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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Londres 2012





 Londres 2012

E essa série chega até a Inglaterra em 2012 para a última olimpíada que eu assisti (se Deus quiser até essa sexta feira). Desde a Coréia até a Inglaterra são lembranças que trago comigo como se fosse um álbum de fotos que às vezes folheio para matar a saudade.
Futebol é mais do que um esporte, costumo dizer isso, portanto a maior celebração esportiva são os jogos olímpicos e é nele que deixo de lado todos os dias dedicados a uma religião (aka futebol) para curtir todos os esportes. Ou melhor, quase todos. Golfe não desperta a mínima vontade mesmo nesses dias.
Londres, de forma eficiente, organizou a sua olimpíada e apesar de problemas na reta final foi um sucesso  e teve a única festa de despedida que eu realmente prestei atenção. A próxima era no Rio de Janeiro e a entrega da bandeira iniciou a contagem regressiva que finalizará em breve.
 Enquanto por aqui no Brasil ainda discutiam se deveria ter ou não copa/olimpíada e Dilma começava a fazer parte do seu processo de destruição o Fluminense surrava seus fregueses de sempre e campeão estadual começava a ser campeão brasileiro e estava cada vez mais evidente o desastre que seria a eleição do congresso nacional. Só não viu quem não quis, ou melhor, quem se preocupava com tolices enquanto espertos angariavam votos.
Londres foi o palco de medalhas muito especiais. O jamaicano Usain Bolt com toda a sua simpatia fez da capital inglesa seu palco tornando-se o primeiro atleta, no atletismo, bicampeão olímpico nos cem, duzentos e revezamento quatro por cem conquistando seis ouros consecutivos nessas provas. Acho que não é exagero dizer que o mundo parou para assistir. Michel Phelps conseguiu  sua vigésima segunda medalha em Londres se tornando o maior atleta da historia das olimpíadas. Nas piscinas inglesas ganhou medalha de ouro no 4x100m medley, 200m medley, 100m borboleta  4x200m medley e duas medalhas de  prata no 4x100m livre e nos 200m borboleta. Tanto o nadador quanto o velocistas são daqueles atletas que eu torço para que algum dia não se descubra nada desabonador.
 Yane Marques foi aquela típica história brasileira que envolve superação, ineditismo, uma medalha muito comemorada e emocionante. Bronze no pentatlo moderno, no último dia dos jogos serviu para que eu fechasse o ciclo e começasse a pensar no que estava por vir. O ouro em Pequim, conquistado pelas mulheres de voleibol de quadra  não foi suficiente, era necessário exorcizar o fantasma russo definitivamente. Quartas de finais, vôlei feminino, Brasil e Rússia, e dessa vez quem virou o jogo foram às brasileiras. Na final contra as americanas perdeu o primeiro set e depois foi impecável. Bicampeãs olímpicas e definitivamente calando a boca dos críticos e/ou vira latas que abundam por esses lados.
Além dessa medalha eu lembro com carinho do ouro no judô e prata na natação no primeiro dia. Foi uma surpresa agradável um começo tão bom. Pena que a expectativa de uma participação melhor foi frustrada pela realidade brasileira. Conseguimos três ouros como em outros jogos.


quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Pequim 2008

Pequim 2008 chegou para suavizar a tragédia esportiva ocorrida com o Flu um pouco antes.  A vida não estava lá muito fácil e como desgraça pouca é bobagem vivi aquela decepção arrasadora. Nesse cenário a chegada dos jogos olímpicos veio a calhar para melhorar o astral.
Devido a violações dos direitos humanos a candidatura chinesa sofreu duras críticas e ameaças de boicote. Como nesse mundo capitalista quem fala alto é o dinheiro não foi adiante e os jogos ocorreram sem problemas políticos.
Pequim é a olimpíada da volta por cima do vôlei feminino tantas vezes chamadas de “amarelonas” devido à freqüente derrotas. A medalha que eu esperei em 1996 e 2000  vieram quando não acreditava. Uma agradável surpresa.  Na piscina Cesar Cielo me esperou chegar esbaforido ao trabalho para nadar e chegar a vitória. Explico, trabalhando de madrugada eu saltei do ônibus e tentei chegar rapidamente até o prédio onde tinha uma TV. Mal entrei na sala e  a prova estava para começar.
Além dessas duas Maurren Magi conseguiu superar uma suspensão de doping e ser a primeira mulher medalhista no atletismo. Depois de um longo jejum esse esporte voltava a ser ouro. Lembro-me que tentei ficar acordado para assistir a prova sem ter muita esperança de medalha, mas a atleta brasileira saltou de forma espetacular. E eu esperando os outros saltos. A cada marca o que era apenas uma torcida despretensiosa passou a ser esperança de medalha que se transformou em esperança de medalha de ouro. O último salto da sua concorrente foi muito bom e por uns instantes ficou o suspense até a confirmação. É a melhor lembrança de Pequim.
Se em 2004 as redes sociais ainda não eram tão populares e a internet não fazia parte da minha vida nessa eu assisti “conectado” e me arrependi. A babaquice dos brasileiros me fez prometer que doravante em época de olimpíada eu iria evitar o máximo possível interagir. Fiz em Londres e pretendo fazer agora. Os jogos merecem essa atenção.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Atenas 2004

