domingo, 5 de outubro de 2014

Eleições Presidenciais

Eleições Presidenciais

94 foi o meu primeiro voto para presidente. Tinha vivido 89 e fiz questão de votar. Até hoje eu mantenho o hábito daquela primeira vez de me arrumar e rumar para a minha seção como se estivesse participando de um momento especial. O clima nas ruas é diferente, a boca de urna, expectativa pela apuração.
Família petista/lulista é claro que todos eles votaram no PT. Eu fui à ovelha desgarrada e por prudência evitei revelar meu voto para os setores familiares mais radicais. Não votei no FHC, votei no real, no fim da inflação, na esperança de que poderia ter uma vida nova. Foi um voto pragmático, desprovido de ideologia e isso é triste, pois com 16 anos as utopias e sonhos devem superar a realidade. Não me arrependo, pelo contrário, acho que foi a melhor decisão que eu tomei.
Em 98 eu pensava que o FH ficando ia tentar segurar o real e essa era uma conquista do Brasil que no meu entendimento deveria ser defendida a qualquer custo. O problema é que ele estava mais preocupado em garantir a eleição e isso mais a compra de votos, aprovação da reeleição, PROER me fez escolher outro candidato.
 Lula eu tinha dúvidas se ia conseguir ou querer manter aquela política econômica que começava a sinalizar algo errado, mas ao mesmo tempo não me deixava acreditar em uma mudança radical.
O fato de o sociólogo vencer no primeiro turno evitou alguma perda de sono tentando decidir meu voto em um segundo turno. Influenciado pelo Gabeira (mais um voto polêmico, pois votar em um maconheiro e viado era motivo de olhares tortos) escolhi o candidato do PV Alfredo Sirkis.
Foi um voto suave digamos assim. Eu não aderia de vez à extrema esquerda onde nunca me senti bem, por birra com a política petista do “quanto pior melhor” eu não votei no Lula e ao evitar o FHC não tive a sensação de ser enganado quando ficou claro que tinha postergado importantes decisões para depois das eleições quase levando o país a pique.
2002 foi à eleição que eu voltei para casa digamos assim. Onde eu reatei com o PT, ou melhor, dizendo vivi o sonho de 89 já sendo adulto.
Minha família e tantos amigos petistas esperavam com expectativa, aquela esperança do torcedor quando sabe que seu time é favorito, mas tem medo de mais uma vez morrer na praia.
É claro que como sempre acontece por aqui tinha gente torcendo contra a seleção para o Lula chegar ao poder (aquela estultice de que ganhando a copa do mundo a Globo o povo vai esquecer-se dos problemas e bla bla bla) entre outras teorias que deveriam ser colocadas em um baú e jogadas no fundo do mar. Até hoje elas estão presentes.
   Se com outros a esperança venceu o medo comigo foi o pensamento de que era chegada a hora do Lula finalmente subir rampa como presidente. Dessa vez estava preparado, discurso afinado, era o melhor candidato e diante da empolgação de amigos petistas me rendi.
   Em 2006 Lula já tinha rompido com parte da classe média e se jogado de vez nos braços do povo. A oposição me fez o favor de escolher o Geraldo Alckmin e isso facilitou a minha decisão de anular no primeiro e ir pra SP no segundo turno. 
   A eleição do Lula não foi lamentada por mim, pelo contrário, comecei ali a certeza que eu prefiro o diabo na presidência a qualquer candidato do PSDB que tenha sua candidatura sustentada por um pensamento retrogrado e segregador. 
  2010 entre o PT e PSDB eu escolhi a Marina. Não sejam tolos de analisar o passado olhando para o presente. A candidata de 2010 não era hesitante, fragilizada e não levava pito de “paxtor” enxerido. Pelo menos eu não lembro. Votei nela por ser uma alternativa a polarização e achei que votaria nela de novo em 2014 até o ano de 2011 quando comecei a ter dúvidas e cheguei ao presente momento tendo a certeza que o despreparo dela para esse ano é inadmissível.
  No segundo turno, sem ter Dúvidas, eu anulei o voto. Tinha certeza que a Dilma ia ganhar e isso me bastava. Se tivesse qualquer risco do PSDB chegar à presidência assim como em 2006 e será em 2014 eu escolheria o PT.
Em 2014 é um voto de ideológico, de quem deseja profundas mudanças no país e não enxerga entre os três principais candidatos alguém que queira tentar.
É preciso colocar em pauta várias discussões, é necessário retirar entulhos autoritários, minorias precisam ter seus direitos respeitados e só quem tem coragem de tentar discutir a sério esses assuntos é à esquerda
É por isso a minha escolha no Mauro Iasi. Se em outros anos eu optei pelo pragmatismo ou por lavar as mãos dessa vez se torna necessário tomar uma posição, exigir mudanças, exigir que os excluídos sejam ouvidos.


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