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domingo, 23 de abril de 2017

Salve, Guerreiro

   Faz um ano... A face marcada pelo acidente a alma com marcas de outras lutas... Doze meses se passaram e quantas vezes passei diante da sua igreja lhe dedicando pedidos e graças.
Hoje é o dia dedicado a você porém algum dia na minha vida não é? Agradeço por tudo, peço forças para continuar as lutas materiais e as espirituais, limite a minha arrogância, não me deixe ser soberbo diante dos fracos, multiplique minha força pois preciso dela para continuar, faça de mim seu instrumento de luta contra as forças do mal.
    Aqui estou eu, soldado da sua cavalaria, renovando meus votos.
Que meu caminho seja iluminado pela sua luz, sua proteção guarde a todos que amo. Salve, Jorge, salve santo guerreiro.

sábado, 23 de abril de 2016

Salve, Santo Guerreiro

Não é a  homenagem que eu planejei. Não era isso, ou somente isso, que iria postar. Mas você há de entender esse seu cavaleiro. As vezes não é possível fazer o que pretendemos. Agradeço a você por ter me protegido, peço forças para lutar, quero apenas manter minha fé em ti. Salve, Jorge.


sábado, 3 de outubro de 2015

Humildade ( Dia de São Francisco)

   Ao falar de humildade percebo que associam a pobreza. Uma casa humilde é uma casa pobre, uma pessoa humilde é uma pessoa com poucos bens materiais. Há também aquela humildade que eu considero modéstia. A pessoa hesita ou evita reconhecer suas qualidades, teme a vaidade em relação a si.
   Há algum tempo, conforme escrevi ontem, me voltei para Francisco de Assis, o santo conhecido por sua humildade e desde então trago comigo uma forma de vê-la da seguinte forma: Não exigir dos outros algo que você tem de especial.
   Você é bem sucedido na sua profissão porque tem competência, teve oportunidades, sorte ou outras variáveis. Não exija que todos sejam assim. A vida não é igual, as dificuldades são diferentes e algumas pessoas simplesmente não conseguem iniciar um caminho quanto mais iniciar e continuar nele com sucesso. Você lê bons livros, tem uma boa capacidade intelectual? Não exija que todos tenham ensine a esses o que aprendeu, seja um desses e tenha em mente que você estudou em boas escolas, nasceu com facilidade para leitura deu a boa sorte de ter dinheiro para comprar os livros que deseja e necessita. Você é capaz de muitas coisas, eu sei, mas não exija dos outros essa capacidade, nem todos conseguem, não, não basta querer, acredite, para cada Usain Bolt existem milhares de anônimos que gostariam de ao menos participar de uma olimpíada e não saíram das competições colegiais.
   Seja humilde para entender que suas qualidades e suas conquistas são motivo de orgulho, mas não podem ser réguas medindo o seu semelhante. Nem todos suportaram ou suportariam a dor que você sente ou sentiu, nem todos tiveram a oportunidade que você teve.
   Nesse dia de São Francisco de Assis, o santo deixo essa mensagem a vocês. Humildade.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Santo Guerreiro

   As vielas da vida eu percorro amparado em sua proteção, nos becos escuros não temo, pois você me guia, se fraquejo você não me deixa ajoelhar perante o inimigo, se meu rosto fica no chão é em ti que encontro forças para levantar. Os estampidos que me causaram medo não me acertaram, pois sua armadura me protegeu sua lança e sua espada afastam os inimigos e se um deles me fere a cicatriz, marca de batalha, é em sua homenagem, sua força é minha força, sua luz é minha luz, seu exército conta comigo, meu agradecimento tem razão de ser. Salve, Jorge, salve, guerreiro, salve, santo mais popular do RJ. 



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Salve, Jorge

- Amor, onde que tem uma encruzilhada?

- Uma o que??

- Encruzilhada, eu preciso de uma.

- Enlouqueceu, só pode ser isso. Para que você precisa de uma encruzilhada, homem de Deus?

