranças)
Eu lembro que estava operado; o braço engessado não permitia que eu pulasse ou fizesse qualquer extravagância (minha mãe sempre usava essa palavra, ainda me recordo, para me impedir de me machucar mais) nas horas dos gols.
Jurema tinha uma televisão a cores e fazia questão de me convidar para ver os jogos em sua casa. Lembro-me de ter visto dois jogos lá. Um foi contra um time vermelho, acho que era a Polônia, faz tanto tempo que as lembranças vão se tornando escassas. Foi na casa da Jurema que ela reuniu muita gente para assistir àquele jogo contra a França. Foi ali que eu senti minha primeira frustração futebolística.
A rua ficou triste demais; os lamentos na vila onde eu morava, as críticas ao Zico, ainda estão comigo, embora a cada dia eu lute mais para não esquecê-los e, quando os conto, já não sou fiel à realidade. Me desculpem.
Em oitenta e seis, eu era uma criança tentando conciliar minhas idas aos hospitais, intervenções cirúrgicas e a infância. O futebol, nesse cenário, era meu esporte preferido; ainda não tinha conhecido as Olimpíadas e só um pouco depois o futebol alcançaria o status de religião.
Eu ouvia as histórias da minha tia sobre Copas do Mundo e sonhava. Devia ser muito bom ser campeão do mundo, imagina as ruas em festa, todo mundo comemorando. Eu pensava e sonhava. Infelizmente, tinha uma França no meio do caminho, um pênalti perdido, a decepção. Futebol não é apenas sonhos e felicidades; é dolorido também. E o pior: esperar mais quatro anos por uma nova chance, algo que me deixava inconsolável.
Assisti a todas as Copas depois dessa. Para cada uma, eu tenho histórias, lembranças, alegrias, tristezas; guardo recortes, figurinhas, álbuns. Amanhã começará mais uma, talvez a única em que eu tema algo mais do que somente os resultados esportivos. O que vai ocorrer? Não sei, mas tenho certeza de que, quando o hino for tocado, eu vou chorar, quietinho em um canto. Vou chorar emocionado.