Atenas 2004
Após perder a disputa para Atlanta em noventa e seis finalmente os jogos olímpicos voltaram a sua casa, o lugar onde tudo começou e que, apesar de ter se transformado em negócio, ainda tem algo romântico na sua alma. Atenas foi à escolhida para sediar a olimpíada em 2004 e tornou ao lado de Atlanta os jogos olímpicos que eu mais gostei de assistir.
Esse ano foi um dos melhores da minha vida, apesar de algumas dificuldades, eu estava seguindo um caminho prazeroso então não é surpresa que os jogos olímpicos desse ano tenham sido parte dele. Enquanto eu estava bem, o Flu passava mais um ano sem títulos apesar de ter um patrocínio invejável, o PT enfrentava o escândalo do mensalão e  o ocidente vivia um novo tipo de terrorismo, com motivação religiosa, atingindo civis e não sendo cometido por um Estado ou grupo ocidental com ideologia política. Não podia adivinhar que o atentado ao WTC em 2001 e os outros posteriores eram o ovo da serpente para algo pior que estava por vir.
Não vale a pena lembrar fracassos, é maldade com atletas, e a escrotice dos brasileiros com isso é irritante, mas um eu lembro com prazer. O vôlei feminino ganhava com tranqüilidade da Rússia no quarto set e de forma inacreditável perdeu o jogo. Foram chamadas de amarelonas, sofreram críticas e vítimas de deboche. Demoraria um pouco para esse fantasma ser exorcizado definitivamente, mas aí é outra historia.
O Brasil nesses jogos ganhou 5 medalhas de ouro, uma delas, a do Rodrigo Pessoa só foi dada um ano depois devido a um caso de doping. Pessoa que quatro anos antes era favorito e fracassou terrivelmente conseguiu de maneira dramática a medalha de prata. O último percurso eu assisti com o coração na boca enquanto cavalo e cavaleiro davam a volta por cima.
Tendo um time espetacular do vôlei, franco favorito, eu comecei a ter certeza da medalha dourada em uma partida contra a Itália, na primeira fase, ganhando  um tie breake que passou dos trinta pontos. Depois foi demolindo seus adversários até a glória final.  Um time inesquecível.
Das minhas muitas lembranças boas também tem a medalha de bronze do Vanderlei Cordeiro de Lima  e sua entrada  no estádio olímpico na prova mais nobre do atletismo sendo aplaudido pelo público.

Era para ser a sexta medalha de ouro brasileira, eu estava acompanhando na TV, quando um imbecil o jogou no chão. Graças à ajuda de um grego voltou à prova e como eu torci para que ele recuperasse a concentração e conseguisse ao menos o bronze. A última medalha brasileira foi o ato final para que essa olimpíada se tornasse especial.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Sidney 2000


O mundo não acabou conforme o previsto e o bug do milênio não foi à tragédia temida e anunciada.  Por aqui o Flu retornava ao seu lugar merecido e eu recomeçava a minha vida de onde parei. Quando olho para trás e lembro-me de dois mil vejo que demorei demais para tomar certas decisões, mas sempre é tempo.  O novo século trazia algo de novo para mim e eu não desperdicei a oportunidade.
Sidney chegou em um momento de calmaria na vida pessoal enquanto o Rio de Janeiro e o Brasil continuavam no mesmo nível de agora: corrupção, violência, patifaria e outras coisas mais.
Anos olímpicos sempre me deixam lembranças especiais nos esportes, mas esse só teve de especiais fatos fora dos jogos olímpicos. Guga em Roland Garros foi mais uma vez espetacular e terminaria o ano como o número um do mundo.
Quem chegou até aqui já percebeu que eu não nutro muita simpatia por essa olimpíada e estão certos quanto a essa suspeita.  Não gosto dela, e é a que menos tenho motivos legais para relembrar algo, não me deixou saudades nenhuma, somente um sentimento de frustração. A história mais legal é a de Eric Moussambani.
Vindo da Guine Equatorial e sem nunca ter nadado em uma piscina olímpica, Moussambani treinou menos de um ano e realizou seus treinos em uma piscina de hotel. Na sua bateria dois atletas queimaram a largada e então nadou sozinho, perdendo o fôlego na reta final, mas terminando a prova usando a força de vontade deixando de lado a pouca técnica. Na época não dei muita atenção, e a cena pareceu digna de risos, mas hoje em dia acho que isso é parte do que chamam espírito olímpico. Ele teve dignidade de fazer o seu melhor sem trapacear igual a uma velocista americana (não vale a pena digitar no Google e procurar seu nome) ganhadora de várias medalhas e depois descoberta no exame antidoping.
 O Brasil conseguiu não conquistar nenhuma medalha de ouro e foram muitas as decepções com vices e fracassos. A medalha  do revezamento 4x100, um segundo lugar, narrada pelo Galvão Bueno (sempre ele) é o melhor momento de todo o evento. Se o mundo do esporte fosse justo essa prata já teria se transformado em ouro, pois há suspeitas de ter ocorrido doping no revezamento campeão e bronze no basquete feminino.
As outras medalhas de bronze ou prata ficaram com um gosto de decepção, a olimpíada inteira para ser sincero ficou com esse sabor. Restou esperar a próxi