- Hoje é dia de São Jorge.

- E daí?

- Todo dia de São Jorge eu acendo velas em uma encruzilhada.

- Não sabia que você era macumbeiro. Aliás, não sabia nem que você era religioso.

- Não existe macumba, tem umbanda e candomblé e...

- Foda-se o politicamente correto entendeu isso que importa.

- Então, precisamos encontrar um local para acender as velas.

- Precisamos não. Eu não vou a lugar nenhum a essa hora da madrugada, não conte comigo.

- Eu preciso de ajuda. Você segura às velas e eu acendo.

- Foda-se. Não vou. E se resolve baixar um santo na encruzilhada. Eu heim.

- Não vai baixar, não somos médiuns, pais de santo ou algo do tipo. Não vai ocorrer nada.

- Não vou, não vou e não vou. Porque não faz igual a todo mundo, vai a uma igreja e acende lá. Ou sei lá, acende na calçada, na pqp, mas me deixa quieta.

- A promessa é para acender em uma encruzilhada.

- Que promessa, homem de Deus? Que promessa? Porque eu sempre me irrito com suas maluquices? Porque não é um homem com aqueles hábitos normais, ir ao bar, ao futebol, etc.?

- Meu pai prometeu que se eu ficasse vivo todo dia 23 de abril ia acender uma vela para são Jorge.

- Ficasse vivo? Como assim?

- Teve um assalto lá em casa, o bandido atirou e meu pai desesperado fez essa promessa.

- E o tiro te acertou?

- Milagrosamente pegou de raspão.

- A promessa era dele. Ele morreu a dívida acabou.

- Eu estou vivo até hoje, não estou? Quero agradecer a graça alcançada.

- Não conhecemos nada por aqui. Onde vamos achar uma encruzilhada, cacete?

- Sei lá. Algum lugar deve ter.

A lua ainda estava presente no céu quando o casal saiu pela rua de mãos dadas e maços de vela na mão, procurando por uma encruzilhada. Enquanto ele ia compenetrado como se cumprisse um ritual, ela não conseguia mais reclamar. Ele estava vivo, embora não acreditasse em santos, Deus, milagres e coisas do tipo, tinha vivido para encontrá-la. Se por acaso esse santo existisse mesmo, merecia dela um obrigado por ter permitido viver essa historia de amor.

Depois de muito andar, sem direção, encontraram um lugar adequado para as velas serem acesas, ele ia acendendo e colocando no chão, de joelhos fazia uma prece para cada uma. No final, ao acender a última vela os dois murmuraram um “salve, Jorge”.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Ateu? Não Sei.

- Pai, você acredita em Deus?

A pergunta o pegou de surpresa. Carla desde que tinha chegado a sua casa tinha algo a perguntar. Natural, adotada, com oito anos de idade tentava entender quem era aquele adulto que a tinha buscado no orfanato e dado um lar. Logo deixou de chamá-lo pelo nome para chamar de pai, o interrogava constantemente e isso não o irritava. Ah se fosse com qualquer outra pessoa, mas aquela menininha que tinha trazido luz para sua vida ele achava compreensível à curiosidade. Pousou os talheres sobre a mesa e começou a ensaiar uma resposta.

- Hum... Acreditava... Não sei mais... Porque a pergunta?

A menina rapidamente responde.

- O pai da Clara disse que não. Disse que é uma forma das igrejas tirar dinheiro dos otários. Você acha isso?

Mexeu-se desconfortável na cadeira, olhou para os lados, e agora? Começava a discorrer sobre o ópio do povo e a corrupção dos religiosos? Ela era uma criança ainda, melhor não, pretendia que ela lesse Marx quando tivesse uns doze anos ao menos. Tentou algo mais simples.

- Tem uns que usam Deus e estão na igreja para enganar os outros. Outros realmente acreditam.

- E como nós sabemos quem faz isso, pai?

