Eu lembro quando chegou o primeiro
deles. Era arredio, me olhava com aquele jeito desconfiado, o apelidei de black bloc ou vândalo por cismar de tentar invadir a minha sala, procurando não sei o que.
Parecendo eu com
certas situações da vida, aparecia, sumia, reaparecia, resolveu ficar de vez por aqui. Comia os restos de jantar ou lanche que o pessoal da noite deixava, alguém do dia passou a trazer ração e a colocar água e ele com os outros foram ficando, fazendo morada no pátio.
Isso foi no ano passado. Esse ano eu
descobri que o primeiro gato era macho e um dos dois que apareceram depois era
uma gata, não sei o sexo do terceiro.
Agora escutei um miado e fui lá ao
pátio verificar, sei lá, talvez um dos gatos estivesse doente. Vi um gatinho,
sozinho, quando me viu, carente correu para os meus pés, se roçando nas minhas
pernas, pedindo carinho. Naquele pátio enorme, sem ninguém por perto, imagino o
abandono que estava sentindo.
Está aqui ao meu lado, no meu
colo, enquanto eu trabalho. Não posso levá-lo para casa, não sei qual será o
seu dia de amanhã, mas eu sei o que é me sentir solitário, em um lugar vazio,
querendo desesperadamente alguém que me diga “fica comigo essa noite. Não te
deixarei só”.
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