Já escrevi que ficar velho é
aprender a dizer adeus. Não me lembro a primeira vez que escutei falar de Muhammad
Ali , mas a primeira vez que percebi sua
grandiosidade foi em 1996. E nunca mais esqueci.
Quem iria acender a tocha olímpica?
Nomes eram especulados enquanto eu assistia a cerimônia de abertura. Então
aparece aquele negro, empertigado, com uma altivez impressionante, tremendo por
causa da doença para acender a pira. Fiquei encantado. Guardo no meu álbum
mental essa lembrança.
Suas lutas dentro do ringue são
tão memoráveis quanto as travadas fora dele. Sua doença é atribuída aos golpes
recebidos e eu me pergunto quais foram às conseqüências dos golpes dados pela
vida, o racismo, as escolhas feitas. Exteriormente o parkinson, causado possivelmente
pelos socos recebidos durante as lutas, lhe deixou seqüelas e penso cá comigo o
quanto lhe foi tirado para que se tornasse um lutador implacável.
Hoje quando acordei e vi as
notícias me vi obrigado a mais uma despedida. Talvez eu aprenda a lidar com
isso algum dia. Por enquanto não. Hoje
não.
Um guerreiro não morre, descansa, assim diz a
periferia. Vai em paz, Muhammad. Seu
lugar na lista dos imortais está guardado.
Um grande homem.
ResponderExcluir