Boa pergunta, pensou. Coçou a cabeça e mais uma vez procurou uma resposta convincente. Essa historia de paternidade definitivamente era algo difícil demais:

- Bem, quem acredita em Deus faz o bem, ajuda as pessoas, então esses não enganam ninguém.

- E quem não acredita, não ajuda ninguém?

Putz. Eu sabia que ela ia perguntar isso. Essa pestinha deve está lendo aquelas páginas no feice com ateus criticando cristãos e vice versa só pode ser. Preciso me lembrar de vigiá-la melhor quando estiver conectada.

- Não, meu amor. Quem não acredita ajuda sim. Eu estava falando dos que enganam os outros.

- O pai da Clara falou que são todos otários.

- Acreditar ou não acreditar em algo não faz alguém ser otário, meu amor.

- Outro dia você falou que só sendo muito idiota para acreditar no PT, lembra?

Sim, eu lembro. Sim, eu preciso começar a prestar atenção no que eu falo na sua frente. Quem sabe fique mudo e não precise perder o meu almoço tentando explicar coisas complicadas. E sim, acreditar em algumas coisas somente sendo idiota, mas eu não vou lhe dizer isso agora.

- Eu falei na hora da raiva. Não são todos otários.

- Só alguns?

Suspirou com ar de paciência e não se conteve.

- Outros são espertos, mocinha. Espertos demais.

- São os espertos que enganam?

- Nesse país, a esperteza é sempre associada à desonestidade. Infelizmente. 

- Você ainda não falou se acredita em Deus ou não.

- Eu acreditava. Hoje em dia eu não sei mais se acredito.

- Porque não sabe mais?

- Porque não falo mais com ele. Um dia você vai passar por isso. Temos amigos que com o tempo não nos vemos mais e deixamos de nos falar. Deus é como se fosse um amigo que sumiu e o tempo foi passando fazendo com que eu deixasse de acreditar na sua existência.

- Vocês brigaram?

- Eu briguei com ele.

- Por quê?

- Na igreja que eu ia diziam que ele ia me ajudar. Mas as coisas foram ficando difíceis, eu pedia ajuda e nada. Um dia eu me revoltei e falei que não acreditava mais nele.

- Hummm

- Você já viu aquela foto que está no meu quarto né. A da mulher com um vestido vermelho.

- Já sim.

- Foi no dia que ela morreu que eu me revoltei.

- Então deixou de acreditar?

- Deixamos de nos falar.

- Ele deve ter ficado chateado. Você explicou a ele?

- Sim, naquele dia eu deixei bem claro os motivos. Sempre é bom a gente ser sincero. Dizer a verdade faz bem.

- O pai da Clara falou que Deus não existe. Vou falar pra ele que existe sim e você até conversava com ele.

- É por aí. Tem gente que acredita, outros não, alguns conversam com ele, outros rezam para ser escutados, tem gente que pede. Tem lugar para todo mundo nesse mundo.

- A Roberta disse que quem não acredita vai para um lugar ruim. A mãe dela que disse. Será que o pai da Clara vai pra lá?

- É porque a mãe dela acredita em uma religião que diz isso. Tudo é uma questão de acreditar.

- E quem está certo, pai?

- Quando você acredita em algo é porque acha que aquilo é certo. Acho que não tem ninguém errado.

- Nem por acreditar no PT?

Por pouco não se deixou levar e começou um discurso sobre a situação política no Brasil, mas, se conteve. Era só uma conversa de pai para filha, ela talvez um dia se lembrasse disso com carinho, não queria estragar aquele momento especial. Respirou fundo para a resposta.

- Nem. Se você acredita em algo e não prejudica ninguém por causa da sua crença não vai para um lugar ruim e podemos achar que ele não está errado.

- E se prejudicar?

- Aí nem precisa ir para um lugar ruim. Onde ele está será ruim.

- Se eu falar com Deus ele vai me escutar? Mesmo se eu não acreditar nele?

Boa pergunta, pensou. Gostaria de saber essa. Será que se eu consultar o google encontro alguma teoria filosófica, religiosa, sei lá o que. Estou quase começando a voltar acreditar só para pedir ajudar a ele nessa conversa. Apelou para uma mentira.

- Bem, se ele existir, vai te escutar sim. Quando eu ia pra igreja sempre me diziam que ele escutava todo mundo até quem não acreditava nele.

A menina se distraiu com a comida, provavelmente pensando em tudo que lhe havia sido dito. Apostava que iria voltar a esse assunto e era melhor se preparar para ter respostas melhores às perguntas que viriam. Será que tinha um tutorial no google que lhe ajudasse? Seria bom uma orientação. Talvez se perguntasse em um fórum ou perguntasse para alguma mulher. Sim, mulher entendia disso, ia perguntar para uma como respondia certo. Dessa vez tinha se saído mal, mas também, pego de surpresa tentou fazer o que podia.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Santo Guerreiro


Uma tarde vi quem eu amo desesperada e mesmo assim consegui ser forte o suficiente até a situação se acalmar graças a ti.

Uma noite perigosa onde a qualquer momento o risco podia aumentar, invoquei o seu nome e voltei para casa sem motivos para lamentar.

Uma tarde qualquer, diante dos riscos, esteve comigo dando-me a segurança que, protegido por você nada tenho a temer.

Quando me despi do orgulho e chorei copiosamente, me consolastes lágrimas não são sinais de fraqueza.

Quando em uma noite fui negligente, me cobristes com sua armadura e o único dano causado foi um tremor nas mãos.

Se eu pensei em desistir foi na sua fé que me amparei para seguir em frente, afinal, um guerreiro não foge da luta.

Se nesses anos todos, mesmo sentindo medo nunca fui dominado pela covardia, foi por causa da minha fé em ti.

Ilumine-me, não me deixe ser injusto, ser forte com os fracos e fraco diante dos fortes.

Tira de mim a covardia de machucar alguém por puro prazer, mas não me deixe cometer o erro de permitir que alguém faça mal a mim e aos meus.

Tire de mim o sentimento de arrogância, mas deixe meu orgulho, preciso dele para manter sempre a cabeça erguida.

Proteja-me nessas estradas da vida, continue me guardando, seja sempre o meu protetor, pois a selva de pedra é perigosa e nem sempre estou preparado para os riscos.

Faça de mim soldado de sua cavalaria, São Jorge, se assim eu merecer, pois com muita honra sempre ofereço meus préstimos a sua causa esteja onde eu estiver.





terça-feira, 12 de junho de 2012

Andarilho

Chegou depois da sua fama, essa já tinha chegado primeira na cidade e não era surpreendente que isso ocorresse, há muito já deixara de ser um completo desconhecido onde parava. Não se importava com a fama, nem com os problemas que ela trazia, sempre dizia a si mesmo que era tudo passageiro e por isso não deveria se incomodar.
Há anos atrás ele praticamente se convidava a falar para o público, agora rejeitava convites,  surgiram propostas para agenciar a sua carreira ou cuidar dos seus compromissos, rejeitava cada proposta com uma risada e continuava seu rumo, sem saber o dia de amanhã parando onde tivesse alguém que prestasse atenção no que dizia.
Subia no palco armado e falava sobre o amor, caminhos a seguir e outros temas para ouvidos atentos e rostos sérios. Era veemente em suas palavras, transmitia emoção em cada palavra e ao final saía discretamente rumo ao hotel da cidade onde se hospedava ou partia para outro lugar.
Quando lhe perguntaram se era um pregador religioso ou algo do tipo dizia ser apenas um palestrante motivacional, quando lhe perguntaram se era um palestrante disse ser um enviado de Deus, a todos não contava sua verdadeira historia, eles não iriam entender, por isso guardava para si sem expor a ninguém o que tinha acontecido anos antes.
Era mais uma pessoa nesse mundo que trabalhava por um salário baixo, alienado do mundo e sem grandes alterações no cotidiano quando um dia escutou uma voz lhe dizendo para sair pelo mundo mostrando aos outros um caminho a seguir. No inicio não deu atenção a que escutava, com a insistência daquela voz resolveu aceitar que não estava insano e mesmo achando  uma loucura perguntou a quem deveria mostrar e como isso seria feito se ele próprio não achava o seu.
Desde a resposta recebida caminha pelo mundo, falando a quem deseja escutar sobre assuntos que lhe dão vontade sem explicar a ninguém o porquê disso talvez por nem ele mesmo saber. Ainda não descobriu o seu caminho, fez dele uma trilha para outros, também não sabe por que foi escolhido para essa missão, a única certeza é que desde aquele dia nunca lhe faltou comida ou um abrigo para morar e nunca mais se sentiu sozinho.


