sexta-feira, 22 de julho de 2011

Esperando Alguém

Um dia, você volta; essa é minha esperança, e por isso fico aqui olhando o horizonte por muitos minutos. Não foi minha culpa a sua partida, e nem isso alivia a tristeza, só me consola. Por onde você anda, o que faz, suas risadas ainda são constantes. Quanta falta você me faz. Às vezes, preciso conversar com você sobre nossos assuntos preferidos, contar minhas novidades; como era bom fazer isso.

Eu agora virei religioso, por sua causa, e quando te contar, aposto que dará aquele sorriso irônico, me chamando de ateu de meia tigela, e eu o culparei pela minha conversão, rindo com o meu jeito debochado de ser. Deus não vai gostar nada disso, aposto. Correremos risco de ser castigados por não levar a sério o sagrado, mas ele vai entender. Afinal, sempre estivemos na vida errada, ficando do lado certo.

Até indo à igreja rezar, estou. Olha o que você apronta, seu canalha. Me ajoelho diante de São Jorge e peço a ele para me auxiliar; ele foi um guerreiro como você é, meu pai, e por isso tenho certeza da sua atenção. Às vezes, choro naquela igreja e me culpo por não ter sua coragem. Se tivesse, esperaria sua volta sem aborrecer ninguém com minhas lamúrias, nem mesmo o santo guerreiro.

Esses meses sem te ver são intermináveis, se transformaram em anos, já nem sei quantos. Um ano, dois anos, não me lembro, não quero lembrar a data da sua partida e sim a da sua chegada.

O Maracanã está fechado, sabia? Reforma para a copa. O Rio de Janeiro está em paz, algo raro nos últimos anos. Nunca mais retornei à praia da Urca; não quero voltar lá sem sua presença. O seu bar preferido continua aberto. Quando passo lá, tenho que dar notícias suas ao dono. Seus livros continuam na estante; não deixo ninguém mexer. Esperam seu retorno, de terras estrangeiras, para a sua casa.

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