sábado, 4 de junho de 2016

Descansa, Ali.

Já escrevi que ficar velho é aprender a dizer adeus. Não me lembro a primeira vez que escutei falar de Muhammad Ali  , mas a primeira vez que percebi sua grandiosidade foi em 1996. E nunca mais esqueci.
Quem iria acender a tocha olímpica? Nomes eram especulados enquanto eu assistia a cerimônia de abertura. Então aparece aquele negro, empertigado, com uma altivez impressionante, tremendo por causa da doença para acender a pira. Fiquei encantado. Guardo no meu álbum mental essa lembrança.
Suas lutas dentro do ringue são tão memoráveis quanto as travadas fora dele. Sua doença é atribuída aos golpes recebidos e eu me pergunto quais foram às conseqüências dos golpes dados pela vida, o racismo, as escolhas feitas. Exteriormente o parkinson, causado possivelmente pelos socos recebidos durante as lutas, lhe deixou seqüelas e penso cá comigo o quanto lhe foi tirado para que se tornasse um lutador implacável.
Hoje quando acordei e vi as notícias me vi obrigado a mais uma despedida. Talvez eu aprenda a lidar com isso algum dia. Por enquanto não.  Hoje não.

 Um guerreiro não morre, descansa, assim diz a periferia. Vai em paz, Muhammad.  Seu lugar na lista dos imortais está guardado.

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