sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse

  Na televisão a notícia de uma cantora inglesa ter sido encontrada morta provavelmente por overdose é mostrada pelo jornalista. Assisto, lamentando a morte de um ser humano  derrotado pelas dificuldades da vida. Sou um provinciano com músicas, noventa por cento das músicas no meu mp3 são nacionais e apesar de conhecer a importância de artistas internacionais não curto esses. Um pouco envergonhado percebo que me lembro  dessa cantora apenas por ela ter feito um show no Rio em um estado anormal parecendo embriagada. 
   Na internet começam as manifestações que ocorrem após o conhecimento da morte de uma celebridade, alguns já a tratam como uma cantora genial, nunca mais será esquecida dizem com segurança, lamentam sua partida tão precoce. Não sei se é ou não é para tanto, não conhecia seu trabalho, apenas leio opiniões e penso comigo como a morte é redentora. 
    Minha atenção se volta para os comentários críticos a respeito dos vícios dessa cantora,  pessoas escrevendo com uma segurança de dá inveja para mim, tão inseguro diante da vida tendo que a cada dia ser forte o suficiente para me manter de pé e não esmorecer a cada dissabor. Felizmente não procurei o abrigo das drogas por inúmeros motivos mas sei bem o quanto precisamos de um apoio em momentos difíceis.
 Talvez os críticos da Amy nunca tenham passado por problemas que causassem uma destruição tão grande a ponto de necessitarem de um escudo, uma proteção ou uma válvula de escape como a britânica precisou para viver. Fico triste por ela, só Deus sabe o quanto sua alma estava torturada para aos vinte e sete anos estivesse tão destruída como aparentava.
  Fico com uma suspeita,  o mesmo que critica talvez tome uma dose de scotch para relaxar, quem sabe precise de um remédio para conseguir levantar da cama,  tome remédios para dormir ou vá ao trabalho dopado de energéticos.  
   É fácil se mostrar forte,  criticar o alheio,  principalmente se o criticado tem sucesso, for bonito, tiver dinheiro, afinal nesse mundo capitalista isso é tudo ou quase tudo. Difícil é entender a dor dos outros,  é fácil esquecer o quanto uma alma torturada é capaz de fazer quando não é a nossa ou alguém tão próximo que a sua dor torna-se a da gente.

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