domingo, 3 de junho de 2012

Soldado de Jorge


As lágrimas rolaram na face, mas não desisti.

As pernas tremeram, mas não recuei.

As noites se tornaram longas, mas sempre fui vigilante.

Os dias se tornaram nublados, mas meu caminho teve a sua luz.

O mal se fez presente e não me desvirtuou.

Foi necessário fazer o bem, mas sem perder a  humildade.

Tive que lutar, mas sempre por uma causa justa.

Tive que me defender, mas sem atingir inocente.

Foi necessário fazer justiça e eu coloquei nas mãos de Deus.

Foi necessário perdoar, e tive que ser forte para isso.

Não foi difícil manter a fé.

Soldado de Jorge, guerreiro da sua cavalaria, sempre a disposição.

sábado, 7 de abril de 2012

O Terceiro Dia

Não queria se levantar, por ela dormiria mais um longo tempo, talvez nunca mais acordasse se lhe dessem a opção de escolher. Já tinha pensado em tirar a sua vida, mas era covarde demais para isso, mesmo assim, pensou irônica, era capaz de fazer tudo errado e ainda passar o constrangimento de ser socorrida, chamar a atenção de todos, ser assunto de comentários maldosos, tudo o que sempre odiou desde sempre.
Olhou o despertador, já passava das treze horas, fazia calor, era melhor enfrentar o novo dia de vez da melhor forma possível, afinal, pior do que estava não podia ficar.
Bem, pensando bem, sempre pode ficar pior não é mesmo? A maldita lei de Murphy sempre nos lembra disso era só o que faltava para completar o cenário desanimador do domingo.
Ah, os domingos, lembrava-se deles alegres, com almoço em família, passeios ao parque, ida ao cinema, caminhadas ao ar livre, quando tudo mudou e começou a desabar não se lembrava mais, só sabe que como se diz por aí a “casa caiu” e não foi reconstruída apesar dos esforços feitos.
Ligou a televisão e um daqueles programas de auditório chatos tinha uma apresentadora falando sobre algo, firmou a vista e tentou clarear a mente para escutar melhor, falava sobre ser domingo de páscoa e misturava uma mensagem religiosa com o consumismo do chocolate vendido pela propaganda capitalista.
Lembrou ainda ser uma cristã católica, ao menos que soubesse não tinha sido excomungada e nem feito nada para isso, portanto ainda era uma católica mesmo que “tecnicamente” apenas, e passou a relembrar o que significava a páscoa.
Depois da sexta feira onde Cristo se sacrificava por todos e de um sábado de incerteza sobre a sua ressurreição, ao terceiro dia a profecia se cumpre e Jesus retorna ao convívio dos seus. Ficou pensando nisso por algum tempo, tentando lembrar das já longínquas aulas de catecismo quando ainda tentava se adequar aos padrões religiosos impostos pela sociedade.
Aos poucos foi percebendo, a mensagem da páscoa lhe dizia algo, parecia um pouco com o que estava passando naquele momento difícil, ela tinha crucificado os seus sonhos em uma estrada qualquer, largado eles a própria sorte pregados em uma cruz e tinha esquecido de deixá-los retornar ao terceiro dia.
Tinha se fechado a eles com medo de sofrer mais decepções assim como Tomé deve ter pensado quando lhe contaram sobre a volta do seu mestre, e quantas pessoas agiam assim na vida igual a ela, com medo de sofrer simplesmente se negavam a acreditar no ressurgimento de algo especial, preferiam a credulidade trazida pela racionalidade a esperança e sua capacidade triste de nos magoar em algumas situações.
O apostolo incrédulo ao tocar e sentir voltou a acreditar enquanto ela simplesmente se recusava a isso, mesmo com as chances dadas pela vida todos os dias para senti-los, tocar na realidade e vê-los aos poucos se concretizando, preferiam dizer a si mesmo não ser possível, tinha os visto morrerem na sua frente, alguns de forma cruel, porque diziam está voltando então não acreditava, e por não acreditar, os sonhos ficavam em seus túmulos.
Levantou-se da cama e foi tomar um banho, tinha decidido, o domingo da ressurreição divina, também seria o seu, não tinha morrido e pretendia viver, ou melhor, voltar a viver.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Paixão De Cristo

