terça-feira, 23 de setembro de 2014

O Gatinho

Eu lembro quando chegou o primeiro deles. Era arredio, me olhava com aquele jeito desconfiado, o apelidei de black bloc ou vândalo por cismar de tentar invadir a minha sala, procurando não sei o que. 
Parecendo eu com certas situações da vida, aparecia, sumia, reaparecia, resolveu ficar de vez por aqui. Comia os restos de jantar ou lanche que o pessoal da noite deixava, alguém do dia passou a trazer ração e a colocar água e ele com os outros foram ficando, fazendo morada no pátio.
 Isso foi no ano passado. Esse ano eu descobri que o primeiro gato era macho e um dos dois que apareceram depois era uma gata, não sei o sexo do terceiro.
Agora escutei um miado e fui lá ao pátio verificar, sei lá, talvez um dos gatos estivesse doente. Vi um gatinho, sozinho, quando me viu, carente correu para os meus pés, se roçando nas minhas pernas, pedindo carinho. Naquele pátio enorme, sem ninguém por perto, imagino o abandono que estava sentindo.

Está aqui ao meu lado, no meu colo, enquanto eu trabalho. Não posso levá-lo para casa, não sei qual será o seu dia de amanhã, mas eu sei o que é me sentir solitário, em um lugar vazio, querendo desesperadamente alguém que me diga “fica comigo essa noite. Não te deixarei só”.

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