sexta-feira, 29 de março de 2013

Encontro Marcado (IV)

- Nunca passou pela sua cabeça que poderia ser um?

- Um o que?

- Um bruxo, ora! Estamos falando de que? (sorriso). Não me enrola.

- Um dia, em algum lugar, alguém me disse que eu era, achei interessante e segui a minha vida, não dei atenção ao fato.

- Não teve curiosidade em aprender? Tentar ao menos ser um aprendiz?

- Eu sou católico, tive medo de ser excomungado, não quero ir para o inferno.

- Está falando sério?

- Estou, pareço brincando (rs)?

- Não parece alguém que tenha medo do inferno.

- Tenho, espero não ir pra lá.

- E te contaram também sobre o seu poder?

- Hahahahaha, poder só se for de arrumar confusão. Se eu tivesse algum, arrumaria dinheiro e ajeitaria a minha vida, não viveria tal qual um vagabundo, vagando nesse mundo em busca de farelos de alguém com gratidão.

- Existem várias formas de usar os nossos dons e com certeza ganhar dinheiro e ser um sucesso capitalista não é uma delas.

- Você aprendeu isso com os outros bruxos ou com algum comunista maluco?

- Não, com a vida e você está mentindo novamente. O meu guia disse-me que é muito poderoso e tem exata noção do quanto, por isso nunca deveria subestimá-lo e acreditar na sua fraqueza, só você é capaz de saber seus limites.

- A última parte é verdade, mas acho que, com todos são assim. A única pessoa capaz de saber até onde consegue ir é você mesma. Pelo visto você sabe muito sobre mim.

- Pode-se ler um resumo de um livro e falar sobre, mas nunca poderemos dizer que conhecemos o livro.

- E mesmo assim veio ao meu encontro?

- Sim, estava marcado, não adiantava fugir.

- Não teve medo?

- Tive, coloquei cartas e perguntei se oferecia perigo, fiz perguntas ao meu guia, mas, não se foge do que decidiram lá em cima para sempre.

- E decidiram que a gente ia se encontrar e mais o que?

- Mais nada. A partir do nosso encontro, as páginas estão em branco, podemos nos separar e nunca mais vermos ou ficarmos amigos para sempre, não sei.

- hum

- Não vai falar nada?

- Vou dizer o que?

- Sei lá, tudo isso é uma loucura, eu sou uma louca, estranhe, fale algo, homem.

- A vida tem dessas coisas.

- É só isso que tem a dizer?

- As páginas estão em branco, então, vamos escrever algo nela. O que, só com o tempo saberemos, confesso, estou começando a gostar desse início.

- Eu também.

- Então, um brinde ao início da nossa história.


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