Fazia parte de um exército temido e se orgulhava de fazer jus a esse sentimento, não era cruel, mas impiedoso não hesitava em cumprir as ordens recebidas sejam quais fossem. Não sentia remorso no cumprimento do seu dever e nunca tinha parado para pensar em uma vida quando morresse, em algum reino além do que servia e de outros por essa terra, até ouvir aquele homem.
Pela cidade, alguns comentavam o aparecimento de mais um maluco se dizendo profeta levando alguns nativos a lhe seguir por onde andava, isso não era raro por ali, mas aquele o impressionou pelas palavras ditas, acostumado com a guerra e batalhas esperava encontrar um líder com discursos inflamados e no entanto via um homem manso de coração, inofensivo até, se formos comparar com outros inconformados com o domínio romano.
Um dia parou discretamente para lhe escutar e ouviu aquele homem andrajoso falar em um reino nos céus, onde só entraria aqueles que tivessem feito o bem entre outras coisas, parou e pensou em si, tentou saber se ele seria um dos escolhidos caso isso fosse verdade e triste chegou à conclusão que não. Era um guerreiro, matava por um governo, lutava por ideologia e para defender um país, não olhava seu próximo, pouco se importava com as pessoas, pensava apenas em si, não era alguém que iria para aquele tal reino com certeza.
Missão não se questionava, era cumprida, por isso fez parte de um destacamento que recebeu a ordem de prender o tal líder, há meses ele estava pregando pelas cidades, e agora tinha contrariado os interesses dos poderosos e seria preso.
Os soldados foram ao encontro do homem e seus seguidores, preparados para a resistência e para sua surpresa ele não reagiu com violência, recriminando um deles quando ergueu a espada e feriu um dos soldados. Não percebeu direito, tinha achado que o ferimento era grave, mas estava errado, foi superficial, pois o soldado atacado não tinha nenhuma marca no rosto, realmente tinha tido sorte, por alguns instante pensou em um talho fundo no rosto ou quem sabe um ferimento na orelha.
O homem foi preso e foi a julgamento, por algum motivo estava impressionado com ele, e ficou de longe observando enquanto era interrogado e depois debochavam dele e do que diziam. Ficou olhando e pensando porque ele não tentava se defender, ao menos insuflar seus amigos para tirá-lo daquela situação, a falta de resistência dele não era covardia, tinha visto muitos homens covardes e não era o caso, parecia aceitar o seu destino sem lutar. Julgado e condenado, não por Pilatos, pois esse lavou as mãos, a pior morte da época, esperou que agora ao menos mostrasse algum arrependimento ou sentimento de revolta e, no entanto continuava com aquele comportamento desconcertante.
Quando o homem começou a carregar a cruz onde seria crucificado, o acompanhou de longe durante todo o trajeto, sem ser percebido, viu a crucificação e ficou olhando não entendendo o que estava sentindo, o seu coração lhe falava algo e não conseguia saber do que se tratava. Aos pés do condenado, tinha mulheres chorando, alguns seguidores, e ele longe apenas observava dizendo a si mesmo ser hora de ir embora, não tinha mais nada a fazer ali.
Quando o crucificado deu o último suspiro, o céu ficou negro e o soldado caiu de joelhos, tinha entendido o que seu coração estava dizendo, ele tinha lutado até então por um governo, um reino, mas não por si, pelos mais fracos ou oprimidos. Sempre esteve ao lado do mais forte, nunca teve clemência e sua espada quando erguida não teve compaixão, enquanto aquele homem morto tinha vindo a terra para ensinar uma outra forma de ser guerreiro, assim como ele era, embora poucos pudessem ver isso.
Daquele dia em diante, tornou-se um ex centurião romano, passou a lutar pelos perseguidos, passou a ter clemência e a não ser injusto, já não era um soldado do exército romano e sim um soldado de cristo, era assim que gostava e assim foi até a sua morte.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Lava Pés

