sexta-feira, 6 de abril de 2012

Paixão De Cristo

Fazia parte de um exército temido e se orgulhava de fazer jus a esse sentimento, não era cruel, mas impiedoso não hesitava em cumprir as ordens recebidas sejam quais fossem. Não sentia remorso no cumprimento do seu dever e nunca tinha parado para pensar em uma vida quando morresse, em algum reino além do que servia e de outros por essa terra, até ouvir aquele homem.
Pela cidade, alguns comentavam o aparecimento de mais um maluco se dizendo profeta levando alguns nativos a lhe seguir por onde andava, isso não era raro por ali, mas aquele o impressionou pelas palavras ditas, acostumado com a guerra e batalhas esperava encontrar um líder com discursos inflamados e no entanto via um homem manso de coração, inofensivo até, se formos comparar com outros inconformados com o domínio romano.
Um dia parou discretamente para lhe escutar e ouviu aquele homem andrajoso falar em um reino nos céus, onde só entraria aqueles que tivessem feito o bem entre outras coisas, parou e pensou em si, tentou saber se ele seria um dos escolhidos caso isso fosse verdade e triste chegou à conclusão que não. Era um guerreiro, matava por um governo, lutava por ideologia e para defender um país, não olhava seu próximo, pouco se importava com as pessoas, pensava apenas em si, não era alguém que iria para aquele tal reino com certeza.
Missão não se questionava, era cumprida, por isso fez parte de um destacamento que recebeu a ordem de prender o tal líder, há meses ele estava pregando pelas cidades, e agora tinha contrariado os interesses dos poderosos e seria preso.
Os soldados foram ao encontro do homem e seus seguidores, preparados para a resistência e para sua surpresa ele não reagiu com violência, recriminando um deles quando ergueu a espada e feriu um dos soldados. Não percebeu direito, tinha achado que o ferimento era grave, mas estava errado, foi superficial, pois o soldado atacado não tinha nenhuma marca no rosto, realmente tinha tido sorte, por alguns instante pensou em um talho fundo no rosto ou quem sabe um ferimento na orelha.
O homem foi preso e foi a julgamento, por algum motivo estava impressionado com ele, e ficou de longe observando enquanto era interrogado e depois debochavam dele e do que diziam. Ficou olhando e pensando porque ele não tentava se defender, ao menos insuflar seus amigos para tirá-lo daquela situação, a falta de resistência dele não era covardia, tinha visto muitos homens covardes e não era o caso, parecia aceitar o seu destino sem lutar. Julgado e condenado, não por Pilatos, pois esse lavou as mãos, a pior morte da época, esperou que agora ao menos mostrasse algum arrependimento ou sentimento de revolta e, no entanto continuava com aquele comportamento desconcertante.
Quando o homem começou a carregar a cruz onde seria crucificado, o acompanhou de longe durante todo o trajeto, sem ser percebido, viu a crucificação e ficou olhando não entendendo o que estava sentindo, o seu coração lhe falava algo e não conseguia saber do que se tratava. Aos pés do condenado, tinha mulheres chorando, alguns seguidores, e ele longe apenas observava dizendo a si mesmo ser hora de ir embora, não tinha mais nada a fazer ali.
Quando o crucificado deu o último suspiro, o céu ficou negro e o soldado caiu de joelhos, tinha entendido o que seu coração estava dizendo, ele tinha lutado até então por um governo, um reino, mas não por si, pelos mais fracos ou oprimidos. Sempre esteve ao lado do mais forte, nunca teve clemência e sua espada quando erguida não teve compaixão, enquanto aquele homem morto tinha vindo a terra para ensinar uma outra forma de ser guerreiro, assim como ele era, embora poucos pudessem ver isso.
Daquele dia em diante, tornou-se um ex centurião romano, passou a lutar pelos perseguidos, passou a ter clemência e a não ser injusto, já não era um soldado do exército romano e sim um soldado de cristo, era assim que gostava e assim foi até a sua morte.

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