terça-feira, 26 de março de 2013

Encontro Marcado (Parte II)


- Eu estou meio confuso então deixa eu me situar. Um dia eu estou sentado tomando um café, lendo um livro quando você me aborda e diz que eu não deveria ver o filme, pois iria detestar.

- Sim, não ia perder a chance de falar com você né? Nessa vida nunca sabemos se teremos outra oportunidade, não se pode correr riscos.

- Eu surpreso, pergunto o porquê, você sorri, diz que apenas sabe, deixa seu telefone e vai embora sem dizer nada.

- Sim, aí você me telefona eu te conto o que sou e estamos aqui, simples.

- Não é simples assim.

- Claro que é, a gente é que complica as coisas querendo explicações para tudo.

- Para tudo não, mas, algumas coisas é preciso.

- Será mesmo?

- Acho que sim.

- Já te enrolei demais e acho que você está curioso em saber como a gente veio parar aqui, não é mesmo?

- Confesso que sim.

- Então, como diz aquele rap do Racionais (conhece a música Negro Drama?) a minha historia é mais ou menos assim...

(balança a cabeça confirmando conhecer a música)


- Eu tentei ser aquela mulher que meus pais sonhavam,  boa aluna, ingressei em uma boa faculdade, uma profissão que paga bem e o casamento com o cara que é o genro preferido de toda mãe, sabe como é?

- Sim (sorriso), bom moço, bem sucedido profissionalmente, essas coisas.

- Sim, isso mesmo e consegui tudo isso antes dos 30 anos, estava tudo perfeito para todos, menos para mim. O casamento se tornou uma prisão que aos poucos se transformou em um inferno, diziam para eu ter um filho e tudo ia melhorar loucos, eu não curto crianças, nunca me vi sendo mãe.

- Entendo, pressão social é horrível mesmo.

- Um dia descobri que ele estava me traindo, chorei mais pelo fracasso dos planos feitos para mim por outros do que propriamente pela traição. Por ele não chorei nem um pouco, fui franca com ele a respeito e decidimos terminar o casamento com cada um seguindo o seu caminho, com trinta anos eu era a mais nova divorciada nesse país e cheia de planos para o recomeço da minha vida.

- Recomeçar é preciso, sempre, nunca podemos parar e aceitar as coisas como o final.

- Estou falando demais?

- Não, pode continuar.

- Estou sim, eu falo de mim e você não fala nada sobre você.

- (sorriso) E precisa falar? Lembra o que me contou quando a gente se falou no telefone?

- Sim, lembro, mas eu não sei muito sobre você, se acertaram o que disseram a seu respeito só saberei o que quiser.

- Continue sua historia, estava interessante, não interrompa por favor. Depois eu conto-lhe o que desejar.

- Hahaha, duvido

- Não é prudente duvidar de mim, sabia?

- Sim, disseram isso.

- Pois é.

(continua)

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