Era um revolucionário, alguém indo contra os poderosos da época sem temer nada, e por isso pagou com a vida. Capaz de enfrentar com sua voz mansa a quem lhe desafiasse seja humano ou espírito e mesmo assim nunca foi arrogante ou se achou mais do que ninguém, se tivesse feito isso em minha opinião seria compreendido por Deus, ele pensaria “é humano, era previsível isso ocorrer”.
Era um líder de poucos e mesmo assim falava para multidões, era pobre e ensinava que a maior riqueza é fazer o bem sem olhar a quem, não esperar nada em troca, apenas pelo prazer de ajudar, era perfeito e mesmo assim falhou quando pediu para afastar de perto o cálice.
Você ensinou, Jesus, mas muitos ainda não entenderam a lição e continuam por aí deturpando suas palavras, fazendo delas motivos para perseguir e julgar o próximo, esquecendo suas palavras amorosas para todos nós, enquanto um dia dissestes “venha a mim todos que tenham sede” ou algo assim (confesso não conseguir decorar passagens bíblicas) muitos homens inventam que para chegar é preciso ser de alguma forma especial, e eu me lembro do cobrador de impostos abrindo a sua casa e te recebendo.
Você  passou das palavras ao ato e muitos ainda preferem falar em vez de agir e isso me entristece muito, porque as palavras sem atos para mim são vazias, me incomodava alguém pregar suas palavras e adiante agir ao contrário do dito, não é honesto falar do amor de cristo e odiar o próximo.
Você mostrou como se faz e quem segue a sua palavra não aprendeu, sendo servido quase sempre explicou que devemos servir e, no entanto muitos se servem sem dá nada em troca. Os homens não aprenderam muito do que ensinastes enquanto esteve aqui na terra, quem sabe um dia compreenda algumas das suas lições.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O Homem E O Ateu

  - Demorou a chegar. Da próxima vez não demore tanto (sorriso).

 - Como sabe que eu viria aqui?

 - Ah, os ateus, gostam de questionar e de certezas. Minhas respostas não irão lhe satisfazer (sorriso).

 - Também sabe que eu sou ateu. De onde me conhece? Quem contou sobre mim?

 - Perguntas, perguntas, perguntas. Os homens adoram respostas e certezas.

 - Eu gosto e você não respondeu a elas.

 - É verdade, nunca gostei de responder perguntas diretas e não vou mudar.

 - E o que está fazendo aqui? Pode responder?

 - Posso. Tento fazer os homens entenderem que se tratarem o próximo com amor o mundo melhora, quem sabe comecem a respeitar as diferenças, a ser mais tolerante, estão aqui de passagem e agem como se fosse eternamente.

 - Você parece um desses pregadores malucos que ficam por aí tentando converter as pessoas.

