A década de noventa inicia com
Mandela nos dando lições. O fim do apartheid permitiu que a África do Sul
voltasse a competir e deixasse de ser uma pária internacional.
Em 1992 a Europa vivia o drama de outra guerra
sangrenta. O "fim da historia" dito por um liberal maluco é
comprovadamente uma falácia embora alguns ainda acreditem nisso. O desintegramento da URSS fez com que seus
atletas competissem sob a sigla CEI (comunidade dos estados independentes) e eu
me preparei para a segunda olimpíada da minha vida não menos ansioso do que a
primeira.
Por aqui o jejum do Flu começava a
incomodar, O que parecia algo passageiro começava a virar drama, Fernando Collor, presidente eleito pelo voto
direto, estava em queda livre (a democracia brasileira não se dá bem com presidentes
eleitos pelo povo), Senna começava a virar um mito e eu vivia tentava passar da
infância para a adolescência a duras penas.
Barcelona é considerada até hoje como
uma sede exemplar, uma cidade que aproveitou bem a oportunidade para melhorar
enormemente. Talvez lá os espanhóis da época tenham feito algo mais do que
discutir se deveria ter ou não ter olimpíadas até a realização dela. Ou não
curtem se sabotar continuamente. Esses são motivos subjetivos que eu me arrisco
dizer.
Eu particularmente não curti tanto
essa olimpíada como as outras posteriores por causa das poucas medalhas
conquistadas pelo Brasil, foram apenas 3 não obstante duas de ouro (uma
enormidade para um país igual ao nosso que tratava os atletas pior do que
agora).
Uma dessas medalhas foi no judô e eu
não lembro nada dessa luta. Não lembro onde eu estava como eu soube, se eu vi,
nada. E a outra medalha de ouro foi com o time de vôlei que, sendo formado para
96, antecipou o ciclo e se tornou franco favorito na final após bater os EUA
(um timaço). A Holanda não deu trabalho, foi dominada e o esporte coletivo
brasileiro finalmente era campeão olímpico.
Você nem sempre consegue entender que
está vendo a historia sendo escrita quando vive o momento. Eu não consegui isso quando falavam da seleção
americana de basquete ir disputar o ouro com seu time profissional. Até que
começaram os jogos e me encantei com o aquele time. Nunca haverá outra seleção
daquelas, alguém tão favorito, capaz de vencer, encantar, ter juntos tantos
jogadores espetaculares. A seleção americana não jogava, dava show, fez de cada
partida disputada um momento inesquecível e conquistou não apenas a medalha de
ouro mais um lugar nos maiores times de todos os tempos.

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