Eleições Presidenciais
94 foi o meu primeiro voto para presidente. Tinha vivido 89 e fiz
questão de votar. Até hoje eu mantenho o hábito daquela primeira vez de me
arrumar e rumar para a minha seção como se estivesse participando de um momento
especial. O clima nas ruas é diferente, a boca de urna, expectativa pela
apuração.
Família petista/lulista é claro que todos eles votaram no PT. Eu fui à
ovelha desgarrada e por prudência evitei revelar meu voto para os setores
familiares mais radicais. Não votei no FHC, votei no real, no fim da inflação,
na esperança de que poderia ter uma vida nova. Foi um voto pragmático,
desprovido de ideologia e isso é triste, pois com 16 anos as utopias e sonhos
devem superar a realidade. Não me arrependo, pelo contrário, acho que foi a
melhor decisão que eu tomei.
Em 98 eu pensava que o FH ficando ia tentar segurar o real e essa era
uma conquista do Brasil que no meu entendimento deveria ser defendida a
qualquer custo. O problema é que ele estava mais preocupado em garantir a
eleição e isso mais a compra de votos, aprovação da reeleição, PROER me fez
escolher outro candidato.
Lula eu tinha dúvidas se ia
conseguir ou querer manter aquela política econômica que começava a sinalizar
algo errado, mas ao mesmo tempo não me deixava acreditar em uma mudança
radical.
O fato de o sociólogo vencer no primeiro turno evitou alguma perda de
sono tentando decidir meu voto em um segundo turno. Influenciado pelo Gabeira
(mais um voto polêmico, pois votar em um maconheiro e viado era motivo de
olhares tortos) escolhi o candidato do PV Alfredo Sirkis.
Foi um voto suave digamos assim. Eu não aderia de vez à extrema esquerda
onde nunca me senti bem, por birra com a política petista do “quanto pior
melhor” eu não votei no Lula e ao evitar o FHC não tive a sensação de ser
enganado quando ficou claro que tinha postergado importantes decisões para
depois das eleições quase levando o país a pique.
2002 foi à eleição que eu voltei para casa digamos assim. Onde eu reatei
com o PT, ou melhor, dizendo vivi o sonho de 89 já sendo adulto.
Minha família e tantos amigos petistas esperavam com expectativa, aquela
esperança do torcedor quando sabe que seu time é favorito, mas tem medo de mais
uma vez morrer na praia.
É claro que como sempre acontece por aqui tinha gente torcendo contra a
seleção para o Lula chegar ao poder (aquela estultice de que ganhando a copa do
mundo a Globo o povo vai esquecer-se dos problemas e bla bla bla) entre outras
teorias que deveriam ser colocadas em um baú e jogadas no fundo do mar. Até
hoje elas estão presentes.
Se com outros a esperança
venceu o medo comigo foi o pensamento de que era chegada a hora do Lula
finalmente subir rampa como presidente. Dessa vez estava preparado, discurso
afinado, era o melhor candidato e diante da empolgação de amigos petistas me
rendi.
Em 2006 Lula já tinha rompido
com parte da classe média e se jogado de vez nos braços do povo. A oposição me
fez o favor de escolher o Geraldo Alckmin e isso facilitou a minha decisão de
anular no primeiro e ir pra SP no segundo turno.
A eleição do Lula não foi lamentada
por mim, pelo contrário, comecei ali a certeza que eu prefiro o diabo na
presidência a qualquer candidato do PSDB que tenha sua candidatura sustentada
por um pensamento retrogrado e segregador.
2010 entre o PT e PSDB eu
escolhi a Marina. Não sejam tolos de analisar o passado olhando para o
presente. A candidata de 2010 não era hesitante, fragilizada e não levava pito
de “paxtor” enxerido. Pelo menos eu não lembro. Votei nela por ser uma
alternativa a polarização e achei que votaria nela de novo em 2014 até o ano de
2011 quando comecei a ter dúvidas e cheguei ao presente momento tendo a certeza
que o despreparo dela para esse ano é inadmissível.
No segundo turno, sem ter
Dúvidas, eu anulei o voto. Tinha certeza que a Dilma ia ganhar e isso me
bastava. Se tivesse qualquer risco do PSDB chegar à presidência assim como em
2006 e será em 2014 eu escolheria o PT.
Em 2014 é um voto de ideológico, de quem deseja profundas mudanças no
país e não enxerga entre os três principais candidatos alguém que queira
tentar.
É preciso colocar em pauta várias discussões, é necessário retirar
entulhos autoritários, minorias precisam ter seus direitos respeitados e só
quem tem coragem de tentar discutir a sério esses assuntos é à esquerda
É por isso a minha escolha no Mauro Iasi. Se em outros anos eu optei
pelo pragmatismo ou por lavar as mãos dessa vez se torna necessário tomar uma
posição, exigir mudanças, exigir que os excluídos sejam ouvidos.