- Fala como se estivesse inválido. Não é verdade.
- Cara, o tempo passa e as feridas começam a ter cicatrizações demoradas, algumas nunca se curam. Ir para linha de frente novamente é me arriscar a ter velhas dores no corpo.
- E por isso se acha sem condições? Algum dia a nossa vida foi fácil? Pare de sentir pena de si mesmo, porra! Ter condições você tem. Deixa de ser molenga, toma coragem e vem comigo, caralho! Vamos de novo, lutar pelos nossos sonhos, vai ficar nessa acomodação em uma cidade do interior com todos os dias sendo sem graça? Gente igual á gente nasceu para ser águia e não galinha, porra!
- Pronto, agora virou contador de parábola. Hahahaha.
- Você não leva nada a sério...
- A vida não merece ser levada a sério.
- Também não merece ser desperdiçada igual está fazendo.
- Melhor assim. Aqui não tenho maiores preocupações. Sabe quando estive em um hospital pela última vez?
- Não.
- Quando fui ferido e se não fosse a sua doação de sangue estaria morto.
- Pelo visto te fez mal o meu sangue. Transformei um guerreiro em um acomodado.
- Não fala merda (rs). Não quero ficar lutando por utopias, apenas isso. Adianta eu levantar, pegar a arma e sair por aí guerreando com moinhos de ventos pensando ser gigantes? Faça-me o favor, não tenho mais idade para isso.
- Moinhos de ventos ou gigantes, sempre nos fez sentir vivos. Utopia ou realidade, sempre lutamos o bom combate. E eu vim te buscar para fazermos isso de novo.
- Já nos ferimos demais, talvez seja hora de parar.
- Você está feliz aqui? Se disser que está, eu vou embora e te deixo aqui. Olha a sua volta cara, está tudo em paz menos o seu coração. E quando não estamos em paz com ele o resto não interessa.
- É verdade.
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