 - Sim, eu era um desses. Bons tempos foram aqueles, hoje em dia apareço quando me chamam ou tento ajudar de outros jeitos como estou fazendo agora conversando com você. Nunca mais saí por aí igual fiz no passado.

 - Hum. Então é religioso. Qual a sua religião?

 - Digamos que eu sou ecumênico. Embora não queiram e façam questão disso até os ateus eu respeito e estou ao lado.

 - Ao menos é tolerante e não um daqueles religiosos radicais idiotas.

 - Tolerância. O mundo seria bem melhor com ela. Eu tentei ensinar, mas os homens não aprendem.

 - Tentou? Como? Dando palestras?

 - Acertou, palestras. Falava para as pessoas, tentei ensinar. Mas muitos não aprendem lições simples.

 - Quais?

 - Pessoas erram, não são perfeitas, pensamentos diferentes devem ser respeitados, perdão e mansidão não é ser covarde. Tudo ficaria melhor se o diferente não fosse motivo de repúdio.

 - Percebo que é um bom palestrante, daqueles que convence as pessoas.

 - (sorriso) Sempre fui bom em convencer.

 - Sabia que eu viria aqui, é bom de convencimento, palestrante e fala como um pregador. Vai me dizer quem é?

 - Adianta dizer? Já falaram sobre mim e nem por isso deixastes de ser ateu. Os homens só acreditam no que querem, mesmo vendo.

 - Me falaram sobre você? Então é uma figura conhecida?

 - Sempre alguém fala ou tenta falar né. Ateus não gostam muito de escutar  os religiosos (sorriso), e algumas vezes, incrivelmente, eu dou  razão. Alguns falam em meu nome mas agem de outra forma e outros são muito chatos.

 - Você está querendo me dizer que é Deus????????

 - O filho dele mais conhecido.

 - Hahahahahaha Está de sacanagem com a minha cara né?

 - Como eu disse antes. Muitos não acreditam.

 - Com essa facilidade em conversar você é um estelionatário isso sim. Mais um se aproveitando da fé alheia. E eu bancando o otário aqui prestes a ser mais uma vítima. Sai da minha frente para eu não fazer uma besteira. Vou-me embora.

- Fique a vontade para ir. Até Tomé duvidou mesmo convivendo comigo alguns meses e sendo preparado por mim para seguir pregando pelo mundo, por isso entendo quem não acredita.

 - Louco, é o que és. Um louco fugido do hospício.

 - Louco, revolucionário, milagreiro, subversivo, santo. Já chamaram de tantas coisas (sorriso).

- Não perco mais meu tempo com você. Tchau!

- Que nosso pai te proteja sempre. Quando precisar me chame, eu sempre atendo os chamados de todos. E se ficarem reunidos em meu nome estarei entre vocês.

 O ateu se virou e foi andando firme sem olhar para trás, certo da sua (não) crença e irritado por ter perdido tempo com aquele maluco. O outro homem permanecia parado olhando o infinito e ainda estava assim quando escutou alguém passar perto e foi em direção á pessoa. Tinha uma missão na terra para cumprir.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

SALVE JORGE

Peço a ti Santo guerreiro

Se minhas lágrimas molharem meu rosto que não seja causadas pela minha covardia.

Se não puder lutar até o fim que eu não abandone a luta por medo.

Se minha espada foir erguida que nunca seja para o mais fraco.

Se minha lança for pega que não seja por motivos vãos.

Que sua proteção não seja exílio para um fraco.

Que meu corpo sempre esteja fechado pela fé.

Que meu rosto toque o chão mas meus joelhos nunca dobrem diante de quem me odeia.

Que eu tenha sabedoria para sempre lutar pelo que é justo.

Que eu entenda sempre a hora de arriscar e a hora da prevenção.

Que sua coragem seja sempre a minha coragem.

Eis aqui um soldado da sua cavalaria e quero sempre ter a honra de se-lo.