O ambiente é silencioso com a luz acesa iluminando a mesa do escritório. Outra vez pega a caneta e começa a redigir uma redação dando uma resposta à carta que está na sua mesa. Escreve algumas palavras tentando não transparecer o que realmente quer dizer e desiste. Oitava tentativa abortada amassa o papel e o joga em um cesto de lixo já cheio de outras tentativas mal sucedidas.
Porque deve responder, se pergunta, basta ignorar o recebimento e seguir a vida, ninguém vai morrer ou se importar o suficiente tem certeza disso, mas fazer isso é calar-se novamente e essa opção não é o melhor para si se é que algum dia foi o melhor a se fazer desde que se calou a primeira vez depois das últimas correspondências trocada entre eles.
Embora tenha retirado das suas memórias quase a força as lembranças do passado, ainda guarda em seu coração o sentimento causado quando leu o que lhe haviam escrito destruindo sonhos entre outras coisas. Agora, tanto tempo depois velhos fantasmas aparecem como se nunca tivessem ido embora, esperando apenas uma oportunidade para se fazer presente.
Poderia colocar no papel tudo o que pensava escrever resumidamente como esteve em todos esses anos de uma forma sincera, mas se sentiria bem? Seria o melhor para si? Tinha quase certeza de a resposta ser negativa e não pretendia visitar novamente certos esconderijos na sua alma. Arrancou outra folha do caderno, escreveu duas frases curtas tomando o máximo cuidado para ser o mais formal possível. Assinou, endereçou e se encaminhou para o correio. Entregou a funcionária o envelope e saiu com o que queria dizer preso dentro de si se consolando tentando convencer que foi o melhor a ser feito. Palavras quando escritas conseguem ser eternas e nesse caso seria um risco isso ocorrer. Certas coisas são melhor serem esquecidas, ao menos aparentemente.
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