domingo, 31 de julho de 2016

Atlanta 96


No Brasil de noventa e seis começava o calvário do Flu, a internet começava sua expansão ainda dependente do Estado e televisão a cores deixava de ser luxo. O século XX começava a falar na sua aposentadoria e fazer planos para quando tivesse tempo sobrando.
Aterrorizado pela epidemia do HIV acompanhei a agonia do Renato Russo que partiria naquele ano. Era mais uma personalidade vitimada pela doença, o coquetel usado hoje em dia chegou tarde demais para o vocalista da Legião Urbana. O presidente era um sociólogo, perseguido pela ditadura, Fernando Henrique Cardoso ainda não tinha enlameado sua biografia enquanto eu terminava o ensino médio sem ter a menor perspectiva para noventa e sete. Se esse ano tem algo que mereça ser lembrado  é a chegada de mais um mega evento esportivo sediado novamente pelos EUA.
A pessoa escolhida para acender a pira foi Muhammad Ali. Segredo bem guardado, quando as câmeras do mundo inteiro focaram nele eu vi um negro altivo, mostrando para mim, que não o tinha visto lutar, porque era uma lenda do esporte.  Sua altivez conduzindo a tocha, acometido pela doença, me fez emocionar e reverenciar um mito que eu só tinha escutado algumas histórias e nada mais. Naquele momento eu me tornei fã do ex boxeador, ativista, grande nome do século. A olimpíada de Atlanta começou a ganhar meu coração para sempre naquela noite e até hoje eu a tenho como uma das melhores.
O cara que tinha sido campeão olímpico e jogado sua medalha fora em um ato de revolta e desilusão era reverenciado pelo mundo dos esportes,  como se fosse um pedido de desculpas, homenagem merecida. Não me importo desse evento não ser visto como um sucesso e sua escolha antipática por ter sido  mais pelo apelo comercial do que emocional. Ali era uma pessoa grandiosa, um nome histórico, um mito e só por ele tudo valeu a pena.
Ao contrário das outras duas olimpíadas que eu vi nessa teve “fartura” de medalhas para os padrões brasileiros e algumas me marcaram demais além do futebol sempre me decepcionando.
O bronze do vôlei feminino após uma derrota traumática para as cubanas foi conquistado no sofrimento, com o time tendo que juntar seus pedaços e tentando não sair de mãos vazias. Eu torci muito, achava muito merecido que subissem no pódio. No basquete feminino a prata conquistada foi uma poucas vezes nessa vida que não senti gosto de derrota em um vice.  O ouro do vôlei de praia foi à consagração definitiva das atletas femininas em uma final brasileira. A história estava sendo escrita  de novo.
A olimpíada em Atlanta foi considerada um fracasso tanto na organização e na escolha. Era uma olimpíada centenária e Atenas, capital da Grécia, preferida do mundo fora da política. Entre o apelo comercial e o emocional os cartolas preferiram o tilintar das moedas e não deu certo.

