1988. O mundo dividido por uma
guerra fria sentia medo de uma guerra nuclear enquanto por aqui a inflação
inclemente ignorava os “pacotes econômicos”. Collor ainda não tinha passado de
“aventureiro” para “caçador de marajás”, Fluminense começava o seu jejum e a
seleção olímpica contava com um jovem atacante indisciplinado chamado Romário.
Entre gibis, internação,
cirurgia e futebol esperei ansioso a olimpíada de Seul. Tinham me dito que era
um espetáculo esportivo e eu não esperava menos do que isso. Não me
decepcionei. Acho que é uma das poucas coisas que eu lembro: Era tão
sensacional quanto eu imaginei por longas noites ansiosas.
Minhas lembranças dessa
primeira olimpíada que eu vi são:
O doping do Bem Johnson foi o que mais me marcou até hoje. A imagem dele vencedor após a prova de velocidade e depois a descoberta o marginalizando é "pesada" demais.
Aurélio Miguel conquistando o
ouro eu não Me lembro de praticamente nada. Procuro o vídeo com essa luta e com
narração brasileira. Pago com gratidão.
Sei que acordei quando a luta
estava para começar, logo depois do pódio fui pra rua e um idoso debochava da
conquista (tão atual esse comportamento. Infelizmente).
E foi nessa olimpíada que
surgiu uma certeza levada comigo até 94. “Se for pros pênaltis Taffarel
garante”. Esses dias revi a decisão por pênaltis contra a Alemanha. Lembrava do
goleiro defendendo um pênalti no tempo normal. Não lembrava quantos ele defende
na disputa. Nem lembrava mais que o Galvão Bueno tinha narrado.
A medalha de prata foi uma
decepção imensa. Brasil perdeu na final para a URSS e eu continuaria com meu
jejum particular de títulos.
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