Andar
pelo Rio te torna insensível. Por segurança ou para manter a sanidade
desenvolvi um tipo de comportamento que me faz ignorar abordagem de estranhos.
Mais
ou menos assim. Um estranho fala "só um momento" eu finjo que não
escuto ou olho e continuo andando tipo pedestre no Centro ignorando quem
entrega aqueles folhetos. Teve uma época que eu pegava os da terma oferecendo
dez por cento de desconto, mas isso é outra história e já faz tempo que
abandonei a prática.
Ontem
eu saltei no Jabour, bairro que não conheço em parte pelo Alex Santos ainda não ter pago a promessa do almoço na casa dele, e fui andando até
a praça preocupado com os boatos de ontem (sobre a greve) e prestando atenção
no entorno.
- Você
tem celular? Eu preciso de um celular. Me ajuda.
Não
reparei a princípio e ia continuar meu caminho, mas preferi olhar quem tinha
falado. Vi um idoso, sentado no canteiro da árvore que percebendo minha atenção
voltou a falar.
- Eu
preciso de um celular. Você tem?
Disse
que tinha e ele me pediu uma ligação. Estava confuso e percebendo o aparelho na
minha mão balbuciou os números. Disquei e coloquei em suas mãos que trêmulas
não conseguiram lidar com o celular.
- Qual
é o seu nome? Qual é o nome da pessoa para vir te buscar?
Dito
isso fiz a ligação e informei o paradeiro do senhor dizendo a ele que
aguardaria junto à chegada da pessoa.
- Não,
não chore. Se acalme.
Sou um
grosso e não consigo lidar com situações exigindo delicadeza com estranhos. E
lá estava eu na praça tendo que acalmar uma pessoa aos prantos.
- Você
mora aqui?
- Não,
não moro. Namorada mora aqui.
- A
gente tem sempre que ter alguém ao nosso lado. Deus fez o homem e a mulher para
isso.
E
assim começamos uma amizade momentânea onde cessado o pranto foi iniciado um
diálogo como se fôssemos conhecidos conversando sobre a vida. Quem esperava não
tardou a chegar e nos despedimos ficando comigo uma das frases.
-
Muito obrigado. Você é um homem de Deus. Ele colocou você no meu caminho.
Pensei
cá comigo que sim fui colocado no caminho dele. Deus ordenou o pagamento de
alguma dívida contraída. Já fui tão ajudado nessa vida que ontem alguém lá em
cima resolveu ser hora de ajudar.
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