Barcelona 92

A década de noventa inicia com Mandela nos dando lições. O fim do apartheid permitiu que a África do Sul voltasse a competir e deixasse de ser uma pária internacional.
 Em 1992 a Europa vivia o drama de outra guerra sangrenta. O "fim da historia" dito por um liberal maluco é comprovadamente uma falácia embora alguns ainda acreditem nisso.  O desintegramento da URSS fez com que seus atletas competissem sob a sigla CEI (comunidade dos estados independentes) e eu me preparei para a segunda olimpíada da minha vida não menos ansioso do que a primeira.
Por aqui o jejum do Flu começava a incomodar, O que parecia algo passageiro começava a virar drama,  Fernando Collor, presidente eleito pelo voto direto, estava em queda livre (a democracia brasileira não se dá bem com presidentes eleitos pelo povo), Senna começava a virar um mito e eu vivia tentava passar da infância para a adolescência a duras penas.
Barcelona é considerada até hoje como uma sede exemplar, uma cidade que aproveitou bem a oportunidade para melhorar enormemente. Talvez lá os espanhóis da época tenham feito algo mais do que discutir se deveria ter ou não ter olimpíadas até a realização dela. Ou não curtem se sabotar continuamente. Esses são motivos subjetivos que eu me arrisco dizer.
Eu particularmente não curti tanto essa olimpíada como as outras posteriores por causa das poucas medalhas conquistadas pelo Brasil, foram apenas 3 não obstante duas de ouro (uma enormidade para um país igual ao nosso que tratava os atletas pior do que agora).
Uma dessas medalhas foi no judô e eu não lembro nada dessa luta. Não lembro onde eu estava como eu soube, se eu vi, nada. E a outra medalha de ouro foi com o time de vôlei que, sendo formado para 96, antecipou o ciclo e se tornou franco favorito na final após bater os EUA (um timaço). A Holanda não deu trabalho, foi dominada e o esporte coletivo brasileiro finalmente era campeão olímpico.
Você nem sempre consegue entender que está vendo a historia sendo escrita quando vive o momento.  Eu não consegui isso quando falavam da seleção americana de basquete ir disputar o ouro com seu time profissional. Até que começaram os jogos e me encantei com o aquele time. Nunca haverá outra seleção daquelas, alguém tão favorito, capaz de vencer, encantar, ter juntos tantos jogadores espetaculares. A seleção americana não jogava, dava show, fez de cada partida disputada um momento inesquecível e conquistou não apenas a medalha de ouro mais um lugar nos maiores times de todos os tempos.
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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Seul 88

1988. O mundo dividido por uma guerra fria sentia medo de uma guerra nuclear enquanto por aqui a inflação inclemente ignorava os “pacotes econômicos”. Collor ainda não tinha passado de “aventureiro” para “caçador de marajás”, Fluminense começava o seu jejum e a seleção olímpica contava com um jovem atacante indisciplinado chamado Romário.
Entre gibis, internação, cirurgia e futebol esperei ansioso a olimpíada de Seul. Tinham me dito que era um espetáculo esportivo e eu não esperava menos do que isso. Não me decepcionei. Acho que é uma das poucas coisas que eu lembro: Era tão sensacional quanto eu imaginei por longas noites ansiosas.
Minhas lembranças dessa primeira olimpíada que eu vi são:

O doping do Bem Johnson foi o que mais me marcou até hoje. A imagem dele vencedor após a prova de velocidade e depois a descoberta o marginalizando é "pesada" demais. 
Aurélio Miguel conquistando o ouro eu não Me lembro de praticamente nada. Procuro o vídeo com essa luta e com narração brasileira. Pago com gratidão.
Sei que acordei quando a luta estava para começar, logo depois do pódio fui pra rua e um idoso debochava da conquista (tão atual esse comportamento. Infelizmente).
E foi nessa olimpíada que surgiu uma certeza  levada comigo  até 94. “Se for pros pênaltis Taffarel garante”. Esses dias revi a decisão por pênaltis contra a Alemanha. Lembrava do goleiro defendendo um pênalti no tempo normal. Não lembrava quantos ele defende na disputa. Nem lembrava mais que o Galvão Bueno tinha narrado.  
A medalha de prata foi uma decepção imensa. Brasil perdeu na final para a URSS e eu continuaria com meu jejum particular de títulos.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O Começo de Tudo

  Na década de oitenta uma tia veio morar comigo. A tia "Dita" e nas conversas com ela comecei a sonhar com o que era uma olimpíada. Ela sempre falava das dois últimos jogos olímpicos, do boicote (eu não conseguia entender o motivo), Misha e de Joaquim Cruz.
     Falava do atleta com mágoa do Brasil e de como ele era tratado e com admiração do feito dele. E contava como tinha sido a medalha de ouro conquistada. Contou uma, duas, tantas vezes eu pedi. Uma corrida espetacular, dizia, surpreendendo muitos, o garoto pobre de Brasília tinha feito história e ido depois pros EUA pois atleta não tem apoio.
     E eu sonhava. E também maldizia esse país que não valoriza os seus.
    No ano passado descobri no youtube a épica corrida do Joaquim.. Finalmente consegui assistir a primeira medalha do Brasil que eu "vi".