domingo, 31 de julho de 2016

Barcelona 92

A década de noventa inicia com Mandela nos dando lições. O fim do apartheid permitiu que a África do Sul voltasse a competir e deixasse de ser uma pária internacional.
 Em 1992 a Europa vivia o drama de outra guerra sangrenta. O "fim da historia" dito por um liberal maluco é comprovadamente uma falácia embora alguns ainda acreditem nisso.  O desintegramento da URSS fez com que seus atletas competissem sob a sigla CEI (comunidade dos estados independentes) e eu me preparei para a segunda olimpíada da minha vida não menos ansioso do que a primeira.
Por aqui o jejum do Flu começava a incomodar, O que parecia algo passageiro começava a virar drama,  Fernando Collor, presidente eleito pelo voto direto, estava em queda livre (a democracia brasileira não se dá bem com presidentes eleitos pelo povo), Senna começava a virar um mito e eu vivia tentava passar da infância para a adolescência a duras penas.
Barcelona é considerada até hoje como uma sede exemplar, uma cidade que aproveitou bem a oportunidade para melhorar enormemente. Talvez lá os espanhóis da época tenham feito algo mais do que discutir se deveria ter ou não ter olimpíadas até a realização dela. Ou não curtem se sabotar continuamente. Esses são motivos subjetivos que eu me arrisco dizer.
Eu particularmente não curti tanto essa olimpíada como as outras posteriores por causa das poucas medalhas conquistadas pelo Brasil, foram apenas 3 não obstante duas de ouro (uma enormidade para um país igual ao nosso que tratava os atletas pior do que agora).
Uma dessas medalhas foi no judô e eu não lembro nada dessa luta. Não lembro onde eu estava como eu soube, se eu vi, nada. E a outra medalha de ouro foi com o time de vôlei que, sendo formado para 96, antecipou o ciclo e se tornou franco favorito na final após bater os EUA (um timaço). A Holanda não deu trabalho, foi dominada e o esporte coletivo brasileiro finalmente era campeão olímpico.
Você nem sempre consegue entender que está vendo a historia sendo escrita quando vive o momento.  Eu não consegui isso quando falavam da seleção americana de basquete ir disputar o ouro com seu time profissional. Até que começaram os jogos e me encantei com o aquele time. Nunca haverá outra seleção daquelas, alguém tão favorito, capaz de vencer, encantar, ter juntos tantos jogadores espetaculares. A seleção americana não jogava, dava show, fez de cada partida disputada um momento inesquecível e conquistou não apenas a medalha de ouro mais um lugar nos maiores times de todos os tempos.
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