terça-feira, 26 de julho de 2011

Vida Bandida

   Machucado e com as feridas ardendo vou caminhando até a minha casa sem ter pressa, o pior já passou e se estou vivo até agora não morro mais, só não sei se é motivo para comemorar esse fato. Tomo cuidado para não sujar minha roupa com sangue como se fosse importante mante-las limpas, tudo se torna tão fútil quando sua vida está em risco, nem vou lamentar se sujar minha camisa sem querer.
  Não sei como aconteceu, estava distraído andando pela rua quando escutei o barulho familiar, pistola atirando automaticamente com certeza, me joguei no chão sem pensar muito sentindo arder partes do meu corpo me dando a certeza de ter sido atingido.
   Quem foi não interessa, não merecia, não mesmo, estava vindo da igreja onde tinha ido rezar, pedir proteção e me acontece isso na volta. O mundo é injusto pra caralho, se eu estou no erro sem problemas não quero um elogio pela má conduta, mas quando estou na vida certa custa alguém me garantir a justiça. Ficar na linha de tiro quando sou inocente é foda, quero apenas o que eu mereço nada mais ou nada menos nem para o bem nem para o mal.
  A rajada de tiros automática foi repetida uma segunda vez enquanto eu me levantava e saia correndo sem olhar para trás com uma velocidade de dar inveja a um guepardo, o medo faz de você um velocista tenha certeza disso, entrei em uma viela, saí em outra rua e segui em frente sem olhar para trás. Parei quando tive certeza de não correr riscos e fiz a macabra conta de quantos tiros tinha levado, um no braço e outro na perna, nada que mata disso não morro só vai me fortalecer, pensei.
  Procurar um hospital é pedir para morrer, sair da frigideira e cair no fogo, é claro que me esperam lá para completar o serviço, o melhor é ir para a casa e lá chamar um ex-médico que por algum dinheiro ainda se lembra das aulas na faculdade.
  Rumo para a casa, coração já não bate acelerado, a adrenalina abaixou e enquanto a temperatura do corpo volta ao normal começo a sentir as dores nos ferimentos. Ando dizendo a mim mesmo que não posso parar, assim é a vida, sempre tem um para te acertar com ou sem razão e o mais triste é quando você nutre algum sentimento bonito pelo atirador. Tomar umas balas de quem te detesta não causa tantos danos igual quando é quem você ama que atira sem piedade, nesse caso a pergunta é sempre porque ele ou ela fez isso.
  Vai entender as pessoas às vezes eu acho que preferir cachorros a gente não é tão idiota assim, o animal irracional não trai sua confiança, lealdade cem por cento em todas as situações, já o racional nem sempre dá para confiar e quando menos se espera sem você está preparado te alvejam com precisão.
   Estou chegando em casa, não morri no caminho, consegui me manter em pé e agora é me recuperar para a próxima, sempre tem uma próxima eu tenho certeza disso, infelizmente é assim. É a vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário