sábado, 27 de setembro de 2014

Sertão

  A paisagem árida, estrada esburacada, plantações de palmas, gado e aquela sensação de que ali o tempo parou. A casa no meio do nada, qualquer um entra no terreiro, os gritos na porta, chegou visita, e lá ia eu saltando, todo desejeitado, de um carro para cumprimentar quem ali estivesse.
"É seu filho, vona?", era a pergunta recorrente quando não me conheciam, o moleque que nunca foi simpático colocava um sorriso sincero no rosto, era alvo de olhares analíticos, ficava desconfortável mas aceitava fazer parte daquele momento onde tios, mãe, se reencontravam com suas origens.
   Em algumas casas a gente entrava, povo humilde, tentava nos agradar de algum jeito, um café, um beju, uma fruta, era necessário aceitar, quase obrigatório, em uma dessas me vi diante (mesmo detestando) de um grande pedaço de goiabada que foi dividida discretamente entre eu, mãe e uma tia até que ele acabasse.
   As conversas não me diziam respeito, olhava algumas fotos antigas na parede, fotos desenhadas em uma moldura, as vezes saía e ficava olhando o horizonte. Não era o meu mundo e ao mesmo tempo era, de alguma forma eu fazia parte daquilo ali. De alguma forma ainda faço parte embora cada dia mais seja só com lembranças.

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