quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Amigos IV (Parte 2)

  - Fala como se estivesse inválido. Não é verdade.
 
  - Cara, o tempo passa e as feridas começam a ter cicatrizações demoradas, algumas nunca se curam. Ir para linha de frente novamente é me arriscar a ter velhas dores no corpo.
 
  - E por isso se acha sem condições? Algum dia a nossa vida foi fácil? Pare de sentir pena de si mesmo, porra! Ter condições você tem. Deixa de ser molenga, toma coragem e vem comigo, caralho! Vamos de novo, lutar pelos nossos sonhos, vai ficar nessa acomodação em uma cidade do interior com todos os dias sendo sem graça? Gente igual á gente nasceu para ser águia e não galinha, porra!

  - Pronto, agora virou contador de parábola. Hahahaha.

  - Você não leva nada a sério...

  - A vida não merece ser levada a sério.

  - Também não merece ser desperdiçada igual está fazendo.

  - Melhor assim. Aqui não tenho maiores preocupações. Sabe quando estive em um hospital pela última vez?

  - Não.

  - Quando fui ferido e se não fosse a sua doação de sangue estaria morto.

  - Pelo visto te fez mal o meu sangue. Transformei um guerreiro em um acomodado.

  - Não fala merda (rs). Não quero ficar lutando por utopias, apenas isso. Adianta eu levantar, pegar a arma e sair por aí guerreando com moinhos de ventos pensando ser gigantes? Faça-me o favor, não tenho mais idade para isso.

 - Moinhos de ventos ou gigantes, sempre nos fez sentir vivos. Utopia ou realidade, sempre lutamos o bom combate. E eu vim te buscar para fazermos isso de novo.

 - Já nos ferimos demais, talvez seja hora de parar.
 
 - Você está feliz aqui? Se disser que está, eu vou embora e te deixo aqui. Olha a sua volta cara, está tudo em paz menos o seu coração. E quando não estamos em paz com ele o resto não interessa.

 - É verdade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário