A
sua ausência já não dói tanto, a gente quase não fala no seu nome e a saudade
embora presente conseguimos enganar ano após ano. Você partiu em noventa e
oito, já faz tanto tempo, não obstante ainda sinto sua falta. Se eu
paro e penso, logo me lembro de suas visitas, aposto que estaria aqui uns dias
atrás no aniversário da minha mãe, você sempre vinha. Ela se lembra de você
embora não fale muito, já perdemos tantas pessoas queridas que as lembranças vão
envelhecendo e dando lugar a outras, mas
mesmo estando em um plano diferente somos amigos e uma verdadeira amizade não
morre jamais. De repente, no silêncio do quarto, olhando para o nada, as
recordações aparecem e eu fico quieto com meus pensamentos.
Aqui
em casa continua tudo igual, minha mãe continua presenteando as visitas
com as historias que você tanto gostava e te fazia rir francamente, se
chegasse depois de tanto tempo não ia estranhar nada, ela é a mesma de sempre, agora a gente mora em um lugar diferente desde dois mil e cinco, saímos daquele lugar e dos problemas dali.
Eu
sempre passo onde você morava, fito o apartamento, confesso que o coração às
vezes aperta, lembro de quantas vezes passei por ali e deixei a visita
para depois, por causa de um compromisso ou outro eu não te visitei, sempre
achando que tinha todo o tempo para isso, até a maldita doença aparecer e tudo
se acabar.
Às
vezes a gente não fala o quanto amamos as pessoas, ficamos
com vergonha de dizer a o outro o quanto é especial em nossa vida, adiamos
telefonemas, visitas (afinal ele (a) está tão próximo), e então a morte
vem e finda para sempre uma amizade. A dor pela sua partida ao menos me
ensinou a valorizar cada minuto ao lado dos meus amigos, me ensinou a sempre
tentar manter um contato, mesmo parecendo um pouco ‘enjoativo, sempre deixar
claro o quanto são importantes para mim. Sua última lição foi uma
das mais valiosas na minha vida.
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